Macroeconomia e mercado

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Enquanto o mundo busca combustível verde, no Brasil lei quer liberar diesel para carros de passeio

O mundo vive a expectativa da realização da 21ª Conferência do Clima (COP 21) que será realizada em dezembro de 2015, em Paris, e terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, diminuindo o aquecimento global.

Em agosto, durante visita ao Brasil da chanceler alemã Angela Merkel, em declaração conjunta com a Alemanha, o governo brasileiro assumiu o compromisso de eliminar os gases de efeito estufa da economia global até 2100.Foram assinados acordos financeiros e de cooperação na ordem de 500 milhões de euros, entre financiamentos a juros baixos e doações para políticas de preservação e restauração florestal, uso da terra, cidades sustentáveis e políticas no setor energético.

O governo brasileiro reafirmou a sua intenção de ampliar para 20% a participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica até 2030. A Alemanha, que pretende ampliar o uso dessas fontes em até 60% em 2035, se comprometeu a auxiliar o Brasil no setor com empréstimos de € 415 milhões e doação, em forma de apoio técnico, de € 4,5 milhões.

Entre as metas de descarbonização traçadas pelo Brasil a mais concreta é o uso do etanol. O país apresenta o maior e mais eficiente programa de combustível renovável do mundo.

Enquanto outros países buscam alternativas à matriz fóssil, no Brasil o projeto de lei nº84/2015, de autoria do senador Benedito de Lira (PP-AL), visa derrubar a portaria 23/1994 do Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), que veta o uso do diesel em carros de passeio e o libera apenas para os de transporte coletivo, carga ou off-road com capacidade acima de 1.000 kg. No Brasil, esse combustível é subsidiado pelo governo.

Se depender dos políticos brasileiros, muitos mal-intencionados, outros desinformados sobre a supremacia brasileira na área de combustíveis renováveis, nossa matriz energética regride ao invés de ficar cada vez mais verde. Mas o bom, é que nossos pesquisadores,mesmo desvalorizados, não desistem, este ano anunciaram o ETHABIODIESEL, um biocombustível 100% renovável oriundo da transesterificação de óleos vegetais com Etanol Anidro (na proporção de 35%) e posterior aditivação com aditivo ETHABIO™, e que quer substitui integralmente o óleo diesel de origem fóssil.

O ETHABIODIESEL já foi testado em unidade sucroenergéticae conseguiu a licença da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para ser utilizado nas usinas nas frotas de caminhões e máquinas agrícolas. A outra opção renovável para substituir o diesel anunciada recentemente também vem da cana, é o biometano, gás proveniente da vinhaça. (Cana Online 31/08/2015)

 

O uso do VANT nos canaviais

O VANT captura imagens aéreas da plantação, como falhas no canavial.

Conhecido como VANT (veículo aéreo não tripulado), essa pequena aeronave se caracteriza por não necessitar de pilotos embarcados para ser guiada. Esses aviões são controlados a distância por meios eletrônicos e computacionais, sob a supervisão e governo humanos, ou sem a sua intervenção, por meio de Controladores Lógicos Programáveis (CLP).

A gerente de projetos da Coopercitrus, Alessandra Julianetti Barreto, afirma que o uso de imagens áreas aplicadas às áreas de produção de cana-de-açúcar é uma ferramenta de gestão agronômica indispensável, que identifica as oportunidades de melhorias no processo produtivo da cultura canavieira. “Para os pequenos, médios e grandes produtores diminuírem seu custo de produção é necessário aumentar a produtividade, que virá apenas com a utilização de novas tecnologias e a implementação da Agricultura de Precisão”.

O VANT captura imagens aéreas da plantação para identificar problemas e obter dados precisos de propriedades, fazendas, talhões e áreas circunvizinhas. A ferramenta pode, por exemplo, fazer levantamentos cadastrais do local, como tamanho de estradas, declividades do terreno, delimitação de quadras, áreas de preservação permanente, matas, reservas legais, localização de árvores, curvas de nível e áreas alagadas.

Outro benefício do VANT é o fato de poder localizar, com precisão, locais onde há matocompetição ou falhas de cana-de-açúcar. A aeronave é capaz, ainda, de identificar zonas com solo exposto, mensurar áreas atingidas por incêndios, ventos e outros tipos de efeitos naturais e verificar pontos de erosão. (Cana Online 31/08/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas projeções do PIB para baixo neste ano e no próximo

Com exceção das projeções para o PIB, as expectativas do mercado permaneceram praticamente inalteradas em relação à semana anterior, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 28 de agosto, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,29% para 9,28%, e para 2016, subiu de 5,50% para 5,51%. As estimativas para o PIB em 2015 recuaram de uma queda de 2,06% para outra de 2,26% e, para 2016, passaram de uma retração de 0,24% para 0,40%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e em 12,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio se mantiveram em R$/ US$ 3,50 no final de 2015 e em R$/US$ 3,60 no final de 2016.

Destaques da semana

Reunião do Banco Central brasileiro e dados do mercado de trabalho nos EUA serão os destaques na agenda desta semana.

Após o Banco Central explicitar o fim do ciclo de aperto monetário em sua última reunião, quando levou a taxa Selic para 14,25%, o encontro da próxima quarta-feira será importante para avaliar por quanto tempo a autoridade monetária pretende manter os juros no atual patamar. Adicionalmente, a agenda desta semana contará com dados importantes de atividade, depois de o IBGE anunciar a contração de 1,9% do PIB brasileiro no segundo trimestre. Os indicadores, em sua maioria referentes a agosto, deverão confirmar nossa expectativa de nova retração, de 0,5%, da economia doméstica neste trimestre. Serão divulgadas as informações de emplacamentos de veículos da Fenabrave, amanhã, assim como a produção e venda desses bens pela Anfavea, na sexta-feira, ambos de agosto. Na quarta-feira, o IBGE divulgará a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de julho, que deverá apontar estabilidade na margem, fazendo com que a produção industrial do País permaneça em patamar baixo. Completando a agenda de atividade, teremos a divulgação dos indicadores industriais da CNI de julho e o indicador de atividade do comércio da Serasa Experian deste mês, amanhã e sexta-feira, respectivamente. Ainda serão divulgados os dados da balança comercial de agosto, pelo MDIC, amanhã, e o IGP-DI, do mesmo mês, na sexta, para o qual esperamos alta de 0,36%.

Na agenda externa, os destaques ficarão por conta dos dados do mercado de trabalho nos EUA e da divulgação das leituras finais dos índices PMI Markit de agosto. Ainda hoje, conheceremos o indicador chinês da indústria de transformação, ao passo que os índices europeus e o norte-americano, também da indústria, serão divulgados amanhã. Além disso, teremos a divulgação dos índices PMI do setor de serviços e composto para diversos países, na quinta e sexta-feira. Por fim, no último dia útil da semana, serão conhecidos a prévia do PIB da Área do Euro referente ao segundo trimestre e os dados de desemprego e de geração de vagas formais nos Estados Unidos, em agosto.

Atividade

IBGE: após resultado do segundo trimestre, atualizamos projeção para o PIB de 2015 para uma retração de 2,7%

O IBGE divulgou na última sexta-feira o PIB do segundo trimestre de 2015, que exibiu queda de 1,9% na margem e de 2,6% na comparação interanual. O resultado ficou dentro das expectativas de mercado, que apontavam queda na margem de 1,2% a 2,0%, segundo coleta da Bloomberg, e abaixo de nossa projeção, de retração de 1,4%. Adicionalmente, houve revisão da magnitude da retração do PIB do primeiro trimestre, de 0,2% para 0,7%, movimento que já era esperado. Com o resultado, revisamos nossa projeção do PIB para 2015, para uma retração de 2,7%. Esperamos para o terceiro e quarto trimestres do ano novos recuos de 0,5% e 0,2%, respectivamente. A queda contínua do PIB ao longo do ano produzirá um carregamento estatístico para 2016 bastante negativo (próximo a -1%), o que torna o quadro de dois anos de queda do PIB o cenário mais provável. Na ótica da demanda, a forte queda da absorção doméstica se confirmou, com contrações na margem de 2,1% do consumo das famílias e de 8,1% da Formação Bruta de Capital Fixo. O enfraquecimento de ambos deve continuar ao longo do terceiro trimestre. As exportações líquidas, por sua vez, devem atingir o ápice de contribuição positiva entre o segundo trimestre e o terceiro: as exportações registraram alta de 7,5% na comparação interanual, enquanto as importações registraram queda de 11,7%. Na ótica da oferta, o destaque ficou tanto com a expressiva queda da indústria (retração de 4,3% na margem e de 5,2% na comparação interanual) quanto na segunda retração consecutiva do PIB de serviços, que começa a sentir mais fortemente os efeitos da desaceleração econômica. Por sua vez, a atividade agropecuária registrou crescimento de 2,7% na margem e de 1,8% na comparação interanual.

FGV: Indicadores de confiança do comércio e do setor de serviços atingiram o menor patamar histórico em agosto

As sondagens do comércio e do setor de serviços referentes a agosto, divulgadas há pouco pela FGV, ainda apontam para níveis historicamente baixos de confiança. O índice de confiança do comércio recuou 4,1% entre julho e agosto, o menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. Essa queda foi explicada pela piora na avaliação da situação atual, cujo índice recuou 12,1%. Já o índice de expectativas ficou praticamente estável, com alta de 0,4% no mesmo período. No mesmo sentido, a confiança do setor de serviços recuou 4,7% na passagem de julho para este mês, atingindo também o menor patamar histórico. O índice de situação atual caiu 9,6%, ao mesmo tempo em que o componente de expectativas recuou 1,7%. Dessa forma, a piora da avaliação dos empresários em relação à situação atual e futura dos negócios reforça o cenário de nova retração da atividade doméstica no terceiro trimestre do ano.

Fiscal

BC: setor público consolidado registrou déficit de R$ 10,02 bilhões em julho

O setor público consolidado registrou um déficit de R$ 10,02 bilhões em julho, segundo as informações divulgadas na última sexta-feira pelo Banco Central. O resultado foi composto por um déficit de R$ 6,0 bilhões nas contas do governo central e de R$ 3,16 bilhões dos governos regionais. Com isso, nos últimos doze meses, o déficit do setor público consolidado somou R$ 50,99 bilhões, o equivalente a 0,89% do PIB. Os gastos com juros, por sua vez, somaram R$ 62,75 bilhões em julho, influenciados pelas despesas de R$ 23,9 bilhões com as operações de swap cambial do Banco Central. Nos últimos doze meses, os gastos com juros atingiram R$ 451,76 bilhões (7,92% do PIB), sendo que as operações com swap cambial representaram um gasto de R$ 91,96 bilhões (1,61% do PIB) nesse mesmo período. Já, o custo implícito da dívida líquida subiu 2,04 p.p. em relação a junho e atingiu 27,2%. Quando descontado o efeito do swap cambial, esse custo passou de 20,2% em junho para 20,9% em julho. Por fim, a dívida bruta do Governo Geral subiu 1,09 p.p. no mês e alcançou 64,6% do PIB, o maior nível desde o início da série histórica (considerando a metodologia atual do Banco Central).

Internacional

Área do Euro: Inflação se manteve estável em agosto O índice de preços ao consumidor na Área do Euro subiu 0,2% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2014, conforme prévia do indicador divulgada nesta manhã. O resultado foi o mesmo de junho e julho. Apesar da aceleração exibida pelos preços de alimentos, bebidas e fumo, que passaram de uma alta interanual de 0,9% em julho para 1,2% neste mês, os preços de energia voltaram acelerar a queda em relação ao mês anterior (de -5,6% para -7,1%). Quando excluídos esses itens, normalmente mais voláteis, do cálculo da inflação, a variação se manteve no mesmo patamar de julho (1,0%). Na mesma direção, os preços dos serviços registraram alta de 1,2%, a mesma do último mês. Desse modo, a inflação na região se mantém em patamar ainda bastante inferior à meta de 2,0% do BCE, porém o risco de deflação vem se tornando cada vez menor.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o primeiro pregão da semana em queda, com destaque para o recuo do mercado acionário de Shanghai, refletindo novas preocupações com a economia chinesa. A maioria das ações européias e os índices futuros norte-americanos acompanham o movimento do exterior, registrando perdas nesta manhã.

O dólar se desvaloriza ante o euro, o iene, o ringgit malaio e o renminbi, mas é cotado em alta em relação ao rublo russo e à rúpia indiana. Entre as commodities, o petróleo interrompe a sequência de alta dos dias anteriores, diante da preocupação com a menor demanda chinesa e o excesso de oferta global. As principais agrícolas e as metálicas industriais também operam no campo negativo, com exceção do alumínio. No mercado doméstico, a fraca agenda de indicadores faz com que as atenções sejam voltadas ao exterior. Assim, espera-se pressão altista nas taxas de juros futuros e desvalorização do real.