Macroeconomia e mercado

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Setor reduz renovação dos canaviais

“Os canaviais estão mais velhos”, observa Antonio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica - União da Indústria de Cana-de-Açúcar. Ele conta que já faz alguns anos que o índice de reforma está abaixo do esperado. “Chegamos a ter 18%, 19% de reforma. Mas hoje estamos na faixa de 14% na média. Tem usina reformando no índice normal e tem usina fazendo nada”.

Para o Diretor Técnico da Unica, na temporada 2015/16 será difícil para o setor retomar as melhores médias de renovação do canavial. “Vai depender do cenário de preço dos produtos. As empresas têm que sentir segurança que podem investir, que lá na frente vão ter rentabilidade.Este cenário precisa ficar transparente até o início do próximo ano, quando começa o processo de reforma de cana de ano e de ano e meio. Mas pelo andar da carruagem, a média de reforma do canavial pode ficar igual ou inferior à registrada no último ciclo”, comenta Pádua.

Outro ingrediente, que na visão de Pádua, pode contribuir indiretamente para o envelhecimento médio dos canaviais são as chuvas. “É que o produtor, que enfrenta problemas sérios de caixa, ao perceber que a soqueira está respondendo bem às chuvas que estão caindo desde o início da safra, pode preferir esperar mais um ciclo para renovar as áreas que já deveriam ser reformadas”. (Cana Online 21/09/2015)

 

Mercado de açúcar deve continuar orientado pelo dólar no curto prazo

Os contratos futuros de açúcar demerara tiveram forte queda na sexta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As cotações recuaram pouco mais de 4%, pressionadas principalmente pelo fortalecimento do dólar ante o real. A moeda norte-americana chegou a bater máxima de R$ 3,9380, por causa das incertezas políticas e econômicas no Brasil. Esse valor superou os R$ 3,9050 registrados no dia 9 de setembro, em reação à perda do grau de investimento do País pela Standard & Poor's. Na semana passada, o vencimento março/16 do açúcar, o mais negociado, registrou desvalorização de cerca de 5% (75 pontos), saindo de 12,45 cents no dia 11 para 11,70 cents na sexta-feira (18).

Apesar da queda das cotações, a alta dólar tem compensado a fixação de preço do açúcar na Bolsa de Nova York, o que tende a elevar a oferta do produto. Em reais por tonelada, as cotações do produto se mostram remuneradoras ao produtor, segundo avaliação do analista João Carlos Botelho, da INTL FCStone. A tonelada de açúcar chegou a superar R$ 1 mil na sexta-feira, em comparação com cerca de R$ 800 a t em agosto.

O quadro fundamental continua favorável a alta de preços. As chuvas do início de setembro atrasaram a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) deve divulgar nos próximos dias estatísticas referentes ao desenvolvimento da safra sucroalcooleira no Centro-Sul, na primeira quinzena de setembro. A expectativa é de menor volume de cana moída e maior fabricação de etanol em detrimento do açúcar.

No longo prazo, a indicação também é positiva para o mercado, com sinais de déficit na oferta global do produto. Na semana passada, a INTL FCStone divulgou que o déficit na safra global 2015/16, que começará mês que vem, será de 3,8 milhões de t. A consultoria pondera, no entanto, que os estoques acumulados em safra anteriores impedirão alta significativa dos preços.

Pelos indicadores gráficos, o contrato para março/16 recuou abaixo do nível psicológico de 12 cents. O próximo objetivo é a mínima de 11,67 cents. Com a forte queda de sexta, indicadores técnicos estão sobrevendidos. A resistência é de 12 cents e 12,55 cents.

Fundos de investimento e especuladores inverteram sua posição em açúcar na Bolsa de Nova York, na semana encerrada em 15 de setembro. Esses participantes passaram de saldo líquido vendido de 12.612 lotes no dia 8 para saldo comprado de 7.468 lotes no dia 15, informou na sexta-feira a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

O mercado de açúcar em Nova York acelerou perdas no fim do pregão de sexta-feira, pressionado pelo dólar. O vencimento março/16 teve forte queda de 52 pontos (4,3%), a 11,70 cents. A máxima foi de 12,35 cents (mais 13 pontos). A mínima bateu 11,67 cents (menos 55 pontos).

A 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol ocorre hoje e amanhã, no Hyatt, em São Paulo. Durante o evento devem ser apresentadas novas estimativas sobre oferta e demanda por açúcar no mundo e previsões sobre a safra brasileira de cana-de-açúcar.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 51,85/saca (+0,90%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,13/saca (-1,35%). (Agência Estado 21/09/2015)

 

Usina de João Lyra pode ficar com a Cooperativa dos Usineiros de Alagoas

O juiz Kléber Borba, da 1a Vara da Comarca de Coruripe (AL) e responsável pelo processo judicial da massa falida Laginha, já está com as propostas de quatro empresas interessadas no arrendamento de três das cinco usinas do empresário e ex-deputado federal João Lyra. O resultado da seleção seria divulgado na última quarta-feira, porém foi adiado. De acordo com o magistrado, “uma reunião será marcada com a administração da massa falida para entrar em consenso sobre a viabilidade das propostas apresentadas na primeira sexta-feira do mês, último dia 4”.

Interessada pelo arrendamento da Usina Vale do Paranaíba, instalada na cidade de Capinópolis, em Minas Gerais, a empresa São João Cargill (SJC) requereu um prazo maior para apresentar uma proposta detalhada depois de analisar a situação das instalações. Avaliada em R$ 211,2 milhões, a Vale do Paraíba chegou a ser destaque em questão de tecnologia em comparação a outras usinas da América Latina.

A Cargill ingressou no mercado de produção de açúcar e álcool no ano de 2006, a partir da aquisição de participação na Usina Itapagipe Açúcar e Álcool, em Itapagipe (MG), em parceria com o Grupo Moema, e da Usina Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), joint venture formada com a Canagrill, associação de produtores de cana.

Já a Usina Triálcool, orçada em R$ 227,7 milhões, também localizada em Minas Gerais, mas no município de Canápolis, recebeu propostas de arrendamento pela PAM Empreendimentos S/A, que montaria um plano de negócios a ser desenvolvido durante uma década.

Em Alagoas, a Usina Uruba, avaliada em R$ 296,2 milhões, recebeu a propostas de duas cooperativas do próprio estado. A Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA) demonstrou interesse pelas terras da usina de Atalaia.

Além da Cooperativa dos Usineiros, a Cooperativa dos Produtores Rurais do Vale de Satuba (Coopvale) luta para arrendar as terras e a indústria. O arrendamento é uma oportunidade para que os cooperados da Coopvale, credores da usina, tentem reverter o prejuízo em lucro. Conforme levantamento técnico realizado, a Uruba tem capacidade para moer até 1,1 milhão de toneladas por safra.

As garantias de sustentabilidade das atividades serão um diferencial na análise do magistrado e dos gestores do grupo falido. As empresas devem preencher diversos requisitos para firmar o arrendamento. O valor da negociação, como já noticiado pelo Extra, será destinado para a manutenção da massa falida com a possibilidade do pagamento de ex-funcionários e credores.

Em agosto, João Lyra apresentou um ofício de anuência com a venda e/ou arrendamento das usinas para o juiz Kléber Borba. O empresário afirmou que não colocaria barreiras nas decisões do magistrado. “O juízo falimentar procura conversar com todos os interessados e trilhar um caminho que seja importante para a massa falida e para os credores. A manifestação de João Lyra nos autos em concordar com os arrendamentos e a venda das usinas causou um ânimo por causa da criação de novos postos de trabalho. O arrendamento, a bem da verdade, dará o alento, hoje necessário, para que o juízo falimentar possa refletir cada passo e seguir, com mais segurança, para a realização do ativo e pagamento do passivo, objetivos reais da falência”, considerou o magistrado.

Participaram da audiência o administrador e o gestor judicial, membros do comitê de credores, representante do falido, o Ministério Público e os interessados em arrendar as unidades industriais. Para Borba, o arrendamento proporcionará, entre outros benefícios, a redução das despesas com manutenção das unidades e a geração de renda. As audiências não terão cunho deliberativo, apenas foram um espaço para a apresentação de propostas.

Disputa de terras

Desde julho deste ano, cerca de cinco mil famílias estão acampadas nas áreas das usinas Guaxuma, Uruba e Laginha exigindo, além do assentamento dos sem-terra, o pagamento das dívidas trabalhistas aos antigos funcionários da usina. Em meio às propostas de arrendamento, o governo de Alagoas já discute a desapropriação das terras da massa falida do Grupo João Lyra para o assentamento das famílias dos movimentos sociais. A pauta chegou a ser discutida com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, no começo deste mês. (Extra Alagoas 21/09/2015)

 

Expectativa pela semente de cana

Para Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA, a tecnologia de mudas pré-brotadas (MPB) é uma excelenteforma de multiplicação rápida para formação de pequenas áreas, uma maneira de ampliação segura de novas variedades, livres de pragas e doenças,especialmente para a formação de viveiros.

No entanto, em sua opinião, é um sistema que ainda precisa ser aperfeiçoado para que seja adotado em grandes áreas comerciais.

Mas para o futuro, ele está ansioso pela viabilização de outra tecnologia para o cultivo de áreas comerciais: a “semente” de cana. “É uma nova tecnologia, que ainda está em desenvolvimento, mas que me parece uma alternativa mais prática e fácil”. (Cana Online 2109/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado revisou a maioria das suas projeções para este ano e o próximo

Com exceção das previsões para a taxa Selic neste ano, a maioria das expectativas do mercado sofreu alteração em relação à semana anterior, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 18 de setembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,28% para 9,34%, e para 2016, subiu de 5,64% para 5,70%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 2,55% para outra de 2,70% e, para 2016, foram revisadas de uma retração de 0,60% para 0,80%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e subiu de 12,00% para 12,25% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,70 para R$/US$ 3,86 no final de 2015 e de R$/US$ 3,80 para R$/US$ 4,00 no final de 2016.

Destaques da semana

Divulgação do IPCA-15 de setembro será o destaque da agenda doméstica nesta semana

Com o fim do ciclo de alta da taxa Selic, as atenções estarão voltadas para a velocidade de desaceleração dos indicadores de inflação. Nesse sentido, amanhã será conhecido o resultado do IPCA-15 de setembro, para o qual projetamos alta de 0,35%. A desaceleração em relação ao mês anterior deverá ser generalizada, com destaque para o alívio de alimentação e administrados. Além disso, a agenda doméstica contará com as sondagens da FGV de setembro e as da CNI de agosto, ao longo da semana e a Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE, na quinta-feira. Por fim, o Banco Central divulgará as notas à imprensa referentes a agosto, do Setor Externo, na quarta, e de Política Monetária e operações de crédito na sexta-feira (projetamos que o déficit em conta corrente tenha alcançado US$ 3,3 bilhões e os investimentos estrangeiros no País, US$ 3,0 bilhões).

No cenário internacional, após o banco central norte-americano ter mantido a taxa de juros inalterada na reunião da última semana, a nova prévia do PIB dos EUA do terceiro trimestre, na quinta-feira, deverá reforçar nossa expectativa de que o início da normalização da política monetária ocorra ainda neste ano. Além disso, as atenções também estarão voltadas à divulgação das prévias dos Índices PMI Markit de setembro. Na China, a prévia do indicador da indústria de transformação, que será conhecida amanhã, deverá mostrar nova desaceleração da produção industrial no país. Na Europa e nos EUA, os índices PMI serão divulgados na quarta-feira. Completam a agenda internacional, os anúncios da decisão de política monetária em diversos países ao longo da semana, como Turquia, África do Sul, Israel e Colômbia.

Atividade

BC: Estabilidade do IBC-Br em julho ainda sugere retração do PIB neste trimestre, porém em intensidade menor

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), proxy mensal do PIB, divulgado há pouco, recuou 0,02% entre junho e julho, já descontados os efeitos sazonais. O resultado ficou em linha com nossa projeção e sucedeu uma queda de 0,7% em junho, de acordo com os dados revisados. Com isso, acumulou queda de 2,7% no ano. Na comparação com o mesmo mês de 2014, o IBC-Br recuou 4,2%. Assim, o resultado de julho reforça nossa expectativa de que o PIB brasileiro deva exibir nova retração neste trimestre, porém em intensidade menor que nos três meses anteriores.

PMS: Desaceleração em julho de dois dos três setores que entram no cômputo do PIB reforça nossa expectativa de nova retração da economia brasileira no terceiro trimestre

A receita nominal do setor de serviços cresceu 2,1% em julho, na comparação com igual período do ano passado, conforme divulgado sexta-feira na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. O resultado sucedeu avanço de mesma magnitude no mês anterior, nessa métrica, e refletiu a desaceleração em três dos cinco setores pesquisados. Daqueles que entram na contabilização do PIB, dois registraram menores taxas de crescimento no período: o segmento de transportes passou de uma alta interanual de 4,4% em junho para outra de 2,8%, enquanto que outros serviços oscilaram de uma variação positiva de 0,3% para um declínio de 0,9%. No sentido oposto, o setor de comunicação avançou 0,8% em julho, sucedendo queda de 1,7%. Dessa forma, os resultados reforçam nossa expectativa de nova retração do PIB no terceiro trimestre, porém em intensidade menor que aquela observada no período anterior

CNI: Confiança do empresário industrial registrou nova queda em setembro

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) alcançou 35,7 pontos em agosto, de acordo com os dados divulgados na última sexta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado é equivalente a uma queda de 6,5% em relação ao mês anterior, segundo nossas estimativas dessazonalizadas, marcando a terceira retração consecutiva. O declínio na margem refletiu as retrações de 6,6% e 6,0% da avaliação das condições atuais e das expectativas, respectivamente. Na comparação interanual, o ICEI registrou variação negativa de 23,2%, acumulando queda de 20,0% nos últimos doze meses. A pesquisa, assim, reforça nossa expectativa de retração da produção industrial no período, dado que será divulgado pelo IBGE apenas em novembro.

PIMES: Emprego industrial manteve trajetória de queda em julho

O nível de emprego na indústria recuou 0,7% na passagem de junho para julho, descontada a sazonalidade, conforme divulgado sexta-feira na Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES) do IBGE. O resultado marcou a sétima queda consecutiva na margem. Na comparação interanual, o declínio foi de 6,4%, refletindo a menor ocupação em 17 dos 18 ramos pesquisados. Destacaram-se as variações negativas registradas nos segmentos de máquinas e aparelhos eletrônicos e de comunicações (-15,9%) e meios de transporte (-11,9%), na mesma métrica. Dessa forma, o pessoal ocupado na indústria acumula retração de 4,9% nos últimos doze meses. No mesmo sentido, o número de horas pagas caiu 1,2% na margem, recuando 7,2% em relação ao mesmo período de 2014. Já a folha de pagamento real declinou 1,8% em julho, na comparação com o mês anterior, tendo contraído 7,0% ante o mesmo mês do ano passado. A pesquisa reforça os resultados exibidos pelos demais indicadores de emprego referentes ao mesmo período já divulgados e sugere continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho ao longo deste ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em queda, com exceção do mercado acionário de Shanghai, cuja alta foi impulsionada pelas ações de empresas industriais e de tecnologia. No mesmo sentido, as bolsas europeias operam no campo positivo nesta manhã, a despeito dos dados fracos de inflação ao produtor na Alemanha. Os índices futuros norte-americanos também registram elevação neste momento, recuperando parte da queda observada na sexta-feira.

O dólar se fortalece em relação às principais moedas, com destaque para a depreciação do ringgit. Em contrapartida, o rublo recupera parcialmente as perdas do último pregão. As commodities apresentam direções divergentes nesta manhã, com o petróleo e as principais agrícolas em alta e as metálicas industriais em baixa. No mercado doméstico, os ativos deverão reagir ao resultado do IBC-Br de julho. Além disso, as atenções estarão voltadas aos próximos passos da política fiscal.