Macroeconomia e mercado

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Empresas reclamam de propina no setor sucroenergético

Propina coloca a segurança em risco.

Fomos procurados por empresas fornecedoras de produtos e serviços para o setor sucroenergético que reclamam que o “comer bola”, o solicitar propinas para fechar contratos também é comum no mundo da cana. Os entrevistados pediram para não ter os nomes revelados, pois, também nesse meio é difícil provar o ato, e o “comedor de bola” se mantém no cargo e o fornecedor que denunciou é prejudicado. Porém, prejudicada mesmo é a usina que muitas vezes deixa de conhecer uma solução mais viável para seus problemas, ter acesso a inovação, a produtos com maior qualidade e melhor custo-benefício.

As especialistas em Administração de Compras, Cibele Cassimiro de Campos e Fernanda de Jesus Lisboa, salientam que o profissional de compras jamais pode esquecer que não está comprando para ele mesmo, mas para a empresa em que trabalha. E é sempre desse modo que ele tem de pensar ao analisar os orçamentos dos fornecedores. Presentes com pouco valor comercial como brindes publicitários (caneta, agenda, calendário, etc...) que tenham o nome do fornecedor impresso neles podem ser aceitos, desde que não causem uma situação em que o comprador se sinta influenciado a tomar uma decisão tendenciosa ou que levem outros a pensarem assim. (Cana Online 14/08/2015)

 

“Precisamos de um salto na melhoria da qualidade das operações, do preparo à colheita de cana”

A lavoura canavieira só se rendeu à máquina nos anos 2000, fatores como proibição da queima, escassez de mão de obra e aumento do custo trabalhista, pesaram na decisão. Mas a mudança veio mesmo a partir de 2007, quando o setor sucroenergético paulista, em parceria com as Secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura do Estado de São Paulo, assinou o Protocolo Agro ambiental do Setor Sucroenergético Paulista. Grande passo para a mecanização, pois São Paulo responde por 60% da cana produzida no país.

Com o Protocolo, 170 unidades agroindustriais e 29 associações de fornecedores (que representam 5.997 fornecedores de cana signatários), que juntos significam mais de 90% da produção paulista, se comprometeram a antecipar o fim da queima da palha para 2014 nas áreas mecanizáveis e para 2017 nas áreas não mecanizáveis.

Segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo), em 2007 havia 163 mil cortadores manuais no estado, e a mecanização da colheita era de 58,3%. Na safra 2014/15 o índice de mecanização da colheita atingiu 90%. Estima-se que o número de trabalhadores do corte de cana tenha reduzido para cerca de 50 mil no final de 2014.

A Raízen, uma das maiores empresas de energia do mundo, com 24 unidades produtoras e40 mil funcionários, sendo que, deste montante, 18 mil profissionais são da área agrícola, nesta safra conta com 97% da colheita de cana mecanizada e 87% do plantio. Mas, na opinião de Fernando Lima, diretor de Produção Agrícola, o setor paga a conta por esse ambiente cada vez mais mecanizado, na colheita e no plantio. “Fomos para um plantio mecanizado em velocidade enorme, o que levou é esse alto nível de falhas que se tem hoje. É preciso discutir muito com os fabricantes o aperfeiçoamento das máquinas. E a qualidade da colheita precisa evoluir sempre. Sem esquecer as pessoas. O trabalhador precisa ser qualificado.”

A forma de melhorar a produtividade, ou pelo menos recuperar o que se tinha antigamente, na visão de Lima, passa principalmente pela melhoria do plantio. “Temos muita soca falhada, com custos enormes para recuperar essas falhas.Precisamos de um salto na melhoria da qualidade das operações, do preparo à colheita”. (Cana Online 14/08/2015)

 

Biosev: Preços do açúcar podem ter recuperação em 2016, diz Chammas

O diretor presidente da Biosev, Rui Chammas, disse que os preços do açúcar podem se recuperar ao longo do próximo ano. "Há um consenso global de que esta será a primeira temporada (se referindo à safra mundial de açúcar que vai de outubro de 2015 a setembro de 2016) em muitos anos em que o consumo irá superar a produção. Acho que isso aponta para o final da tendência de queda dos preços", falou ao Broadcast Agro. Chammas, no entanto, não quis apontar percentuais ou valores. "Não fazemos projeções de preços, mas é uma análise para o ciclo", afirmou.

No primeiro trimestre da safra 2015/16, a Biosev produziu 437 mil toneladas de açúcar, queda de 16,3% em relação a igual período em 2014/15. Do total da cana processada, 49,4% foi para a fabricação de açúcar. Segundo a Biosev, 1,41 milhão de toneladas tinham preço fixado a 15,72 centavos de dólar por libra-peso em 30 de junho deste ano. O câmbio médio para o hedge foi de R$ 2,85 por US$ 1. Esse volume representa 84% da exposição da safra.

Em relação ao etanol, o impacto das medidas anunciadas no início deste ano, como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), ajudaram no aumento das vendas do produto. "Há uma demanda bastante robusta no País atualmente", afirmou. Ele disse que a Biosev não deve segurar grandes volumes de estoques; a companhia deve colocar parte da produção à venda durante a entressafra. (Agência Estado 14/08/2015)

 

Variedade não é o único componente da produtividade

RB867515 se mantém como a variedade de canamais plantada no Brasil.

Acredito que, para a produtividade, a variedade é um grande componente, mas não é o único. Estes últimos anos, com o plantio mecanizado, e principalmente a colheita mecanizada de cana crua, às quais as usinas não estavam tão preparadas e tiveram que rapidamente se adaptar, aliado às condições climáticas, que nos últimos anos foram muito danosas à cultura da cana, somente a variedade não teria toda a capacidade de elevar a produtividade.

Temos variedade com alto potencial, mas verificamos que em função de seu manejo, da colheita mecanizada de cana crua, da compactação do solo, da adubação etc, os resultados deixam a desejar. É preciso somar a essas belas variedades o manejo adequado, para que efetivamente consolidemos uma produtividade acima de 100 toneladas por hectare na média de 5 cortes.

Sozinha, uma variedade não vai resolver o problema. E quando falo de manejo me refiro desde o preparo do solo, a adubação, passando pela colheita, época de corte, qualidade da brotação, colheita de cana crua. Ao carregar sobre a variedade essa grande expectativa estamos penalizando muito esse fator chamado variedade, pois é um complexo.

Por isso que nós, como universidade, entendemos que devemos atuar de maneira conjunta, ampla, em todo o manejo da lavoura. O sonho da RIDESA (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético) é criar um programa de cana-de-açúcar em todas as áreas. Aí sim acredito que teremos aumentos significativos de produtividade.

Edelclaiton Daros, pesquisador da Universidade Federal do Paraná e coordenador nacional da RIDESA. (Cana Online 14/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Preços no atacado impulsionaram desaceleração do IGP-10 em agosto

O IGP-10 registrou variação de 0,34% entre julho e agosto, conforme divulgado há pouco pela FGV. O resultado sucedeu uma alta de 0,75% no mês anterior, e ficou abaixo das expectativas do mercado e da nossa projeção, que apontavam altas de 0,42% e 0,54%, respectivamente. Os principais responsáveis pela descompressão da inflação no período foram os preços no atacado, que passaram de uma alta de 0,70% em julho para 0,23% em agosto. Tanto os produtos agropecuários como industriais contribuíram para esse comportamento, com altas de 0,16% e 0,26%, nessa ordem. Destaque para as deflações de 6,35% dos alimentos in natura, de 2,27% do minério de ferro e de 2,74% dos bovinos. Os preços ao consumidor e o INCC também desaceleraram, de uma alta de 0,69% no mês passado, para 0,43% neste mês, no primeiro caso, e de 1,21% para 0,77% no segundo. Para os próximos meses, prevemos que os preços agrícolas manterão a tendência de desaceleração, favorecendo o resultado do índice agregado.

Atividade

Fiesp/Ciesp: emprego industrial paulista registrou nova queda em julho

A indústria paulista registrou redução líquida de 30.500 postos de trabalho em julho, de acordo com os dados divulgados ontem pelo sistema Fiesp/Ciesp. O resultado é equivalente a uma queda de 1,07% no nível de emprego em relação ao mês anterior, excetuada a sazonalidade, marcando o sétimo recuo consecutivo. Na comparação interanual, o emprego industrial paulista caiu 7,9%, refletindo a variação negativa em 21 dos 22 setores pesquisados. Destacaram-se os segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos e fabricação de máquinas e equipamentos, cujas retrações foram de 14,3% e 13,7%, respectivamente. Já o setor de fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos ficou estável, na mesma métrica. O resultado reforça nossa expectativa de nova contração líquida de empregos formais em julho, dado que será divulgado na próxima semana pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Anda: entregas de fertilizantes cresceram em julho

As entregas de fertilizantes ao consumidor final somaram 3.257 toneladas em julho, o equivalente a um avanço de 3,8% em relação a junho, na série livre de efeitos sazonais, de acordo com os dados divulgados ontem pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). No mesmo sentido, a produção de fertilizantes cresceu 1,3%, movimento seguido pelas importações, que registraram leve alta de 0,6% na margem. Contudo, nos primeiros sete meses do ano, as entregas acumularam queda de 7,7% frente ao mesmo período de 2014, resultado influenciado pelo recuo na demanda para as culturas de milho safrinha, algodão, cana de açúcar, trigo e soja. Já a importação recuou 9,5% no mesmo período. A produção, por sua vez, registrou alta de 5,1% em nessa métrica. O resultado mais fraco no ano é explicado pela desvalorização do câmbio, que encareceu os produtos importados, e a postergação das compras pelos agricultores, o que sugere que os próximos resultados devam continuar surpreendendo ligeiramente para cima.

Secovi/Embraesp: mercado imobiliário paulistano apresentou melhora em junho

O mercado imobiliário na cidade de São Paulo apresentou melhora em junho, conforme divulgado ontem pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Foram vendidos 2.588 imóveis na capital paulista no período, o equivalente a um avanço de 28,9% em relação a maio, segundo nossas estimativas dessazonalizadas. Já os lançamentos foram de 2.036 unidades, conforme pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o equivalente a uma alta de 5,3% na margem. Na comparação interanual, isso representou um avanço de 141,4,% das vendas e queda de 15,6% dos lançamentos. Com isso, os estoques de imóveis passaram de 15 meses em maio para 14 meses do atual patamar de vendas. Vale ressaltar que grande parte do aumento das vendas em relação ao ano passado se deveu ao efeito base mais fraco em função da Copa do Mundo. Dessa forma, e a despeito do forte resultado apresentado no último mês, a elevação da taxa de desemprego, a piora nas condições de financiamento e a queda da confiança do consumidor deverão manter o setor imobiliário enfraquecido neste ano.

Conab: clima mais chuvoso beneficia a produtividade de cana

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem o 2º levantamento da safra 2015/16 de cana-de-açúcar, que apontou expectativa de aumento da produção de 654,6 para 655,2 milhões de toneladas, refletindo a melhora de produtividade com o clima mais chuvoso. Por outro lado, as previsões para a produção de açúcar foram revisadas para baixo, de 37,354 para 37,283 milhões de toneladas entre o levantamento de abril e o atual, em resposta aos baixos preços no mercado internacional. O etanol anidro (misturado à gasolina) também sofreu revisão baixista, de 6% ante o levantamento anterior, passando de 12,735 para 11,967 bilhões de litros, por causa da demanda fraca por gasolina e mais voltada para o etanol hidratado. Assim, a estimativa de produção do hidratado passou de 16,464 para 16,553 bilhões de litros. Na comparação com a safra anterior, a produção de cana está estimada com alta de 3,2% e a de açúcar com incremento de 4,8%. Para o etanol anidro, a estimativa é de alta de 2% da produção. Já para o etanol hidratado, usado diretamente nos carros flex, a estimativa da Conab é de recuo de 2,2%. Apesar da leve revisão baixista da produção brasileira de açúcar, os preços internacionais da commodity devem continuar acomodados, refletindo os elevados estoques globais.

Internacional

Área do Euro: resultado do PIB do segundo trimestre confirma acomodação da economia européia no período

O PIB da Área do Euro cresceu 0,3% entre o primeiro e o segundo trimestre, sucedendo alta de 0,4% nos dois trimestres anteriores. O resultado ficou abaixo da previsão do mercado, que esperava manutenção do crescimento em 0,4%, porém em linha com a nossa expectativa. A prévia do indicador não traz a abertura, mas provavelmente o consumo foi que puxou o resultado para baixo. Na comparação com o mesmo período de 2014, a expansão foi de 1,2%. Entre os países do bloco, destaque positivo para a aceleração do PIB alemão, de 0,3% para 0,4%, e do grego, que passou de 0,0% para 0,8%. Por outro lado, a França registrou desaceleração bastante intensa, de 0,7% para 0,0%. Apesar da acomodação do PIB europeu no último trimestre, acreditamos que há fundamentos para que a economia da região volte a se acelerar nesta segunda metade do ano, levando a um crescimento de 1,5% no ano.

EUA: atividade varejista avançou em julho, reforçando expectativa de início da normalização monetária neste ano

As vendas no varejo norte-americano avançaram 0,6% na passagem de junho para julho, excetuada a sazonalidade, conforme reportado ontem pelo Departamento do Comércio dos EUA. O resultado, que ficou em linha com o esperado pelo mercado, foi impulsionado, majoritariamente, pela alta de 1,4% na venda de veículos. Também contribuíram positivamente os segmentos de alimentação fora do domicílio e materiais de construção, cujas elevações foram ambas de 0,7% na margem. Na comparação interanual, a atividade varejista cresceu 2,4%. Além disso, a queda de 0,3% observada em junho, em relação ao mês anterior, foi revisada para estabilidade. Dessa forma, os dados reforçam nossa expectativa de continuidade da aceleração do crescimento norte-americano e de início da normalização da política monetária ainda neste ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em queda, com exceção do mercado de Shanghai, cuja alta refletiu a leve valorização do yuan, após fortes desvalorizações da divisa chinesa ao longo da semana. As ações europeias também são cotadas em baixa nesta manhã, diante da surpresa baixista com o PIB da Área do Euro. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos apresentam perdas nesta manhã, à espera da divulgação dos dados de produção industrial de julho. O dólar perde força ante as principais moedas, como o euro, a libra e o iene. Entre as commodities, o petróleo volta a registrar queda neste momento, refletindo o excesso de oferta mundial. As agrícolas também operam no campo negativo nesta manhã. No mercado doméstico, a forte descompressão da inflação observada no IGP-10, divulgado hoje, deverá pressionar o fechamento da curva de juros futuro.