Macroeconomia e mercado

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“Quem não tiver condições de produzir energia, pode vender a biomassa”

No final de agosto, o governo paulista lançou o projeto 'São Paulo na rede elétrica', que tem como objetivo principal a ampliação da participação de energias renováveis na matriz energética. "Percebemos que São Paulo precisa esgotar o potencial das suas alternativas de energia e introduzir, definitivamente, a energia do bagaço da cana. Com ela, conseguiremos ampliar a produção de energia elétrica do Estado”, afirma o secretário de Energia do Estado, João Carlos de Souza Meirelles.

Segundo o Governo Paulista, das 166 unidades sucroenergéticas do estado, 20% estão concentradas em um raio de 100 quilômetros da cidade de Morro Agudo, onde passa um linhão de transmissão de energia, por isso, em Morro Agudo será construída uma subestação de energia.

Dessas unidades, 34 produzem energia e 10 delas já estão programadas para aumentar seus potenciais de geração. "Juntas, essas unidades aumentarão em 237 MW suas gerações. Esse adicional consegue abastecer três cidades do tamanho de Sertãozinho, por exemplo.” As outras 24 necessitarão realizar investimentos para passarem a exportar energia.

Para levar a energia produzida pela usina ao sistema interligado, é preciso construir a linha de transmissão. Pelas regras do sistema, esse investimento deve ser feito pelas unidades sucroenergéticas, o custo médio por km é de R$ 700 mil. A linha depois de pronta é doada para a concessionária de energia, que passa a assumir o ônus da manutenção dessa estrutura.

Segundo especialistas, assumir a construção dessa linha de transmissão tem sido o maior empecilho para que mais unidades sucroenergéticas entrem para o negócio da bioeletricidade. Antonio Gilberto Gallati, diretor da TGM, empresa de Sertãozinho, SP, diz que o valor oferecido nos leilões de energia - o último foi em 24 de julho e o valor foi de R$ 210,00/ MWh – inviabiliza o investimento, ainda mais nessa época de crise em que o setor está descapitalizado. Para que o setor produza mais energia, Gallati pede auxilio ao governo paulista, como a liberação de recursos com juros menores e longo prazo para pagamento.

Mas, segundo João Carlos de Souza Meirelles, produzir bioenergia é um empreendimento financeiro. “Uma usina de açúcar não é uma Santa Casa de Misericórdia para receber doações. É um empreendimento econômico-financeiro. Se algumas usinas já participaram do leilão e vendem ou venderam energia, é porque é um negócio viável. “Se para uns é possível, porque não é para os demais?”, pergunta o Secretario – no último leilão apenas uma usina fechou contrato.

Meirelles salienta que o setor precisa sair da dependência do Estado, parar de querer que o Estado banque tudo. “Estamos prontos para dar apoio, criar estrutura e oferecer condições. Se por acaso não tem recursos, mas tem patrimônio e garantias, existem empréstimos para isso. Não é nada complicado: é fazer o engate até a primeira subestação. Isso é encargo dele. Mas se tiver alguma dificuldade, pode procurar a Secretaria para que se possa estudar uma saída”, diz.

Para ele, o grande problema hoje é, em primeiro lugar, qual o volume de produção de cana que permite que se tenha bagaço suficiente para compensar comprar uma turbina e uma caldeira. Às vezes a escala da matéria-prima não é proporcional. Para quem tiver uma pequena produção, pode ser mais interessante vender a biomassa para outra usina canavieira, ou outro tipo de indústria. “Existem várias empresas, como da área de alimentos, que compram bagaço, que hoje está mais caro do que a cana”. (Cana Online 08/09/2015)

 

Uma super-máquina com 750 cavalos realiza a colheita da cana-energia

Máquina adaptada pela Vignis para a colheita de cana-energia. Divulgação Vignis.

Em solo goiano, a Vignis colhe a primeira safra comercial de cana-energia, para isso, desenvolveu um sistema de colheita integral, que leva 100% da cana colhida para a indústria. Desde 2011, realiza diversos testes com forrageiras, desenvolveu uma plataforma exclusiva para cana – pois usava a de milho e ela quebrava por não suportar o volume de cana – e acoplou parte de uma colhedora de cana.

O resultado foi uma máquina com 750 cavalos, a colhedora convencional tem 350, e colhe entre 100 a 120 toneladas por hora. Apesar da maior potência, consome em torno de 0,6 litros de diesel por tonelada de cana, enquanto a colhedora gasta 1,2 litros por tonelada. Essa metade forrageira, metade colhedora libera a cana em um particulado de 20 milímetros, é o tamanho da partícula que, hoje, os profissionais da Vignis acreditam ser a mais adequada, mas máquina pode fazer até particulado de cinco milímetros.

Nesta safra, a empresa conta com duas dessas máquinas que estão colhendo nos canaviais da Caramuru em Goiás. Os caminhões para o transporte da matéria-prima também foram adaptados pela Vignis e o volume máximo de transporte no rodotrem é de 45 toneladas, um motivo a mais para a cana estar próxima da indústria. Mesmo assim, o processo de colheita e transporte continua sendo aprimorado. (Cana Online 08/09/215)

 

O setor sucroenergético precisa produzir energia elétrica o ano todo

Para que a bioeletricidade seja mais remuneradora, o secretário de Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, diz que o setor sucroenergético precisa produzir energia o ano todo. “Tem muita gente que está fazendo isso. Está usando mais palha durante o ano e guardando bagaço para manter a geração nos outros três ou quatro meses de entressafra.”

Além da utilização da palha da cana para complementar o bagaço, Meirelles salientou que: “hoje é viável produzir energia de diversas fontes, como cavaco de madeira e sorgo.” O Secretario reforça que a produção de bioeletricidade deve ser encarada como um negócio e não como uma atividade marginal, ofertada quando é possível. “O setor precisa assumir o compromisso de gerar energia os 12 meses do ano, isso gera confiabilidade e maior remuneração.”

No final de agosto, o governo paulista lançou o projeto 'São Paulo na rede elétrica', que tem como objetivo principal a ampliação da participação de energias renováveis na matriz energética. (Cana Online 08/09/2015)

 

Minas e Energia aprova aporte de recursos do Tesouro na Conta de Desenvolvimento Energético

A Comissão de Minas e Energia aprovou na quarta-feira (2) proposta em análise na Câmara dos Deputados que obriga o governo federal a destinar recursos do Tesouro Nacional para cobrir as novas obrigações impostas pela Lei 12.783/13 (originada da Medida Provisória 579/12) à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – fundo do setor elétrico criado em 2002. A medida está prevista no Projeto de Lei 832/15, dos deputados Fabio Garcia (PSB-MT), Rodrigo de Castro (PSDB-MG) e Weliton Prado (PT-MG).

A CDE tinha originalmente entre seus objetivos promover a universalização do serviço de energia elétrica no País, garantir tarifas reduzidas para consumidores de baixa renda e estimular a competitividade da energia produzida a partir de fontes renováveis (eólica, termossolar, fotovoltaica, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa etc).

Com a aprovação da MP 579/12, o governo federal concentrou na CDE a responsabilidade por outros subsídios e obrigações do setor elétrico, como a competência pela compensação do efeito da não adesão de algumas geradoras à proposta do governo federal de prorrogar antecipadamente o contrato de concessão.

As geradoras de energia Cesp, de São Paulo, Cemig, de Minas Gerais, e Copel, do Paraná, não aderiram à proposta e optaram por vender energia no mercado livre a preços mais altos, aproveitando a escassez de chuvas e a baixa dos reservatórios.

Impacto tarifário e distorção

Segundo os autores, entre 2013 e 2014, o governo federal destinou a CDE, por meio do Tesouro Nacional, cerca de R$ 20 bilhões. Entretanto, em 2015, após a eleição, o governo federal tomou a decisão de não aportar recursos do Tesouro na CDE. “Houve grande impacto tarifário, especialmente para os consumidores dos subsistemas Sul, Sudeste e Centro Oeste”.

Por concordar com os argumentos dos autores, o relator na comissão, deputado Evandro Roman (PSD-PR), apresentou parecer pela aprovação do projeto.

“É imprescindível que tal distorção seja corrigida, afinal não é razoável que consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste subsidiem consumidores, inclusive os de alta renda, das regiões Norte e Nordeste”, disse Roman.

Tramitação

O projeto ainda será analisado conclusivamente pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Cenário MT 08/09/2015)

 

Equipamento para corrigir de falhas do canavial em cana-soca atrai grande interesse

Na última sexta-feira, dia 4 de setembro, o Facebook da CanaOnline trouxe depoimento do diretor de Marketing Cana-de-açúcar da Syngenta, Leandro Amaral, sobre um equipamento que está sendo desenvolvido pela companhia especificamente para o corrigir falhas no canavial, utilizando mudas pré-brotadas. Além disso, CanaOnline apresentou um vídeo com o protótipo do equipamento, gravado no Dia de Campo da Syngenta, realizado na Usina Virálcool. O vídeo “bombou” nas mídias sociais, com mais de 70 mil pessoas alcançadas no facebook até a última segunda-feira e mais de 200 compartilhamentos. Sinal do interesse dos profissionais do setor por uma tecnologia como essa.

Com este desenvolvimento, a intenção da companhia é manter a produtividade dos canaviais, postergar as reformas, aumentar o rendimento das operações, principalmente colheita, ao repor as falhas do canavial especialmente em cana-soca. Para fazer essas operações, a empresa desenvolveu e instalou neste equipamento uma série de pequenos processos. Uma máquina como essa é interessante porque em cana-planta é fácil fazer o replantio com uma muda pré-brotada usando a matraca, o que não acontece em uma área de cana-soca, por conta da compactação superficial que o sulco apresenta.

Para conhecer melhor o equipamento, que está sendo desenvolvido pela Syngenta, basta visitar o link abaixo:

https://www.facebook.com/canaonline.com.br/videos/vb.221708711305971/737134813096689/?type=2&theater. (Cana Online 08/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado revisou a maioria das suas projeções para este ano e o próximo

Com exceção das projeções para a taxa Selic, a maioria das expectativas do mercado sofreu alteração em relação à semana anterior, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 4 de setembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,28% para 9,29%, e para 2016, subiu de 5,51% para 5,58%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 2,26% para outra de 2,44% e, para 2016, foram revisadas de uma retração de 0,40% para 0,50%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e em 12,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,50 para R$/US$ 3,60 no final de 2015 e de R$/US$ 3,60 para R$/US$ 3,70 no final de 2016.

Destaques da semana

Ata do Copom e IPCA de agosto serão os destaques da agenda nesta semana

Depois de o Banco Central manter a taxa de juros inalterada em 14,25% a.a. na reunião da última quarta-feira, a divulgação da Ata do Copom nesta quinta será um dos destaques na agenda doméstica. O documento deverá trazer a avaliação da autoridade monetária em relação à desaceleração da atividade doméstica e à depreciação recente da moeda brasileira. Igualmente importante, será a divulgação do IPCA de agosto, no mesmo dia. Esperamos alta de 0,21%, com desaceleração generalizada do índice, especialmente do grupo alimentação e dos preços administrados. Conheceremos também o IGP-M de setembro, em sua leitura preliminar. Além disso, a agenda contará com dados de atividade referentes ao último mês, que deverão confirmar nossa expectativa de nova queda da produção industrial no período. Na quinta-feira, serão divulgadas as informações de fluxo pedagiado de veículos da ABCR e, sem data definida, os dados de vendas de papelão ondulado pela ABPO. Na agenda externa, diversos países divulgarão suas decisões de política monetária, como a Nova Zelândia, o Reino Unido e a Coreia do Sul.

Atividade

FGV: indicadores reforçam fraco desempenho do mercado de trabalho em agosto

O Indicador Antecedente de Emprego da FGV atingiu 64,2 pontos em agosto, abaixo dos 65,9 pontos observados em julho, conforme divulgado hoje. O resultado negativo foi influenciado pela queda dos indicadores de situação atual dos negócios do setor de serviços (-7,0%) e da avaliação para os próximos meses da indústria (-5,1%). Já o Indicador Coincidente de Desemprego alcançou 89,5 pontos no mês passado, após atingir 90,8 pontos em julho. O resultado, que corresponde a uma queda de 1,4% na margem, interrompeu a trajetória de alta observada nos últimos sete meses, indicando alguma acomodação da taxa de desemprego no período. Nesse sentido, os indicadores divulgados hoje apontam para o enfraquecimento adicional do mercado de trabalho nos próximos meses.

Anfavea: Produção de veículos automotores voltou a registrar resultado negativo em agosto

A produção de veículos automotores, exceto máquinas agrícolas, somou 216.465 unidades em agosto, o equivalente a uma queda de 6,6% na margem, de acordo com os dados divulgados na última sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e dessazonalizados pelo DepecBradesco. O resultado sucedeu uma alta e nove recuos consecutivos na margem. Destacaram-se as quedas de 27% na produção de ônibus e de 30,1% na fabricação de caminhões. Já a produção de automóveis registrou variação negativa de 5,3%, na mesma métrica. As vendas ao mercado interno, por sua vez, apresentaram elevação de 0,2%, enquanto as exportações caíram 2,2% na comparação com o mês anterior, já excetuados os efeitos sazonais. Com isso, os estoques, no mês, atingiram 42 dias de vendas. Na comparação interanual, a produção caiu 18,2%, movimento seguido pelas vendas ao mercado interno que apresentaram variação negativa de 23,9%. As exportações, no sentido oposto, subiram 9,2%. Para os próximos meses, esperamos continuidade do fraco desempenho do setor, respondendo ao cenário de enfraquecimento da atividade econômica e necessidade de ajuste dos estoques.

Serasa Experian: Atividade varejista recuou novamente em agosto

O Indicador de Atividade do Comércio calculado pela Serasa Experian registrou queda de 1,1% na passagem de julho para agosto, descontada a sazonalidade, conforme divulgado na sexta-feira. O recuo sucedeu um declínio de 2,0% em julho, de acordo com os dados revisados. Três dos seis setores pesquisados apresentaram desempenho negativo no período. O destaque ficou para o segmento de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas, cujo recuo foi de 1,9%. Em contrapartida, combustíveis e lubrificantes elevaram-se 0,7%, na mesma métrica. Em relação a agosto do ano passado, a atividade varejista apresentou queda de 0,7%. Ainda assim, o indicador acumula alta de 2,4% nos últimos doze meses. O resultado sugere, ainda de forma preliminar, ligeira retração da atividade varejista no período.

Anatel: Número de linhas fixas habilitadas recuou em julho, em 18 das 27 unidades federativas do País

O total de linhas de telefonia fixa habilitadas no País somou 44,475 milhões em julho, o que representa estabilidade ante junho, conforme divulgado na última sexta-feira pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Contudo, na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve retração de 1,57%. Esse comportamento resultou da queda do número de linhas em 18 dos 26 estados do País, mais o Distrito Federal. Com isso, todas as regiões, com exceção da Centro-Oeste, registraram redução na comparação com julho de 2014. O Sudeste, que concentra 61% dos acessos, apresentou retração de 0,84% nessa métrica. Para os próximos meses, prevemos continuidade do enfraquecimento do setor, diante da perspectiva de acomodação adicional da renda das famílias brasileiras.

Internacional

EUA: A despeito do ritmo menos intenso de geração de empregos em agosto, mantemos nossa expectativa de início da normalização da política monetária no final deste ano.

A economia norte-americana registrou criação líquida de 173 mil vagas em agosto, conforme reportado na última sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA. O resultado, que interrompeu a sequência de três saldos acima dos 200 mil postos de trabalho, situou-se abaixo das expectativas do mercado, que previa geração de 210 mil novas vagas. Em contrapartida, os dados de junho e julho foram revisados para cima: de 223 mil para 245 mil novos postos em junho e de 215 mil para 245 mil em julho. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego recuou de 5,3% para 5,1% na passagem de julho para o mês passado. Assim, a despeito do ritmo menos intenso de geração de empregos nos EUA em agosto, a revisão favorável dos dados dos meses anteriores e a taxa de desemprego em patamar inferior ao observado antes da crise nos leva a manter a expectativa de início da normalização da política monetária ainda no final deste ano.

China: Exportações e importações continuaram fracas em agosto, aumentando as preocupações com o desempenho da economia no restante do ano

Os sinais vindos da economia chinesa continuam sustentando a manutenção da tendência em curso de rápida desaceleração. Em agosto, as exportações recuaram 5,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, ante queda esperada de 6,6%, após já terem caído 8,3% no mês anterior. As importações, por sua vez, registraram retração de 13,8% no mês passado, frustrando as expectativas de contração de 7,9%, depois de terem recuado 8,1% em julho. No ano, as exportações e importações acumulam retrações de 1,2% e de 14,3%, respectivamente. Em relação às compras chinesas, importante chamar a atenção para a queda de 0,2% e o crescimento de 9,8% das quantidades importadas de minério de ferro e soja, nessa ordem. Essa diferença reforça as velocidades distintas nas quais crescem o consumo e a indústria na China. Com isso, o saldo da balança comercial somou US$ 60,24 bilhões, acumulando superávit de US$ 548 bilhões nos últimos doze meses. Ao mesmo tempo, as reservas estrangeiras chinesas chegaram a US$ 3,557 trilhões em agosto, o que representa uma redução de US$ 93,9 bilhões em relação a julho. Essa diminuição recorde das reservas é decorrente das intervenções que o banco central do país vem fazendo no mercado cambial desde que anunciou a depreciação da moeda. De fato, a saída de capitais se acentuou bastante nas últimas semanas, tendo em vista as preocupações ainda presentes com a intensidade da desaceleração da economia, combinadas com a correção do mercado acionário e a expectativa de depreciação adicional do yuan. Entendemos que as medidas de estímulo seguirão presentes, o que pode evitar uma desaceleração mais pronunciada. No entanto, deverão estar combinadas com um avanço mais visível das reformas, o que pode acontecer nos meses à frente, a exemplo a sinalização dada pelo governo neste final de semana acerca da reforma das estatais. De todo modo, mantemos nossa visão de que a expansão do PIB neste ano ficará abaixo da meta de crescimento de 7,0% estipulada pelo governo, sucedendo uma alta de 7,3% em 2014.

Área do Euro: Revisão para cima do PIB europeu no segundo trimestre reforça bom momento da economia do bloco

O crescimento do PIB da Área do Euro entre o primeiro e o segundo trimestre foi revisado de uma alta de 0,3% para 0,4%, conforme divulgado hoje pela eurostat. O resultado dos primeiros três meses do ano também foi revisto de 0,4% para 0,5%. A expansão de 1,6% das exportações foi a grande responsável pelo desempenho favorável do PIB no segundo trimestre. Na direção contrária, a queda de 0,5% da formação bruta de capital fixo puxou a desaceleração da economia europeia na comparação com os três meses anteriores. Já o consumo das famílias se manteve sustentado, com expansão de 0,4% na margem. Entre os países do bloco, destaque positivo para a Espanha e a Grécia, com crescimentos de 1,0% e 0,9%, respectivamente. Por outro lado, o PIB francês ficou estável, após crescer 0,7% nos três primeiros meses do ano. De todo modo, a revisão dos dados do primeiro semestre dá um viés positivo para nossa projeção de crescimento de 1,5% do PIB europeu neste ano, ainda mais se considerarmos a perspectiva de aceleração da economia da região nesta segunda metade do ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em alta, à espera de novos estímulos por parte do governo chinês, após a divulgação de dados fracos de exportações do país. A exceção ficou por conta das ações japonesas, que registraram perdas. Os mercados acionários europeus operam no campo positivo nesta manhã, diante da revisão para cima do PIB da Área do Euro referente ao segundo trimestre. Os índices futuros norte-americanos acompanham o movimento do exterior, apresentando ganhos neste momento.

O dólar perde força ante as principais divisas, com exceção do euro e do iene. Entre as commodities, o petróleo reverte parcialmente as perdas anteriores, refletindo a melhora dos mercados internacionais. No mesmo sentido, as principais agrícolas e as metálicas industriais são cotadas em alta. No mercado doméstico, a agenda fraca de indicadores faz com que as atenções estejam voltadas ao exterior.