Macroeconomia e mercado

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Recuperação de preços do açúcar em 2015 é incerta, diz Credit Suisse

A esperada recuperação dos preços do açúcar neste ano pode não acontecer, avaliou o Credit Suisse em relatório divulgado nesta sexta-feira. De acordo com o banco, apesar de a produção no Centro-Sul do Brasil neste momento ser 9% menor que a observada em 2014, o mix de produção pendendo para o alimento tende a "limitar qualquer" alta das cotações. Além disso, o impacto que o fenômeno climático El Niño poderia provocar sobre a safra global é incerto, destaca o banco.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou mais cedo que foram produzidas, até 15 de agosto, 16,35 milhões de toneladas de açúcar no acumulado da safra 2015/16 no Centro-Sul brasileiro. O volume é 8,74% menor na comparação com igual período de 2014/15. Entretanto, nos primeiros 15 dias de agosto as usinas direcionaram maior quantidade de matéria-prima para a commodity, num total de 44,87%. Embora abaixo no comparativo anual, representou aumento sobre os 43,93% da segunda metade de julho.

O Credit Suisse prevê também que os preços do etanol hidratado continuem pressionados até o fim do ano, mas que depois voltem a subir. Além da menor produção prevista para o período de entressafra (dezembro a março), o banco diz que a demanda tem crescido mais do que a oferta do biocombustível (40% x 16%). Isso tende a beneficiar as empresas que conseguirem carregar estoques do produto, acrescentou a instituição.

Para a São Martinho, o Credit Suisse prevê um "ciclo de recuperação" e colocou o preço alvo da ação da companhia em R$ 47, acima do fechamento de R$ 29,90 de hoje. Em relação à Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), o banco informa que o fluxo de caixa é incerto para o curto prazo, mas que uma melhora também tende a ocorrer - o preço alvo para a ação da empresa é de R$ 11, contra R$ 4,88 na Bolsa.

Quanto à Cosan, que possui joint venture com a Shell no grupo sucroalcooleiro Raízen Energia, as perspectivas também são positivas, mas em menor escala, uma vez que a área de açúcar e etanol responde por aproximadamente 35% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de todo o grupo empresarial. Para o Credit Suisse, o preço alvo da ação da Cosan é de R$ 34, acima do fechamento desta sexta, de R$ 18,16. (Agência Estado 24/08/2015)

 

Chuvas avançam pelo centro-sul e podem atrapalhar colheitas

O tempo começa a mudar a partir deste sábado no centro-sul do Brasil, com o avanço de um novo sistema meteorológico provocando chuvas que interromperão um longo período de estiagem em diversas regiões, podendo atrapalhar trabalhos de colheita de cana-de-açúcar, café e milho.

As chuvas começam no sábado pelo Rio Grande do Sul e, no domingo, chegam a Santa Catarina e Paraná, onde poderão ser observadas pancadas de chuvas em vários municípios, disse nesta sexta-feira o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar.

"Na segunda-feira, há previsão de chuvas para quase todo o Estado de São Paulo, sul do Mato Grosso do Sul e Paraná", destacou Santos, em boletim.

O serviço Agriculture Weather Dashboard, da Thomson Reuters, indica que São Paulo, principal Estado produtor de cana do país, terá sete dias consecutivos de chuvas a partir de segunda-feira da próxima semana, com acumulados médios de 38 milímetros no período, após quase um mês praticamente sem nenhuma chuva.

"Ao longo da semana que vem, novas frentes frias irão avançar não só pelo Sul, mas também pelo Sudeste, onde irá atrapalhar e até mesmo inviabilizar os trabalhos de colheita do milho safrinha, do café e da cana-de-açúcar", destacou Santos.

O clima seco vem favorecendo os trabalhos das usinas de etanol e açúcar, que conseguiram trabalhar forte na colheita nos últimos 30 dias. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostraram moagem elevada na segunda quinzena de julho e na primeira de agosto.

Para o café, o retorno das chuvas pode atrapalhar a colheita que está numa etapa final, mas favorece a floração antecipada dos cafezais, disseram na quinta-feira especialistas ouvidos pela Reuters.

O Weather Dashboard aponta chuvas no sul e sudoeste de Minas Gerais, uma das principais regiões do cinturão cafeeiro do país, de cerca de 40 milímetros na semana.

"Aos poucos as chuvas vão retornando as regiões produtoras do Sudeste e Centro-oeste, o problema é mesmo com esse retorno, as chuvas ainda serão irregulares e de baixa frequência sobre a região central do Brasil", destacou o meteorologista da Somar.

O temor dos cafeicultores do Sudeste é que as chuvas não sejam prolongadas o suficiente para permitir a continuidade do desenvolvimento da florada. (Reuters 24/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar projeções do PIB para baixo neste ano e no próximo

O mercado revisou novamente para baixo suas expectativas para o PIB deste e do próximo ano, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 21 de agosto, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,32% para 9,29%, e para 2016, subiu de 5,44% para 5,50%. As estimativas para o PIB em 2015 recuaram de uma queda de 2,01% para outra de 2,06% e, para 2016, passaram de uma retração de 0,15% para 0,24%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e subiu de 11,88% para 12,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,48 para R$/US$ 3,50 no final de 2015 e permaneceram em R$/US$ 3,60 no final de 2016.

Destaques da semana

Resultado do PIB do segundo trimestre será o destaque da agenda doméstica desta semana

O ritmo de desaceleração da atividade econômica brasileira continuará no centro das atenções nesta semana, com destaque para a divulgação do PIB do segundo trimestre, na sexta-feira. Projetamos que a queda de 1,4% em relação ao primeiro trimestre deverá representar o pior momento da economia neste ano. O resultado será puxado pela queda de 7,5% projetada para a formação bruta de capital fixo na margem. Adicionalmente, a FGV divulgará as sondagens do Consumidor, amanhã; a leitura final da Indústria, na quarta-feira e a da Construção, na quinta – todas referentes a agosto. Será conhecido também o Índice de Expectativas do Consumidor (INEC) deste mês, na quarta-feira. Em relação ao mercado de trabalho, conheceremos os dados da Pnad Contínua de junho, do IBGE, na terça-feira, e da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) de julho, que deverão apontar elevação da taxa de desemprego no País, em linha com as demais pesquisas já conhecidas. A agenda contará ainda com as notas do Bacen à imprensa: do setor externo, na terça-feira, e de política fiscal, na sexta. Por fim, a FGV divulgará a leitura final do IGP-M de agosto, também na sexta-feira, que deverá apresentar alta de 0,22%. No exterior, os destaques serão as divulgações dos PIBs dos EUA e do Reino Unido, ambos referentes ao segundo trimestre, na quinta e sexta-feira, respectivamente. Além disso, indicadores de confiança do consumidor dos EUA e da Área do Euro, amanhã e sexta-feira, completam a agenda externa.

Atividade

Caged: Saldo de empregos acentuou trajetória de queda em julho Os últimos dados referentes à geração de empregos formais apontaram redução líquida de 157.905 postos de trabalho em julho, conforme divulgado na última sexta-feira no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A eliminação de vagas foi superior à mediana das projeções do mercado, que previa retração líquida de 111,3 mil vagas, segundo coleta da Agência Estado. Dentre os setores, apenas o agropecuário registrou saldo positivo no período, com a criação de 24,5 mil postos. Já a indústria de transformação, os serviços e a construção civil mantiveram-se no campo negativo, com retrações líquidas de 64,3 mil, 58 mil e 22 mil vagas, nessa ordem. Em termos dessazonalizados, o saldo total representou uma demissão líquida de aproximadamente 141 mil trabalhadores formais, fazendo com que a média móvel do trimestre findo em junho fosse de redução de 149,7 mil postos. Os dados estão em linha com a elevação da taxa de desemprego para 7,5% no período e reforçam nossa visão de intensificação do enfraquecimento do mercado de trabalho ao longo deste ano.

 

CNI: Sondagem industrial aponta para nova queda da produção do setor em julho O indicador de produção industrial apurado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) alcançou 44,0 pontos em julho, conforme divulgado na última sexta-feira. O resultado representa uma queda de 2,4% na margem, de acordo com nossas estimativas dessazonalizadas, sucedendo uma alta de 5,0% em junho e um recuo de 1,5% em maio. Na comparação interanual, o índice teve contração de 9,8%. O declínio da produção resultou na redução de 2,7% do nível dos estoques entre junho e julho. Já o nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) cresceu 0,4 p.p. na margem, descontada a sazonalidade. Na comparação interanual, o NUCI passou de 70% para 66%. O resultado, assim, reforça nossa expectativa de queda da produção industrial no mês passado

Inflação

IBGE: IPCA-15 desacelerou para 0,43% em agosto, acumulando alta de 7,36% no ano

O IPCA-15 registrou alta de 0,43% em agosto, sucedendo variação de 0,59% em julho. No ano, o índice já acumula elevação de 7,36%, enquanto que em 12 meses a alta chega a 9,57%. A desaceleração observada no mês é explicada principalmente pela menor pressão de alimentação e administrados. Em relação ao primeiro grupo, destacamos as quedas dos preços do feijão e alguns itens in natura que vinham pressionando para cima nos últimos meses, como a batata, a cebola e o tomate. A dissipação de importantes reajustes de água, esgoto e energia elétrica em São Paulo contribuiu, por sua vez, para a desaceleração observada nos administrados. Os núcleos de inflação também mostraram desaceleração, principalmente por causa da queda de 25% das passagens áreas e, em menor magnitude, da desaceleração de duráveis. Os preços de serviços, no entanto, continuam mostrando forte resiliência. Além dos reajustes semestrais exercendo influencia altista sobre o grupo educação, itens de recreação e outros serviços continuaram registrando variações bastante elevadas. Para o encerramento do mês, esperamos continuidade do alívio vindo de alimentação e nova desaceleração de administrados e dos núcleos, ainda que para esses últimos a descompressão deva seguir em ritmo lento.

Internacional

EUA: prévia do índice PMI da indústria de transformação norte-americana recuou em agosto

O índice PMI da indústria de transformação norte-americana atingiu 52,9 pontos na prévia de agosto, conforme reportado na última sexta-feira pela Markit. O resultado ficou 0,9 ponto abaixo do observado na leitura final do mês passado, descontada a sazonalidade. Vale lembrar que valores superiores a 50 pontos indicam expansão da atividade do setor. O resultado foi puxado, majoritariamente, pelo recuo da produção, após três meses em alta. Em contrapartida, o número de novos negócios e o nível de emprego cresceram no período. Dessa forma, o índice sugere que o avanço da atividade dos EUA seguirá em ritmo moderado no segundo trimestre, reforçando nossa expectativa de que a normalização da política monetária começará apenas no final deste ano.

Tendências de mercado

A aversão ao risco permanece elevada nos mercados acionários nesta manhã, refletindo os temores com o desempenho da economia chinesa. Com isso, as bolsas asiáticas encerraram em forte queda o primeiro pregão da semana. Na mesma direção, as bolsas europeias e os índices futuros norte-americanos exibem perdas nesta manha. A bolsa brasileira deve acompanhar o movimento externo e abrir em baixa. Nesse cenário, o dólar continua se fortalecendo frente às moedas dos países emergentes, especialmente o rublo russo e o rand sul-africano. Em sentido contrário, o iene e o euro ganham valor em relação ao dólar. Entre as commodities, as perdas prevalecem, com destaque para a queda dos preços do petróleo, refletindo o excesso de oferta global. No Brasil, o real tende a depreciar, o que deverá levar à abertura da curva de juros futuro.