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Índia discute medidas para aquecimento da economia canavieira

Aumento das exportações de açúcar e maior porcentagem de etanol na mistura com a gasolina estão na pauta do governo.

O segundo maior produtor de açúcar, a Índia, vive dificuldades em toda a cadeia sucroenergética. Pressionados pela baixa remuneração que a atividade tem ofertado, usinas e fornecedores estão com dificuldades para manter a produção.

Ciente desta dificuldade, o governo local reuniu seus ministros para debater soluções de curto prazo para estimular a economia canavieira. Na pauta foram discutidos o aumento da participação do etanol na mistura com a gasolina e a maior exportação de açúcar.

Açúcar

Com demanda interna desaquecida, o governo indiano planeja aumentar o volume da commodity exportado para agilizar a entrada de capital no segmento. Nesta safra o país deverá produzir aproximadamente 28,3 milhões de toneladas do produto, aumento expressivo em relação as 24,3 toneladas da safra anterior.

Atualmente as usinas não conseguem pagar seus fornecedores de cana-de-açúcar em razão dos baixos preços internacionais da commodity. Somado a isto, país vive um período com elevado estoque de açúcar, que pressiona os preços locais. Atualmente a Índia possui 10 milhões de toneladas estocadas.

O custo de produção do quilo do açúcar no país é de US$ 0,47, enquanto o preço de venda doméstica atinge os US$ 0,3. Em junho deste ano o governo indiano liberou um pacote de US$ 93 milhões para ser utilizado no quitamento destas dividas.

Etanol

O governo local vê a produção de etanol como uma saída para diminuir a elevada produção de açúcar e alternativa para diversificação da produção e renda.

A produção indiana do biocombustível é de 1,15 milhão de litros. O governo planeja aumentar este número para 2,3 milhões de litros e assim reduzir de 3 a 4 milhões de toneladas a produção de açúcar.

Como aconteceu no Brasil, o aumento da mistura do etanol na gasolina favoreceu a produção do biocombustível e reduziu a dependência pela gasolina importada. Com esta mesma estratégia, ministros indianos articulam com o governo local o aumento da mistura de 5 para 10%. (Jornal Cana 03/08/2015)

 

Dólar e clima seguem pressionando preço do açúcar em Nova York

Os futuros de açúcar demerara começam agosto ainda influenciados pelo câmbio e pelo clima no Centro-Sul do Brasil. Na sexta-feira, as cotações voltaram a se aproximar do suporte de 11,10 cents por libra-peso e tendem a testá-lo novamente nesta semana, com chances, inclusive, de rompê-lo.

Isso porque o dólar se valorizou ainda mais após o fechamento do mercado. Sustentada pelo ambiente político tumultuado e pela deterioração de indicadores econômicos nacionais, a divisa subiu 1,09% na sexta, para R$ 3,4170, maior nível desde 20 de março de 2003. Em 2015, acumula valorização de 28,70%.

Do lado climático, o que se anuncia é um agosto propício aos trabalhos de campo. Boletim da Climatempo informa que a primeira quinzena do mês será de tempo aberto e seco em quase todo o Centro-Sul do Brasil. Apenas algumas áreas de São Paulo e Paraná devem registrar precipitações, mas nada que ultrapasse os 30 mm.

Caso essa previsão se concretize, a principal região produtora do País terá pela primeira vez na safra 2015/16 um período de um mês praticamente sem paralisações. Vale lembrar que a segunda metade de julho também foi de baixa umidade no Centro-Sul, ao contrário da primeira, quando a moagem diminuiu mais de 25% na comparação anual.

Graficamente, os futuros iniciam agosto com suporte, portanto, nos 11,10 cents/lb, respeitados desde junho. Para cima, a resistência se mantém firme nos 11,50 cents/lb.

Na sexta-feira, outubro caiu 13 pontos (1,15%) e fechou em 11,14 cents/lb, com máxima no dia de 11,33 cents/lb (mais 6 pontos) e mínima de 11,12 cents/lb (menos 15 pontos). Março recuou 12 pontos (0,96%) e terminou em 12,40 cents/lb. Na semana, acumularam desvalorizações de 0,88% (menos 10 pontos) e de 1,35% (menos 17 pontos), respectivamente.

O spread outubro/março, que iniciara a semana passada em 133 pontos, encerrou sexta-feira em 126 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos aumentaram o saldo vendido em açúcar em 14.987 lotes na semana encerrada em 28 de julho. A posição passou de 55.778 para 70.765 lotes.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 47,35/saca, baixa de 0,04% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,86/saca (-1,07%). (Agência Estado 03/08/2015)

 

Em 2014, a Raízen registrou focos de incêndio em todas as regiões em que está presente

A Raízen é uma das apoiadoras da Campanha promovida pela Abag/RP e o setor sucroenergético de controle a incêndios. Fernando Lima, diretor de produção agrícola da Raízen, também prestigiou o lançamento e diz ter gostado muito da iniciativa. “Normalmente fazemos prevenção isolada e nunca alcançamos a amplitude que precisamos, que é atingir a população, as escolas, as pessoas que transitam pelos canaviais e não têm conhecimento da nossa cultura, que é a cana-de-açúcar.”A Raízen vai atuar ativamente na campanha, principalmente com a participação das unidades do Grupo que ficam nas regiões de São Carlos e Araraquara. “Posteriormente avaliaremos o resultado para tomar a decisão se expandiremos a ação para todo o Grupo.”

Segundo Lima, no ano passado a Raízen registrou focos de incêndio em todas as regiões em que está presente, mesmo desenvolvendo uma política bem estrutura de combate aos incêndios não controlados. “Ao todo, trabalhamos com 1.700 pessoas envolvidas no combate de incêndio. Em todas as unidades, são 170 caminhões, torres de vigia, EPIs. Nossa preocupação é combater o incêndio rapidamente para que não tome grandes proporções.” A Raízen hoje tem 97% de colheita mecânica e não utiliza do fogo como facilitador de colheita.
Na Raízen, a biomassa é utilizada para a produção de bioeletricidade e etanol de segunda geração. “Não podemos permitir que incêndios fora de controle destruam uma fonte de riqueza como essa, que nos oferece tantos produtos. E isso vale tanto para a cana em pé como para a palha que fica no campo”, diz Lima. Para ele, as perdas que se têm com estes incêndios devem ser apresentadas para a população por meio da campanha. Comprovando que a cana diz não ao fogo. (Cana Online 03/08/2015)

 

Desvantagens da cana bis

Há inúmeros problemas e inconvenientes no uso de cana bis, tais como:

• Maiores perdas na colheita mecanizada,

• Qualidade de matéria-prima irregular devido às novas brotações,

• Maiores custos de corte manual,

• Maiores custos de transporte por menor densidade de carga 

• Brotação irregular, necessitando de água, calor e nitrogênio para brotar.

• O canavial na colheita pode apresentar duas populações de colmos: a primeira geralmente tombada, com colmos murchos, secos e enraizada, e outra nova, formada por colmos jovens e imaturos.

• Necessidade de uso de maturadores, principalmente quando há muitos colmos novos,

• Aumento das impurezas vegetais e minerais,

Outras desvantagens da cana bis, principalmente quando deixada no campo sem critérios, são:

 Teor mais elevado de dextranas,

 Baixa pureza,

 Elevado teor de açúcares redutores,

 Atraso no corte de variedades precoces,

 Desvios no caminhamento de safra,

 Dificuldade de fabricar açúcar de alta qualidade,

 Maiores gastos com industrialização.

Nem todas as variedades apresentam estes problemas, mas faltam pesquisas e maiores informações a respeito. Um exemplo disto é o comportamento da SP79-1011 que se dava bem como cana bis no Estado de São Paulo. Esta variedade além de apresentar ganhos significativos de produtividade, sua matéria-prima era de muito boa qualidade, mesmo quando bisada. Entretanto, esta variedade não tem sido cultivada devido a problemas com a ferrugem marrom. (Cana Online 03/08/2015)