Macroeconomia e mercado

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A mecanização do canavial começou pelo fim

De acordo com dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), nesta safra 2015/16, a mecanização deve chegar a 97% do total dos canaviais do Centro-Sul do Brasil. Em 2014, o índice foi de 93,4%. O porcentual leva em consideração as áreas que permitem a entrada de máquinas. Em 2008, o corte mecanizado estava presente em 47,6% dos canaviais e naquela época, o índice de impurezas vegetais era de 5,6%, na safra atual está em 8,7%.

Para especialistas, o aumento de impurezas vegetais está ligado diretamente com o crescimento da colheita mecanizada com cana crua, assim como a redução na qualidade da matéria-prima, da longevidade do canavial, e da brotação das soqueiras.

Mesmo assim, o sistema de colheita melhorou muito, o problema principal da mecanização da lavoura canavieira está no plantio. Paulo Roberto Artioli, produtor de cana e diretor da agrícola Tecnocana, de Macatuba, SP, observa que a mecanização nos canaviais começou pelo fim do processo, ou seja, pela colheita, o certo seria começar pelo plantio. “Principalmente para cumprimos as exigências ambientais contra a queima, investimos na mecanização da colheita, e não estruturarmos a entrada da máquina no plantio. Não fizemos isso, hoje temos o sistema de colheita mais evoluído que o do plantio”, observa.

Os dados do CTC apontam que, em 2009, o plantio mecanizado de cana era de 32,6%, e em 2015 chega a 76,7%. O crescimento se deu mais por falta de mão de obra para realizar a operação e pela necessidade de agilizar a tarefa do que pela eficiência das máquinas. “Precisa melhorar muito a tecnologia de plantio. É um absurdo utilizar cerca de 20 toneladas de cana por hectare. Estamos jogando dinheiro no sulco”, salienta Artioli sobre a quantidade de cana-tolete que a plantadora joga nas linhas da cana. Hoje, o custo de plantio por hectare sai por volta de R$ 7 mil reais, o maior custo do processo, principalmente quando se leva em conta que o resultado ainda não é satisfatório. (Cana Online 11/08/2015)

 

O desafio da recuperação judicial

“Temos visto consultorias cometer grandes falhas nas projeções, induzindo bancos e devedor a erros de decisão”, diz Françóia

Marcos Françóia, diretor da MBF Agribusiness acredita que o mercado de etanol irá se regularizar ao longo do tempo, pois o governo federal não poderá mais segurar o preço da gasolina. “O consumo do etanol está aumentado, em parte pela defasagem diminuída e, julgo eu, grande parte pelo fato da imagem negativa da Petrobras”, lembra.

O consultor admite que há boa vontade por parte das instituições financeiras em ouvir mais o setor e tentar flexibilizar as dívidas. Porém a exigência de mais garantias e taxas ainda altas, têm inviabilizado os acordos. “Infelizmente a recuperação judicial continuará a ser um desvio de rota na gestão, para se tentar fôlego. Porém se nada for feito, também não será uma solução. Não há como um plano de recuperação judicial dar certo se o mercado afunda cada vez mais. Se não houver uma intervenção do governo e uma flexibilização maior dos credores, a parte endividada do setor tende a sucumbir. Intervir é exigir regras de governança e acompanhar os resultados das empresas”, frisa.

Para se conduzir um processo com eficiência é preciso, na opinião de Françóia, em primeiro lugar realizar um diagnóstico efetivo e sério da empresa, por quem realmente conhece o setor. “Temos visto consultorias cometer grandes falhas nas projeções, induzindo bancos e devedor a erros de decisão. Também é preciso ter uma conversa prévia com os bancos, na tentativa de um acordo extrajudicial, visto que estão mais abertos a conversar”, explica. (Cana Online 11/08/2015)

 

Indicador do açúcar segue enfraquecido e volta para a casa do R$ 46/sc

Os valores do açúcar cristal seguem enfraquecidos e, na semana passada, o Indicador Cepea/Esalq recuou para a casa dos R$ 46,00/saca de 50 kg, o que não era observado desde outubro de 2014, em termos nominais.

Segundo pesquisadores do Cepea, o clima seco tem favorecido a colheita da cana-de-açúcar e, com isso, a produção de cristal segue sem interrupções.

A demanda segue estável, mas o volume que vem sendo comercializado no spot tem sido inferior ao verificado no ano passado.

Na segunda-feira, 10, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 46,49/saca de 50 kg, queda de 1,4% em relação à segunda-feira anterior. (Cepea / Esalq 11/08/2015)

 

Preço do hidratado se mantém estável; anidro em ligeira queda (-0,9%)

Os preços do etanol hidratado permaneceram praticamente inalterados na última semana, enquanto os do anidro tiveram pequena variação negativa, ambos no mercado paulista.

Pesquisadores do Cepea indicam que parte das usinas continuou aumentando a oferta diante da necessidade de "fazer caixa". Ao mesmo tempo, distribuidoras reduziram o interesse de compra, priorizando o recebimento do produto negociado via contrato.

Entre 3 e 7 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,1798/litro (sem impostos), ante a média de R$ 1,1793/litro da semana anterior. O Indicador do anidro caiu 0,9%, fechando a R$ 1,3478/l (sem impostos). (Cepea / Esalq 11/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Indicadores sugerem estabilidade da produção industrial em julho

O fluxo de veículos em estradas pedagiadas caiu 1,0% entre junho e julho, descontados os efeitos sazonais, conforme divulgado ontem pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). O resultado sucede uma elevação de 1,5% no mês anterior e uma queda de 1,2% em maio, de acordo com os dados revisados. O recuo na margem refletiu a retração de 1,8% do fluxo de veículos leves, excetuada a sazonalidade, enquanto os veículos pesados registraram ligeira alta de 0,4%. Na comparação inter anual, o fluxo total cresceu 2,3%, impulsionado pelo aumento de 5,1% do movimento de veículos leves. Em contrapartida, o fluxo de pesados caiu 5,3%, na mesma métrica. Já as vendas de papelão ondulado somaram 279.711 toneladas em julho, o equivalente a uma alta de 1,1% na margem, de acordo com os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. O resultado interrompeu uma sequência de cinco quedas na margem, segundo a série revisada. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve declínio de 4,0%. A divergência na direção desses dados, assim, sugere estabilidade da produção industrial em julho, resultado que será divulgado pelo IBGE no início de setembro

Atividade

IACI: Índice de atividade da construção imobiliária recuou em julho

O Índice de Atividade da Construção Imobiliária (IACI) apresentou leve recuo de 0,3% em julho, na comparação com o mês anterior, conforme divulgado ontem no Monitor da Construção Civil, um conjunto de índices elaborado pela Tendências em parceria com a Criactive, que mensura a área em construção de obras imobiliárias residenciais, comerciais, de turismo e outros, com abrangência nacional. Tal resultado reflete a queda no índice de acabamento, compensada parcialmente pelo avanço na margem dos indicadores de fundação e estrutura. Dessa forma, no acumulado do ano até julho, a atividade da construção imobiliária registrou queda de 12,7%. Por sua vez, o índice de lançamentos (IACI-L), que mede a área total dos empreendimentos lançados no País, apresentou ligeira recuperação na margem, de 0,2%, após quedas expressivas registradas nos últimos meses. Diante da necessidade de ajuste dos estoques de imóveis, acreditamos que o número de lançamentos deverá manter trajetória de queda neste ano, o que manterá a atividade de construção imobiliária com fraco desempenho.

Setor Externo

MDIC: Balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 726 milhões na primeira semana de agosto

O saldo comercial brasileiro manteve o ritmo das semanas anteriores, iniciando agosto com superávit de US$ 726 milhões, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Entre os dias 3 e 7 de agosto, as exportações somaram US$ 3,906 bilhões, superando as importações, que alcançaram US$ 3,180 bilhões.A comparação com as médias diárias de agosto do ano passado mostra retração bem mais forte das compras externas do que dos embarques. A queda de 30,8% das importações foi impulsionada pela retração de 78% das compras de combustíveis e lubrificantes, de veículos automóveis e partes (-18,4%) e de equipamentos elétricos e eletrônicos (-24%). Em relação às exportações, a queda de 19,8% foi impulsionada essencialmente pelo recuo de 22,6% dos produtos básicos e de 24,4% dos manufaturados. Por outro lado, os semimanufaturados cresceram 8,9%, impulsionados por óleo de soja bruto, ouro em forma semimanufaturada, celulose e semimanufaturados de ferro e aço. Assim, a balança comercial acumula saldo positivo de US$ 5,334 bilhões no ano, reforçando nossa previsão de superávit comercial em 2015.

Internacional

Alemanha: Confiança dos investidores voltou a cair em agosto

O índice ZEW de expectativas dos investidores alemães recuou novamente entre julho e agosto. A queda de 4,7 pontos levou o indicador a 25,0 pontos, situando-se ligeiramente acima da sua média histórica (24,9 pontos). Incertezas geopolíticas e o fraco crescimento da economia mundial explicam esse comportamento. Por outro lado, a avaliação dos investidores sobre a situação corrente da economia do país melhorou, com 66,2% de avaliação positiva. Na mesma direção, as expectativas em relação à Área do Euro como um todo também foi favorável, com 52,1% dos entrevistados enxergando melhora à frente. A sondagem, portanto, sustenta nossa expectativa de aceleração da economia europeia neste trimestre, enquanto a Alemanha deverá manter ritmo ainda modesto de crescimento.

China: Moeda do país mostrou forte desvalorização em resposta às alterações de sua política cambial

O banco central chinês, de forma surpreendente, decidiu por permitir uma desvalorização nominal de sua moeda em 1,9% em relação ao dólar. Com isso, o yuan fechou com a maior perda desde 1994. Esse movimento faz parte de uma mudança da política cambial do país, redefinindo o mecanismo de fixação da taxa de referência diária. De fato, o comunicado do banco central revela a intenção de alinhar as taxas cambiais nos mercados offshore e onshore, medida que ocorrerá apenas uma vez. Ao mesmo tempo, esclareceu que a taxa de referência será baseada no fechamento da cotação do yuan do dia anterior, com maior influência do mercado e não apenas pela taxa determinada pela autoridade monetária. Na nossa visão, várias são as motivações para essa alteração, dentre elas podemos destacar: (i) o aumento da competitividade da moeda chinesa para impulsionar as exportações, que estão muito fracas; (ii) o ajuste da taxa de câmbio real, que acabou ficando valorizada; (iii) possível resposta ao relatório do FMI sobre o SDR (special drawing rights, ativo de reserva internacional emitido pelo FMI), que criticava a diferença da cotação de mercado daquela fixada diariamente pelo banco central; e (iv) um avanço na reforma cambial, permitindo maior volatilidade e alinhamento com uma cesta de moedas (e não apenas com o dólar), com a intenção de internacionalização do yuan. Nos próximos dias, o mercado ainda deverá reagir a esse movimento, entendo as motivações do banco central do país. A princípio, como foi anunciado que esse movimento aconteceria apenas uma vez, a moeda chinesa deve mostrar alguma acomodação nesse novo patamar.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em queda, com destaque para a estabilidade das ações em Shanghai, após intervenção do banco central chinês que resultou na maior depreciação do yuan em duas décadas. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus operam em baixa, refletindo a surpresa negativa com o índice de sentimento econômico alemão (ZEW). Os índices futuros norte-americanos também registram perdas nesta manhã, à espera da divulgação dos dados de produtividade e estoques no atacado.

O dólar mantém-se fortalecido ante as principais moedas, com destaque para a forte desvalorização da divisa chinesa. Em contrapartida, o euro é cotado em alta em relação à moeda norte-americana. Entre as commodities, o petróleo voltou a registrar queda, diante da divulgação dos dados da OPEP referentes ao mês passado, que mostraram aumento da produção. As agrícolas novamente acompanham o movimento do petróleo e são cotadas em queda neste momento. No mercado doméstico, as taxas de juros futuros deverão reagir à expectativa de ligeira valorização cambial, que pressionará o fechamento da curva.