Macroeconomia e mercado

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Viés do açúcar em Nova York é de baixa após dólar superar R$ 3,60

Os futuros de açúcar demerara fecharam no negativo ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e iniciam a quinta-feira também com viés de queda. De acordo com analistas, as cotações da commodity têm poucas chances de se manter acima dos 10,50 cents/lb com o dólar superando os R$ 3,60.

Nesta quarta-feira, os temores quanto ao ambiente político e à economia do Brasil voltaram a jogar o dólar para cima. A moeda norte-americana ganhou 0,31%, para R$ 3,6030. A avaliação é de que, com a divisa nesses patamares, os futuros de demerara voltem a testar as mínimas recentes: inicialmente a de 10,37 cents/lb e, na sequência, a de 10,13 cents/lb, registrada na última segunda-feira.

O fato é que o mercado volta a ter poucos fundamentos para dar um direcionamento claro aos contratos, e por isso cede ante os baixistas. Após chuvas passageiras, o tempo volta a abrir em áreas produtoras do Centro-Sul do Brasil - precipitações são esperadas para o fim de semana, mas também devem ser de intensidade moderada. Além disso, a demanda pelo demerara continua aquém do desejado.

Ontem, outubro caiu 7 pontos (0,66%) e fechou em 10,53 cents/lb, com máxima no dia de 10,67 cents/lb (mais 7 pontos) e mínima de 10,46 cents/lb (menos 14 pontos). Março recuou 13 pontos (1,11%) e terminou em 11,58 cents/lb. O spread outubro/março variou de 111 para 105 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 32 para 40 na semana encerrada ontem, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 17 de setembro.

Foi agendado o carregamento de 1,49 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,18 milhão de t, ou 79% do total. Paranaguá responderá pelos 21% restantes (315,72 mil t). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 386,16 mil t. No da Rumo, estão agendadas 655,61 mil t, e no Teag, da Cargill/Biosev, 139,33 mil t no período analisado.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 46,99/saca, alta de 0,30% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,04/saca (estável). (Agência Estado 27/08/2015)

 

Usina Malosso tem projeto de R$ 16 mi para produção e venda de biometano da vinhaça

Uma parceria entre a Usina Malosso, de Itápolis (SP), um grupo de investidores e a GasBrasiliano viabilizará um projeto inédito no país para a produção e a comercialização do biometano a partir da vinhaça, resíduo do processamento da cana-de-açúcar, na rede de gás natural da subsidiária da Petrobras.

Serão investidos R$ 16 milhões na construção da planta para a produção de biometano na usina do interior paulista, com a garantia de compra de toda a oferta pela GasBrasiliano, concessionária de gás em 375 municípios nas regiões central, norte, nordeste e oeste de São Paulo.

O projeto terá capacidade de produzir anualmente 5 milhões de metros cúbicos de biometano por meio da purificação do biogás gerado a partir da vinhaça e será comercializado juntamente com o gás importado da Bolívia. Segundo o diretor-presidente da GasBrasiliano, Walter Fernando Piazza Júnior, o projeto praticamente não gerará risco aos investidores e nem à usina.

A unidade foi feita para atender à capacidade de demanda da GasBrasiliano e a grande sacada é que estamos precificando a compra do biogás pelo preço do gás natural, ou cerca de R$ 0,90 por metro cúbico. Além disso, a usina não tem compromisso de entrega, apenas nós temos o compromisso de comprar todo o excedente dela. Ou seja, não há risco de demanda, completou Piazza.

A unidade deve iniciar o fornecimento do biometano à rede de distribuição da GasBrasiliano entre o final de 2016 e o começo de 2017. O insumo será destinado para consumidores de Itápolis e para a vizinha Catanduva (SP). Segundo Piazza, outros três projetos semelhantes, mas com usinas maiores, estão sendo negociados pela companhia.

O potencial do Nordeste de São Paulo, onde se concentra a maioria das usinas de açúcar e etanol, é de uma oferta de 10 milhões de milhões de metros cúbicos de biometano por dia, dez vezes mais que a GasBrasiliano oferece e cerca de 25% de todo o gás natural produzido no país, concluiu o executivo. (Agência Estado 27/08/2015)

 

Brasil vive a primeira colheita comercial de cana-energia

Muito mais cana, mais etanol e mais energia na mesma área. Esta é a proposta da Vignis. Luís Cláudio Rúbio, um dos sócios da empresa, dá como exemplo a atual área plantada no Brasil para a produção de etanol, em torno de 5 milhões de hectares com aproximadamente 360 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, resultando em 26 bilhões de litros de etanol e 30 milhões de toneladas de bagaço, o que gera a exportação de energia na ordem de 2 mil MW. Se essa área fosse ocupada por cana-energia, a produção seria de 950 milhões de toneladas de cana, a sobra de bagaço no processo na ordem de 380 milhões de toneladas, a exportação de 25 mil MW e em relação ao etanol, somadas a produção da 1ª e 2ª gerações o resultado seria de 100 bilhões de litros.

Para isso, Rubio defende a escolha de variedades mais adaptadas à produção de açúcar para fazer açúcar e para a produção de etanol e energia elétrica o uso de variedades desenvolvidas para este fim.

Esse cenário apresentado é coisa para um futuro distante, mas cana-energia já é realidade. “Nosso material não está mais na fase de teste, já está sendo plantado em canavial comercial, a cana-energia já existe. Fecharemos 2015, com 8 mil hectares plantados, esse número sobe para 25 mil hectares em 2017”, salienta Rubio.

Segundo ele, a empresa tem clientes nas áreas de alimento, cimento, metalurgia e sucroenergético. Cada um tem uma proposta para o uso do material, mas a maioria é substituir o combustível fóssil e outras biomassas, por uma fonte dedicada, que podem contar o ano todo e que está próxima de sua unidade.

É o que ocorre com a Caramuru, as indústrias de São Simão e Itumbiara buscavam bagaço de cana a uma distância de 200 quilômetros. “Agora vamos produzir 100% do combustível que eles precisam a uma distância de 12 quilômetros. Serão colhidas 110 mil toneladas de cana-energia/ano para a unidade de São Simão e mais 110 mil toneladas para a unidade de Itumbiara”, diz Rúbio. O terceiro projeto de cana-energia para a Caramuru, é a unidade de Sorriso, MT, que a partir de 2016 será abastecida por 270 mil toneladas/ano. Outro cliente que também será abastecido pela cana-energia Vignis, é a Citrosuco, de Matão, SP, com produção de 120 mil toneladas/ano. (Cana Online 27/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Confiança da construção estabilizou em julho, após três quedas seguidas

O índice de confiança da construção (ICST), divulgado há pouco pela FGV, ficou estável entre julho e agosto. O resultado sucedeu três quedas seguidas na margem em maio, junho e julho, acumulando retração de 8,4% no período. O comportamento deste mês refletiu o recuo de 0,9% do índice da situação atual, que foi compensado pelo avanço de 0,7% do índice de expectativas. A queda do componente que mede a situação atual dos negócios foi a nona consecutiva. Apesar da estabilidade da confiança neste mês, acreditamos que o setor seguirá enfraquecido pela fragilidade do mercado imobiliário e pela paralisação das obras de infraestrutura.

BC: Crédito manteve ritmo moderado de expansão em julho

Acompanhando a desaceleração da atividade econômica brasileira e dos ajustes da política econômica, os dados do mercado de crédito, divulgados ontem pelo Banco Central, mostraram crescimento modesto do estoque, de 0,7% entre junho e julho. O resultado, no entanto, representou ligeira aceleração em relação à média mensal dos últimos três meses, de 0,4%. Vale destacar que parte desse movimento é explicada pelo impacto da depreciação cambial observada no mês sobre as linhas de crédito em moeda estrangeira. Com esse desempenho, a carteira do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somou R$ 3,1 trilhões, o equivalente a 54,5% do PIB, frente aos 52,7% registrados no mesmo período do ano passado. Importante ressaltar que a expansão do crédito observada nos últimos meses está em linha com a nossa projeção de crescimento de 7,7% para a carteira total em 2015.

INEC: Expectativa do consumidor apresentou a segunda alta consecutiva em agosto, mas ainda se encontra em patamar reduzido

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) atingiu 98,9 pontos em agosto, conforme divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado é equivalente a uma alta de 0,2% na margem, segundo nossas estimativas dessazonalizadas. Essa foi a segunda elevação consecutiva do indicador, após seis meses em queda, de acordo com os dados revisados. O aumento em relação ao mês anterior refletiu a expansão de quatro dos seus seis componentes, com destaque para as melhores avaliações dos consumidores em relação ao endividamento e à própria renda, que cresceram 1,6% e 1,4%, respectivamente. Na comparação interanual, o INEC caiu 8,6%. Assim, a despeito da melhora apresentada neste mês, o baixo patamar do indicador sugere manutenção do desaquecimento do consumo das famílias no terceiro trimestre deste ano.

Seade/Dieese: Taxa de desemprego avançou em quatro das cinco regiões metropolitanas pesquisadas em julho

A taxa de desemprego avançou em quatro das cinco regiões metropolitanas pesquisadas pelo Seade/ Dieese em julho, na comparação com igual período do ano passado, segundo os dados divulgados ontem na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). A taxa de desocupação da região metropolitana de Recife oscilou de 12,5% em julho de 2014 para 14,0% no mês passado, enquanto que as taxas das regiões de Salvador e Porto Alegre cresceram 1,0 p.p. e 3,7 p.p., respectivamente, alcançando 18,0% e 9,4%, nessa ordem. No sentido oposto, a taxa de desocupação da região metropolitana de Fortaleza recuou de 8,2% para 8,0%. Especificamente em relação à região de São Paulo, a elevação da taxa de desemprego de 11,4% para 13,7% em julho foi puxada, majoritariamente, pela queda interanual de 2,4% da população ocupada. Além disso, a população economicamente ativa (PEA) registrou leve alta de 0,2%, na mesma métrica. Dessa forma, o resultado está em linha com a redução líquida de postos de trabalho no mês passado apresentada pelo Caged e com a elevação da taxa de desemprego divulgada na PME-IBGE, referentes ao mesmo período.

Abimaq: Faturamento da indústria de máquinas e equipamentos recuou em julho

O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos somou R$ 7,051 bilhões em julho, o equivalente a uma leve retração de 0,2% ante junho, segundo os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O consumo aparente nacional, no mesmo sentido, registrou queda de 3,3%. Já as exportações, recuaram 2,7% no mês, enquanto que as importações subiram 3,2% em igual comparação. Já em relação ao mesmo período de 2014, o faturamento, o consumo aparente, as exportações e as importações registraram recuos de 7,7%, 3,4%, 26% e 23,6%, respectivamente. Com isso, o nível da capacidade instalada (NUCI) alcançou 66,6% em julho, uma queda de 9,4 p.p. ante o mesmo período do ano anterior. Esses dados, portanto, reforçam a expectativa de novo recuo dos investimentos neste trimestre.

Inflação

IBGE: IPP manteve trajetória de aceleração em julho, avançando 0,68% no período

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou avanço de 0,68% em julho, acumulando alta de 3,67% no ano, conforme divulgado ontem pelo IBGE. A variação de junho foi revisada de 0,31% para 0,34%. Nos 12 meses acumulados até julho, o indicador registrou alta de 7,62%. O resultado ficou acima do que era sugerido pelo IPA industrial, calculado pela FGV. Dentre as pressões altistas, destacam-se os segmentos de produtos alimentícios, produtos do petróleo, equipamentos de transporte e produtos de borracha, com contribuições de 0,23 p.p., 0,15 p.p., 0,06 p.p. e 0,05 p.p., respectivamente. Esse comportamento refletiu, entre outros fatores: (i) o efeito da desvalorização cambial sobre os preços de equipamentos de transportes e produtos agrícolas; (ii) a retomada marginal dos preços dos produtos derivados do petróleo; e (iii) a pressão de custos no setor de borracha e plástico, que já acumula alta de 4,44% no ano. Na direção oposta, entre as contribuições negativas, a mais intensa foi a do segmento de metalurgia, com contribuição de -0,05 p.p. No ano, com o excedente de capacidade instalada na produção, a contração da demanda interna e a queda nas cotações internacionais, o setor já acumula deflação de 1,79%. Na próxima divulgação do IPP, em setembro, o indicador será ampliado, com a inclusão de produtos da indústria extrativa.

Setor externo

BC: Movimento cambial foi superavitário na terceira semana de agosto, reforçando os resultados do início do mês

O fluxo cambial da terceira semana de agosto somou US$ 888 milhões, segundo divulgou ontem o Banco Central. Assim, no acumulado do mês, o saldo das movimentações cambiais acumulou superávit de US$ 1,831 bilhão. No período compreendido entre os dias 17 e 21 de agosto, ambas as contas foram superavitárias. O saldo de US$ 518 milhões da conta financeira resultou de US$ 9,742 bilhões em compras, que superaram os US$ 9,224 bilhões em vendas. Na mesma direção, a conta comercial apresentou superávit de US$ 370 milhões. Para isso, foram contratados US$ 3,009 bilhões para exportação ante US$ 2,639 bilhões para importação. Dessa forma, no ano, o saldo do fluxo cambial se mantém positivo em US$ 8,996 bilhões.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje com nova alta, impulsionadas pelo avanço das ações em Shanghai, que interromperam uma sequência de cinco quedas consecutivas. Tal movimento foi influenciado pelos estímulos do banco central à economia chinesa. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus operam no campo positivo nesta manhã, diante do otimismo do exterior e o avanço do PIB espanhol no segundo trimestre. Os índices futuros norte-americanos também registram ganhos no momento, à espera da divulgação da segunda prévia do PIB referente ao trimestre findo em junho.

O dólar permanece valorizado, mas perde força ante o rublo russo e as moedas dos emergentes asiáticos, com exceção do renminbi chinês. Entre as commodities, o petróleo é cotado em nova alta, acompanhando as bolsas mundiais e a queda dos estoques semanais nos EUA, conforme reportado ontem pelo Departamento de Energia do país. As agrícolas e as industriais metálicas também apresentam elevação nesta manhã. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do resultado primário do governo central de julho. Além disso, a apreciação do dólar tende a pressionar a abertura da curva de juros futuro.