Macroeconomia e mercado

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Aumento da Cide tem tido boa "receptividade" no governo

A proposta de elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina tem tido boa "receptividade" no governo, de acordo com uma liderança do setor sucroenergético ouvida pelo Broadcast. O tema ganhou corpo nesta semana em que a presidente Dilma Rousseff admitiu em vídeo, divulgado no 7 de setembro, a necessidade de "remédios amargos" para fechar as contas de 2016.

Fontes ouvidas na semana passada pelo Broadcast relataram que a cadeia produtiva de açúcar e álcool tem reuniões agendadas para esta semana com representantes do governo para discutir o aumento da Cide. Mesmo que um possível aumento atenda à necessidade do governo de gerar caixa, há um receio de que com a gasolina mais cara as usinas não deem conta de suprir o incremento de demanda por etanol.

O setor tenta tranquilizar o governo quanto a isso. Em Brasília, são discutidos dois cenários. No primeiro, a Cide iria dos atuais R$ 0,22 para R$ 0,40, gerando receita de quase R$ 10 bilhões. No segundo caso, que é pleito antigo do setor sucroalcooleiro, o tributo iria para R$ 0,62 e resultaria em arrecadação de R$ 16 bilhões. Essa última alíquota representaria uma atualização monetária do valor original do tributo, de R$ 0,28 por litro, quando foi criado, em 2002.

A Cide havia sido zerada em 2012, mas voltou a incidir sobre a gasolina em fevereiro deste ano, o que animou o setor sucroenergético. Com o tributo, o etanol retomou parte da competitividade perdida para o combustível fóssil, e suas vendas dispararam. Em agosto, por exemplo, as usinas do Centro-Sul do País venderam 2,74 bilhões de litros de hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, 34,26% mais na comparação anual, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). (Agência Estado 10/09/2015)

 

Saiba porque a cana-energia produz 200 toneladas por hectare

O sistema radicular da cana-energia é o responsável pela maior produtividade

Em Alagoas está a estação de seleção de sementes de cana da Vignis, que mantém sua sede em Santo Antonio de Posse, no interior paulista. É onde eles afinam a pesquisa para chegar nas variedades de cana-energia com maior potencial. Para apurar seu desempenho em outros ambientes de produção, a Vignis tem plantio com cana-energia em mais 20 fazendas espalhas pelo Brasil. A empresa já tem 10 variedades protegidas pelo Ministério da Agricultura.

“Em todas as áreas o seu desempenho é fantástico”, afirma Luís Cláudio Rúbio, um dos sócios da Vignis. Como exemplo, cita o caso de uma variedade Vignis padrão (não a campeã, que ultrapassa 200 toneladas, mas a mais plantada), que produz 185 toneladas de cana por hectare,93 de ATR, que equivale a 17, 2 tonelada de açúcar por hectare, e 26% de fibra, resultando em 92,6 toneladas de bagaço por hectare. Tem 62% de água e 38% de matéria seca. Enquanto que a cana-de-açúcar (com alta produtividade), apresenta 100 toneladas/ha, 135 de ATR - equivalente a 13,5 toneladas de açúcar por hectare e 12, 5 de fibra, resultando em e 25 toneladas de bagaço por hectare. Tem 70% de água e 30% de matéria seca.

O que confere essa maior produtividade na cana-energia, segundo Rúbio, é o seu sistema radicular, muito mais eficiente que o da cana-de-açúcar. Ela possui rizomas que são como colmos que ficam embaixo da terra, é o mesmo que acontece com capim e em plantas daninhas como tiririca. É o que confere à cana-energia essa produtividade tão maior que a cana-de-açúcar.

Esse sistema radicular existia na cana selvagem, o que acontece, explica Rúbio, é que nos últimos 100 anos, o foco tem sido desenvolver variedades com maior teor de açúcar, por isso, os pesquisadores trabalham para concentram açúcar. Esses cruzamentos a partir da terceira ou quarta geração faz com que os rizomas desapareçam e com isso a cana reduz a produtividade. “A nossa proposta é tentar equalizar, ter açúcar e aumentar a quantidade de matéria-prima nas usinas”. (Cana Online 10/09/2015)

 

Ministra Kátia Abreu é hoje a principal interlocutora do setor sucroenergético no governo

Esta é a opinião de André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético. “Com legitimidade, a ministra é a principal interlocutora do agro no governo federal”, afirma Rocha.

Antes de chegar ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Kátia comandou até meados de 2014 a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que não tem muita tradição na representação da agroindústria canavieira.

A Ministra começou a defender a cana em 2014, pouco antes de ocupar a pasta. “Ela levou as questões do setor canavieiro e colocou na pauta de interlocução com a presidenta Dilma. Assim que deixou a CNA, em maio de 2014 ela intermediou reunião com a presidenta em que a cana-de-açúcar foi a única atividade agrícola debatida, além de questões macro, como legislação trabalhista, logística, sistema tributário.”

Segundo Rocha, ao assumir o MAPA manteve o contato com o setor sucroenergético, sempre tentando encaminhar medidas que contribuíssem com a atividade. Postura que manteve em 2015, configurando-se como “a grande interlocutra do setor no governo”.

Atualmente, a Ministra Kátia Abreu tem sido importante no debate político sobre o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis, atendendo a uma reivindicação do setor sucroalcooleiro.

Para ela, tal medida traria efeitos positivos tanto para o governo como para o setor. Um aumento da Cide dos atuais R$ 0,22 centavos por litro para algo em torno de R$ 0,60 representaria uma arrecadação para a União entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões. Desta forma, o etanol ganharia em competitividade frente à gasolina.

Além da Ministra Kátia Abreu, Rocha cita outros ministros que têm contribuído com o setor sucroenergético em Brasília, como Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Aloízio Mercadante (Casa Civil) e Eduardo Braga (Minas e Energia). “De fato, a nossa interlocução com o governo tem melhorado, o que nos ajuda a sermos mais ouvidos. Isso logicamente nos ajudou a conseguir algumas ‘pequenas’ vitórias, ao longo principalmente desse ano”. (Cana Online 10/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Dificuldade de realizar ajuste fiscal levou S&P a rebaixar a nota de crédito brasileira

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou ontem a nota de crédito soberano do Brasil de BBB- para BB+, mantendo a perspectiva negativa. Com isso, o País perde o chamado grau de investimento. A decisão foi surpreendente, na medida em que se esperava um posicionamento da instituição apenas para o início do próximo ano. A medida foi justificada, em grande medida, pelo aumento “do risco para a política de correção fiscal em andamento”. Por trás desses riscos, a agência aponta os desafios políticos enfrentados pelo governo no Congresso, a dificuldade em aprovar cortes de gastos e a revisão das metas fiscais para 2016, que poderia levar a três anos consecutivos de déficit primários e aumento contínuo da dívida pública. Resta agora avaliar qual será o comportamento das demais agências de classificação de risco, Moody´s e Fitch, que ainda mantêm o País com grau de investimento. Em nossa opinião, a decisão foi um tanto precipitada, tendo em vista as declarações recentes do governo e as medidas que vêm sendo tomadas para reverter o déficit orçamentário do próximo ano. De todo modo, acreditamos que esse cenário adverso deverá acelerar o avanço do ajuste fiscal daqui para frente.

Atividade

IBGE: recuo da produção industrial em julho refletiu a queda em oito das catorze regiões pesquisadas

A retração de 1,5% da produção industrial entre junho e julho refletiu o recuo da atividade em oito das catorze regiões pesquisadas, segundo os dados divulgados ontem na Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional) do IBGE. As maiores quedas na margem foram verificadas nos Estados do Paraná, Ceará e Santa Catarina, cujas variações negativas foram de 6,3%, 5,2% e 2,4%, respectivamente. No sentido oposto, o estado do Rio Grande do Sul cresceu 6,8% no período. Na comparação interanual, onze dos quinze locais pesquisados registraram queda no mês, em linha com o recuo de 8,9% da média nacional. Destacaram-se as contrações no Amazonas (-18,2%) e no Ceará (-13,7%), explicadas, em grande medida, pela menor produção de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e aparelhos de informática, eletrônicos e ópticos, no primeiro caso, e de produtos têxteis e fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, no segundo.

Abraciclo: Produção e vendas de motocicletas recuaram em agosto A produção de motocicletas em agosto totalizou 114,162 mil unidades, segundo os dados reportados ontem pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo). O resultado representa um recuo de 4,4% ante julho, na série livre de efeitos sazonais. Na mesma direção, as vendas registraram queda de 5,6% na margem, alcançando 101,927 mil unidades em agosto. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a produção caiu 12,0% e as vendas, 15,7%. Para os próximos meses, prevemos continuidade do fraco desempenho desse setor, refletindo o ajuste no mercado de trabalho e o baixo nível da atividade econômica.

IACI: Índice de atividade da construção imobiliária recuou em agosto

O Índice de Atividade da Construção Imobiliária (IACI) apresentou recuo de 0,5% em agosto, na comparação com o mês anterior, conforme divulgado ontem no Monitor da Construção Civil, elaborado pela consultoria Tendências em parceria com a Criactive. Tal resultado reflete a queda no índice de acabamento, compensada apenas parcialmente pelo avanço na margem dos indicadores de fundação e estrutura. Dessa forma, a atividade da construção imobiliária acumula queda de 13% neste ano. No mesmo sentido, o Índice de Lançamentos (IACI-L), que mensura a área total dos empreendimentos lançados no País, voltou a apresentar retração na margem em junho. O indicador, cuja leitura é defasada em relação ao IACI, caiu 9,2%, após registrar ligeira alta em maio. Diante da necessidade de ajuste dos estoques de imóveis, acreditamos que o número de lançamentos deverá sustentar trajetória de queda neste ano, o que manterá a atividade de construção imobiliária com fraco desempenho.

Setor externo

BC: Fluxo cambial em agosto registrou o segundo maior resultado deste ano

O saldo do fluxo cambial do dia 31 de agosto foi bastante positivo e impulsionou o resultado mensal, que fechou superavitário em US$ 4,111 bilhões, conforme divulgado ontem pelo Banco Central. O montante foi o maior observado desde abril. Para isso, ambas as contas foram positivas. A conta financeira somou US$ 2,122 bilhões, ao passo que a conta comercial alcançou US$ 1,989 bilhão. Na primeira semana de setembro, compreendida entre os dias 1º e 4 deste mês, o ritmo foi menos intenso. As movimentações cambiais registraram superávit de US$ 343 milhões na semana passada. Nesse período, a conta comercial somou US$ 598 milhões, refletindo os US$ 2,714 bilhões contratados para exportação ante US$ 2,116 bilhões contratados para importação. Em contrapartida, a conta financeira foi deficitária em US$ 255 milhões. As compras de US$ 5,321 bilhões foram superadas pelas vendas, que somaram US$ 5,576 bilhões. A despeito disso, os saldos de agosto e da primeira semana de setembro reforçaram nossa expectativa de que o fluxo se manterá no campo positivo ao longo de 2015, em virtude do ajuste em curso das contas externas. Vale destacar que, neste ano, o fluxo cambial acumula superávit de US$ 11,619 bilhões.

Internacional

EIA: Departamento de Energia dos EUA revisou para baixo suas projeções de preço de petróleo, em meio a cenário de excesso de oferta global

O Departamento de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) revisou para baixo suas projeções de preço de petróleo para 2015 e 2016, conforme reportado em seu relatório mensal divulgado ontem. De fato, os preços estimados para o barril do Brent passaram de US$ 54,40 para US$ 54,07 e de US$ 59,42 para US$ 58,57 em 2015 e 2016, respectivamente. As quedas nas projeções refletem nova revisão para cima da estimativa de estoques mundiais de petróleo. Tal aumento resulta das estimativas de recuo da demanda global no período, diante da desaceleração da economia chinesa, e da expectativa de que a oferta mundial continue elevada, com retorno do Irã ao mercado internacional. Apesar da expetativa de oferta mundial bastante elevada, o relatório registrou a terceira revisão para baixo da produção norte-americana, que oscilou de 9,25 para 9,09 milhões de barris ao dia. Dessa forma, o relatório do EIA reforça nossa expectativa de que o declínio dos preços das commodities se mantenha nos próximos meses

China: acentuação da deflação no atacado em agosto reforça a rápida desaceleração da economia chinesa nos últimos meses

O cenário prospectivo para a inflação segue tranquilo, com intensificação inclusive da deflação no atacado, o que deverá manter todas as atenções da política econômica voltadas à atividade econômica – o que mantém o espaço aberto para novas rodadas de alívio fiscal e monetário. A inflação ao consumidor mostrou alta de 2,0% em agosto, acelerando em relação à elevação de 1,6% registrada em julho, ficando acima do consenso do mercado (1,9%). Esse movimento altista foi explicado pela pressão vinda dos preços de alimentos, especialmente de carne suína, vegetais e ovos (os preços de porco passaram de uma alta de 16,7% em julho para outra de 19,6% em agosto). Assim, os preços de alimentos subiram 3,7% (ante avanço de 2,7% em julho), ao passo que os demais itens ficaram estáveis em 1,1%. Mesmo que essa tendência deva continuar presente nos meses à frente, a demanda fraca manterá a inflação ao consumidor sob controle. Ao mesmo tempo, em linha com a piora da economia, intensificada nos últimos meses e com a queda adicional dos preços internacionais das commodities, a inflação ao atacado acentuou a deflação observada há algum tempo. O índice de preços ao produtor recuou 5,9% no mês passado, após ter caído 5,4% em julho, ante expectativa de deflação de 5,6%.

Tendência de mercado

As bolsas asiáticas interromperam a sequência de ganhos dos últimos dias no pregão de hoje, após a divulgação dos dados de índice de preços na China

 As ações européias acompanham o movimento da Ásia, sendo cotadas em baixa nesta manhã. Em contrapartida, os índices futuros norte-americanos registram ganhos neste momento, à espera dos dados semanais de pedidos de auxílio desemprego, que devem apresentar queda em relação à semana anterior.

O dólar mantém-se fortalecido ante as principais moedas, com exceção do rublo, que reverte parcialmente as perdas dos últimos dias. Entre as commodities, os preços do petróleo registram alta nesta manhã, a despeito da elevação dos estoques semanais nos EUA acima do esperado pelo mercado, conforme divulgado ontem pelo American Institute of Petroleum. No mesmo sentido, as principais agrícolas e metálicas industriais são cotadas no campo positivo. No mercado doméstico, os ativos devem reagir ao rebaixamento da nota de crédito soberano brasileiro, anunciado ontem pela S&P. Além disso, o mercado ficará atento ainda à divulgação da ata da última reunião do Copom e do IPCA de agosto.