Macroeconomia e mercado

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Futuros do açúcar surpreendem em Nova York e voltam a ter suporte em 11 cents

Os futuros de açúcar demerara surpreenderam ontem e fecharam em forte alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os ganhos de 5% para o contrato com vencimento em outubro foram os maiores para um dia desde 10 de julho. Com a movimentação, os preços voltaram a ter suporte inicial nos psicológicos 11 cents por libra-peso.

Havia a expectativa de que o dólar a R$ 3,60 jogasse as cotações para baixo, mas a quinta-feira começou com a notícia de que a Bolsa de Xangai fechara em alta em meio ao corte no juro e a ações do Banco do Povo da China, que tem injetado diariamente liquidez no sistema financeiro. Por aqui, a moeda norte-americana repercutiu a melhora exterior e chegou a ceder mais de 1,50%, fechando o dia em R$ 3,5630 (-1,11%).

A valorização observada em outras commodities, sobretudo no petróleo (+10%), contribuiu para a alta do açúcar. Segundo João Paulo Botelho, da INTL FCStone, houve ainda um forte movimento de liquidação de posições vendidas por fundos. "Mas foi um movimento pontual, apenas para realizar lucros", ponderou. "Com essa alta, devemos ficar por mais tempo no terreno de dois dígitos", acrescentou o analista, em referência à perspectiva de que o açúcar escorregaria para os 9 cents/lb.

Ontem, outubro subiu 53 pontos (5,03%) e fechou em 11,06 cents/lb, maior nível desde 4 de agosto. A máxima no dia foi de 11,10 cents/lb (mais 57 pontos) e a mínima, de 10,57 cents/lb (mais 4 pontos). Março avançou 33 pontos (2,85%) e terminou em 11,91 cents/lb. O spread outubro/março variou de 105 para 85 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos gráficos, o suporte inicial está, portanto, nos 11 cents/lb. Para cima, há resistência em 11,10 cents/lb, máxima de ontem, seguida pela de 11,19 cents/lb, máxima de 3 de agosto.

Conforme Botelho, as chuvas registradas nesta quinta-feira em certas áreas de São Paulo e Paraná até deram algum suporte, mas bem limitado. O mercado ainda considera que a segunda quinzena de agosto registrará processamento superior a 40 milhões de toneladas, com mix pendendo para a fabricação de açúcar.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 47,22/saca, alta de 0,49% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,25/saca (+1,61%). (Agência Estado 28/0/2015)

 

CMN amplia limite de crédito para fundação e renovação de canaviais

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou hoje (27) a ampliação do limite de crédito para fundação e renovação de canaviais na safra 2015/2016. Segundo o Ministério da Fazenda, o colegiado elevou para até R$ 1 milhão o limite de R$ 385 mil por beneficiário quando os recursos adicionais forem destinados à fundação ou ampliação de lavouras.

De acordo com a norma para crédito rural, a fundação ou ampliação de lavouras de cana abrange os trabalhos preliminares, o plantio e os tratos subsequentes até a primeira safra, além da renovação de lavouras de cana em áreas antes ocupadas por canaviais com ciclo produtivo esgotado.

O estímulo à fundação ou renovação de canaviais é parte da estratégia do governo de fomentar a produção de cana-de-açúcar, atendendo à demanda crescente por etanol combustível. O crédito para essa finalidade vigora desde a safra 2011/2012.

Na reunião desta quinta-feira, o CMN também definiu em 10,5% a taxa efetiva de juros para operações de capital de giro do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). A taxa vale para operações contratadas a partir de 1º de setembro deste ano. (Agência Brasil 28/08/2015)

 

Empresas preveem pouco impacto do dólar na exportação de etanol

A valorização do dólar ante o real deve mexer pouco com as exportações brasileiras de etanol, de acordo com representantes do setor sucroenergético ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Na avaliação deles, mesmo com a moeda norte-americana perto de R$ 3,60 e com ganhos de 33% só neste ano, há pouca "janela" para embarcar. Além disso, a demanda fortalecida e a perspectiva de preços mais remuneradores durante a entressafra de cana-de-açúcar (dezembro a março) compensariam os custos com a estocagem do biocombustível, em detrimento da venda ao exterior.

"O ganho aparente de 5% a 10% que as usinas podem ter com o câmbio tem de ser comparado com aquele que elas terão com a venda do álcool nos meses subsequentes", explicou o CEO da trading SCA, Martinho Ono. Pelas suas projeções, o País deve exportar neste ano 1,3 bilhão de litros de etanol, em sua totalidade de anidro, abaixo do 1,5 bilhão de litros de 2014. "Não tenho visto exportação, a não ser em casos pontuais", acrescentou.

De acordo com Ono, a matemática por trás da preferência pelo mercado interno está na demanda. Só em julho, o consumo de hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, atingiu o recorde histórico de 1,55 bilhão de litros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Quando a entressafra chegar, a cotação desse biocombustível tende a subir, e se a demanda pender para a gasolina, encontrará um produto que leva 27% de anidro.

Na última semana, o hidratado estava cotado a R$ 1,1642 o litro e o anidro, em R$ 1,3471 o litro, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Os valores referem-se ao produto retirado na usina, sem impostos.

Os balanços das principais empresas do setor sucroenergético referentes ao primeiro trimestre do ano-safra 2015/16 (abril, maio e junho) provam que a exportação de etanol ainda não está no radar. O Grupo São Martinho, com quatro usinas em atividade, aumentou suas reservas de hidratado em 54,2% e as de anidro em 105,9% no período. Já a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, com 22 unidades em operação, manteve seus estoques de álcool praticamente inalterados.

Arbitragem

Para Ono, o dólar perto de R$ 3,60 ainda não abre uma janela de competição para o etanol exportado pelo Brasil, o qual é direcionado principalmente para os Estados Unidos. Opinião semelhante é compartilhada pelo diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues. "Estamos no zero a zero", disse ontem. "(A janela) ainda está fechada. Dependendo do transcorrer do câmbio, pode se tornar competitiva", comentou. (Agência Estado 28/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

IGP-M de agosto reverteu a trajetória de aceleração dos últimos meses

O IGP-M avançou 0,28% em agosto, ficando acima da nossa expectativa e da mediana das projeções do mercado, ambas em 0,22%, conforme divulgado há pouco pela FGV. Apesar da surpresa altista, o índice reverteu a trajetória de aceleração verificada nos últimos meses – em julho a alta foi de 0,69%. Esse movimento é reflexo dos preços agrícolas, que saíram de uma variação positiva de 1,27% para estabilidade neste mês. O IPA industrial, no mesmo sentido, avançou 0,28%, mostrando descompressão frente à alta de 0,52% exibida em julho. A surpresa em relação à nossa expectativa foi explicada tanto pelos preços agrícolas quanto pelos industriais. Os preços ao consumidor também registraram descompressão, passando de uma alta de 0,60% para outra de 0,24% entre julho e agosto. O INCC, por sua vez, saiu de uma alta de 0,66% para 0,80% no mesmo período. Para os próximos meses, prevemos que o índice voltará a mostrar descompressão, favorecido pelos preços industriais e agrícolas.

Atividade

Abiquim: Produção de produtos químicos registrou queda em julho

A produção dos produtos químicos de uso industrial caiu 5,1% entre junho e julho, na série dessazonalizada pelo Depec-Brasdesco, segundo informações reportadas ontem pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). As vendas de produtos químicos, no sentido oposto, apresentaram alta de 6,3%, na mesma métrica. Com isso, a produção acumulou nos sete primeiros meses do ano avanço de 1,6%, enquanto as vendas, apesar do avanço na margem, registraram queda de 3,7%, na mesma base de comparação. As importações, da mesma forma, recuaram 12,9%, enquanto as exportações subiram 4,1%. Para os próximos meses, as vendas domésticas deverão continuar fracas, em linha com o cenário de desaceleração da atividade econômica, ao passo que as exportações deverão manter a tendência de alta, refletindo a depreciação do câmbio e a estratégia das empresas de buscar novos mercados no exterior.

Fiscal

Tesouro: Pagamento de atrasados explicou grande parte do resultado negativo das contas públicas em julho

O Governo Central registrou déficit primário de R$ 7,2 bilhões em julho, conforme apontam os dados divulgados ontem pelo Tesouro. Com isso, as contas públicas acumulam no ano um saldo negativo de R$ 8,8 bilhões. Grande parte do desempenho negativo do mês passado refletiu o gasto de R$ 7,2 bilhões em subsídios e subvenções econômicas. Desse montante, R$ 6,5 bilhões se referem ao pagamento de atrasados. Por outro lado, o Governo reduziu as despesas discricionárias, que passaram de R$ 17,8 bolhões em julho de 2014 para R$ 16,9 bilhões no último mês. Descontando o pagamento dos atrasados, portanto, o esforço fiscal do Governo tem sido significativo, o que em adição à expectativa de algumas receitas extraordinárias até o final do ano, deve contribuir para o atingimento da meta de 0,15% estabelecida para 2015.

Internacional

EUA: Primeira revisão do PIB norte-americano do segundo trimestre mostrou aceleração mais intensa da atividade no período

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao segundo trimestre deste ano cresceu 3,7% na margem, em termos anualizados, conforme divulgado ontem pelo Departamento do Comércio norte-americano. A elevação é superior aos 2,3% registrados na primeira leitura e superou as expectativas do mercado, que previa alta de 3,2%. A melhora da atividade no trimestre passado foi generalizada, com destaque para a expansão de 3,2% do investimento das empresas (ante aumento de 0,6% na primeira prévia). Além disso, o consumo das famílias e do governo registrou variação positiva de 3,1% e 2,9%, respectivamente. A aceleração da economia dos EUA no trimestre passado reforça nossa expectativa de que o banco central norte-americano iniciará a elevação da taxa de juros básica no final deste ano, ainda que de forma bastante gradual, em função dos riscos externos e da inflação ainda abaixo da meta estipulada pelo Fed.

Área do Euro: Sentimento econômico sugere ligeira aceleração do PIB neste trimestre

O índice de sentimento econômico na Área do Euro subiu de 104,0 para 104,2 pontos entre julho e agosto. Com isso, atingiu o maior nível desde junho de 2011, impulsionado pela melhora da confiança nos setores de serviços, construção e varejo, além do maior otimismo dos consumidores. Por outro lado, a confiança da indústria atingiu seu menor patamar desde fevereiro. Entre os países do bloco, destaque para a melhora do sentimento econômico na França e na Espanha, enquanto a Alemanha, a Holanda e a Itália exibiram desempenho negativo. De modo geral, o resultado favorável deste mês sugere ligeira aceleração do PIB europeu neste trimestre, após crescimento preliminar de 0,3% exibido no trimestre anterior.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o último pregão da semana em alta, refletindo os ganhos das ações em Shanghai, após as medidas de estímulo anunciadas pelo governo chinês ao longo da semana. Em contrapartida, os mercados acionários europeus e os índices futuros norte-americanos operam em baixa nesta manhã, a despeito dos dados positivos de atividade divulgados ontem e hoje.

O dólar perde força ante as principais divisas, com exceção do rublo russo, que sofreu forte desvalorização. Entre as commodities, o petróleo é cotado próximo à estabilidade, ao passo que as metálicas industriais e as agrícolas registram ganhos neste momento. No mercado local, as atenções estarão voltadas à divulgação do PIB referente ao segundo trimestre, para o qual esperamos contração de 1,4% na margem.