Macroeconomia e mercado

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"Desafio é manter-se vivo", destaca gerente de economia da Unica em boletim do CTBE

Nesta terça-feira (18), o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia - CTBE - e a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp divulgaram o Boletim de Monitoramento da Cultura da Cana-de-Açúcar no Estado de São Paulo.

Desta vez, o material trouxe uma entrevista com o Gerente de Economia e Análise Setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Luciano Rodrigues. Ele falou sobre o momento atual do setor, que enfrenta um período de recorde de unidades em recuperação judicial. Segundo o Boletim, desde 2008, 80 usinas já fecharam as portas em todo o Brasil. Somente neste ano, já são nove usinas fechadas no Centro-Sul.

"O tempo necessário para recuperação do capital investido em uma usina é de dez a quinze anos e a indefinição sobre o futuro da matriz de transportes dificultam a realização de novos investimentos para a expansão da produção", explicou Rodrigues.

Esse cenário de fechamento de unidades pela primeira vez pode afetar a produção, pois até então a capacidade de processamento ociosa das usinas era muito grande, por isso elas também processavam a cana de usinas fechadas. Porém, Rodrigues alerta que "com a saturação da capacidade de processamento das usinas, é quase certo que essa safra terminará com muita cana em pé".

O gerente acredita que o panorama futuro para a cana ainda apresenta fundamentos promissores. Pois, para o açúcar, o excedente mundial está quase equalizado e o crescimento da demanda deve permanecer em torno de 1,5% a 2% por ano (cerca 3 milhões de toneladas/ano) nos próximos anos.

"Para aproveitar esse futuro promissor, o setor precisa manter-se vivo no momento. As usinas que estão prosperando atualmente são as que tem uma gestão enxuta com otimização de uso dos recursos, mas que sobretudo não estão endividadas", concluiu Rodrigues.

Desempenho da safra

O levantamento trouxe ainda informações sobre as condições climáticas dos canaviais. De acordo com os dados, os índices de vegetação no mês de julho estão acima da média histórica, e indicam um bom desenvolvimento da safra 2015/16.

Ainda de acordo com o levantamento, julho deste ano apresentou déficit de chuvas comparado com julho de 2014, com exceção na região sul do estado de São Paulo, que apresentou precipitação de 10% a 100% acima do ocorrido em julho de 2014. (UDOP 18/08/2015)

 

Florescimento da cana também provoca danos na indústria

Segundo Vanessa Divina Dutra, gestora de controle de qualidade da Usina Jalles Machado, de Goianésia, GO, algumas áreas dos canaviais da Jalles estão florescendo. “O florescimento pode ser problema. Esse fenômeno pode baixar a eficiência industrial. Com a cana isoporizada, temos maior contaminação microbiológica. Neste caso, o desafio é monitorar e diminuir o impacto que a cana florida provocará na indústria.”

Ela relata que, para minimizar as consequências do florescimento na indústria, pode-se fazer uma boa limpeza da moenda. “No laboratório temos um check-list microbiológico, pelo qual apontamos e verificamos onde está havendo maior desenvolvimento microbiológico. Assim tentamos identificar quais os pontos que têm aumento de contaminação. Com isso conseguimos agir, tratando, fazendo limpeza e higienização, além de usar produtos químicos quando aplicável. Com isso, se reduz as contaminações.”

Vanessa destaca que a cana isoporizada pode afetar especialmente a recuperação em função da quantidade de cana que entra – “acabamos produzindo menos açúcar por tonelada de cana”. Na primeira metade da safra, o índice de recuperação da Jalles Machado foi melhor do que no ano passado: no final de julho estava em 87%, com o objetivo de chegar a 88,5% no decorrer da safra. Mas para manter os bons índices até o fim do ciclo, contornar as consequências do florescimento passa a ser meta contínua da área industrial da usina. (Cana Online 18/08/2015)

 

Futuros do açúcar na ICE ainda rondam o suporte de 10,50 cents/lb

Os futuros de açúcar demerara voltaram a fechar em queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A ausência de novidades nos fundamentos até limitou as perdas, mas a expectativa entre analistas é de que os preços continuem perto do suporte de 10,50 cents por libra-peso.

O mercado ronda esse patamar desde 6 de agosto, quando se aproximou dele com mínima de 10,64 cents/lb. De lá pra cá, os contratos até chegaram a marcar níveis mais baixos, com os 10,37 cents/lb nos dias 10 e 11, mas não conseguiram romper efetivamente o piso de 10,50 cents/lb.

Para agentes, sair dessa região, seja para cima ou para baixo, dependerá da movimentação cambial no País, que tem estado mais calma nos últimos dias. Em relatório, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, diz que nos últimos 50 pregões cada 1% de desvalorização do real frente ao dólar provocou uma queda de 0,84% na cotação do açúcar.

Graficamente, os futuros têm resistência inicial nos 11 cents/lb. Para baixo, o primeiro suporte aparece, portanto, em 10,50 cents/lb, seguido pelo de 10,37 cents/lb, mínima da semana passada.

Outubro caiu 5 pontos (0,47%) e fechou a segunda-feira em 10,63 cents/lb, com máxima no dia de 10,70 cents/lb (mais 7 pontos) e mínima de 10,55 cents/lb (menos 13 pontos). Março recuou 7 pontos (0,59%) e terminou em 11,79 cents/lb. O spread outubro/março variou de 118 para 116 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 46,90/saca, baixa de 0,11% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,46/saca (-0,07%). A moeda norte-americana fechou estável, em R$ 3,4850.

Conforme o centro de estudos, os preços do cristal no mercado paulista têm tido pequenas recuperações, em contraste com as quedas que persistiam desde a segunda quinzena de julho. "Apesar de os fundamentos se manterem baixistas - com destaque para o clima seco que favorece a colheita e, consequentemente, a produção de açúcar -, representantes de usinas estão mais firmes quanto aos valores pedidos em especial pelo açúcar Icumsa até 180. A demanda, por sua vez, segue estável", destaca o Cepea em relatório.

Quanto às paridades, de 10 a 14 de agosto a remuneração das vendas no spot paulista foi 2,15% superior à obtida com a exportação. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 46,61/saca, as cotações do contrato outubro/15 na ICE Futures US equivaleriam a R$ 45,63/saca. (Agência Estado 18/08/2015)

 

Preços do açúcar voltam a subir em São Paulo

O movimento de queda nos preços do açúcar cristal, que vinha sendo observado desde a segunda quinzena de julho, foi interrompido na última quarta-feira, 12.

Pesquisadores do Cepea indicam que, apesar dos fundamentos baixistas do mercado – como o clima seco que favorece a colheita e, consequentemente, a produção de açúcar –, representantes de usinas estão mais firmes nos valores de suas ofertas, em especial para o açúcar Icumsa até 180.

A demanda, por sua vez, segue estável. Na segunda-feira, 17, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 46,90/saca de 50 kg, recuperação de 0,9% em relação à segunda anterior. (Cepea / Esalq 18/08/2015)

 

Maior oferta de etanol segue pressionando cotação

Os preços dos etanóis caíram na última semana no mercado paulista. Segundo pesquisadores do Cepea, representantes de usinas continuaram elevando os volumes ofertados, principalmente de hidratado, devido à necessidade imediata de “fazer caixa”.

Alguns negócios a valores maiores, porém, limitaram as desvalorizações desse combustível. De modo geral, a liquidez diminuiu para ambos os etanóis – para o anidro, ainda predominam as negociações via contrato.

Entre 10 e 14 de agosto, o Indicador semanal CEPEA/ESALQ do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,1750/litro (sem impostos), pequena queda de 0,4% em relação à semana anterior. O Indicador semanal do anidro caiu 1,1%, indo para R$ 1,3329/l (sem impostos). (Cepea / Esalq 18/08/2015)

 

Plano de recuperação judicial da Centroalcool, em GO, é aprovado

Produtores, instituições financeiras, empregados e representantes da Centroalcool S/A aprovaram o plano de recuperação judicial para a companhia sucroalcooleira localizada em Inhumas (GO), informou a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

O documento, apresentado na sexta-feira, 14, foi aprovado por 77% dos votantes, mas recebeu críticas por parte dos produtores, quase todos arrendatários.

Conforme o plano aprovado, produtores que não quiserem renovar o contrato com a Centroalcool receberão o saldo devedor dentro de 20 anos, com 50% de deságio e correção monetária de 0,1% ao ano.

Caso o produtor aceite renovar o contrato de arrendamento, o prazo de pagamento será reduzido para cinco anos e acontecerá, mensalmente, de acordo com o período de safra.

No setor, especula-se que a dívida da empresa com os produtores beire os R$ 5 milhões. Por causa de dificuldades financeiras e de gestão, a Centroalcool precisou entrar com um pedido de recuperação judicial em julho de 2014 para tentar quitar suas dívidas junto aos credores.

Com apenas uma unidade em Inhumas, a companhia tem capacidade para processar em torno de 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por temporada. (Cana Online 18/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Segunda prévia do IGP-M de agosto trouxe sinais favoráveis para a inflação ao consumidor à frente

A segunda prévia do IGP-M de agosto subiu 0,17% em relação ao mês anterior, conforme divulgado há pouco pela FGV. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado, que apontava alta de 0,20%. A desaceleração em relação à leitura de julho, quando o indicador registrou alta de 0,71%, foi generalizada, com destaque para os preços no atacado. O IPA passou de um avanço de 0,76% para 0,01%, impulsionado por uma queda de 0,36% dos preços agrícolas e de uma alta de 0,15% dos preços industriais. Chama a atenção o fato de a desvalorização recente da moeda brasileira ainda não ter sido repassada pelos produtores na indústria. Ainda assim, as perspectivas para a inflação no atacado se mantém favoráveis no curto prazo. Na mesma direção, os preços ao consumidor recuaram de uma alta de 0,56% para 0,27% entre julho e agosto. Para as próximas leituras do IGP, esperamos que a tendência de desaceleração seja mantida, em função da deflação do IPA agrícola e da descompressão dos preços ao consumidor.

MDIC: saldo comercial foi superavitário em US$ 670 milhões na segunda semana de agosto

A balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 670 milhões, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Com isso, o saldo comercial somou US$ 1,396 bilhão em agosto. Para tanto, entre os dias 10 e 14 deste mês, as exportações somaram US$ 3,376 bilhões e as impostações US$ 2,706 bilhões. A comparação com as médias diárias de agosto do ano passado mostra que tanto as compras externas quanto os embarques sofreram forte retração. A queda de 36% das importações foi impulsionada pela queda das compras de combustíveis e lubrificantes (82,3%), de veículos automóveis e partes (31,7%) e de equipamentos elétricos e eletrônicos (27,4%). Em relação às exportações, o recuo de 25,3% refletiu a queda em todas as categorias. Dessa forma, a balança comercial acumulou superávit de US$ 6,004 bilhões no ano, sustentando o ajuste em curso nas contas externas brasileiras.

Internacional

EUA: Indicador sugere moderação da atividade industrial norte-americana em agosto

O Índice Empire State manufacturing de atividade oscilou de 3,86 para -14,92 pontos na passagem de julho para agosto, conforme apontado ontem pelo Federal Reserve de Nova York. O resultado, inferior ao esperado pelo mercado, que previa alta para 4,50 pontos, equivale ao menor nível da série desde 2009. A queda do indicador refletiu, majoritariamente, o menor número de novos pedidos e de embarques na comparação com o mês anterior. Além disso, os índices de mercado de trabalho também apresentaram retração no período. Em contrapartida, o indicador que mensura as expectativas para os próximos seis meses teve comportamento mais favorável. Dessa forma, o indicador sugere moderação da produção industrial norte-americana em agosto, mas não altera nossa percepção de continuidade da aceleração da atividade dos EUA neste trimestre

Reino Unido: Aceleração do núcleo de inflação em julho reforça proximidade da normalização monetária

O índice de preços ao consumidor no Reino Unido subiu 0,1% em julho em relação ao mesmo período de 2014. O indicador permanece praticamente estável desde fevereiro, principalmente pela em função da queda dos preços dos combustíveis e dos alimentos. Quando eliminados esses itens do cálculo, a inflação em julho foi de 1,2%, superior à leitura de junho (0,8%) e à média dos últimos quatro meses (0,9%). O principal responsável por esse comportamento foi o grupo de vestuário e calçados, que exibiu alta de 1,7% no período. Por outro lado, os preços no atacado voltaram a recuar no último mês. Na comparação com julho do ano passado, exibiram queda de 1,6%, mesma variação exibida desde maio – novamente puxados pela retração dos preços do petróleo. De todo o modo, a aceleração do núcleo de inflação ao consumidor no mês passado reforça a proximidade no início da normalização monetária na Inglaterra, processo que deverá ocorrer a partir do segundo trimestre de 2016.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em queda, refletindo as preocupações com a possível retirada de estímulos do mercado chinês por parte do governo. No mesmo sentido, a maioria das bolsas européias e os índices futuros norte-americanos são cotados em queda nesta manhã. O dólar perde força em relação às principais moedas, com destaque para a libra, diante da surpresa positiva com os dados de inflação ao consumidor no Reino Unido, e para a leve apreciação do yuan. Em contrapartida, o euro continua desvalorizado ante a divisa norte-americana. Entre as commodities, o petróleo registra perdas neste momento, ainda refletindo o excesso de oferta mundial. Vale lembrar que o American Petroleum Institute divulgará hoje os dados semanais de estoque dessa commodity nos EUA. As principais agrícolas, por sua vez, apresentam direções divergentes nesta manhã, com o milho sendo cotado em alta e o trigo e a soja, em baixa. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho, às 9h pelo IBGE.