Macroeconomia e mercado

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Com a melhoria do clima, as lavouras que foram bem tratadas deram resposta “extraordinária”

Arroz com feijão que nada!

Com a baixa receita e o alto endividamento, usinas e produtores de cana têm conduzido os canaviais nos últimos anos como podem, deixando inclusive de tomar procedimentos básicos, como formar viveiros primários. Sobreviver é a palavra de ordem.

“Ninguém quer deixar o canavial envelhecido, ninguém quer deixar de adubar a soqueira direito. Não quer deixar de plantar a melhor variedade. Mas se faz primeiro pra sobrevier”, diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

“O processo como um todo tem que ter uma guinada forte. O que levou a isso é a falta de receita e endividamento. E as empresas foram se endividando. Na hora de plantar, por exemplo, muita usina usa a variedade que tem”, acrescenta.

O quadro ficou pior no ano passado, quando além de muitos canaviais não terem recebido o tratamento necessário, padeceram com o déficit hídrico.

Mas em 2015 as condições climáticas melhoraram. “Estamos em um ano mais chuvoso, e as lavouras que foram adubadas, tratadas com herbicida, etc, responderam de forma extraordinária”, afirma o engenheiro agrônomo Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA.

Inclusive o clima favorável deve elevar a quantidade de cana disponível. “Espera-se até que, de acordo com as chuvas até o final do ano, o setor não consiga moer toda esta cana. Vai depender da quantidade de cana que teremos e do quanto chover, mas se a chuva cair normalmente deveremos terminar a safra com cerca de 20 milhões de toneladas de cana bisada”, informa Dib. (Cana Online 18/09/2015)

 

Diretor da Raízen fala da economia de 30% na captação de água nas usinas do grupo

Reduzir o consumo de água na área industrial das usinas é um desafio atual. Também não é para menos, o país ainda passa por um momento de crise energética e, consumir menos água não é opcional, e sim, obrigatório.

Foi o que aconteceu com a Raízen, como explicou o Diretor Executivo de Produção e Tecnologias do Grupo, Antonio Alberto Stuchi, durante a 2ª Aula/Palestra do Curso Industrial da UniUDOP, de 2015, realizado na última terça-feira (15), no auditório da Churrascaria Terra do Boi, em Araçatuba/SP.

Em entrevista à TV UDOP, ele disse que "devido à crise energética, tivemos que reduzir a quantidade de água que captávamos. Então, fizemos um programa para toda a empresa, as 24 usinas. Foi um investimento baixo e conseguimos diminuir em 30% o que a gente captava há um ano, o que reduziu também nossos custos", disse Stuchi.

A aula/palestra é uma parceria entre a UDOP e a Stab, com apoio cultural das empresas Bayer Crop Science, Deloitte, FMC, GE, Helamin e Syngenta. O palestrante falou ainda sobre a recuperação do calor, utilização de vapores de baixa pressão e otimização de capacidade de acionamentos. Tudo para usar da melhor forma a energia disponível e reduzir custos. (Cana Online 18/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Comunicado do Fed reforça nossa expectativa de que o início da normalização monetária nos EUA ocorra ainda no final deste ano

O banco central norte-americano (Fed) manteve a taxa de juros inalterada em 0,25% a.a. em sua reunião de política monetária de ontem. Assim como no encontro anterior, o comunicado deste mês destacou o avanço do mercado de trabalho nos últimos meses, que registrou queda adicional da taxa de desemprego e maiores ganhos salariais. Por outro lado, a inflação ainda se localiza abaixo da meta de 2,0%, pressionada para baixo pelo recuo dos preços de energia e das importações. Além disso, o comitê de política monetária reconheceu os riscos advindos da atividade econômica global, que podem puxar ainda mais para baixo os preços internos. A sinalização de que o FOMC elevará a taxa de juros quando o mercado de trabalho apresentar algum avanço adicional, juntamente com a falta de consenso em relação à decisão (visto que um dos membros votou pela elevação da taxa de juros), reforça nossa expectativa de que o início da normalização da política monetária ocorrerá no final deste ano.

Atividade

Fiesp/Ciesp: Emprego industrial paulista recuou novamente em agosto

A indústria paulista registrou redução líquida de 26 mil postos de trabalho em agosto, de acordo com os dados divulgados ontem pelo sistema Fiesp/Ciesp. O resultado é equivalente a uma queda de 0,9% no nível de emprego em relação ao mês anterior, excetuada a sazonalidade, marcando o oitavo recuo consecutivo nessa base de comparação. Em relação ao mesmo período de 2014, o emprego industrial paulista caiu 8,3%, refletindo a variação negativa nos 22 setores pesquisados. Destacaram-se os segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos e fabricação de máquinas e equipamentos, cujas retrações foram de 13,8% e 14,7%, respectivamente. O resultado, assim, reforça nossa expectativa de contração líquida de 70 mil empregos formais em agosto, dado a ser divulgado na próxima semana pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.

IABR: Apesar do aumento nas vendas internas, produção nacional de aço caiu em agosto

A produção nacional de aço bruto somou 2,799 milhões de toneladas em agosto, conforme divulgado ontem pelo Instituto Aço Brasil (IaBr). Isso equivale a um recuo de 0,7% ante julho, de acordo com dados dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. A produção de aços planos, em blocos e semiacabados também registrou queda, com reduções de 9,1%, 8,3% e 1,8%, ante o mês anterior, respectivamente. A produção de aços longos, por sua vez, cresceu 5,8%. Na mesma direção, as vendas ao mercado interno registraram avanço de 6,9% na margem, com destaque para as altas de 7,3% nas vendas de aços laminados e de 8,2% de semiacabados. Já as exportações recuaram 16,9% no mês. No acumulado do ano até agosto, a produção de aço bruto registrou alta de 0,2% ante o mesmo período do ano passado, somando 22,8 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de laminados caiu 6,3% na mesma métrica, refletindo a redução de 13,5% das vendas ao mercado interno. Para o restante do ano, projetamos queda adicional moderada da produção de aço bruto. A depreciação do câmbio e a melhora da economia norte-americana deverão favorecer as exportações, o que, no entanto, não será suficiente para compensar o consumo fraco no mercado interno.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas fecharam o último pregão da semana em alta, após o Fed manter a taxa de juros estável. A exceção ficou com mercado acionário japonês, que registrou forte queda. As bolsas européias operam em baixa nesta manhã, refletindo o menor superávit em conta corrente da Área do Euro em julho. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos apresentam perdas neste momento.

O dólar perde força ante as principais divisas, com exceção do rublo, que exibe nova desvalorização. Entre as commodities, o petróleo amplia as perdas da véspera, enquanto que as principais agrícolas e as metálicas industriais acompanham a alta das ações asiáticas. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação dos dados de arrecadação de impostos pela Receita Federal, às 10h30. Além disso, serão conhecidos diversos indicadores de atividade ao longo do dia.