Macroeconomia e mercado

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O Grupo Zilor

O Grupo Zilor, um dos maiores e mais influentes associados da Copersucar, engavetou os planos de abrir capital.

Mas a luta continua: o empresário Antonio José Zillo saiu à procura de um fundo de investimento disposto a comprar uma participação minoritária no seu capital.

Os canaviais da Zilor têm sido assolados por uma potente praga: a dívida de R$ 2 bilhões, metade com vencimento em 12 meses. (Jornal Relatório Reservado 28/09/2,015)

 

 

Crise econômica vai ficar pior e mais profunda, avalia Mendonça de Barros

O economista e sócio da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, alertou que se a crise econômica pela qual passa o Brasil está ruim, "vai ficar pior e mais profunda do que se imaginava". "A MB Agro projeta crescimento negativo de -2,5% para o Brasil este ano e de -1,4% para o ano que vem. Até a eleição municipal do ano que vem, a situação vai ser muito difícil. A partir de 2017, haverá uma substancial melhora e uma consolidação da economia nesta transição", declarou o economista. Mendonça de Barros participou de evento em São Paulo (SP) sobre mercado de capitais e o agronegócio, promovido pela consultoria Ecoagro e pela Pinheiro Neto Advogados.

Além de crescimento negativo, o economista comentou também que a MB Associados estima que, ao fim de 2015, a taxa de desemprego deve chegar a 10%. Como consequência deste fator, o consumo das famílias também deve cair. "A retomada vai ser devagar, mas não significa que não voltaremos a crescer", afirmou Mendonça de Barros. 

Com relação à inflação, a MB Associados projeta 10% para 2015 e 5,6% em 2016. Ainda para o ano que vem, além da desaceleração da inflação no próximo ano, Mendonça de Barros projeta melhora do saldo comercial brasileiro, por conta das exportações de commodities. "Achamos que o Banco Central não vai aumentar a taxa de juros (Selic). Não tem razão para fazer isso e não deveria fazê-lo", disse. Enquanto a balança comercial brasileira deve ficar em US$ 14,4 bilhões este ano, a MB projeta, para o ano que vem, US$ 30 bilhões. 

Tendo em vista as mudanças em curso no cenário político e econômico do País, o economista alertou que as empresas brasileiras precisão promover mudanças de gestão para sobreviver à crise. "Os negócios não poderão mais se basear em favores fiscais e crédito subsidiado, em todas as esferas de governo", disse. Mendonça falou ainda que as empresas precisam fazer um esforço para melhorar suas práticas internas e usar a força de seus bons balanços para buscar a consolidação. "Vamos ter uma gigantesca consolidação dos ativos brasileiros". Por fim, o economista reforçou que o agronegócio brasileiro tem posição favorável no cenário. "É um setor competitivo internacionalmente e tem em seu modelo de negócios o avanço tecnológico". (O Estado de São Paulo 26/09/2015)

 

TRT condena Clealco Açúcar e Álcool por terceirização de motoristas

A 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) acatou recurso do Ministério Público do Trabalho (MPT) e condenou a Clealco Açúcar e Álcool ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos durante um processo que apura irregularidades em operações terceirizadas no transporte de cana. Cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em nota, a Clealco informou que "teve ciência da decisão e, apesar de respeitá-la, não concorda com a mesma, mesmo porque o tema está sendo discutido no Congresso e já foi aprovado na Câmara dos Deputados". "Dentro dos limites da legalidade a empresa recorrerá", relatou.

Além de reformar a decisão da primeira instância, de não aplicar a multa por danos morais, o TRT-15 manteve as outras determinações da Vara do Trabalho de Tupã (SP) e obrigou a Clealco a encerrar gradualmente o transporte terceirizado de cana-de-açúcar, com uma redução anual de 25%, com multa de R$ 3 mil por dia, limitada ao total de R$ 1 milhão caso descumpra a decisão. A Clealco não poderá efetuar quaisquer novas admissões para o transporte de cana de empresas terceirizadas, com multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 500 mil.

Além disso, a companhia terá de limitar a duas horas extras por dia a jornada de trabalhadores no faturamento e em balanças, concedendo intervalos para descanso e alimentação de ao menos uma hora. A Clealco deve regularizar a jornada desses funcionários 30 dias após a publicação da decisão e ainda deve cumprir imediatamente a obrigação de não contratar motoristas terceirizados.

As irregularidades foram apuradas pelo MPT em Bauru (SP). Segundo o procurador José Fernando Ruiz Maturana, além das condições precárias de segurança aos motoristas, a companhia mantinha os terceirizados "em esquema de subordinação direta, uma vez que desempenham as tarefas sob o comando de empregados da própria usina", informou.

"A usina chega ao ponto de determinar o número de viagens, o tempo de horário de refeição, o momento do reabastecimento do caminhão, dentre outras", completou Maturana. Segundo o MPT, a Súmula nº 331 do TST permite a terceirização de atividade-meio e no entendimento do procurador o transporte de cana representa atividade habitual e permanente da usina, enquadrada como atividade-fim. (Agência Estado 28/09/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas projeções de inflação para este ano e o próximo

Com exceção das previsões para a taxa Selic neste ano e para o câmbio em 2016, a maioria das expectativas do mercado sofreu alteração em relação à semana anterior, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 25 de setembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,34% para 9,46%, e para 2016, subiu de 5,70% para 5,87%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 2,70% para outra de 2,80% e, para 2016, foram revisadas de uma retração de 0,80% para 1,00%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e subiu de 12,25% para 12,50% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,86 para R$/US$ 3,95 no final de 2015 e permaneceram em R$/US$ 4,00 no final de 2016.

Destaques da semana

Divulgação dos dados fiscais no Brasil e do mercado de trabalho norte-americano serão os destaques em uma agenda carregada de indicadores nesta semana

Após a divulgação do Relatório de Inflação na semana passada, que sinalizou manutenção da taxa de juros por um período prolongado, as atenções se deslocarão da política monetária para a fiscal nesta semana. O Tesouro Nacional divulgará ainda hoje o relatório mensal da dívida pública federal de agosto e, amanhã, o resultado primário do governo central, referente ao mesmo período, para o qual projetamos déficit de R$ 13,8 bilhões. Além disso, o Banco Central divulgará, na quarta-feira, sua nota de Política Fiscal, também de agosto. A agenda doméstica ainda contemplará as ultimas sondagens da FGV de setembro, na quarta-feira. Também teremos, na sexta-feira, a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de agosto, que deverá apresentar queda na produção de 2,0% na margem e de 10,2% na comparação interanual, acentuando o enfraquecimento do setor neste ano. Ainda acerca da indústria, serão conhecidos os dados de atividade industrial paulista da Fiesp/Ciesp, na quarta-feira, e os indicadores industriais da CNI, na quinta, também referentes a agosto. Em relação ao mercado de trabalho, conheceremos os dados da Pnad Contínua mensal de julho, amanhã, e a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do sistema Seade/Dieese de agosto, na quarta-feira. A CNI ainda divulgará, na sexta-feira, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) de setembro, que deverá reforçar nossa expectativa de continuidade do recuo do consumo das famílias neste trimestre. Além disso, os dados finais da balança comercial do mês passado serão conhecidos na quinta-feira, para os quais projetamos saldo positivo de US$ 3 bilhões. Por fim, a FGV divulgará, amanhã, o IGP-M de setembro, que, segundo nossa projeção deverá apresentar alta de 0,81% no mês, refletindo a aceleração do repasse cambial no período e, sem data definida, a Fenabrave anunciará os dados de emplacamentos de veículos de setembro.

Na agenda externa, o destaque será a divulgação da criação de empregos no mercado de trabalho norte-americano em setembro, na sexta-feira, cujo ritmo de expansão trará importantes sinais sobre a normalização da política monetária naquele país. Ainda conheceremos as leituras finais dos índices PMI Markit para diversos países, na quarta e quinta-feira, bem como indicadores de confiança do consumidor na Área do Euro e nos EUA, amanhã. Na Europa, a agenda de quarta-feira também trará a divulgação dos dados de vendas no varejo alemão de agosto, o PIB final do segundo trimestre do Reino Unido e a taxa de desemprego da Área do Euro.

Atividade

FGV: Leitura final da sondagem industrial de setembro confirma nova retração da confiança do setor

O índice de confiança da indústria mostrou queda de 2,9% na passagem de agosto para setembro, conforme resultado final da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgado há pouco pela FGV. O indicador confirmou a retração tanto do componente de expectativas quanto do que mede a situação atual, com quedas de 4,2% e 1,9%, respectivamente. Essa piora refletiu essencialmente a redução da expectativa de contratação nos três meses à frente e da situação atual dos negócios. Na mesma direção, o nível de utilização da capacidade instalada recuou 1,2 p.p., chegando a 76,5%, o menor patamar desde janeiro de 1993. Os estoques ainda elevados e as baixas perspectivas para a retomada da demanda doméstica continuam impedindo a melhora das expectativas do setor industrial. Diante disso, mantemos a leitura de que o PIB mostrará nova queda neste trimestre.

Caged: Saldo de empregos formais registrou nova queda em agosto Os últimos dados referentes à geração de empregos formais apontaram redução líquida de 86.543 postos de trabalho em agosto, conforme divulgado na última sexta-feira no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A queda foi superior à nossa projeção e a da mediana do mercado, ambas de contração líquida de 70 mil vagas, segundo coleta da Agência Estado. Apenas a administração pública e os serviços registraram saldo positivo no período, de 730 e 4.965 postos, respectivamente. A despeito da contratação líquida nos serviços, o resultado foi insuficiente para recuperar a forte redução de 58 mil vagas observada no mês anterior. Já os segmentos de indústria de transformação e construção civil mantiveram-se no campo negativo, com retrações líquidas de 47,9 mil e 25 mil vagas, nessa ordem. Em termos dessazonalizados, o saldo total representou uma demissão líquida de aproximadamente 160 mil trabalhadores formais, fazendo com que a média móvel do trimestre findo em agosto fosse de redução de 155 mil postos. Os dados estão em linha com a elevação da taxa de desemprego para 7,6% no período, conforme divulgado na PME, e reforçam nossa visão de intensificação do enfraquecimento do mercado de trabalho ao longo deste ano.

Inflação

IBGE: IPP manteve trajetória de aceleração em agosto

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou alta de 0,97% em agosto, acumulando elevação de 4,63% no ano, conforme divulgado na sexta-feira pelo IBGE. A variação de julho foi revisada de 0,68% para 0,72%. Em 12 meses, o indicador registrou expansão de 7,27%. A aceleração exibida entre julho e agosto refletiu a variação positiva de 20 das 24 atividades pesquisadas no período. Os preços de alimentos cresceram 1,68%, fortemente influenciados pela desvalorização cambial. Outros fatores relevantes para a resiliência desses preços foram os problemas de oferta de soja nos EUA e o retorno da carne brasileira ao mercado chinês, pressionando os preços nacionais para cima. Refletindo os reajustes anunciados recentemente, os preços de papel e celulose apresentaram nova expansão, de 3,96%. Também influenciados pela cotação do dólar e refletindo pressões de custos de energia e matéria-prima, os preços de produtos químicos apresentaram aumento de 1,07%, acumulando alta de 8,92% no ano. As atividades extrativas, recém incluídas no índice, apresentaram variação de negativa de 8,70% nesta leitura. O resultado de agosto veio, novamente, acima do que era sugerido pelo IPA industrial calculado pela FGV. Assim, para a próxima divulgação, esperamos nova aceleração do índice.

Internacional

EUA: Nova prévia do PIB norte-americano mostrou expansão mais intensa no segundo trimestre, enquanto que a primeira leitura do índice PMI de serviços sugere menor crescimento neste trimestre O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,9% em termos anualizados no segundo trimestre, conforme divulgado na última sexta-feira. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que previa alta de 3,7% (mesma taxa observada na leitura anterior). A maior elevação refletiu, majoritariamente, o comportamento do consumo, cujo avanço passou de 3,1% na prévia anterior para 3,6%. No sentido oposto, os investimentos tiveram leve recuo, oscilando de uma expansão de 5,2% para outra de 5,0%. Por outro lado, a leitura preliminar do índice PMI Markit composto, também divulgada na última sexta-feira, sugere menor ritmo de crescimento do PIB neste trimestre. O indicador recuou de 55,7 para 55,3 pontos entre agosto e setembro, refletindo tanto a queda do índice de serviços como o da indústria de transformação.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em direções distintas, com o mercado acionário de Shanghai revertendo parcialmente a queda observada na última sexta-feira. Além disso, as bolsas de Hong Kong, Taiwan e da Coreia do Sul não operaram em virtude de um feriado local. Os mercados europeus registram perdas nesta manhã, mesma direção exibida pelos índices futuros norte-americanos, que apresentam queda neste momento, à espera da divulgação dos dados de rendimento e gastos pessoais, vendas de imóveis pendentes e do Índice de atividade do Fed Dallas.

O dólar se fortalece ante as principais moedas, com exceção do yuan, do iene e da libra, que registraram alta em relação à divisa norte-americana. Entre as commodities, o petróleo e as metálicas industriais são cotados em baixa nesta manhã, refletindo o recuo do lucro das empresas industriais chinesas em agosto. No sentido oposto, com exceção da soja, as principais agrícolas apresentam ganhos no momento, com destaque para a elevação dos preços do trigo, diante das condições climáticas desfavoráveis na Rússia e na Ucrânia. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do relatório mensal da dívida pública federal de agosto, sem horário definido. Adicionalmente, o real deverá ser influenciado pelo movimento de apreciação do dólar no exterior, contribuindo para a abertura das curvas de juros futuro locais.