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Louis Dreyfus tritura suas usinas no Brasil

O clima na Louis Dreyfus Commodities (LDC) é de vai ou racha.

Os franceses estão embalando um pacote de medidas no que deverá ser a última tentativa de debelar os seguidos prejuízos da Biosev, sua operação sucroalcooleira no Brasil.

Nas próximas semanas, a companhia deverá desativar duas usinas de açúcar e álcool

nas cidades de Pedra de Fogo (PB) e Arez (RN), encerrando de vez as atividades no Nordeste.

Também estaria em pauta o fechamento de mais duas das cinco unidades ainda em funcionamento em São Paulo, no ano passado, os franceses paralisaram a produção nas cidades de Jardinópolis e São Carlos.

Formalmente, a Biosev nega o fechamento das refinarias.

Há muito que a LDC já gostaria de estar longe desses canaviais.

Nos últimos três anos, o grupo fez duas tentativas de vender seus ativos de açúcar e álcool no Brasil, mas as propostas apresentadas não chegaram nem perto do valor pedido.

Os franceses já investiram R$ 2 bilhões na operação, mas só colhem prejuízos: mais de R$ 3

bilhões nos últimos seis anos.

A maior praga no balanço é a dívida de curto prazo de R$ 3 bilhões, para um patrimônio líquido inferior a R$ 500 milhões.

E assim a LDC segue na rotina de triturar cana e esmagar o social: a cada usina fechada, lá se vão 300 ou 400 postos de trabalho. (Jornal Relatório Reservado 22/09/2015)

 

Biosev traz gestão para perto das áreas de produção

Uma das muitas críticas dirigidas aos entrantes do setor na época da expansão canaviera na década passada, foi a de administrarem as usinas de longe, lá de seus escritórios na avenida Faria Lima, na capital paulista.

Rui Chammas, CEO da Biosev, segundo maior grupo sucroenergético, com 11 unidades divididas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio Grande do Norte, aboliu esse tipo de prática na empresa, que pertence ao grupo francês Louis Dreyfus.

Quase todos os gestores se mudaram para próximo das unidades produtoras. Ribeirão Preto passou a ser a sede do escritório da Biosev e, principalmente as áreas agrícolas e de segurança são acompanhadas bem de perto.

"É preciso aumentar a produtividade e isso só acontece se a área agrícola for tratada com muito carinho", diz Chammas. O executivo está há dois anos no setor sucroenergético, mas já aprendeu que açúcar, etanol e energia são produzidos no campo.

Também já aprendeu que os produtores de cana são parte importante no processo, por isso, tem desenvolvido uma gestão de parceria com os fornecedores de cana. Este ano, a Biosev realizou grandes encontros com seus produtores nos cinco estados que atua. "Produtor de cana conhece seu negócio, cuida muito bem de sua fazenda. Nosso objetivo é cuidar de nossos 340 mil hectares como se fossem uma fazenda, com a mesma dedicação dos produtores de cana", salienta Chammas.

E o resultado começa aparecer, nesta safra, a média de produtividade da Biosev, segundo Chammas, alcançou a casa de 80 toneladas por hectare, nos piores anos havia baixado para a casa das 60 toneladas por hectare. Na safra passada, a moagem do grupo ficou em 28 milhões de toneladas, para esta safra a previsão está entre 29 milhões e 32 milhões de toneladas. (Cana Online 22/09/2015)

 

Dólar fortalecido deve manter mercado de açúcar sob pressão

Os contratos futuros de açúcar demerara voltaram a cair ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), depois da forte queda de pouco mais de 4% na sexta-feira. A alta do dólar em relação ao real deve continuar a pressionar o mercado, favorecendo as fixações de preço de vendedores.

O contrato para março/16 recuou ontem e ainda tem um bom caminho a percorrer em direção à resistência psicológica de 12 cents. Os contratos romperam a mínima de 11,67 cents de sexta-feira passada, mas se recuperaram ao longo do pregão. O suporte é de 11,64 cents.

O dólar voltou a subir em relação ao real, alcançando o maior nível desde 2002, com a percepção de investidores de deterioração do ambiente político e econômico no Brasil. No mercado futuro, a moeda norte-americana rompeu 4 reais, no contrato para outubro, apesar da atuação do Banco Central.

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, informa que a trajetória descendente do real vai implicar maior pressão nos meses de vencimento da próxima safra 2016/17, que começa em abril do ano que vem. Segundo ele, é uma oportunidade para os vendedores "que sabem usar os mecanismos de hedge disponíveis no mercado, para fixar preços que se aproximam de R$ 1.300 a tonelada FOB".

Arnaldo Corrêa acrescenta que oportunidades de hedge em reais em níveis altos como agora, podem começar a desenhar uma safra mais açucareira em 2016/17. Conforme o diretor da Archer, pode ocorrer um agravamento da disponibilidade de etanol, cujo consumo interno tem crescido de maneira robusta. O consumo de hidratado de abril a agosto deste ano, no Centro-Sul, cresceu 29% em relação ao mesmo período do ano passado. O consumo total de etanol nesse período cresceu 10% em relação ao ano passado e estabeleceu um recorde de 10,3 bilhões de litros. "Nunca a arbitragem entre os dois produtos, açúcar e etanol, será tão sensível como se espera no próximo ano", estima Corrêa.

Fundos de investimento e especuladores inverteram a posição em açúcar na Bolsa de Nova York, na semana encerrada em 15 de setembro, o que pode ter contribuído para pressionar os contratos. Esses participantes passaram de saldo líquido vendido de 12.612 lotes no dia 8 para saldo comprado de 7.468 lotes no dia 15, informou na sexta-feira a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

O mercado de açúcar em Nova York registrou recuperação na maior parte do pregão de ontem. No fim da sessão, porém, os contratos acabaram encerrando em leve queda. O vencimento março/16 caiu 3 pontos (0,26%), a 11,67 cents. A máxima foi de 11,85 cents (mais 15 pontos). A mínima bateu 11,64 cents (menos 6 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 52,28/saca (+0,83%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,15/saca (+0,15%). (Agência Estado 22/09/2015)

 

Usinas retomam moagem, mas preço do açúcar segue em alta

Com o clima seco na última semana, usinas paulistas retomaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar, mas a disponibilidade de açúcar na cor Icumsa 150 diminuiu. Isso porque usinas destinaram um maior volume da cana para a produção de etanol e de açúcar VHP (para a exportação).

Nesse cenário, os valores do açúcar cristal no mercado spot paulista seguiram em alta, mantendo o ritmo observado desde o início deste mês. Na segunda-feira, 22, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180 mercado paulista fechou a R$ 52,28/saca de 50 kg, aumento de 11% na parcial de setembro, o Indicador não fechava acima dos R$ 51,00/sc desde maio deste ano. (Cepea / Esalq 22/09/2015)

 

Preços do etanol sobem pela quarta semana consecutiva

Os preços do etanol hidratado subiram pela quarta semana seguida nas usinas paulistas. Pesquisadores do Cepea indicam que, embora a demanda não tenha sido expressiva, a oferta restrita, com parte das usinas fora de mercado, sustentou o movimento de alta das cotações.

Entre 14 e 18 de setembro, o Indicador Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do combustível foi de R$ 1,2991/litro (sem impostos), aumento de 3,31% em relação à semana anterior.

Para o anidro, o Indicador semanal foi de R$ 1,413/litro, alta de 2,64%. A maioria dos negócios para este combustível continua sendo realizada via contrato. (Cepea / Esalq 22/09/2015)

 

Para CNA, o aumento da Cide, da chuva e a seca na Ásia em 2015 favorecem safra de cana

Na safra deste ano 2015/2016 houve um pequeno aumento da produtividade do setor sucroenergético, basicamente pelo volume de chuvas. Esse fator irá proporcionar uma melhor oferta e demanda no mercado. Apesar de muita “cana bisada” (cana que não pode ser colhida e ficou no campo por mais de uma safra) para a próxima safra 2016/2017, o cenário é positivo. O destaque vai para o etanol, que terá uma maior produção em relação ao açúcar, uma vez que o estoque mundial do açúcar é grande e o baixo preço do produto atrapalha as exportações brasileiras. Outro fator que contribui para o destaque do etanol é que as usinas estão com estoque do produto.

A próxima safra 2016/2017 vai contar com canaviais envelhecidos (cortando a mesma cana a cada safra), pois o setor está com problemas de liquidez e não investe em tecnologias. Esse fator pode atrapalhar a produtividade. O normal são seis cortes, ou seja, seis anos colhendo a mesma matéria-prima. Nos próximos anos a tendência é que haja um aumento no número de cortes.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Rogério Avellar, em termos mercadológicos três fatores irão influenciar: o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina (vai estimular a competitividade do etanol), o maior número de chuvas (que proporciona mais oferta e maior produção) e a seca na Ásia em razão do fenômeno El Niño (que faz melhorar o preço do produto no mundo e aumenta a produtividade mundial). (CNA 22/09/2015)

 

Setor de cana precisa de políticas públicas estáveis, diz Jardim

A isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, em 2012, foi um dos fatores que prejudicaram o segmento, segundo secretário

O secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou nesta segunda-feira, (21/9), que faltam políticas públicas estáveis para a inserção do etanol na matriz energética brasileira.

Na abertura da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, que acontece em São Paulo, ele lembrou que há seis anos o etanol tinha participação superior a 50% no consumo total de combustíveis, porcentual que caiu para pouco mais de 30% agora.

Em sua avaliação, a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, em 2012, foi um dos fatores que prejudicaram o segmento.

Ainda segundo Jardim, recuperar a alíquota integral do tributo seria uma política clara e ainda ajudaria o governo neste momento de ajuste fiscal. Atualmente, a Cide incide em R$ 0,10 sobre o litro da gasolina e se reajustada desde a sua criação o valor chegaria a R$ 0,62. (Agência Estado 22/09/2015)