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Dólar fortalecido limita ganhos do açúcar na bolsa de Nova York

O fortalecimento do dólar em relação ao real deve continuar limitando as reações positivas dos contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A moeda norte-americana valorizada tende a elevar a oferta do produto brasileiro no mercado internacional, além de implicar ajuste para baixo nos preços futuros do demerara, cotado na divisa dos EUA.

O dólar rompeu ontem R$ 4,00, pela primeira vez desde a criação do Plano Real (1994). As incertezas na política e na economia do Brasil têm levado investidores a buscar proteção na moeda dos EUA. Paralelamente, fundos de investimento estrangeiro compram dólares para sair do País. O índice do dólar também subia ontem, por causa de temores com a desaceleração da economia na China.

"Os futuros de demerara recuam basicamente acompanhando a alta do dólar", disse analista da Sucden. Ele salientou, no entanto, que a alta da moeda norte-americana corresponde a uma melhor remuneração para o produtor, em reais. "Produtores com acesso a linhas de crédito têm momento oportuno para fixar preço na bolsa, garantindo uma boa margem, em reais por tonelada FOB", informou.

Ele acrescentou que usinas têm aproveitado a alta do dólar para fixar preço futuro do açúcar até para a próxima safra 2016/17, que se iniciará apenas em abril de 2016. O analista comentou que ainda não é possível estimar o volume de venda antecipada, mas "negociações pontuais são observadas no mercado".

O analista observou, ainda, que notícias sobre a Índia, divulgadas na sexta-feira passada, contribuem para uma situação de "mau humor" do mercado.

O governo indiano decidiu estimular a exportação de 4 milhões de t de açúcar, a partir de outubro, por causa do crescimento dos estoques no país, que já superariam 10 milhões de toneladas. No entanto, o governo ainda não definiu se haverá subsídios, nem as regras para cumprimento dos embarques.

Pelos indicadores técnicos, a tendência é de baixa para os contratos de demerara. O mercado pode testar o suporte a 11,28 cents, mínima marcada em 24 de agosto, e 10,51 cents (mínima de dezembro de 2008). A resistência é de 12,54 cents, máxima atingida em 11 de setembro. O mercado só deve reverter sinais negativos se trabalhar acima desse nível.

Os futuros de açúcar em Nova York registraram queda na maior parte do pregão de ontem, pressionados pelo dólar. O vencimento março/16 encerrou em baixa de 10 pontos (0,86%), a 11,57 cents. A máxima foi de 11,74 cents (mais 7 pontos). A mínima bateu 11,48 cents (menos 19 pontos).

Durante a 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, encerrada ontem em São Paulo, o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, disse que a alta do dólar ante o real é positiva para o setor sucroenergético brasileiro, que é fortemente exportador. Segundo ele, a divisa norte-americana fortalecida compensa o aumento dos custos e acarreta “ganho maior” para o produtor. Ele acrescentou que o açúcar para exportação tem hoje melhor remuneração que o etanol. A vantagem na comercialização do alimento seria da ordem de 5% sobre o biocombustível.

O indicador do açúcar Esalq à vista fechou a R$ 52,46/saca (+0,34%). Em dólar, o preço ficou em US$ 12,95/saca (-1,52%). (Agência Estado 23/09/2015)

 

CEO da São Martinho prevê alta sazonal dos preços antes da entressafra

O CEO do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, disse que os preços do etanol podem subir antes da entressafra de cana-de-açúcar, a partir de dezembro, período em que normalmente há uma reação das cotações.

A antecipação do movimento se deve, segundo ele, ao consumo, que tem se mantido forte neste ano, com até 1,5 bilhão de litros de hidratado comercializados mensalmente. Na última semana, os preços fecharam em R$ 1,29 o litro (hidratado) e R$ 1,41/litro (anidro), segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Em conversa com jornalistas nos bastidores da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, Venturelli disse que as chuvas ao longo da safra 2015/16 não têm prejudicado a programação de moagem e produção da empresa. "Não tivemos alteração no guidance (previsão)", informou.

A expectativa da companhia é de um processamento próximo de 21 milhões de toneladas em 2015. (Agência Estado 23/09/2015)

 

Setor foca no aumento da CIDE sobre a gasolina

Se por um lado a elevação da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina é o plano B do governo para aumentar a arrecadação e cobrir o déficit do Orçamento para 2016, por outro é vista como a salvação da lavoura pelo setor sucroenergético.

Caso a proposta de CPMF, apresentada pelo governo, naufrague no Congresso Nacional, o governo pode estabelecer o aumento da CIDE, beneficiando indiretamente o etanol, ao aumentar sua competitividade frente à gasolina. “Para o mercado do etanol, seria muito importante sair a elevação da Cide. Vindo a Cide, tende a melhorar um pouco para o etanol”, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, durante a conferência internacional de energia Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham).

Para alguns especialista e nomes do governo federal, a CIDE pode ter um peso amargo sobre a inflação, mas como a medida requer 90 dias de prazo para entrar em vigor, seu impacto poderá ser sentido apenas no próximo ano.

Para dar mais competitividade ao etanol sucroenergético, o setor quer que o governo eleve a Cide de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro. Porém, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teria dito que é preciso esperar um melhor momento político para a medida.

Durante a Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol da Datagro, que terminou hoje em São Paulo, ficou patente a postura do setor sucroenergético pelo retorno da CIDE. “Esse é o nosso foco. O setor precisa da CIDE e estamos em negociação por esta medida”, disse o representante de uma das entidades representativas da agroindústria canavieira. (Cana Online 23/09/2015)

 

Crise não prejudica conversas com governo sobre setor, diz Unica

A presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou nesta terça-feira, 22, que a crise política em Brasília não tem atrapalhado o contato com o governo para tratar de assuntos do setor sucroenergético. "As conversas com ministros têm ocorrido", disse a jornalistas minutos antes da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, que começou na segunda-feira, 21, e termina nesta terça.

Conforme ela, "a base da agenda" da Unica continua sendo "retomar a rentabilidade" da cadeia produtiva de açúcar e álcool. Para tanto, a entidade vai lutar "incansavelmente" pela recomposição integral da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, afirmou.

Atualmente, a Cide incide sobre o litro do combustível fóssil em R$ 0,10, mas, pelos cálculos do setor de cana, deveria ser de R$ 0,60. Na semana passada, havia a expectativa de que o governo anunciasse o aumento da alíquota, numa tentativa de impulsionar a arrecadação, mas a opção acabou ficando pela volta da CPMF por quatro anos. (Cana Oeste 23/09/2015)

 

Grandes usinas do Brasil devem favorecer açúcar em vez de etanol na próxima temporada

As maiores e mais estáveis financeiramente usinas brasileiras de açúcar devem ajustar a produção no próximo ano-safra para produzir mais açúcar e menos etanol, disseram participantes do mercado na terça-feira.

A região Centro-Sul do país está vendo uma produção maior de etanol na atual safra de 2015/16, em detrimento do açúcar, devido ao aumento da demanda pelo combustível causado pela alta do preço da gasolina no mercado local.

Mas uma leve recuperação nos mercados futuros em Nova York e especialmente a forte depreciação da moeda brasileira estão reforçando os valores do açúcar em reais em relação ao etanol. O dólar atingiu a maior cotação da história em relação ao real nesta terça-feira, a 4,05 reais.

"Se você olhar para os preços do açúcar, convertidos em reais, eles estão maiores" que aqueles do etanol, disse Jacques Gillaux, chefe do escritório de açúcar da Louis Dreyfus, durante uma apresentação na conferência de açúcar da Datagro. "Então, com base nas condições atuais, as usinas devem produzir mais açúcar no próximo ano."

"Os grupos mais estruturados, aqueles que podem financiar o carregamento de posições em Nova York, estão planejando aumentos na produção de açúcar para o próximo ano", disse Arnaldo Correa, diretor da Archer Consulting. (Reuters 23/09/2015)

 

Prorenova será anunciado "nos próximos dias", diz BNDES

O chefe do Departamento de Biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Eduardo Cavalcanti, afirmou que as condições para acesso ao Prorenova 2015 serão anunciadas "nos próximos dias". "O programa já foi para a diretoria (da instituição) e deve ser semelhante ao do ano passado", disse em rápida entrevista a jornalistas nos bastidores da 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, nesta terça-feira, 22.

O Prorenova é a linha de financiamento do BNDES para a renovação de canaviais. Neste ano, o projeto foi anunciado junto com o Plano Safra 2015/16, em junho, com montante total de R$ 1,5 bilhão. Em relação aos anos anteriores, a divulgação das regras para tomada de recursos está atrasada. As condições para estocagem de etanol, no valor de R$ 2 bilhões, por exemplo, só foram anunciadas no fim de agosto, o que reduziu o interesse do setor sucroenergético pelo dinheiro.

Cavalcanti reconheceu que em 2015 as condições financeiras para acesso ao crédito "não estão tão favoráveis", mas ainda assim o BNDES conseguiu junto ao governo que parte da taxa de juros fosse em TJLP.

Dados do BNDES apresentados por Cavalcanti durante painel no evento mostram que entre 2012 e 2014 o Prorenova contribuiu para a renovação de 1 milhão de hectares de canaviais. O banco também financiou a armazenagem de 2 bilhões de litros de etanol. No total, o desembolso da instituição para o setor sucroenergético foi de R$ 7,66 bilhões nesses três anos. (Agência Estado 23/09/2015)