Macroeconomia e mercado

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Fusões e aquisições aquecem mercado brasileiro, menos o setor sucroenergético

Como aconteceu com a Usina Albertina, em Sertãozinho, fechou sem interesse de comprador.

No ano passado, o número de fusões e aquisições no Brasil bateu recorde, registrando mais de 800 transações, segundo relatórios da PwC e da KPMG, duas das principais consultorias de auditoria e assessoria empresarial do país. As transações anunciadas no período movimentaram quase 193 bilhões de reais, um crescimento de 16,6% em relação a 2013, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Ao que tudo indica, 2015 deve repetir esses resultados. Com 401 operações concretizadas já no primeiro semestre – apenas cinco a menos do que o mesmo período de 2014 –, o total de fusões e aquisições no acumulado do ano já é o terceiro maior desde 1994, informa a KPMG.

Mas esse mercado em ebulição não acontece no setor sucroenergético, justamente um segmento em que todos apontam que seu futuro será marcado pela concentração – cada vez mais as usinas estarão nas mãos de menos grupos empresariais. Os principais fatores apontados como responsáveis pela falta de interesse dos investidores pelo universo canavieiro são: o alto grau de endividamento das empresas; o sucateamento do parque industrial; a falta de garantia de retorno do investimento, em decorrência da volatilidade do governo em relação a matriz energética brasileira. (Cana Online 14/09/2015)

 

Quem sabe cuidar melhor do canavial: produtor ou usina?

Uma certeza acontece no mundo da cana: é preciso aumentar a produtividade. Estudo do BNDESapontaque a produtividade do setor canavieiro brasileiro apresentou trajetória de elevação até 2007,quando chegou a cerca de 11,2 tde Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por hectare (ATR/ha), mas posteriormente o comportamento se reverteu.

O desempenho observado entre os anos de 2007 a 2014 tem sido oscilante, com tendência de queda. Entre as safras 2011/2012 e 2013/2014 a produtividade da lavoura apresentou índices menores que 2007, chegando a ficar abaixo do patamar de 10t de ATR/ha. Já a média de produtividade em toneladas de cana por hectare, há 10 anos beirava a casa das 90 toneladas, caiu para a faixa das 70 toneladas.

Vários motivos levaram a essa queda, como: ritmo acelerado da mecanização dos canaviais, expansão que levou a cultura para novos ambientes de produção, problemas climáticos, crise econômica e aumento nos custos de produção. Outro fator levantando é a perda de conhecimento agronômico, registrado pela entrada de profissionais sem tradição em cana-de-açúcar e a dispensa de especialistas no tema.

Para muitos, a perda de conhecimento agronômico ocorreu mais nas unidades sucroenergéticas do que com os produtores de cana, por isso, há vários exemplos no setor de canaviais de produtores apresentando alta produtividade, muitos na casa dos três dígitos – 100 toneladas de cana por hectare. Resultado de melhor manejo e tratos culturais, além de maior abertura para novas tecnologias. “É o olho do dono que engorda o porco. Acompanhamos o nosso negócio de perto. E se não investimos mais, é muitas vezes por falta de recurso, não por falta de conhecimento na cultura. Se o negócio está difícil para as usinas, para o fornecedor está pior ainda”, diz o produtor Paulo Roberto Artioli, diretor agrícola da Tecnocana, de Macatuba, SP. (Cana Online 14/09/2015)

 

Com 60% da safra concluída, migração para o etanol deverá ser superior à expectativa inicial

Ainda mais com o início das chuvas, em setembro, o que deverá tornar a safra mais alcooleira.

Segundo dados apresentados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), os números da segunda quinzena de agosto mantiveram a tendência observada desde o início da safra. A proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar na segunda quinzena de agosto (43,21%) manteve-se consideravelmente abaixo do nível observado na mesma data da safra 2014/2015 (45,26%).

Com isso, a produção de açúcar nos últimos quinze dias do mês atingiu apenas 2,84 milhões de toneladas, recuo de 5,95% em relação as 3,02 milhões de toneladas verificadas em igual data do último ano. A produção de etanol, em sentido contrário, aumentou 2,36% na segunda quinzena de agosto, alcançando 2,3 bilhões de litros este ano contra 2,25 bilhões de litros no mesmo período de 2014.

Do etanol total produzido nos últimos quinze dias de agosto, 920,27 milhões de litros foram de etanol anidro e 1,38 bilhão de litros de etanol hidratado, alta de 7,23% quando comparado aos 1,29 bilhão de litros verificados em igual data de 2014.

Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade, “as chuvas observadas na primeira quinzena de setembro devem intensificar o mix de produção mais alcooleiro e dificultar o avanço da moagem”. Em períodos mais úmidos, a matéria-prima perde qualidade e fica mais difícil e caro produzir açúcar, acrescenta o executivo.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de setembro, a produção de açúcar alcançou 19,2 milhões de toneladas, queda de 8,31% no comparativo com a safra 2014/2015. A produção de etanol, por sua vez, totalizou 16,65 bilhões de litros, sendo 10,56 bilhões de litros de etanol hidratado e 6,1 bilhões de litros de etanol anidro.

“Estamos com mais de 60% da safra concluída e a produção de açúcar continua com defasagem superior a 1,7 milhão de toneladas no comparativo com o ciclo anterior, indicando que a migração para etanol ao final da safra 2015/2016 será superior àquela esperada no início do ano”, ressaltou o diretor da Unica.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 145,89 kg nos últimos 15 dias de agosto, ante 141,22 kg registrados na primeira metade do mês e 147,49 kg verificados na mesma quinzena da safra 2014/2015.

No acumulado desde o início da moagem em 2015/2016 até 1º de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 129,44 kg, contra 132,85 kg apurados em igual período do ano passado. (Cana Online 14/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado revisou novamente para baixo suas projeções para o PIB deste ano e do próximo

Com exceção das projeções para a taxa Selic, a maioria das expectativas do mercado sofreu alteração em relação à semana anterior, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 11 de setembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,29% para 9,28%, e para 2016, subiu de 5,58% para 5,64%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 2,44% para outra de 2,55% e, para 2016, foram revisadas de uma retração de 0,50% para 0,60%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e em 12,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,60 para R$/US$ 3,70 no final de 2015 e de R$/US$ 3,70 para R$/US$ 3,80 no final de 2016.

Destaques da semana

Decisão de política monetária nos EUA e indicadores de atividade domésticos serão os destaques desta semana

As atenções dos mercados nesta semana estarão voltadas à decisão de política monetária nos Estados Unidos, que ocorrerá na quinta-feira. Ainda que a mediana das expectativas aponte para a manutenção da taxa de juros básica, o comunicado que será emitido após o encontro trará sinais importantes sobre os próximos passos do Fed, que está cada vez mais próximo do início da normalização da sua política monetária. Além disso, serão divulgados dados importantes de atividade ao redor do mundo: (i) as vendas no varejo e a atividade industrial dos EUA de agosto, amanhã; e (ii) as vendas varejistas no Reino Unido na quinta-feira, também referentes ao mês passado. A agenda externa ainda contempla os dados de inflação do Reino Unido e dos EUA em agosto, a serem conhecidos amanhã e quarta-feira, respectivamente, bem como indicadores antecedentes na Área do Euro e nos Estados Unidos ao longo da semana.

Internamente, os últimos dados de atividade referentes a julho deverão reforçar nossa expectativa de nova retração do PIB no terceiro trimestre deste ano. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) a ser divulgada na quarta-feira, deverá apresentar recuo de 1,0%, na margem, do varejo restrito em julho, de acordo com nossas projeções. No mesmo sentido, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) poderá apontar nova desaceleração da receita nominal do setor no período. Também teremos os dados de mercado de trabalho: os números do CAGED, ainda sem data definida, a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (PIMES) de julho, no último dia útil da semana, e o emprego industrial paulista da Fiesp/Ciesp de agosto. Além disso, conheceremos o primeiro indicador de atividade deste mês, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI. Por fim, será divulgado o IGP-10 de setembro, amanhã, para o qual esperamos variação 0,60% na margem, impulsionada pela aceleração dos preços ao produtor, como reflexo da desvalorização cambial.

Atividade

Secovi/Embraesp: Mercado imobiliário paulistano apresentou piora em julho

As vendas de imóveis na cidade de São Paulo somaram 1.042 unidades em julho, o equivalente a uma queda de 9,0% em relação a junho, conforme dados divulgados na sexta-feira pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e dessazonalizados pelo Depec – Bradesco. Já os lançamentos foram de 825 unidades, conforme pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o equivalente a uma retração de 13,3% na margem. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, em comparação com mesmo período do ano passado, isso representou um avanço de 9,3% das vendas e uma redução de 15,6% dos lançamentos. Com isso, os estoques de imóveis passaram de 14 para 13 meses do atual patamar de vendas. Vale ressaltar que parte do aumento das vendas em relação ao ano passado se deveu ao efeito base mais fraco em função da Copa do Mundo. Dessa forma, a elevação da taxa de desemprego, condições de financiamento menos favoráveis e a queda da confiança do consumidor deverão manter o setor imobiliário enfraquecido neste ano.

Inflação

Conab: Safra recorde de grãos reforça cenário de preços agrícolas acomodados

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou na sexta-feira o último levantamento da safra 2014/15, cuja colheita já está finalizada. Contrariando as estimativas do começo do ano, quando se esperava quebra de safra, afetada pela estiagem, a estimativa final aponta produção recorde. A safra deste ano atingiu 209,5 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a um incremento de 8,2% em relação ao ano passado. Os principais destaques de crescimento foram a soja, com 96,2 milhões de toneladas (uma expansão de 11,8%), o trigo, que alcançou 7,1 milhões de toneladas (com alta de 8,0%), e o milho, cuja produção total chegou a 84,7 milhões de toneladas (expansão de 5,8%), todos com produção recorde. A produção nas lavouras de soja cresceu tanto pelo incremento de área (6,4%) quanto de produtividade (5,1%); ao passo que a produção de milho se expandiu com a melhora da produtividade, que foi 6,4% maior ante a safra passada – já que a área total se manteve estável. A 2ª safra de milho foi o destaque da atual temporada, com expansão de 4,1% da área, de 8,2% da produtividade e de 12,6% da produção, atingindo 54,5 milhões de toneladas. Desde março, as estimativas vêm sendo revisadas positivamente refletindo o melhor regime de chuvas nas regiões produtoras. Nesse cenário, os preços agrícolas devem se manter em baixos patamares, com a expectativa de ligeiro avanço até o final do ano.

Internacional

China: Indicadores de atividade de agosto sugerem desaceleração adicional da economia chinesa neste trimestre

Encerrando as informações sobre a economia chinesa em agosto, os dados de atividade conhecidos ontem, confirmaram que a tendência de desaceleração ainda não foi interrompida, especialmente quando se considera que os investimentos mostraram a menor taxa de expansão desde 2001. Isso implica dizer que o PIB do terceiro trimestre deverá mostrar crescimento abaixo da expansão de 7% registrada no período anterior e que os estímulos seguirão presentes como forma de interromper essa rápida perda de ritmo da economia. Vale lembrar que essa redução do dinamismo chinês tem origens estruturais e conjunturais (combinadas com os eventos mal conduzidos pelo governo, da queda da bolsa e da depreciação da moeda, que acabaram aumentando as incertezas dos rumos e das intenções da política econômica). Destacamos o fraco desempenho da produção industrial – em linha com o previamente sugerido pelo índice PMI e pelas exportações –, com avanço interanual de 6,1% no mês passado, abaixo do esperado (6,5%) e levemente acima do verificado em julho (6,0%). Os investimentos em ativos fixos, por sua vez, desaceleraram de um crescimento acumulado até julho de 11,2% para 10,9%, considerando os oito primeiros meses do ano. Esse resultado ficou abaixo da alta de 11,2% esperada pelo mercado e reflete a melhora das inversões em infraestrutura (com ganho de 18,4%) e, por outro lado, a significativa desaceleração dos investimentos no setor imobiliário, para 3,5% (o menor avanço dos últimos seis anos). As vendas no varejo seguem mais resilientes, com alta interanual de 10,8% em agosto, levemente acima do observado em julho (10,5%) e do esperado (10,6%). Dessa forma, as preocupações com um cenário de desaceleração mais acentuada da economia chinesa seguirão no radar dos mercados, exigindo uma sinalização mais clara por parte do governo do país.

Área do Euro: Produção industrial em julho reforça sinais de aceleração da economia européia neste trimestre

A produção industrial na Área do Euro cresceu 0,6% entre junho e julho. O resultado sucedeu uma queda de 0,3% e superou as expectativas do mercado, que apontavam alta de 0,3%. Na comparação com o mesmo mês de 2014, houve expansão de 1,9%. O resultado refletiu o avanço na margem de 1,4% da fabricação de bens de capital e de 1,3% de bens de consumo duráveis. Por outro lado, a produção de bens intermediários e de bens de consumo não duráveis recuou 0,5%. Entre os países do bloco, destaque para o crescimento de 7,2% exibido pela Irlanda e de 4,3% pela Grécia. Os dados divulgados hoje, portanto, reforçam nossa expectativa de aceleração da economia européia neste trimestre, após ter exibido crescimento de 0,4% nos três meses anteriores.

USDA: Relatório manteve cenário otimista para o trigo e a soja, mas revisou para baixo a estimativa de produção mundial de milho

O departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) manteve seu cenário otimista para a soja e o milho na safra 2015/16, conforme reportado na última sexta-feira. A estimativa de produção de soja permaneceu inalterada em 320 milhões de toneladas na passagem de agosto para setembro, enquanto que a de trigo sofreu leve revisão altista, de 727 pata 732 milhões de toneladas no período. No sentido contrário, as condições climáticas desfavoráveis nos EUA levaram o departamento a revisar para baixo a produção de milho, que deverá apresentar queda de 2,9% em relação à safra anterior. Dessa forma, o relatório aponta para a redução de 3,8% dos estoques finais. Para o trigo e a soja, o USDA espera elevação de 7,2% e 7,9% dos estoques, na comparação com a safra anterior. Os resultados apresentados não alteram substancialmente nossa visão para preços desses grãos até o final deste ano, que contempla ligeira alta dessas commodities.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em queda, refletindo os dados fracos de produção industrial na China e no Japão. Em contrapartida, a maioria dos mercados europeus opera em alta nesta manhã, influenciados pela surpresa positiva com a atividade industrial da Área do Euro. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos registram ganhos neste momento, à espera do FOMC na quinta-feira.

As moedas apresentam direções divergentes, com o rublo, o iene, o euro e o dólar australiano valorizando-se em relação ao dólar dos EUA e a maior parte das divisas emergentes em queda, com destaque para a forte desvalorização da lira turca. Entre as commodities, os preços do petróleo e das metálicas industriais registram queda, diante da desaceleração da economia chinesa. Já as principais agrícolas são cotadas em alta, refletindo a divulgação do relatório do USDA na última sexta-feira. No mercado doméstico, a fraca agenda de indicadores deve manter os ativos brasileiros próximos à estabilidade. Adicionalmente, o mercado interno deverá seguir atento aos próximos passos da política fiscal, frente ao anúncio da perda do grau de investimento do País ocorrido na semana passada.