Macroeconomia e mercado

Notícias

Pine aumenta em 1,7% projeção de safra 2015/16 no centro-sul, para 602 mi de t

O Banco Pine revisou ontem sua projeção para a safra 2015/16 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, de 592 milhões para 602 milhões de toneladas (+1,7%). Caso se concretize, o volume será 5,4% maior na comparação com as 571,3 milhões de toneladas de 2014/15.

Com relação aos produtos, a instituição reduziu sua estimativa de fabricação de açúcar de 33 milhões para 31,9 milhões de toneladas. Essa quantidade seria 0,3% menor frente as 32 milhões de toneladas do ciclo anterior. Quanto ao etanol, o Pine espera produção de 27,9 bilhões de litros, acima dos 26,4 bilhões de litros projetados inicialmente e 6,8% maior na comparação anual. Do total, 11,2 bilhões de litros devem ser de anidro e 16,8 bilhões de litros, de hidratado.

O mix em 2015/16 deve fechar em 58,8% da oferta de matéria-prima para fabricação de álcool e os 41,2% restantes, para açúcar. Já a quantidade de sacarose nas plantas deve ser 1,5% menor na atual safra, com 134,5 kg por tonelada de cana moída. (Agência Estado 03/09/2015)

 

Açúcar bruto sobe com previsão de clima chuvoso no Brasil

Os contratos futuros do açúcar bruto na bolsa ICE, em Nova York, subiam nesta quinta-feira impulsionados por previsões de um clima mais úmido no Brasil.

O contrato outubro subia 1,77 por cento, para 10,92 centavos de dólar por libra-peso às 9:24 (horário de Brasília), após tocar máxima da sessão de 11,05 centavos.

Previsões de um El Niño mais forte, possivelmente contribuindo para um tempo mais chuvoso este mês no cinturão canavieiro do Brasil, além de monções fracas na Índia, ajudavam a sustentar os preços do açúcar.

"As pessoas estão esperando algumas interrupções de colheita no centro-sul do Brasil na segunda semana de setembro", disse um corretor sênior sediado em Londres. (Agência Estado 03/09/2015)

 

Syngenta venderá unidade de sementes de vegetais e fará recompra de ações

O grupo suíço de agroquímicos Syngenta planeja recomprar mais de 2 bilhões de dólares em ações para impulsionar os retornos aos acionistas após rejeitar uma proposta de aquisição da Monsanto, vendendo seu negócio de sementes vegetais para financiar a medida.

A maior companhia de pesticidas do mundo está sob pressão para oferecer recompensas tangíveis a acionistas após ter virado as costas na semana passada à oferta da Monsanto, valendo então 47 bilhões de dólares.

O grupo suíço vai se desfazer do mais lucrativo de seus negócios de sementes, que tem margens de lucro brutas bem acima de 60 por cento ante cerca de 45 por cento para todas as sementes no ano passado, o que complica seus esforços para ampliar as margens do grupo.

No entanto, o vice-presidente financeiro, John Ramsay, disse que a venda é a melhor maneira de explorar a força da unidade.

"Não estamos recebendo o reconhecimento adequado pelo mercado nem pela abordagem da Monsanto sobre o valor fundamental de nossos ativos de sementes de vegetais", disse Ramsay à Reuters.

Investidores receberam bem a decisão sobre recompra de ações, levando os papéis da empresa a uma alta de 3,15 por cento às 8h21 (horário de Brasília). Sem outra companhia interessada em fazer uma oferta no horizonte, analistas tinham especulado que uma recompra poderia acalmar investidores.

Ludwig Burger e Michael Shields. (Reuters 03/09/2015)

 

Broca gigante se alastra pelos canaviais do centro-sul

As lagartas são grandes - 80 mm de comprimento.

A broca gigante, Telchinlicuslicus (Drury) (Lepidoptera: Castniidae), é conhecida na região Nordeste desde os anos de 1920, e considerada a pior praga da cana naquela região, podendo levar a perdas de até 100% nas áreas atacadas.

Em julho de 2007, em uma fazenda na cidade de Limeira, interior paulista, foi registrada a primeira ocorrência da broca gigante fora da região Nordeste. Depois disso, a praga começou a ganhar os canaviais paulistas,e já foi encontrada nos canaviais do sul de Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.Sua proliferação é agressiva, com perdas de produtividade média de 15 toneladas de cana por hectare por ano.

A forma adulta da broca-gigante é uma borboleta preta com uma faixa branca transversal nas asas anteriores. As asas posteriores apresentam uma faixa branca curva e sete manchas vermelhas na margem externa. As brocas adultas aparecem no verão e põe ovos em touceiras velhas, no meio dos detritos e caules cortados. As lagartas são grandes - 80 mm de comprimento - brancas, com algumas pintas pardas na parte dorsal. A largura é decrescente da parte toráxica para a anal. A pupa se transforma dentro de um casulo feito de fibras de cana e dá origem a um adulto que viverá até 15 dias.

Os prejuízos causados pela broca gigante são:

• galerias verticais;

• destruição completa do colmo por causa do tamanho;

• redução do poder germinativo;

• coração morto;

• podridões.

Segundo pesquisadores, a broca gigante é “praga-chave” da cana e de difícil controle, pois a larva fecha o buraco (orifício ocado) logo após o corte da cana, dificultando o acesso de predadores e tornando ineficiente a aplicação de inseticidas. O controle manual (catação da praga) é o método mais utilizado até o momento, porém os custos são elevados.

Fazem-se levantamentos populacionais por amostragens e quando constatado sua presença, efetua-se o controle manual. A lagarta é coletada manualmente imediatamente após o corte, com auxílio de ferramentas apropriadas, matando-se no primeiro dia até 65% das mesmas. No quinto dia não há mais eficiência de controle, pois ela migra para outro colmo. Numa segunda etapa (45 dias depois), avalia-se o coração morto e retira-se o broto ou perfilho atacado com outro tipo de enxadinha. (Cana Online 03/09/2015)

 

“O Brasil e o setor sucroenergético não suportam mais as políticas desastrosas tomadas nos últimos anos”

Em 20015, vieram algumas medidas governamentais que contribuíram com o setor sucroenergético, como o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina de 25% para 27% e o retorno da CIDE sobre a gasolina. Um pacote de medidas importante, mas que veio tardiamente e é insuficiente para reverter o estrago causado até o momento no setor sucroenergético.

“A grande crise do setor ocorreu por políticas públicas erradas, não necessariamente tomadas contra o setor, mas que colocaram toda atividade em dificuldade, assim como ocorre com a economia brasileira”, pontua André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético.

A manutenção artificial dos preços dos combustíveis e da energia elétrica são alguns exemplos. Como mudar o cenário? “Antes de tudo o setor e a sociedade brasileira esperam que não se tenha mais nenhuma política desastrosa contra a economia e contra o setor. E se possível políticas que incentivem a atividade sucroenergética. Um bom ponto de partida para isso seria entenderem que os anseios de toda cadeia da cana-de-açúcar estão em sintonia com os anseios da sociedade brasileira”, dispara Rocha.

Segundo ele, ainda há espaço para o governo tomar medidas que permitam a manutenção do emprego e no futuro permitam um amento da produção sucroenergética, puxando a retomada da indústria de base. “Medidas que possibilitem à cadeia da cana-de-açúcar manter o papel que desempenha nesses quarenta anos de Proálcool, marcado pela interiorização do desenvolvimento, geração de empregos, incentivo a uma indústria de base inovadora e 100% nacional”, enumera Rocha, acrescentando ainda outras externalidades positivas deste setor, como benefícios ambientais e para a saúde pública.

Ele lembra que o mundo enfrenta mudanças climáticas, que afetam a população e a própria agropecuária. “Vemos catástrofes ambientais, com graves prejuízos em cidades, estados e países. Outro motivo mais do que claro para a necessidade de se incentivar a energia renovável, que é o caso da produção de cana-de-açúcar e da energia da biomassa no Brasil e em outros lugares do mundo. Uma estratégia comprovadamente eficiente para se mitigar os efeitos dessas mudanças climáticas”. (Cana Online 03/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Copom manteve a taxa de juros inalterada, conforme o esperado O Banco Central decidiu ontem, por unanimidade, manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano. A decisão já era esperada, uma vez que a autoridade monetária já havia deixado explícito em seu último encontro que encerraria o ciclo de alta dos juros. O Comunicado emitido após a decisão repetiu que “o Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”. Isso reforça nossa expectativa que a Selic permanecerá inalterada ao menos até o início do próximo ano. A ata da reunião, a ser divulgada na próxima semana, deverá trazer mais informações sobre a avaliação do BC a respeito da depreciação recente da moeda brasileira e sobre a intensidade da desaceleração da economia doméstica.

Atividade

IBGE: Produção industrial surpreendeu negativamente em julho e sugere queda de 0,8% do PIB no terceiro trimestre

A produção industrial brasileira recuou 1,5% na passagem de junho para julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo IBGE. Em relação ao mesmo mês de 2014, houve retração de 8,9%. A desagregação do resultado de julho revela que o desempenho negativo ocorreu em 14 dos 24 ramos pesquisados. As principais influências vieram de produtos de madeira, cujo declínio foi de 7,6%, e produtos alimentícios e bebidas, ambos com queda de 6,2%. Em contrapartida, máquinas e equipamentos avançaram 6,5% na margem, revertendo parcialmente o recuo de 11,9% acumulado nos cinco meses anteriores. Em relação às categorias de uso, foi observado declínio em três das quatro aberturas na margem, com destaque para a nova queda de bens de capital (-1,9%), que acumula variação negativa de 20,9% neste ano. No mesmo sentido, os bens intermediários registraram retração de 2,1% em relação a junho. Dentre os bens de consumo, os semiduráveis e não duráveis recuaram 3,4%, ao passo que os duráveis cresceram 9,6% no período (lembrando que essa alta não reverte totalmente a queda de 13,7% exibida no mês anterior). O resultado reforça nossa expectativa de continuidade do enfraquecimento do setor industrial ao longo deste ano (projetamos contração anual de 7,0%), diante da manutenção do cenário de elevação dos estoques a taxas crescentes, juntamente com a queda da confiança do empresariado industrial. Assim, esperamos que o dado de agosto deva apresentar nova retração, de 1% na margem. Adicionalmente, a surpresa leva nossa projeção para o PIB do terceiro trimestre de uma retração de 0,4% para uma mais intensa, de 0,8%.

Fenabrave: Emplacamento de veículos subiu em agosto, após sete quedas consecutivas

O emplacamento de veículos, exceto máquinas agrícolas, somou 307.080 unidades em agosto, conforme reportado ontem pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O resultado é equivalente a um avanço de 2,6% em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais. O movimento, que marca o primeiro aumento após sete quedas consecutivas na margem, refletiu as altas dos emplacamentos de caminhões (4,9%) e automóveis (4,2%). No sentido oposto, os emplacamentos de comerciais leves e ônibus caíram 5,2% e 4,8%, na mesma métrica. Na comparação interanual, o emplacamento total de veículos, exceto máquinas agrícolas, recuou 20,0%, devido à retração nas quatro categorias, com destaque para o declínio de 58,9% de comerciais leves e de 46,1% de caminhões. A despeito do movimento verificado na margem, o enfraquecimento do mercado de trabalho e o menor nível de atividade econômica devem contribuir para a manutenção do fraco desempenho das vendas do setor neste ano.

Inflação

FIPE: IPC voltou a desacelerar em agosto

O Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) registrou alta de 0,56% em agosto, sucedendo elevação de 0,85% na leitura de julho, conforme divulgado hoje. O resultado veio ligeiramente abaixo da nossa projeção (0,60%) e em linha com as expectativas do mercado, que apontavam alta de 0,55%. O grupo alimentação passou de um avanço de 0,77% para outro de 0,52% entre julho e agosto, mesmo sentido do grupo saúde, que saiu de 1,67% para 1,10% no mesmo período. Em sentido contrário, o grupo habitação passou de uma alta de 1,33% para 1,51%, assim como os preços de vestuário, que saíram de uma alta de 0,18% em julho para 0,26% no mês passado. Para as próximas leituras, esperamos desaceleração adicional do índice, diante da dissipação dos reajustes dos preços administrados.

Setor externo

BC: Preços das commodities voltaram a acelerar em agosto

O Índice de commodities do Banco Central (IC-Br) registrou alta de 2,43% na passagem de julho para agosto, de acordo com os dados divulgados ontem. O resultado sucedeu estabilidade em junho e elevação de 2,77% em julho. A aceleração do indicador refletiu os avanços na margem de 5,00% e 4,58% dos preços dos produtos agropecuários e de metais, respectivamente. Já o índice de energia ficou praticamente estável na mesma base de comparação. Dessa forma, o IC-Br acumula crescimento de 22,70% nos últimos doze meses. Para o próximo dado, esperamos nova aceleração do indicador, diante da continuidade da depreciação cambial.

FipeZap: Preços de imóveis residenciais permaneceram estáveis em agosto

Os preços de imóveis residenciais no País ficaram praticamente estáveis em agosto, com ligeira queda de 0,01% em relação ao mês anterior, conforme divulgado hoje pela Fipe, em parceria com a empresa de busca eletrônica Zap, em pesquisa realizada em 20 municípios brasileiros. Assim, o preço médio do metro quadrado chegou a R$ 7.613 no mês passado, acumulando alta de 3,32% nos últimos doze meses. Essa foi a décima leitura consecutiva em que a variação em doze meses do índice FipeZap ficou abaixo da inflação do período. Destaque para a queda nominal dos preços no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói e Goiânia. Essa trajetória de descompressão dos preços de imóveis reflete a moderação do mercado imobiliário na maioria das cidades pesquisadas, diante do elevado estoque de imóveis residenciais, o que deve continuar sustentando esse movimento nos próximos meses.

Setor externo

Inflação BC: movimento cambial foi superavitário na quarta semana de agosto

O fluxo cambial na quarta semana de agosto foi positivo em US$ 811 milhões, conforme divulgado ontem pelo Banco Central. Assim, no acumulado do mês, o saldo das movimentações cambiais ficou superavitário em US$ 2,642 milhões. Vale lembrar que apenas os dados do dia 31 ainda não foram divulgados. No período compreendido entre os dias 24 e 28 do último mês, ambas as contas registraram variação positiva. Na conta financeira, os US$ 10,361 bilhões em compras superaram US$ 10,122 bilhões em vendas. Com isso, ainda que em menor magnitude que na semana anterior, seu saldo final foi superavitário em US$ 239 milhões. Em um ritmo mais intenso que o da semana anterior, a conta comercial apresentou superávit de US$ 572 milhões no período. Para isso, foram contratados US$ 3,910 bilhões para exportação ante US$ 3,338 bilhões para importação. Dessa forma, o saldo total acumula superávit de US$ 9,806 bilhões no ano. Acreditamos que a continuidade do ajuste das contas externas deverá manter o fluxo cambial no campo positivo nos próximos meses.

Internacional

Área do Euro: Indicadores reforçam perspectiva de aceleração da economia europeia neste trimestre Os dados de vendas no varejo e o índice PMI composto divulgados hoje apontam para a aceleração do PIB da Área do Euro neste trimestre, após ligeira acomodação exibida nos três meses anteriores. As vendas do comércio varejista avançaram 0,4% entre junho e julho, sucedendo retração de 0,2% no mês anterior. Na mesma direção, o índice PMI composto passou de 53,9 para 54,3 pontos entre julho e agosto. A leitura final do indicador foi ligeiramente superior à prévia (54,1). Com isso, a média dos últimos dois meses alcançou 54,1 pontos, acima da média do segundo trimestre. O resultado, portanto, reforça nossa visão de que resolvida a crise grega, a Área do Euro teria fundamentos para retomar a trajetória favorável de crescimento exibida desde o final do ano passado.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas fecharam o pregão de hoje em alta, refletindo o fechamento da bolsa de Shanghai, em virtude dos dois dias de feriado de comemoração do final da Segunda Guerra Mundial. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus registram ganhos nesta manhã, diante dos dados positivos do índice PMI composto da Área do Euro. Os índices futuros norte-americanos também operam no campo positivo neste momento, à espera da divulgação do resultado da balança comercial de julho e do índice ISM do setor de serviços.

O dólar permanece fortalecido ante as principais divisas, com exceção do iene, que registrou ligeira apreciação. Entre as commodities, os preços do petróleo são cotados próximos à estabilidade, a despeito da elevação dos estoques semanais dos EUA, divulgada ontem pelo Departamento de Energia daquele país. As principais agrícolas e metálicas apresentam direções divergentes nesta manhã, com a soja e o cobre em alta e o milho, o trigo e o alumínio em queda. No mercado doméstico, a fraca agenda de indicadores faz com que as atenções estejam voltadas aos mercados internacionais.