Macroeconomia e mercado

Notícias

Gasolina perde participação nos tanques e etanol avança

Em meio à recessão econômica, diminuição da renda familiar, retração de emprego e alta dos preços, os consumidores estão cada vez mais atentos aos gastos e fazem substituições para gerar economia – inclusive de combustível.

O porteiro Maycon Diones Silva, 24 anos, faz as contas antes de abastecer. “Opto pela gasolina ou pelo etanol conforme o preço.”

E afirma que, sempre que dá, diminui o consumo. “Às vezes, quando aperta o orçamento, deixo o carro em casa e vou para o trabalho de bicicleta. Tudo para economizar e consegui sentir uma diferença no bolso.”

Já o gerente administrativo João Silva, 38, diz que ainda não conseguiu diminuir o consumo, pois utiliza o carro para trabalhar. “Mas, dependendo da situação, vou ter de pensar nessa possibilidade”, frisa. Por enquanto, ele tenta economizar abastecendo com um pouco de gasolina e completando o tanque com etanol.

“Faço isso por causa da diferença de preços.”

Números

Para o diretor regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), Oswaldo Manaia, o aumento no consumo de etanol e a queda da gasolina foram ocasionadas tanto pela migração de combustível quanto pela queda no consumo.

“O consumo de combustíveis como um todo caiu, acredito que pela questão de economia no orçamento das famílias”, diz. “As pessoas param de andar de bobeira, um reflexo da nossa economia recessiva.”

Segundo ele, a migração é ocasionada por conta do preço. “Tem períodos em que o etanol fica muito competitivo e seu consumo aumenta”, frisa.

Já o vice-presidente da Brascombustíveis, Renê Abad, acredita que, com o último aumento de preços da gasolina, o resultado será uma perda de forças maior ainda do combustível frente ao etanol. “Os consumidores vão migrar ainda mais, pois também houve perda do poder de compra do consumidor”, explica.

O consumo de etanol em Ribeirão cresceu de 142,9 milhões de litros no ano de 2013 para 149,5 milhões de litros no ano passado. Já a gasolina passou de 194,8 milhões de litros para 173,3 milhões de litros no período.

Em 2013, o consumo de gasolina girava entorno de 32,2% em Ribeirão, enquanto o de etanol ficava em 23,6%. No ano seguinte, a diferença de consumo entre os combustíveis teve queda considerável: a gasolina representando 28,8% e o etanol, 24,9%.

Consumo

Para o economista e professor da FEA/USP-RP Alexandre Nicolella, a migração de combustíveis existe, principalmente, por causa do preço. “O preço do etanol trabalha para nunca passar de 70% do da gasolina e, assim, continuar competitivo.”

Segundo ele, o preço da gasolina estava represado e pressionava o valor do etanol para baixo. “Quando a gasolina subiu, deu fôlego para o setor.”

Nicolella diz também que há uma relação direta entre o consumo de energia, incluindo combustíveis, e o PIB. Em 2013, a economia cresceu 2,1%. Em 2014 o crescimento foi próximo a 0%. “O crescimento da economia foi menor em 2014, em que o consumo e a produção ficaram estagnados.”

Além disso, em tempos de crise e de cortes de gastos, as pessoas andam menos de carro, economizam e otimizam esse consumo. “O consumidor repensa logisticamente suas rotas para fazer economia.”

Inflação

Segundo dados do IPC-Fipe/Acirp, nos últimos 12 meses, a gasolina foi um dos dez vilões da inflação em Ribeirão. E, na quarta-feira (30 de setembro), subiu mais 9%.

ANÁLISE

Tendência é de alta na produção

“O consumo de etanol vem aumentando expressivamente por causa do preço. Em 2013, o combustível perdeu muito em competitividade devido ao preço controlado da gasolina pelo governo. Com a volta da CIDE, o etanol voltou a ganhar mercado. Mas, a política de preços que o governo faz não é clara. Desta forma, não sabemos até quando o setor será competitivo. Hoje, está bom, pois o etanol voltou a ter um preço razoável. E a tendência para este ano e o próximo é aumentar o consumo de etanol e diminuir o de gasolina. Segundo o Sincopetro, no Estado de São Paulo, o consumo de gasolina caiu 15% de janeiro a agosto de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. Até porque o setor tem criado alternativas para aumentar cada vez mais o consumo, como o etanol de segunda geração, em que a produção será dobrada, o custo de produção diminuirá e conseguiremos melhorar o preço para o consumidor”. (Jornal a Cidade 05/10/2015)

 

Futuros de açúcar iniciam semana firmes em Nova York após rompimento dos 13,50 cents

O viés é de alta para os futuros de açúcar demerara nesta semana na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Ainda influenciados pelo reajuste de combustíveis no Brasil, os preços também devem refletir a previsão de chuvas para áreas produtoras do Centro-Sul do País e o rompimento da importante resistência de 13,50 cents por libra-peso.

De acordo com a Climatempo, as precipitações tendem a ganhar força nos próximos dias em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. No território paulista, chove de 30 mm a 50 mm nas regiões central e oeste e 30 mm no norte. Volumes semelhantes são esperados para praticamente todo o Estado mineiro. Já no Paraná deve chover mais, com até 100 mm na faixa leste. Para participantes, são precipitações que podem provocar atrasos na colheita ou fazer com que as usinas destinem ainda mais cana-de-açúcar para produção de etanol.

Do lado gráfico, as cotações não param de romper resistências: 12,50 cents/lb, 12,80 cents/lb, 13 cents/lb e, na última sessão, as de 13,30 cents/lb e 13,50 cents/lb. A partir daí, analistas traçam um cenário de alta para os contratos, apostando mais na orientação dada pelos fundamentos do que pelo câmbio - na sexta-feira, o dólar ficou em R$ 3,9430 (-1,18%).

Ainda tecnicamente falando, o primeiro suporte passou para os 13,50 cents/lb, enquanto a resistência foi para 13,98 cents/lb, máxima de 14 de julho.

Março subiu 27 pontos (2,04%) e fechou em 13,53 cents/lb, com máxima de 13,55 cents/lb (mais 29 pontos) e mínima de 13,24 cents/lb (menos 2 pontos). Maio avançou 27 pontos (2,07%) e terminou em 13,33 cents/lb. Na semana, acumularam valorizações de 9,02% (mais 112 pontos) e de 8,28% (mais 102 pontos), respectivamente.

O spread março/maio, que iniciara a semana passada em 10 pontos, fechou sexta-feira em 20 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos inverteram a mão de novo e passaram a deter saldo comprado em açúcar na semana encerrada em 29 de setembro. A posição passou de vendida em 30.934 para comprada em 25.992 lotes.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 56,21/saca, alta de 0,70% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,26/saca (+1,93%).

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas expectativas de inflação para cima neste ano e no próximo

O mercado manteve a maioria das suas projeções inalteradas em relação à semana anterior, com algumas exceções, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 02 de outubro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,46% para 9,53%, e para 2016, subiu de 5,87% para 5,94%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 2,80% para outra de 2,85% e, para 2016, foram mantidas em -1,00%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e em 12,50% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,95 para R$/US$ 4,00 no final de 2015 e permaneceram em R$/US$ 4,00 no final de 2016.

Destaques da semana

IPCA de setembro será o destaque da agenda doméstica nesta semana

O destaque da agenda doméstica nesta semana será a divulgação do IPCA de setembro, na quarta-feira, para o qual projetamos alta de 0,52%, refletindo a maior pressão de alimentos e do repasse cambial. No mesmo dia, teremos a divulgação do IGP-DI, cuja aceleração esperada de 1,30%, no mesmo período, também reflete a alta do câmbio sobre os preços no atacado. Ainda serão divulgados, ao longo da semana, importantes dados de atividade, que trarão sinais sobre a sua velocidade no final do terceiro trimestre. Entre eles, destaque para os indicadores antecedentes de emprego da FGV, o indicador de atividade do comércio da Serasa Experian e os dados de produção e vendas de veículos da Anfavea, amanhã, e o fluxo pedagiado de veículos da ABCR, na sexta, todos referentes a setembro. Por fim, será divulgado o primeiro levantamento da safra brasileira de grãos de 2015/16, na sexta-feira, pela Conab. Na agenda externa, após a surpresa negativa com os dados de geração de emprego nos EUA, em setembro, a divulgação da ata do FOMC, na quinta-feira, trará importantes sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária norte-americana. Também será conhecida a leitura de setembro do índice PMI do varejo na Área do Euro, amanhã. Além disso, na quarta-feira, serão divulgados os resultados da produção industrial da Alemanha e do Reino Unido de agosto, enquanto que os dados de setor externo dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, referentes ao mesmo período, serão conhecidos amanhã, na quarta e quinta-feira, nessa ordem. Por fim, na sexta-feira, o USDA divulgará seu relatório mensal da produção mundial de grãos.

Atividade

IBGE: Produção industrial recuou novamente em agosto, sugerindo queda de 1,0% do PIB no terceiro trimestre

A produção industrial brasileira recuou 1,2% na passagem de julho para agosto, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada sexta-feira pelo IBGE. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve declínio de 9,0%. Com isso, acumulou retração de 5,7% nos últimos doze meses. A variação negativa da atividade industrial na margem refletiu a queda de 14 dos 24 segmentos pesquisados. O destaque ficou para o setor de veículos automotores, reboques e carroceria, que apresentou forte retração de 9,4% em relação ao mês anterior, superior à sugerida pelos dados da Anfavea e da Fenabrave. No mesmo sentido, produtos de metal e artigos para viagem e calçados registraram contração de 3,0% e 3,6%, respectivamente. Por outro lado, o segmento de produtos alimentícios avançou 2,4%, recuperando parte da perda do mês anterior, e o de bebidas cresceu 4,3%. Em relação às categorias de uso, apenas a de bens intermediários cresceu na comparação mensal, avançando 0,2%. Em contrapartida, os bens de capital intensificaram a retração observada na leitura passada, caindo 7,6% na margem e acumulando contração de 22,4% neste ano. Dentre os bens de consumo, os semiduráveis e não duráveis recuaram 0,3%, ao passo que os duráveis registram declínio de 4,0%. O resultado reforça nossa expectativa de manutenção do enfraquecimento da indústria até o final deste ano, diante da queda adicional da confiança do empresariado industrial em setembro e da nova elevação dos estoques. Além disso, os setores de construção civil e de veículos automotivos mantêm trajetória de ajuste em suas cadeias produtivas, conforme sugerido pelos indicadores antecedentes e coincidentes já divulgados. Dessa forma, projetamos contração anual de 7,0% da produção industrial em 2015. Por fim, esses dados sugerem uma retração novamente intensa do PIB no terceiro trimestre, que deve chegar a 1,0% na margem.

INEC: Expectativa do consumidor voltou a recuar em setembro

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) atingiu 96,3 pontos em setembro, de acordo com os dados divulgados na última sexta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado é equivalente a uma queda de 2,9% na passagem de agosto para o mês passado, segundo nossas estimativas dessazonalizadas. Dessa forma, o resultado interrompeu a sequência de duas altas consecutivas na margem. A queda refletiu o recuo de quatro dos seus seis componentes, com destaque para a piora da avaliação da renda própria, que caiu 8,5% no período. Na comparação interanual, o INEC apresentou declínio de 9,8%. Assim, o baixo patamar do indicador sugere que o desaquecimento do consumo das famílias se manteve no terceiro trimestre deste ano.

Internacional

EUA: Geração líquida de emprego nos EUA surpreendeu negativamente em setembro

A economia norte-americana gerou 142 mil vagas de emprego em setembro, conforme divulgado na última sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA. O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava a criação de 200 mil postos. Além disso, os resultados dos dois meses anteriores foram revisados para baixo: o dado de agosto foi revisto de uma criação líquida de 173 mil vagas para outra de 136 mil, enquanto o de julho passou de 245 mil para 223 mil. Em relação a setembro, destacaram-se positivamente os segmentos de saúde e serviços, que registraram geração de 34 mil e 31 mil postos, respectivamente. Já a taxa de desemprego no país permaneceu estável em 5,1% na passagem de agosto para setembro, em linha com o esperado. Dessa forma, a redução do ritmo de crescimento do emprego aumenta a probabilidade de que o início de normalização da política monetária no país comece apenas em 2016.

Área do Euro: Índice PMI composto de setembro sugere crescimento de 0,4% do PIB no terceiro trimestre

O índice PMI composto da Área do Euro recuou de 54,3 para 53,6 pontos entre agosto e setembro, conforme leitura final do indicador divulgada hoje. O resultado ficou ligeiramente abaixo da prévia, em função da revisão do indicador de serviços, de 54,0 para 53,7 pontos. Com isso, a média do índice composto permaneceu constante em 53,9 pontos entre o segundo e o terceiro trimestre, sugerindo sustentação do crescimento do PIB europeu ao redor de 0,4%. O desempenho favorável da economia da região continua sendo impulsionado pelos países periféricos, em especial Espanha e Irlanda. Destaque também para a França, onde o PMI em setembro atingiu seu maior nível em três meses. Também hoje foi divulgado o resultado das vendas do comércio varejista na Área do Euro em agosto. A estabilidade na margem sucedeu um crescimento de 0,6% em julho. Na comparação com o mesmo período de 2014, houve expansão de 2,3%. Os dados divulgados hoje, portanto, apontam para a sustentação do crescimento europeu no segundo trimestre, ainda que tenha sido observada alguma desaceleração na passagem para o trimestre atual.

Tendências e mercado

Os mercados acionários asiáticos encerraram o pregão de hoje em alta, impulsionados pela expectativa de que o governo chinês lançará novas medidas para conter a desaceleração da economia do país. No mesmo sentido, as bolsas europeias operam no campo positivo nesta manhã, a despeito dos dados mais fracos do índice PMI. Os índices futuros norte-americanos também registram ganhos no momento, à espera da divulgação ISM de serviços de setembro.

Após a surpresa negativa com os dados de mercado de trabalho nos EUA na sexta-feira, a maioria das moedas se valoriza ante o dólar, com destaque para a recuperação parcial do rublo. Em contrapartida, o iene e o franco suíço registram perdas em relação à divisa norte-americana. As commodities acompanham os mercados internacionais, registrando alta em seus preços. No mercado doméstico, a fraca agenda de indicadores deve levar os ativos locais a acompanhar o movimento favorável do exterior.