Macroeconomia e mercado

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Muito a melhorar!

Crise atingiu toda a cadeia produtiva sucroenergética mas não intimidou os investimentos em tecnologias.

Ativo que movimenta a economia sucroenergética, o material vegetal escolhido para produzir nos canaviais tem importância estratégia na geração de produtos e no desempenho produtivo frente às condições ambientais adversas. Com demanda diversificada, que exige da cana-de-açúcar qualidades que agreguem em produção de fibras e sacarose, empresas e institutos ligados ao melhoramento da cana continuam a investir em tecnologia para a cultura, cientes da contínua demanda por novos cultivares.

A redução de investimentos atingiu toda a cadeia produtiva do etanol, açúcar e energia, porém não intimidou os investimentos em novas tecnologias.

Um exemplo é o desenvolvimento pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) de variedades selecionadas para a mecanização, motivada pela diminuição de renovação de canaviais pelas usinas. “Hoje, o principal fator que impacta a longevidade e produtividade do canavial é o plantio e a colheita mecânica.

As variedades desenvolvidas por nós e selecionadas sob mecanização desde o seu nascimento, são inteiramente adaptadas aos novos tempos da cana-de-açúcar”, explica. (Jornal Cana 12/08/2015)

 

Futuros do açúcar devem manter tendência de baixa em Nova York

Apesar da leve alta registrada ontem dos contratos de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), a tendência ainda é de baixa dos preços futuros. Os bons resultados da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil e o fortalecimento do dólar ante outras moedas devem manter o mercado sob pressão negativa.

Segundo o analista da INTL FCStone João Paulo Botelho, a alta em Nova York representou apenas uma correção de indicadores técnicos, que estavam sobre vendidos. "Fundos e especuladores aproveitaram para realizar lucro", informa. "A tendência é o mercado continuar acompanhando o dólar", acrescenta.

A moeda norte-americana até subia no início da tarde, o que implicaria queda das commodities, cotadas na divisa dos Estados Unidos. O mercado do açúcar, porém, ignorou esse fator, concentrando atenção nas condições de desenvolvimento da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo.

O analista observa que a moagem na segunda quinzena de julho foi expressiva, alcançando cerca de 49,4 milhões de toneladas, um recorde. A atual quinzena também pode apresentar números positivos, por volta de 45 milhões de toneladas, considerando o clima seco, que favorece a colheita.

A Climatempo informa que uma "massa de ar seco mantém o tempo firme em grande parte de São Paulo", maior Estado produtor de cana, pelo menos até o fim da primeira quinzena de agosto. Chuvas pouco significativas só devem ocorrer no período na parte sul e costa do Estado.

O resultado disso é o aumento da oferta do produto, que o mercado físico não mostra condições de absorver. Conforme Botelho, as cotações internas recuam, com o prêmio caindo para entre 30 pontos a 35 pontos abaixo das cotações futuras em Nova York, para o primeiro vencimento.

Botelho salientou, ainda, que a decisão do Banco Central chinês de promover uma desvalorização de 1,9% do yuan, o maior ajuste em mais de duas décadas, deve trazer poucos reflexos para o mercado de açúcar. A China é importadora do produto mas, mesmo antes da desvalorização da moeda, o país já vinha limitando a entrada de açúcar estrangeiro, como forma de melhorar a remuneração dos produtores locais.

Os indicadores técnicos dos futuros de demerara sugerem suporte a 10,50 cents e 10,37 cents (fundo duplo). A resistência é de 11 cents.

O mercado de açúcar em Nova York trabalhou no terreno negativo em boa parte do pregão de ontem, mas acabou fechando em leve alta. O vencimento outubro subiu 5 pontos (0,47%), a 10,62 cents. A máxima foi de 10,71 cents (mais 14 pontos). A mínima bateu 10,37 cents (menos 20 pontos).

O indicador diário do açúcar, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), fechou ontem em R$ 46,26/saca, queda de 0,49%. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,22/saca (-1,93%). (Agência Estado 12/08/2015)

 

Produtores de cana pedem liberação de recursos

Nesta terça-feira (11), o presidente da União Nordestina de Produtores de Cana de Açúcar (Unida), Alexandre Andrade, e outros representantes de plantadores da região pediram ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que interceda junto ao Ministério da Fazenda pela liberação da subvenção da cana aprovada pela Lei 12.999/2014. Os produtores esperam receber R$ 187 milhões, como estabelecido pela Medida Provisória 666/2014, mas o pagamento foi prejudicado porque a MP não foi aprovada e perdeu a eficácia.

Segundo Alexandre Andrade, o dinheiro beneficiará 35 mil produtores, 91% da agricultura familiar. A lei da subvenção foi aprovada para socorrer os plantadores do Nordeste e do Rio de Janeiro que tiveram prejuízos com a seca na safra 2012/2013. Cada produtor tem direito ao pagamento de R$ 12 por tonelada de cana, até o limite de 10 mil toneladas.

Com esse recurso entrando agora, os produtores terão condições de fazer novos plantios, tratos culturais, contratar mais mão de obra e gerar emprego e renda na região. Agora está todo mundo, praticamente, sobrevivendo de plantios anteriores. A produtividade é muito baixa, porque tem que haver uma renovação desse canavial, que não está acontecendo — explicou Andrade.

Renan Calheiros respondeu aos produtores que aproveitará o encontro que terá com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nesta quarta-feira (12), para cobrar uma sinalização sobre a subvenção. Renan explicou que o Congresso vem trabalhando com a equipe econômica do governo para encontrar soluções que levem à retomada do crescimento.

Além de Alexandre Andrade, participaram do encontro Edgar Antunes, presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana/AL); Murilo Paraíso, presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan/PB); Edvaldo Júnior; Willian Fragoso; José Ricardo Severo; Jorge Monteiro; e Flavio Romero.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado. (Agência Estado 12/08/2015)

 

Brasil reduziu emissões de gases de efeito estufa em 15%, mas impacto da área de energia cresceu 103%

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Observatório do Clima, rede que reúne 37 entidades da sociedade civil para discutir as mudanças climáticas no Brasil.

As emissões brutas de gases do efeito estufa (GEE) no Brasil, entre 1990 e 2013, diminuíram de 1,83 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e) para 1,59 bilhões de toneladas, o que representa uma queda de 15%. No mesmo período, as emissões globais cresceram mais de 35% alcançando cerca de 52 bilhões de toneladas. As informações são da Agência Brasil.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Observatório do Clima, rede que reúne 37 entidades da sociedade civil para discutir as mudanças climáticas no Brasil.

Segundo os dados levantados pelo Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, plataforma de acesso aberto criada pelo observatório, o setor de energia teve um incremento de 103% nas emissões do GEE no período de 1990 e 2013, seguido de processos industriais, com 93%, e resíduos, com 68%, e do setor agropecuário que teve alta de 46%. O setor de mudanças do uso da terra teve queda de 56% nas emissões.

Só nos últimos cinco anos, as emissões da área energética aumentaram 34%. “A expansão se deve à queda da participação do etanol, ao aumento do consumo de gasolina e diesel, além do incremento de geração termelétrica no Brasil”, observou o secretário executivo do observatório, Carlos Rittl. Para ele, essa tendência é alarmante, mesmo quanto ao desmatamento.

O documento indica ainda que em 2013 os estados do Pará e do Mato Grosso figuram como os maiores emissores do país, devido ao desmatamento e à atividade pecuária. Logo em seguida vêm São Paulo e Minas Gerais, onde predominam emissões do setor de energia (especialmente o transporte) e, no caso de Minas Gerais o gado leiteiro.

Embora o Brasil tenha passado por avanços importantes no que diz respeito às políticas públicas voltadas para mudanças climáticas, as análises do SEEG indicam que o país ainda não incorporou uma estratégia de desenvolvimento que leve em conta o controle das emissões de gases do efeito estufa.

“As incentivas do governo federal, derivadas da Política Nacional sobre Mudança Climática, de 2009, têm escala muito tímida, e são frequentemente atropeladas por outras, como os subsídios à gasolina e o incentivo ao carro. É como se houvesse dois governos em ação: um que elabora políticas avançadas de descarbonização e outro que sabota sistematicamente essas políticas”, observou o secretário executivo.

Ritll explicou que o resultado é que o país não aproveita as oportunidades e as vantagens únicas que uma economia de baixo carbono pode oferecer. “A governança que sustenta as políticas públicas brasileiras relacionadas às mudanças climáticas não é claramente estabelecida. O país ainda não possui um sistema claro de monitoramento e avaliação para todas as políticas públicas ou para o conjunto de iniciativas sobre mudanças do clima e de cada um dos planos setoriais”, finalizou. (Gazeta do Povo 12/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Frustração com o desempenho dos indicadores chineses em julho deve manter viés pessimista em relação à economia do país

Em linha com o apontado pelo índice PMI e pelas exportações em julho, os demais indicadores de atividade chineses reforçaram a piora da economia do país no mês passado.

Destacamos o fraco resultado da produção industrial, que avançou 6,0% em relação a julho do ano passado, ficando abaixo do esperado pelo mercado (6,6%) e do registrado em junho (6,8%). Os investimentos em ativos fixos, por sua vez, seguiram a tendência de desaceleração, ao acumular crescimento de 11,2% até julho, frustrando o esperado (11,5%) e arrefecendo ante junho (11,4%). Esse enfraquecimento dos investimentos é explicado pela continuidade da desaceleração do setor imobiliário e, principalmente, pelas inversões em infraestrutura que continuam desapontando.

Por fim, as vendas nominais do varejo mostraram certa estabilidade, ao se expandirem 10,5% em julho, frente às expectativas de alta de 10,6%, após terem avançado 10,6% em junho.

Somado aos indicadores, a moeda chinesa mostrou depreciação de 1,6% nesta quarta-feira, depois de ter depreciado 1,9% no dia anterior, em resposta ao novo regime cambial, anunciado ontem pelo banco central do país.

Entendemos que essa mudança é motivada principalmente por questões estruturais, na direção de internacionalizar o yuan (que implica aumentar a volatilidade e responder às oscilações de uma cesta de moedas e não apenas ao dólar). Ainda assim, o mercado tem interpretado esse movimento como mais uma tentativa de estabilizar o crescimento, aumentando as preocupações com a saúde da economia chinesa nos próximos meses.

De todo modo, entendemos que o espaço para depreciação ainda existe, o que implicaria em uma perda adicional no curto prazo de 4 a 5% em relação à cotação atual, mas o efeito dessa desvalorização sobre a atividade econômica seria bastante limitado.

Acreditamos, assim, que os riscos baixistas para a economia chinesa são elevados e novas medidas de estímulo fiscal e monetário, esperadas pelo mercado, não serão suficientes para garantir uma aceleração à frente. Isso, por sua vez, dá um viés de baixa para nossa expectativa de crescimento do PIB de 6,5% neste ano, abaixo da meta de expansão de 7% estipulada pelo governo.

Atividade

Plano de investimento em energia elétrica soma R$ 186 bilhões

O governo federal anunciou ontem um plano de investimento em energia elétrica (PIEE) que soma R$ 186 bilhões a partir de setembro, até 2018. Desse montante, R$ 116 bilhões serão destinados à geração, de forma a adicionar de 25 mil MW a 31,5 mil MW de energia ao sistema nesse período. As energias renováveis ganham força no plano e devem responder por 40% a 45% da potência adicional. Para transmissão, o governo espera aportes de R$ 70 bilhões, o que representaria um incremento de 37,6 mil quilômetros nas linhas de transmissão. O programa faz parte da agenda positiva do governo, de forma a ampliar a produtividade brasileira, complementando o programa de logística anunciado em junho. A presidente Dilma Rousseff anunciou ainda a redução de 15% a 20% no valor da bandeira vermelha, após o desligamento de 21 usinas térmicas no último final de semana, o que irá favorecer a inflação nos meses à frente.

Fecomércio: Confiança do varejo atingiu o menor patamar da série histórica em julho

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu 77,5 pontos em julho, conforme divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP). O resultado, que corresponde a uma queda de 3,9% na margem, marcou a oitava retração consecutiva do indicador. Além disso, o Icec alcançou o menor patamar da série histórica iniciada em 2011. Todos os três componentes do índice recuaram no período, com destaque para a variação negativa de 8,0% da avaliação das condições atuais. Na comparação interanual, o Icec registrou declínio de 21,4%. Os dados estão em linha com a queda da confiança do varejo observada na Sondagem do Comércio da FGV e reforça nossa expectativa de continuidade do recuo da atividade desse setor neste ano.

Abraciclo: Produção e vendas de motocicletas avançaram em julho

A produção de motocicletas em julho totalizou 101,721 mil unidades, segundo os dados reportados ontem pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (ABRACICLO). Esse resultado representa um avanço de 3% ante junho, na série livre de efeitos sazonais. Na mesma direção, as vendas registraram alta de 8,8% na margem, alcançando 93,654 mil unidades em julho. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a produção recuou 25,2% e as vendas 17,1%. Assim, no acumulado dos sete primeiros meses do ano, quando comparado ao mesmo período de 2014, foram registradas quedas de 11,9% e 9,3% na produção e nas vendas, respectivamente. As vendas e a produção de motocicletas devem continuar em baixos patamares, refletindo o ajuste no mercado de trabalho. Com isso, projetamos um recuo de 10% das vendas de motocicletas neste ano.

Conab: Quinta revisão positiva seguida da produção de grãos aponta continuidade do cenário acomodatício para os preços agrícolas A Conab divulgou ontem o 11º levantamento da safra 2014/15 e revisou pela quinta vez consecutiva a estimativa de produção, em mais 2,5 milhões de toneladas, refletindo a melhora do regime de chuvas nas principais regiões produtoras. A safra total de grãos deverá ser recorde, somando 208,8 milhões de toneladas, o equivalente a um avanço de 7,9% ante a safra passada. A revisão positiva foi motivada em grande parte pela melhora das estimativas para a produtividade de milho 2ª safra, que está em fase de colheita. Na comparação entre o levantamento atual e o do mês anterior, a estimativa para a produção de milho 2ª safra foi revisada para cima em 2,5 milhões de toneladas, o correspondente a uma alta de 4,8%. A produção de soja e de milho está estimada em nível recorde, apresentando expansão de 11,7% e 5,3%, ante a safra passada, respectivamente. Com esse cenário, os preços agrícolas devem continuar acomodados em baixos patamares.

Internacional

Área do Euro: Queda da produção industrial em junho reforça expectativa de acomodação do PIB no segundo trimestre

A produção industrial da Área do Euro em junho recuou 0,4% em relação ao mês anterior. O resultado ficou abaixo das expectativas, que previam queda de 0,1%, porém o dado de junho foi revisto de uma variação negativa de 0,4% para outra de 0,2%. Com isso, a produção acumulou queda de 0,5% no segundo trimestre. O desempenho no mês foi influenciado pelas quedas de 2,0% da fabricação de bens de consumo duráveis, 1,8% de bens de capital e de 0,5% de intermediários. Por outro lado, a produção de energia subiu 3,2% na margem. Entre os países do bloco, destaque negativo para o desempenho de Portugal e Irlanda, com recuos de 2,1% e 2,0%, respectivamente. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, a indústria exibiu expansão de 1,2%. Os dados, assim, reforçam nossa expectativa de acomodação da velocidade do crescimento da economia européia no segundo trimestre.