Macroeconomia e mercado

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Dívida externa a um dólar de R$ 4,00 custará uma Petrobras

Se o dólar realmente vier a ser comercializado a R$ 4,00 no fim do ano, conforme indicam as previsões do mercado, as empresas que atuam no país vão gastar adicionalmente na amortização de seus débitos externos quase uma Petrobras inteira em 2015.

O volume a mais de gastos para quitar o passivo em dólar será o recorde de todos os tempos, ou seja, R$ 130 bilhões.

As seqüelas mais prováveis são uma redução bruta do estoque de investimentos, rebaixamento do rating de diversas companhias - notadamente as que não são exportadoras -, o encarecimento do custo financeiro e a desnacionalização da economia.

Para se ter uma idéia da exposição das empresas ao mítico dólar de R$ 4,00, segundo informações do Banco Central, 16% do total de empresas não contam com qualquer forma de hedge e outros 16% têm um hedge considerado imperfeito.

O número é gigantesco sob qualquer aspecto de comparação. Ele representa quatro vezes o orçamento do Bolsa Família para este ano e 14 vezes a meta de superávit primário ajustada para 2015.

A oneração dos custos de pagamento das dívidas externas das empresas no Brasil ainda terá o efeito colateral de dificultar a redução da oferta de swap cambial, que hoje tem um estoque total de US$ 102 bilhões, resultado em maior pressão sobre os custos fiscais do governo federal. (Brasil Econômico 07/08/2015)

 

A crise também acontece da porteira para dentro

Cada vez é maior o número de usinas inativas.

“É fundamental conhecer os números da empresa e planejar a longo prazo”, diz consultor

Andréia Moreno, da MBF Agribusiness

O segmento sucroenergético está atravessando uma das piores crises da história, não somente fora de suas porteiras, mas principalmente internamente. “Muito se fala da questão de mudar a forma de gerir o setor sucroenergético, com uma governança mais efetiva e profissional. Mas infelizmente a crise econômica desvia qualquer atenção em relação a esse assunto. Quem tem ânimo para mudar, investindo em qualidade e controles, não sabe se viverá o dia de amanhã. Para aqueles que conseguem caminhar com a mudança em paralelo, tem que haver um trabalho sério de investimento em controles. Conhecer os números da empresa e planejar a longo prazo é uma grande deficiência do setor, que precisa ser mudada”, ressalta Marcos Françóia, diretor da MBF Agribusiness.

Ele acredita que deva haver uma ação muito forte, com a interferência do governo, para reescalonar o endividamento do setor. “Seja com instituições financeiras ou com o próprio governo federal, que é um dos maiores credores e fomentador dessa dívida gerada”.

A analista de Agronegócios do banco Itaú BBA, Giovana Araújo, disse recentemente que o fato do preço da gasolina no Brasil estar em média, 15% menor que o praticado no mercado internacional é um dos principais fatores de comprometimento da rentabilidade do setor de açúcar e etanol no país. Giovana avaliou ainda que o estabelecimento da paridade entre as cotações interna e externa da gasolina poderia ser adotada pelo governo federal como medida de curto prazo. Ela defendeu o aumento da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, hoje em R$ 0,22 por litro. (Cana Online 07/08/2015)

 

Em Nova York, açúcar já acumula desvalorização de 4% em agosto

Os futuros de açúcar demerara voltaram a renovar mínimas ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), ainda pressionados pela apreciação do dólar ante o real e pelo avanço da safra no Centro-Sul do Brasil. Sem novidades construtivas nos fundamentos, as cotações permanecem com viés de queda. Só nesta primeira semana de agosto, acumulam desvalorização de 4%.

Os desdobramentos políticos e a fragilidade da economia brasileira mantêm a moeda norte-americana com trajetória de alta – nesta segunda-feira, a divisa foi a R$ 3,5360 (+1,35%), maior nível desde 5 de março de 2003. Quanto à colheita no País, cresceu o sentimento de que as usinas caminham a passos largos para se recuperar do atraso no processamento de matéria-prima.

A tendência negativa para as cotações fez com que o Itaú Unibanco revisasse suas perspectivas para a commodity. Em relatório, a instituição projeta o demerara em 11 cents/lb ao final do ano, abaixo dos 13,20 cents/lb previstos anteriormente. Essa mudança incorpora a "fraqueza da moeda brasileira e seu impacto na oferta global do açúcar", diz o banco.

Pelos gráficos, a movimentação desta quinta-feira jogou o suporte inicial para os 10,64 cents/lb, justamente a mínima de ontem. Para cima, a resistência segue nos 11 cents/lb.

Outubro caiu 6 pontos (0,56%) e fechou em 10,70 cents/lb, com máxima no dia de 10,84 cents/lb (mais 8 pontos) e mínima de 10,64 cents/lb (menos 12 pontos). Março recuou 18 pontos (1,50%) e terminou em 11,83 cents/lb. O spread outubro/março variou de 125 para 113 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 46,77/saca, baixa de 0,74% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,23/saca (-2,07%). (Agência Estado 07/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Ata do Copom reforçou fim do ciclo de alta da taxa Selic

A ata da última reunião do Copom, divulgada ontem, corroborou o comunicado emitido após o encontro, explicitando o fim do ciclo de alta da taxa Selic. O documento ainda reforçou que os juros deverão permanecer no patamar atual por um período prolongado, defendendo que a política monetária deve se manter vigilante. O Banco Central destacou também que a mudança das metas fiscais prejudica o cenário de inflação. Por fim, ressaltou a aceleração do processo de distensão no mercado de trabalho e que a política monetária está contendo os efeitos de segunda ordem decorrentes dos ajustes dos preços relativos. Segundo a ata, o realinhamento de preços relativos (dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos administrados ante os livres) tornou o balanço de riscos para a inflação desfavorável ao longo da primeira metade do ano. No entanto, a despeito desses ajustes de preços, o Comitê defendeu que “a política monetária pode, deve e está contendo os efeitos de segunda ordem deles decorrentes, para circunscrevê-los a 2015”. Adicionalmente, em outro trecho do documento, afirmou que “os riscos remanescentes para que as projeções de inflação do Copom atinjam com segurança o objetivo de 4,5% no final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da ação de política monetária, mas exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta”. Na mesma direção, defendeu “que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”.O Copom ajustou novamente para baixo sua visão acerca da desaceleração da atividade econômica, reiterando que o crescimento deste ano ficará abaixo do potencial, com o consumo das famílias mostrando sinais de maior moderação. Nessa direção, cabe chamar atenção para “dados confirmando a aceleração de um processo de distensão” no mercado de trabalho. Por fim, a ata chamou a atenção para a alteração das metas fiscais anunciadas recentemente pelo governo. Na visão do BC, “alterações significativas na trajetória de geração de superávit primários impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e podem contribuir para criar uma percepção menos positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo”. Em suma, o Banco Central chegou ao fim do ciclo de aperto monetário e deverá manter a taxa Selic inalterada em 14,25% por tempo indeterminado. Acreditamos que o próximo movimento será de redução dos juros, ainda que isso ocorra apenas no próximo ano, considerando o compromisso da autoridade monetária com a convergência da inflação para a meta. Em nossa visão, a continuidade da fraqueza da atividade econômica deverá favorecer a trajetória de inflação no próximo ano, permitindo que o BC leve a Selic para 11,50% ao final de 2016.

Atividade

Anfavea: Produção de veículos automotores registrou o primeiro resultado positivo em julho, após nove quedas consecutivas A produção de veículos automotores, exceto máquinas agrícolas, somou 215.145 unidades em julho, o equivalente a um aumento de 10,1% na margem, de acordo com os dados dessazonalizados pelo Depec-Bradesco e divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado sucede nove recuos consecutivos e reflete o aumento da produção em todas as categorias. Destacaram-se as produções de comerciais leves e automóveis, cujas altas em relação ao mês anterior foram de 18,8% e 9,0%, respectivamente, descontada a sazonalidade. Na comparação interanual, a produção total caiu 14,9%. Já as vendas aos mercados interno e externo apresentaram contrações de 0,1% e 47,2% na comparação com o mês anterior. Com isso, os estoques subiram de 37 para 41 dias de vendas na passagem de junho para julho, descontados os efeitos sazonais. O resultado de julho, portanto, posterga o ajuste dos estoques do setor, reforçando nossa expectativa de enfraquecimento adicional à frente.

Serasa Experian:

Atividade varejista apresentou desempenho negativo em julho O Indicador de Atividade do Comércio, calculado pela Serasa Experian, registrou queda de 1,9% na passagem de junho para julho, descontada a sazonalidade, conforme divulgado ontem. Dessa forma, o índice interrompeu uma sequência de quatro altas na margem. Quatro dos seis setores pesquisados apresentaram desempenho negativo no período. O destaque ficou para o segmento de veículos, motos e peças, cujo recuo foi de 3,1%. Em contrapartida, combustíveis e lubrificantes elevaram-se 0,9%, na mesma métrica. Em relação a julho do ano passado, a atividade varejista apresentou expansão de 0,7%, acumulando alta de 2,8% nos últimos doze meses. O resultado sugere, ainda de forma preliminar, ligeira retração da atividade varejista no período.

Inflação

FGV: Desaceleração do IGP-DI em julho refletiu a dissipação do reajuste da mão de obra na construção civil e a descompressão dos preços ao consumidor O IGP-DI exibiu inflação de 0,58% em julho, sucedendo alta de 0,68% no mês anterior. O resultado ficou ligeiramente abaixo da nossa projeção de 0,63% e da mediana das expectativas do mercado (0,69%). A desaceleração ocorreu especialmente no índice nacional de construção civil (INCC), que recuou de uma alta de 1,84% em junho para 0,55% em julho, em razão da dissipação dos reajustes de mão de obra concedidos em junho. No mesmo sentido, a inflação ao consumidor caiu de 0,82% em junho para 0,53% em julho. Já os preços ao produtor passaram de uma alta de 0,43% para outra de 0,61% no período. O principal responsável por esse comportamento foi o IPA agrícola, que exibiu variação de 1,02% em julho. Por outro lado, o IPA industrial exibiu variação de 0,45%, sucedendo avanço de 0,54% no mês anterior. As próximas leituras dos IGPs deverão manter a trajetória de desaceleração, refletindo a descompressão esperada para os preços agrícolas.

Internacional

Alemanha: Produção industrial de junho reforça sinais de acomodação da economia alemã no segundo trimestre A produção industrial na Alemanha em junho recuou 1,4% em relação ao mês anterior. O resultado surpreendeu negativamente as expectativas, que previam alta de 0,3%. Com isso, a indústria acumulou crescimento de 0,1% no segundo trimestre, sucedendo expansão de 0,8% nos três primeiros meses do ano. O fraco resultado pode ser explicado pela queda das exportações no período. De fato, segundo dados também divulgados hoje, os embarques alemães recuaram 1,0% entre maio e junho. Já as importações caíram 0,5% na mesma métrica. Com isso, a balança comercial alcançou um superávit de US$ 24 bilhões. Para os próximos meses, acreditamos que a demanda externa deverá se fortalecer, favorecendo a recuperação da indústria alemã.