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Rebaixamento do Brasil traz "novo transtorno" para setor sucroalcooleiro, diz Canaplan

O sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, também presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), disse que para o setor sucroalcooleiro o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor's "traz novo transtorno". Segundo ele, a expectativa de investimentos estrangeiros "esfria" com a avaliação mais negativa sobre a situação brasileira.

Em entrevista ao Broadcast, ele disse que a cadeia produtiva de açúcar e álcool apresentava sinais de recuperação neste ano após o governo ter reintroduzido a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e elevar a mistura de anidro na gasolina de 25% para 27%, o que agora pode não acontecer no ritmo esperado.

Há pouco, as ações de empresas sucroalcooleiras operavam no negativo na Bolsa. Os papeis da Cosan, que tem joint venture com a Shell na Raízen, cediam 1,06%, para R$ 18,65. Já os da São Martinho caíam 2,07%, para R$ 34,47. Os da Tereos, controladora da Guarani, por sua vez, trabalhavam na estabilidade, a R$ 0,44.

O setor sucroenergético enfrenta dificuldades desde a crise do crédito de 2008 e viu a situação se agravar durante o primeiro mandado da presidente Dilma Rousseff, quando a Cide foi zerada e retirou a competitividade do etanol nos postos de combustíveis. Ao final da safra 2014/15, em março, as usinas do Centro-Sul tinham dívida superior a R$ 50 bilhões. (Agência Estado 11/09/2015)

 

Alta do dólar pressiona preço do açúcar, mas mercado vê ICE ainda sustentada

A disparada do dólar ante o real, reflexo do downgrade do Brasil pela Standard & Poor's (S&P), pressionou os futuros de açúcar demerara ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As perdas já eram esperadas após a decisão da agência de classificação de risco, mas participantes avaliam que a desvalorização foi menor do que a projetada. Tanto é que as cotações permanecem acima dos 11,30 cents por libra-peso, indicando que a sustentação persiste.

Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana chegou a superar os R$ 3,90, mas terminou em R$ 3,8620 (+1,69%). A divisa foi puxada pela S&P, só que os ganhos ao longo do dia foram minguando em meio a realizações de lucros e intervenções do Banco Central.

Com isso, as atenções ainda se voltam para a safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil, cada vez mais alcooleira. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) foram assimilados, e cresceu a perspectiva de que a primeira quinzena de setembro terá um mix maior para etanol. "Se na segunda metade de agosto, que teve tempo aberto, já foi assim, imagine como será nesta, com muito mais chuvas", comentou um corretor.

Na quarta-feira, o diretor técnico da entidade, Antonio de Pádua Rodrigues, já havia alertado que "as chuvas observadas na primeira quinzena de setembro devem intensificar o mix de produção mais alcooleiro e dificultar o avanço da moagem". Em períodos mais úmidos, a matéria-prima perde qualidade e fica mais difícil e caro produzir açúcar, explicou.

Com o câmbio imprevisível, os futuros chegam à sexta-feira com suporte nos 11,30 cents/lb e resistência firme nos psicológicos 11,50 cents/lb.

Ontem, outubro caiu 10 pontos (0,87%) e fechou em 11,33 cents/lb, com máxima de 11,42 cents/lb (menos 1 ponto) e mínima de 11,14 cents/lb (mais 29 pontos). Março recuou 12 pontos (0,97%) e terminou em 12,27 cents/lb. O spread outubro/março variou de 96 para 94 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 49,94/saca, alta de 0,99X% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 12,93/saca (-0,69%). (Agência Estado 11/09/2015)

 

Além de mais fibra, cana-energia também tem açúcar

Comparativo entre o desempenho da cana-de-açúcar e a cana-energia.

Para quem pensa que cana-energia não tem açúcar, Luís Cláudio Rúbio, um dos sócios da Vignis,informa que as variedades desenvolvidas pela empresa têm sim e se for pensar em toneladas de cana por hectare, a cana-energia tem mais açúcar que a cana convencional. Mas o açúcar da cana-energia é para a produção de etanol de 1ª geração, não açúcar.

Diferentemente da cana-de-açúcar que apresenta declínio na produção a partir do primeiro corte, na cana-energia, informa Rúbio, a touceira vai aumentado, em decorrência dos rizomas. É realizado o plantio combinado com o espaçamento de 1,80m x0,80m, a cana vai ocupando as entrelinhas, no terceiro corte, o espaçamento já está em 1,20 metro. A produtividade estaciona, quando as touceiras se encontram. A expectativa em relação a longevidade do canavial é de 10 anos. Como o genoma da cana-energia tem a participação maior de ancestrais mais rústicos, ela é mais resistente, de modo geral, às doenças que a cana-de-açúcar. E Rúbio lembra: “A cana-energia é cana, já conhecemos suas doenças e pragas.” A primeira safra comercial de cana-energia do Brasil, realizada pela Vignis está em ritmo acelerado em Goiás. (Cana Online 11/09/2015)

 

Subsídios têm causado distorções no mercado mundial de açúcar

Segundo Plínio Nastari, da Datagro Consultoria, o estoque mundial de açúcar deve ter uma pequena queda na safra 2015/16. Depois de chegar a 47,9% na relação estoque/consumo na safra 2014/15, esta relação deverá cair para 46,1% no ciclo atual. Ante uma previsão média de crescimento mundial do consumo de 2,01%.

No mercado externo de açúcar, o Brasil corresponde a 46% das exportações mundiais. Mas este é um mercado que sofre grandes distorções por conta de políticas de intervenção adotadas tanto por países produtores como por países consumidores.
Na Índia, os preços da cana são artificialmente elevados. Os produtores têm subsídios para a exportação e financiamentos a custo zero para usinas pagarem fornecedores.

Na Tailândia, o governo tem um programa de incentivo que está levando grande número de produtores de arroz para a produção de cana. Com os subsídios governamentais, o plano prevê elevar a produção da safra canavieira do país de 12 milhões de toneladas, em 2015/16, para 17 milhões de toneladas dentro de 5 ou 6 anos.

Já União Europeia e Estados Unidos têm mercados muito protegidos. Nos países da Europa, o mercado interno é protegido por tarifas de importação muito elevadas. Nos EUA, o mercado interno é protegido e o preço interno é mantido artificialmente elevado para manter produtores domésticos. Já na Rússia (ex-maior importador da commodity), a tarifa de importação elevada mantém proteção à indústria local.

China e Indonésia, que são dois grandes consumidores, também apresentam distorções. Os preços domésticos do mercado chinês são elevados para manter a indústria local. Também faz o uso da sacarina em grandes volumes para controlar o consumo, além de controles sobre a importação. Na Indonésia também há controles sobre a importação. (Cana Online 11/09/2015)

 

Produção de cana-de-açúcar é estimada pelo IBGE em 705,8 milhões de toneladas

Alta é de 2,5% ante 2014. A estimativa ainda é 0,4% maior do que a referente a julho.

A produção de cana-de-açúcar deve totalizar 705,816 milhões de toneladas em 2015, alta de 2,5% ante 2014, segundo o Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa ainda é 0,4% maior do que a referente a julho.

De acordo com o órgão, os dados refletem aumento nas estimativas de produção em Alagoas (9,6% em relação ao levantamento de julho), Maranhão (10,9%) e Paraná (2,8%). Nos últimos dois Estados, o clima mais chuvoso durante o ciclo contribuiu para aumentar o rendimento da safra.

Em São Paulo, o maior produtor de cana (responsável por mais da metade da produção), o clima seco tem facilitado a colheita, inclusive aumentando o teor de sacarose nas plantas e elevando o rendimento industrial, apontou o IBGE. No Estado, a produção deve crescer 4,2% em relação a 2014. (Agência Estado 11/09/2015)

 

Raízen expande negócio de combustíveis no Centro-Oeste e busca ganhos no Sul

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, inaugurou nesta quinta-feira (10) um novo terminal de combustíveis em Campo Grande (MS), consolidando um plano de 200 milhões de reais em expansão no setor que inclui a renovação de outro terminal na região de Ourinhos (SP).

No Mato Grosso do Sul, a Cosan aposta no crescimento do mercado de combustíveis no Centro-Oeste, região que tem registrado aumentos de 7 a 8 por cento ao ano em consumo, diferentemente de mercados maduros como a região de São Paulo, onde o desempenho está estabilizado.

Na área de Ourinhos (SP), um histórico entroncamento de transporte do centro para o sul do país, a empresa triplicou a capacidade de armazenamento de combustíveis e implantou modal ferroviário completo buscando ganhos na arbitragem de combustíveis.

"Estamos concluindo investimentos que foram planejados há três anos", disse Nilton Gabardo, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Raízen.

Segundo ele, no terminal de Ourinhos haverá ganhos de eficiência no transporte de biodiesel de áreas produtoras no Rio Grande do Sul para o mercado do Sudeste, e ao mesmo tempo no caminho inverso levando etanol de São Paulo para mercados no Sul, onde o consumo do biocombustível de cana está crescendo.

"Os vagões virão com biodiesel e voltarão com etanol. Vamos aproveitar essa logística reversa e ter redução do custo do transporte no modal ferroviário", afirmou à Reuters.

A Raízen investiu 70 milhões de reais nos dois terminais, a maior parte do plano de investimento de 200 milhões para a área de combustíveis.

Os demais investimentos se deram em construção de tanques e instalação de outros equipamentos para ajustar a operação a mudanças no setor, com a entrada de um novo tipo de diesel e após o aumento da mistura de biodiesel.

"Entraram a mistura maior de biodiesel e o diesel S10, então hoje são seis produtos básicos, antigamente eram quatro. À medida que isso evolui, tem que ter mais tanques. O maior problema de infra foi acomodar essa logística", disse Gabardo.

No Mato Grosso do Sul, o transporte ainda é majoritariamente rodoviário, mas também haverá logística reversa, levando gasolina e diesel para o local e trazendo etanol para o Sudeste e Sul, já que o Centro-Oeste produz mais etanol do que consome. (Reuters 11/09/2015)