Macroeconomia e mercado

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Mais de 60% das usinas não aproveitam palha da cana, aponta pesquisa UDOP

A pesquisa de produtividade agrícola da safra 2014/15 realizada pela União dos Produtores de Bioenergia (UDOP), e que colheu dados com unidades responsáveis pela moagem de quase 15% de toda a cana-de-açúcar processada na última safra no Brasil, mostrou que do universo pesquisado, 61% das usinas não mexem na palha da cana-de-açúcar, deixando esse importante recurso adormecido nos canaviais.

O dado comprova o grande potencial das usinas brasileiras no quesito geração de bioeletricidade, a energia que vem do processo da queima da palha e do bagaço da cana nas caldeiras das unidades agroindustriais, e que hoje é desprezada por muitas unidades devido à falta de um olhar estratégico para este potencial que não é utilizado.

Para o presidente da UDOP, Celso Junqueira Franco, o setor ainda esbarra nas questões regulatórias, "em que o governo sistematicamente estabelece preços teto para os leilões de energia de biomassa, que não garantem retorno adequado aos investidores, sem contar com outros gargalos, como a conexão com o sistema de distribuição", o que, segundo ele, faz com que o setor venda apenas 15% do excedente de energia do potencial disponível no bagaço e palha, o que representa 2,5% de toda energia elétrica consumida no País.

"O setor é capaz de produzir cerca de 14% de toda energia consumida no país, sendo complementar ao sistema hídrico, pois a concentração da produção ocorre no período seco, reduzindo o consumo dos reservatórios, contribuindo para a segurança de todo sistema de abastecimento", destaca o presidente da UDOP.

Para Celso Junqueira talvez o pior entrave da maior participação da bioeletricidade na matriz energética brasileira seja exatamente a falta de uma definição clara do papel desta energia no contexto da matriz nacional.

O presidente da UDOP destaca ainda que a bioeletricidade poderia ser, hoje, uma importante válvula de escape, no momento em que o setor vive a pior crise de sua história, mas que isto requer um olhar mais estratégico por parte do governo

 

Sphenophorus levis quebra usinas e produtores de cana

Praga avança no Centro-Sul, principalmente em São Paulo; estima-se que a infestação esteja em mais de 3 milhões de hectares.

Um bicho pequeno, menor do que uma tampa de caneta, está causando estragos crescentes nos canaviais do Centro-Sul, principalmente no estado de São Paulo. É o Sphenophorus levis (Sl) também conhecido como bicudo-da-cana, a praga pode reduzir a produtividade em até 30 t/ha/corte, além de abreviar a longevidade do canavial, há casos que, devido à alta incidência, a renovação da área ocorra no segundo corte.

Atualmente há áreas do estado de São Paulo com índice de infestação superior a 80%. Segundo estudo da Kleffmann, a incidência da praga nos canaviais paulistas avançou 6,7% de 2013 para 2014. De acordo com informações do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o Sphenophorus levis atingiu 150 municípios em 2014 entre os estados de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e, principalmente, São Paulo – responsável por 54,6% da produção nacional de cana-de-açúcar. Um levantamento da consultoria Datagro Alta Performance indica que a praga está presente em mais de 60% dos canaviais do Noroeste paulista, além do avanço considerável em outras partes do estado, como a região de Assis.

Diante destes números e pela dimensão de danos que pode causar, esta praga é hoje um dos principais desafios do setor sucroenergético. Para Carulina Oliveira, gerente de Marketing Cana, Citrus e Amendoim da BASF, apenas com um posicionamento efetivo dos profissionais do setor será possível controlar a praga e minimizar os prejuízos que tem causado.

“O produtor tem de buscar informações e se mobilizar contra o Sphenophorus, que tem apresentado uma infestação cada vez mais agressiva nas regiões canavieiras do país, com exceção do Nordeste. É uma praga que se consegue controlar, mas é de difícil eliminação”, diz Carulina. Segundo ela, o problema somente poderá ser enfrentado na magnitude que representa hoje para a atividade canavieira na medida em que os profissionais entenderem o risco que oferece para o negócio.

Estimativas indicam que o setor ainda não entrou pra valer na “guerra” contra esta praga. Em 2014, foram tratados mais de 800 mil hectares com a presença da praga. "Porém, estima-se que mais de 3 milhões de hectares estejam infestados", relatou Carulina. (Cana Online 05/08/2015)

 

Mercado de biomassa ganha importância no setor canavieiro

Um dos fatores que chamou a atenção do setor sucroenergético em 2014 para a cogeração de energia a partir da biomassa da cana foi a visão de longo prazo, que corresponde ao Ambiente de Contratação Regulada (ACR), cujos preços são estabelecidos em leilão. O ano de 2014 fez parte de um processo de amadurecimento deste mercado de longo prazo, depois da criação do produto térmico em agosto de 2013, que separou as biomassas das eólicas, no leilão chamado A-5. Investimentos pedem previsibilidade. O primeiro fator, da venda de energia spot, é mais imediatista, já o segundo (o mercado regulado) tem a ver com as condições estruturantes que este mercado energético precisa. “Por isso, podemos dizer que 2014 foi um momento importante para a biomassa”, diz Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar).

Ele reconhece que houve avanços nos últimos anos nesta área, mas estes progressos têm de continuar. “Isso é fundamental para que consigamos fazer com que o investimento retorne de forma consolidada.” O executivo da Unica destaca que é preciso continuar melhorando o preço de remuneração da biomassa nos leilões para viabilizar projetos de retrofit e de aproveitamento de palha. “É preciso que o preço melhore. É difícil ter um custo padrão, pois cada usina tem uma eficiência de projeto”, salienta Zilmar. Segundo ele, a remuneração de projetos de biomassa nos leilões regulados, até o momento, não conseguiu atrair o retrofit.

O mercado para uso da biomassa da cana-de-açúcar para produção de bioeletricidade no Brasil será um dos assuntos abordados no 1º Seminário sobre Biomassa da Cana-de-açúcar & Cia, que acontece no Centro de Cana IAC de Ribeirão Preto, nos dias 12 e 13 de agosto. (Cana Online 05/08/2015)

 

Dificuldade de crédito impacta no setor de maquinários

A dificuldade na tomada de crédito também tem afetado os negócios envolvendo máquinas agrícolas. O setor registra consecutivas quedas nas vendas de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas ao longo de 2015. A indústria terminou o primeiro semestre deste ano com queda de 25% nos negócios em relação ao mesmo período do ano passado, conforme números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Os produtores interessados em renovar o parque de máquinas têm encontrado muitas dificuldades na liberação de crédito. Mesmo quem opta por alguns dos programas do governo federal sofre com a lentidão dos agentes financeiros.

“A procura [por maquinário] existe. O problema é o financiamento. O Mais Alimentos está praticamente parado há dois meses. Nem autorização de faturamento, nem pagamento estão ocorrendo. Outros tipos estão sendo liberados lentamente. Há agências no limite da inadimplência que precisam melhorar neste ponto para fazer novas operações”, relata Rudolf Petter, que, junto com a família, administra duas concessionárias de máquinas agrícolas, uma nos Campos Gerais, no Paraná, e outra na região de Itaberá, interior de São Paulo.

Nos seis primeiros meses do ano, 24,7 mil unidades foram comercializadas no país, pior desempenho do setor desde 2009. O segmento mais afetado é das colheitadeiras, com queda de 32,2% ante o mesmo período de 2014. O nicho de tratores despencou 22,4%.

“Com certeza, o setor de máquinas agrícolas estaria melhor se os financiamentos estivessem andando como nos dois anos anteriores”, lamenta Petter.

Pelo caminhar do mercado, o setor irá amargar a segunda baixa consecutiva. No ano passado, a retração chegou a 17,4% nos negócios em relação a 2013, recorde com 83 mil máquinas vendidas. (Cana Online 05/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Queda na produção industrial em junho reforça expectativa de recuo de 1,3% do PIB no segundo trimestre

A produção industrial brasileira recuou 0,3% na passagem de maio para junho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo IBGE. Esse resultado veio acima da nossa expectativa, de queda de 0,7%, e da mediana do mercado, que esperava contração de 0,8% (segundo coleta da Agência Estado). Em relação ao mesmo mês de 2014, houve retração de 3,2%. Com isso, a produção industrial acumulou recuo de 5,0% nos últimos doze meses. A desagregação do resultado de junho revela que o desempenho negativo ocorreu em 15 dos 24 ramos pesquisados. As principais influências vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,7%) e máquinas e equipamentos e produtos diversos, ambos com quedas de 7,2%. Em contrapartida, os segmentos de bebidas e produtos químicos e farmacêuticos destacaram-se dentre os setores que registraram alta, com variações positivas de 3,6% e 2,4%, respectivamente. A despeito do resultado de junho ter sido superior ao projetado, mantemos nossa visão de continuidade do enfraquecimento do setor industrial, observado desde o ano passado, diante dos estoques crescentes e do baixo patamar da confiança do empresariado. Ajustes em importantes cadeias, como construção civil e automotiva, deverão também limitar o desempenho da indústria neste ano. Para o dado de julho, esperamos nova contração da PIM, entre 0 e 0,5%. Em suma, tal desempenho reforça nosso cenário de retração de 1,3% do PIB no segundo trimestre, dado que será conhecido no final deste mês.

Atividade

FGV: indicadores reforçam fraco desempenho do mercado de trabalho em julho O Indicador Antecedente de Emprego da FGV atingiu 65,9 pontos em julho, praticamente estável frente aos 65,7 pontos observados em junho, conforme divulgado hoje. O resultado ligeiramente positivo foi influenciado pela alta dos indicadores de situação dos negócios da indústria nos seis meses à frente (4,9%) e de situação atual do setor de serviços (3,8%). Já o Indicador Coincidente de Desemprego alcançou 90,8 pontos no mês passado, após atingir 89,7 pontos em junho. O resultado corresponde a uma alta de 1,2%, marcando o sétimo aumento consecutivo. Os dados apontam, assim, para a elevação da taxa de desemprego no período, reforçando nossa perspectiva de enfraquecimento adicional do mercado de trabalho neste ano.

CNI - Confederação Nacional da Indústria

Maioria dos indicadores industriais registrou queda em junho, em linha com o recuo da produção industrial do período A maioria dos indicadores industriais apurados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou queda em junho, conforme divulgado ontem, em linha com o recuo de 0,3% da produção industrial do período. De fato, apenas o rendimento médio real e a massa salarial real apresentaram alta na margem, de 1,3% e 0,8%, respectivamente, de acordo com os dados dessazonalizados. O nível de emprego, por sua vez, caiu 0,7% na passagem de maio para junho, assim como observado nos demais indicadores de mercado de trabalho referentes ao mesmo período. Já o índice de horas trabalhadas recuou pela quinta vez consecutiva, registrando variação negativa de 1,1%. Na mesma direção, o faturamento real registrou retração de 5,5%. Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) apresentou ligeira alta em junho, de 0,1 p.p., excetuada a sazonalidade. Na comparação interanual, com exceção do rendimento médio real, que cresceu 1,0%, todos os indicadores caíram em junho. O destaque negativo ficou para a queda de 5,7% do nível de emprego.

Anamaco - Instituto de Pesquisas da Universidade

Vendas de materiais de construção apresentaram alta em julho As vendas de materiais de construção apresentaram alta de 1,2 % entre junho e julho na série livre de influência sazonal, com base nos dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas da Universidade Anamaco, com o apoio da Abrafati, Instituto Crisotila Brasil, Anfacer, Afeal e Siamfesp. Os destaques ficaram com revestimentos cerâmicos e tintas. O levantamento, que ouviu 530 lojistas, também reportou estabilidade na comparação com mesmo período de 2014. Para os próximos meses, a acomodação do mercado de trabalho e o menor ritmo de atividade econômica devem limitar o ritmo de expansão do setor.

Internacional

Área do Euro

Leitura final do índice PMI de julho sugere sustentação do crescimento europeu neste trimestre O índice PMI composto da Área do Euro alcançou 53,9 pontos em julho. O resultado foi ligeiramente superior à prévia divulgada no dia 24 de julho (53,7), porém ficou abaixo de leitura de junho (54,2 pontos). Ainda assim, o indicador permanece em patamar elevado, sugerindo crescimento de 0,4% do PIB europeu no segundo e terceiro trimestres. Entre os países pesquisados, a Espanha foi o maior destaque, com o PMI próximo ao maior nível em mais de oito anos. Já a França e a Itália exibiram alguma desaceleração, enquanto na Alemanha, o indicador permaneceu estável. Também hoje, foram divulgadas as vendas do comércio varejista da região, em junho. O setor exibiu queda 0,6% do volume vendido na margem, sucedendo alta de 0,1% no mês anterior. Assim, a despeito de alguma acomodação da atividade econômica europeia no segundo trimestre, em função das incertezas com a Grécia e da desaceleração do consumo, a confiança dos empresários se manteve elevada, reforçando a expectativa de retomada do crescimento neste semestre.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em alta, com exceção das ações em Shanghai, que voltaram a registrar perdas, diante da falta de clareza das novas regras no mercado acionário. As bolsas europeias, por sua vez, exibem ganhos nesta manhã, após anúncio de que o governo grego pretende chegar a um acordo com seus credores a respeito de um novo plano de resgate dentro das próximas duas semanas. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos operam no campo positivo neste momento, à espera da divulgação dos dados de balança comercial e do índice ISM de serviços. O dólar continua valorizado em relação às principais moedas, com exceção do rublo e da libra, que renovam seus ganhos ante a divisa norte-americana. Entre as commodities, o petróleo volta a registrar ganhos nesta manhã, diante da expectativa de que os dados de estoques nos EUA mostrem queda em relação à última semana. Já as principais agrícolas não apresentam movimento único, com o milho e o trigo em baixa e a soja em alta. No mercado doméstico, a agenda fraca de indicadores deverá manter os juros futuros estáveis.