Macroeconomia e mercado

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Açúcar: NY deve continuar sustentada pela melhora nos fundamentos

Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) tiveram leve recuperação ontem, favorecidos pelo dólar enfraquecido. A perspectiva de déficit global na safra 2015/16 contribui para sustentar ganhos.

Ontem, a moeda norte-americana trabalhou em baixa em boa parte do dia. A redução das preocupações com a China, cujo índice Xangai Composto subiu nesta quarta-feira, e a expectativa com o anúncio da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), nesta quinta-feira, mantiveram o dólar em baixa. No ambiente interno, a ausência de notícias negativas em Brasília pressionou também para baixo a divisa norte-americana.

Com relação aos fundamentos do açúcar, a consultoria INTL FCStone divulgou que a próxima safra global do produto 2015/16, que começa mês que vem, deve registrar o primeiro déficit desde 2009/10, de 3,8 milhões de t (produção de 180,5 milhões de t e consumo de 184,3 milhões de t).

Embora a estimativa seja considerada altista para o mercado, o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho, pondera que o anúncio não deve implicar em explosão dos preços do produto. Isso porque o déficit "nem de longe vai representar o consumo dos estoques acumulados nas últimas safras", diz Botelho. Ele considera que as cotações futuras do açúcar dificilmente voltarão aos níveis de 2012 e 2013, entre 20 cents e 24 cents, pelo menos até o fim do ano que vem.

O analista acrescenta que o déficit na oferta de açúcar é resultado da queda dos preços do produto nos últimos anos, que não estimularam investimentos na produção em países importantes, como Brasil e Tailândia, e também em outras localidades, como Ucrânia e China. Paralelamente, o consumo continua crescendo, oscilando anualmente entre 1,5% e 3%. Na safra 2015/16, o aumento da demanda deve ser da ordem de 1,8%, mesmo com desaceleração da China, que deve ser parcialmente compensada pelo avanço na África.

Botelho estima que o mercado de açúcar deve continuar com preços sustentados. Segundo ele, mesmo com o produto remunerando mais do que o etanol, a tendência é de a safra brasileira ser mais alcooleira do que de açúcar, por causa de incentivos oficiais. Além disso, o período de safra no Centro-Sul tem sido chuvoso, prejudicando a qualidade e produtividade da cana. A seca na Índia também pode comprometer a oferta de açúcar.

Em contrapartida, as vendas de origens devem impedir uma puxada mais significativa dos futuros em Nova York. As cotações do açúcar em reais têm se valorizado, estimulando a oferta. Os atuais níveis de preço, entre R$ 970 e R$ 980 a tonelada, são os melhores desde 2012. "Nessas condições, o produtor brasileiro tende a fixar preço na Bolsa de Nova York, tornando improvável uma alta expressiva das cotações", explica Botelho.

Pelo indicadores técnicos, o vencimento março/16 em Nova York continua com resistência a 12,55 cents. O suporte é de 12,07 cents, mínima dos dias 4 e 10 de setembro.

O mercado de açúcar em Nova York trabalhou em alta em boa parte do pregão de ontem, puxado pelo dólar. O vencimento março/16 subiu 2 pontos (0,16%), a 12,33 cents. A máxima foi de 12,38 cents (mais 7 pontos). A mínima bateu 12,12 cents (menos 19 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 51,09/saca (+0,67%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,33/saca (+1,29%). (Agência Estado 17/09/2015)

 

Usina de etanol mineira, Dasa, é investigada por sonegar R$ 25 milhões

A Usina Dasa, uma destilaria de álcool localizada em Nanuque, no Vale do Mucuri, está sendo investigada em um caso milionário de sonegação. Na manhã desta quarta-feira (16), foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, em uma operação que foi chamada de Tríplice Fronteira. A estimativa da Receita Estadual é que o valor da fraude, nos últimos cinco anos, tenha atingido os R$ 25 milhões.

Participaram da ação 37 auditores fiscais, 30 policiais militares e três promotores de Justiça. Além da Dasa, estão envolvidas duas empresas de transporte, um escritório de representante de venda de combustíveis e três postos revendedores. Os mandados foram cumpridos nesses locais e mais quatro residências, duas delas em salvador.

Investigação

A suspeita foi levantada quando o Ministério Público do Espírito Santo comunicou à Receita Estadual a ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que transportadores de combustível estariam abastecendo postos revendedores capixabas com notas fiscais destinadas a Brasília (DF), sendo que o álcool era retirado da usina Dasa, localizada na região de Nanuque.

O percentual elevado de vendas realizadas pela usina pra fora do Estado chamou a atenção do MP, principalmente porque o produto era destinado para estados onde também havia produtores de álcool. Em 2014, ano em que a investigação foi inciada, dentre as 14 maiores vendas da empresa, 80% do volume negociado, nenhuma delas era para território mineiro.

No mesmo ano, a Dasa vendeu parte significativa de sua produção para empresas Pedevesa e Arogas, localizadas no Paraná. Há suspeita de que essas distribuidoras nunca existiram e que o álcool ficou, de fato, em postos de Minas Gerais.

Em 2015, a destilaria teria comercializado sua produção para distribuidoras paulistas, especialmente a Granpetro e Monte Cabral, com sede em Paulínia, mas o combustível, neste caso, teria retornado para contribuintes mineiros, porém, com notas falsas. As mais de 50 autuações da produtora de álcool, com um total de infrações acima de R$ 36 milhões, também chamou a atenção do MP.

Outro esquema

Levantamentos preliminares comprovaram também a participação da Dasa em outro esquema anterior de sonegação, objeto da denominada operação G-37, deflagrada pela força-tarefa em 2013. Na ocasião, foi desbaratada uma rede de postos de combustível que adquiria álcool sem nota fiscal, parte dele, verificado agora, proveniente da empresa. Para o transbordo do álcool até os reais destinatários, eram utilizadas as transportadoras pertencentes ao grupo usineiro.

A ação foi coordenada por força-tarefa integrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) e Advocacia-Geral do Estado (AGE), além da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). (Hoje em Dia MG 17/09/2015)

 

Brasil poderá ter mínimo de 15% de energia alternativa até 2030

As fontes renováveis de energia, como eólica, solar e biomassa, deverão atender a, pelo menos, 15% do consumo anual de energia elétrica no país, até 2030, conforme o PLS 433/2015, aprovado dia 15/09/15 na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal.

A Lei 10.438/2002, que institui o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), estabeleceu percentual mínimo de 10% de participação de fontes alternativas em até 20 anos, prazo que se encerra em 2022. Atualmente, a energia gerada por pequenas centrais hidrelétricas, parques eólicos e sistemas de aproveitamento da energia solar representa cerca de 8% do total. Em junho, nos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff anunciou a disposição do Brasil de utilizar 20% de fontes alternativas de energia até 2030.

No texto original, o autor, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), propõe a elevação da meta para 15% e a ampliação do prazo até 2025. No entanto, o relator na CMA, senador Otto Alencar (PSD-BA), considerou esse prazo “de difícil concretização” e apresentou emenda para ampliá-lo por mais cinco anos.

Ele elogiou o propósito do projeto, de incentivar o aproveitamento da energia dos ventos, do sol e das ondas, bem como da energia gerada por pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e biogás, entre outras fontes renováveis.

“Creio que o caminho para o Brasil são as fontes renováveis de energia. Só o estado da Bahia tem capacidade de gerar com energia eólica duas vezes mais do que gera hoje Itaipu Binacional” destacou Otto Alencar.

A matéria vai ser agora discutida na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). (Cana Online 17/09/2015)

 

Contra as doenças em cana-de-açúcar, o manejo varietal é uma solução eficiente e de baixo custo

Cana com podridão abacaxi.

Esta é a opinião de Roberto Chapola, pesquisador do Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar da UFSCAR RIDESA (da Universidade Federal de São Carlos, pertencente à Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético).

“No manejo varietal, além de se considerar o ambiente de produção e as épocas de plantio e colheita, entre outros fatores, um ponto fundamental é o conhecimento de quais doenças são importantes em determinada região. Tal conhecimento permite que o produtor utilize variedades resistentes a essas doenças, reduzindo o potencial de danos das mesmas e, consequentemente, melhore o rendimento dos seus canaviais”.

Segundo ele, a maioria dos produtores já sabe que as doenças em cana-de-açúcar são controladas, principalmente, por meio de variedades resistentes. “É uma medida que não aumenta os custos de produção e não causa impactos no ambiente”. (Cana Online 17/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Comércio registrou nova retração em julho, sugerindo queda do consumo das famílias no terceiro trimestre

O volume de vendas do comércio varejista restrito (que exclui as atividades de veículos e motos, partes e peças e de material de construção) recuou 1,0% na passagem de junho para julho, em termos dessazonalizados, conforme divulgado ontem na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE. O resultado marcou a sexta contração consecutiva na margem, sinalizando nova queda do consumo das famílias no PIB deste trimestre. Na comparação interanual, a atividade varejista restrita caiu 3,5%. Em termos nominais, a receita manteve a desaceleração em relação ao observado no ano passado, ainda que em menor magnitude. A queda da atividade varejista foi generalizada entre as atividades pesquisadas, com sete dos oito setores apresentando declínio na margem. Os maiores recuos foram observados nos segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria (-5,5%) e móveis e eletrodomésticos (-1,7%). Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que contempla todos os setores, cresceu 0,6% na margem no período. A expansão em relação ao varejo restrito foi impulsionada pelo segmento de veículos e motos, partes e peças, cuja alta foi de 5,1%. Em relação ao mesmo período de 2014, entretanto, as vendas ampliadas recuaram 6,8%. Esse movimento está em linha com a eliminação de postos de trabalho formais apresentadas pelo Caged neste ano, a elevação da taxa de desemprego nacional e a desaceleração dos rendimentos nominais dos trabalhadores. Acreditamos que esses fatores, juntamente com o fraco desempenho da economia doméstica, manterão a atividade comercial em patamares mais baixos. De fato, projetamos queda entre 1,0% e 1,5% do consumo das famílias no PIB, no terceiro trimestre. Considerando o resultado da PMC em julho, bem como o recuo de 1,5% da produção industrial no mesmo período, esperamos estabilidade no IBC-Br (proxy do PIB, a ser divulgada pelo Banco Central na próxima segunda-feira).

Atividade

FGV: indicadores de ciclos econômicos registraram movimentos opostos em agosto

O Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE), calculado pela FGV em parceria com o Conference Board, alcançou 87,7 pontos em agosto, o equivalente a uma queda de 1,5% em relação ao mês anterior. O resultado sucedeu dois recuos seguidos na margem, de 0,3% e 0,7%, em junho e julho, respectivamente. A nova retração refletiu a piora dos termos de troca e dos embarques brasileiros, bem como o declínio das expectativas das empresas e dos consumidores e a retração do Ibovespa no período. No sentido oposto, o Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE), que avalia as condições atuais, avançou 0,1% na comparação com o mês anterior, após apresentar queda de 0,2% em junho e ficar estável em julho. De todo o modo, a nova retração do IACE reforça nossa expectativa de recuo do PIB neste trimestre.

Anda: Entregas de fertilizantes caíram em agosto

As entregas de fertilizantes ao consumidor final somaram 3.589 toneladas em agosto, o equivalente a um recuo de 4,4% em relação a julho, de acordo com os dados divulgados ontem pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Na mesma direção, as importações recuaram 12,7% na margem. Por outro lado, a produção de fertilizantes cresceu 0,5%. Assim, nos primeiros oito meses do ano, as entregas acumularam queda de 6,4% frente ao mesmo período de 2014, resultado influenciado pelo recuo na demanda para as culturas de milho safrinha, algodão, cana de açúcar, trigo e soja. As importações, da mesma forma, recuaram 10,4% no mesmo período. A produção, por sua vez, registrou alta de 4,6% nessa métrica. As vendas mais fracas no ano são explicadas pela desvalorização do câmbio, que encareceu os produtos importados, e levou os agricultores a postergarem suas compras. Dessa forma, acreditamos que os próximos resultados devam exibir alguma recuperação.

Setor externo

BC: Movimentação cambial na segunda semana de setembro foi negativa, devolvendo os ganhos registrados no início do mês

O saldo do fluxo cambial da segunda semana de setembro foi deficitário em US$ 860 milhões, conforme divulgado ontem pelo Banco Central. O movimento mais do que compensou o resultado positivo do início do mês, fazendo com que o saldo acumulado em setembro ficasse negativo em US$ 517 milhões. Entre os dias 8 e 11, as contas comercial e financeira apresentaram direções divergentes. A conta comercial foi superavitária e somou US$ 191 milhões. Para isso, foram contratados US$ 2,270 bilhões para exportação ante US$ 2,079 bilhões para importação. No mesmo período, a conta financeira, no entanto, foi bastante negativa e registrou déficit de US$ 1,052 bilhão. As vendas de US$ 7,325 bilhões superaram, assim, as compras de US$ 6,274. Dessa forma, o saldo de setembro retoma o ritmo anterior à primeira semana do mês, reduzindo o resultado do ano para um superávit de US$ 10,758 bilhões.

Internacional

EUA: Dados mais fracos de inflação em agosto reforçam nossa expectativa de que a normalização da política monetária norte-americana terá início apenas no final deste ano

O Índice de Preços ao Consumidor norte-americano registrou queda de 0,1% na passagem de julho para agosto, em linha com o esperado pelo mercado, de acordo com os dados divulgados ontem. A deflação na margem refletiu, majoritariamente, a queda de 2,0% dos preços de energia. Excluindo esses preços do cálculo, houve avanço de 0,1% no período. Na comparação interanual, a inflação nos EUA foi de 0,2%, ao passo que o núcleo teve alta de 1,8%, na mesma métrica. Dessa forma, os dados mais fracos de inflação reforçam nossa expectativa de que a normalização da política monetária norte-americana terá início apenas no final deste ano. Vale lembrar que o Fed se reunirá hoje às 15h.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o pregão de hoje em alta, a despeito dos dados mais fracos da balança comercial japonesa. A exceção ficou por conta das ações em Shanghai, que voltaram a registrar queda. Os mercados acionários europeus, por sua vez, apresentam direções divergentes nesta manhã, à espera da decisão de política monetária do Fed, hoje às 15h. Já os índices futuros norte-americanos são cotados em queda neste momento.

As moedas também registram movimentos opostos, com destaque para a valorização do won sul coreano e do euro e para o enfraquecimento do rublo, do ringgit e da lira. Entre as commodities, o petróleo volta a cair nesta manhã, a despeito da redução dos estoques semanais dos EUA, conforme divulgado ontem pelo Departamento de Energia norte-americano. No mesmo sentido, as principais agrícolas registram quedas em seus preços. No mercado doméstico, as atenções também estarão voltadas à reunião do Fed. Além disso, os preços dos principais ativos poderão reagir aos próximos passos da política fiscal.