Macroeconomia e mercado

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Encontrar solução para o alto endividamento é uma das principais pautas do setor

Um dos assuntos que é pauta do diálogo entre o setor sucroenergético e o governo é a dificuldade que a agroindústria canavieira enfrenta por conta do alto endividamento em que se encontram várias empresas.

“O setor está conversando com os diferentes segmentos, como bancos, governo. É um tema relevante, preocupante para a sustentabilidade do setor, assim como para a sociedade como um todo. As dificuldades por que passam muitas empresas afetam municípios, a economia de alguns estados. Tem grande impacto social, inclusive por conta da extinção de empregos”, destaca André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético e do SIFAEG. Segundo ele, esta discussão está “caminhando” e “em breve teremos novidades”.

O presidente do FNS frisa que sempre houve um reconhecimento do governo para com a dificuldade que o setor atravessa e para a necessidade de políticas públicas. “O governo nunca disse que o que está ocorrendo com o setor foi em virtude de política contra a atividade, mas como um efeito colateral de medidas tomadas que achava importante e que trouxeram algumas consequências, ou efeito colateral, inclusive para o segmento sucroenergético.”

Mas a crise é grande e sistêmica. “Diante disso, sempre uso uma metáfora: temos empresas no setor que estão gripadas, outras com pneumonia e outras com tuberculose. Não adianta dar o mesmo remédio para cada uma. Dar vitamina C e achar que todas terão o problema resolvido”. (Cana Online 08/10/2015)

 

Indústria não é contra, mas quer revisão do Consecana dentro da realidade

O Consecana é um modelo que traz tranquilidade no relacionamento indústria e produtor agrícola e baliza o mercado em São Paulo e em outros estados. O contingente de cana que hoje é regulado pelo Consecana é grande, atingindo um volume monetário de R$ 13 a R$ 15 bilhões. É um modelo seguro e que traz transparência total. A discussão está na divisão da receita. O que se pretende rever e atualizar, por parte dos fornecedores, é a fórmula paramétrica. E as indústrias não estão contra o aperfeiçoamento, mas querem que seja revisado dentro da realidade atual do setor.

Desde o início, o sistema já teve grandes evoluções, considerando pontos como perdas industriais, eficiência de destilação etc. A fórmula do Consecana hoje também penaliza o ATR Cana. Para que lado existe o desequilíbrio? No passado tínhamos a cana colhida com queima e hoje não temos mais a queima e se leva quantidade enorme de impurezas vegetais e minerais para o processamento e isso é um dos fatores que fez o ATR cair de 145 kg para 135 kg.

Entre o Consecana que começou lá atrás e hoje, as alterações que o sistema já teve promoveram maior remuneração para a cana de 12% entre o modelo antigo e a realidade atual. E o dinheiro saiu da margem industrial. Esses 12%, que saíram pra pagar mais a cana, foram em função de redução de 20,16% da margem do processamento. Além disso, quanto da cana hoje é colhida, transportada e levada do fornecedor até a fábrica pela usina? Não se cobra o valor correto desse serviço, sem contar que a usina ainda faz plantio, fornece muda, presta serviços.

O Consecana é um modelo de referência, mas na realidade cada unidade fez uma adaptação para preservar o seu fornecedor. O processo do Consecana veio evoluindo, mas no fundo este sistema é mercado. A usina não quer ficar sem fornecedor de cana e sabe da sua importância”. (Cana Online 08/10/2015)

 

Prumo negocia emissão de títulos com a Brookfield

A Prumo Logística S/A, que tem a inglesa BP entre os sócios, divulga Fato Relevante no qual informa ter concluído negociação com uma afiliada da canadense Brookfield Asset Management para a emissão de títulos de dívida no exterior no valor de US$ 120 milhões americanos.

Segundo o Fato Relevante, a divulgação dá sequência ao Fato Relevante divulgado em 01 de Setembro de 2015, em atenção ao art. 157, §4º da Lei nº 6.404/76 e nos termos da Instrução CVM nº 358/02.

O que mais está no acordo com a Brookfield?

1) O acordo também prevê a aquisição, pela Brookfield, de título emitido pela Prumo Participações em 28 de agosto de 2015, detido por um veículo de investimento da EIG Global Energy Partners (“EIG”), no valor de US$ 50,000,000.00 (cinquenta milhões de dólares norte-americanos) acrescido de uma taxa de juros de 8.5% a.a. e vencimento em 04 de março de 2016 (“Primeira Tranche”).

2) E a aquisição, pela Brookfield, de título adicional, a ser emitido em 07 de outubro, pela Prumo Participações para EIG, no valor principal de US$ 30,000,000.00 (trinta milhões de dólares norte-americanos) acrescido de uma taxa de juros de 8.5% a.a. e vencimento em 11 de abril de 2016 (“Segunda Tranche” e em conjunto com a “Primeira Tranche”, e a “Terceira Tranche”, os “Títulos de Dívida”).

Etapas

A Primeira e a Segunda Tranches serão alteradas em etapas de modo a refletir exatamente os mesmos termos e condições que a Terceira Tranche. Os Títulos de Dívida vencerão em 30 de setembro de 2022, terão taxa de juros de 8,50% a.a. e um cronograma de amortização com parcelas trimestrais de juros e principal, com o pagamento da primeira parcela de juros em 31 de dezembro de 2015 e primeiro pagamento de parcela principal em 30 de junho de 2016. Após a dedução de algumas despesas previstas no acordo, a Prumo Participações utilizará os recursos líquidos captados por meio dos Títulos de Dívida para a aquisição de parte dos créditos da Ferroport detidos pela Prumo contra Ferroport.

A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes e a vinculação à transação do agente de garantia, pagamento, registro e transferência.

A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre qualquer evento ou fato relacionado ao cumprimento dos eventos citados acima e a conclusão da operação. (Jornal Cana 08/10/2015)

 

UNICA apresenta os desafios para um novo ciclo de expansão do etanol no Brasil

A reinstituição parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), assim como a elevação da mistura de 25% para 27% de etanol anidro na gasolina, são alguns dados encorajadores ao se analisar o atual cenário da produção de etanol no Brasil. Mas, insuficientes para gerar um novo ciclo de crescimento no setor.

Para suprir a futura demanda de combustíveis no País será preciso que o governo brasileiro adote políticas públicas de longo prazo para o setor sucroenergético, definindo concretamente o seu papel na matriz energética nacional.

Esta foi a mensagem que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), representada por sua consultora Internacional em Bruxelas, Mariá Almeida Aranha, levou à 8ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, realizada na segunda quinzena de setembro (24/09), em Portugal. Graças a uma parceria estabelecida desde 2008 com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover a imagem do biocombustível brasileiro como energia limpa e renovável no exterior, a UNICA também teve a oportunidade de apresentar as inúmeras externalidades positivas dos derivados da cana para os cerca de 100 participantes do evento, organizado na cidade do Porto.

Destaques para as presenças do responsável pela Direção Geral de Energia da Comissão Européia, Andreas Pilzecker, de associações européias ligadas à produção de biocombustíveis, como a Associação Européia dos Produtores de Etanol (ePure), das empresas Clariant, Beta Renewables e Inbicon, de organismos certificadores (ICSS e RSB), e de institutos de pesquisas, entre eles o International Food Policy Research Institute (IFPRI).

Na apresentação “Etanol no Brasil: o início de um novo ciclo de crescimento?”, a consultora da UNICA iniciou sua palestra explicando as medidas adotadas em 2015 pelo governo brasileiro visando a estimular a indústria canavieira no País, que nos últimos anos atravessa dificuldades econômicas por conta do endividamento das usinas e, principalmente, pela falta de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina nas bombas. O aumento de 2% na mistura destes dois combustíveis, a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina em alguns estados e o retorno parcial da Cide – taxando em R$ 0,10 cada litro do combustível fóssil comercializado, foram algumas ações que ajudaram a expandir, no curto prazo, o consumo de etanol no Brasil.

Essas medidas tiveram um resultado positivo no curto prazo, como o aumento de 40% no consumo de etanol hidratado pela frota de automóveis leves, no acumulado de janeiro a julho, em comparação com o mesmo período de 2014. Entretanto, frisou Mariá, esses resultados não podem ser considerados o início de um novo ciclo de crescimento para o biocombustível no País, visto que, atualmente, a média da participação do etanol hidratado no Ciclo Otto, por exemplo, está em 24%, índice distante dos 30% registrados em 2009.

Ademais, com a estimativa de duplicação da demanda doméstica por combustíveis em 2023, o setor sucroenergético brasileiro teria que dobrar o nível de produção de etanol, evitando assim um volume maior de importação de gasolina, e, consequentemente, todos os seus impactos negativos na economia e no meio ambiente. Vale lembrar que o biocombustível de cana reduz em até 90% as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) em comparação à gasolina.

Mariá concluiu sua participação na Conferência destacando a necessidade da adoção de políticas públicas de longo prazo para o setor. “A indústria de etanol gera diversos ganhos econômicos, sociais e ambientais. Para promover o aumento desses benefícios, o setor precisa de regras claras quanto ao papel do etanol na matriz energética brasileira. Somente assim investimentos darão início a um novo ciclo de crescimento”, ressaltou a consultora da UNICA.

Uma das medidas de longo prazo defendidas pelo segmento sucroenergético para assegurar o pleno desenvolvimento desta indústria é o reajuste na alíquota da Cide que incide sobre a gasolina, passando dos atuais R$ 0,10/l para R$ 0,60/l. Outras questões também passam pela redução dos juros e aumento de recursos disponibilizados por algumas linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), destinadas à expansão da produtividade nos canaviais e programas de estocagem de etanol. (Cana Online 08/10/2015)

 

Benefícios do aumento do teor alcoólico na Fermentação rende milhões às usinas

Um dos pontos positivos é a diminuição do consumo de bagaço.

O diretor científico da Fermentec, Mário Lúcio Lopes, explica os benefícios decorrentes da adoção de tecnologias que permitem aumentar o teor alcoólico da fermentação. “Uma unidade industrial que produz 500 mil litros de etanol por dia, chega a ter um volume diário de vinhaça de 5,6 milhões de litros. Volume esse que precisa ser transportado até o campo por caminhões ou através de canais que cortam áreas férteis do canavial. Para esta mesma destilaria, a tecnologia ALTFERM® pode reduzir o volume de vinhaça em até 1,7 milhão de litros (30%) e, no caso do ECOFERM®, em até 2,8 milhões de litros (50%)”.

Ele ressalta, porém, que o aumento do teor alcoólico não irá alterar a quantidade dos principais componentes presentes na vinhaça, como minerais, potássio, cálcio, magnésio e fósforo. “Na verdade, esse resíduo estará um pouco mais concentrado, viabilizando, portanto, a fertirrigação em áreas mais afastadas da Usina.” Ou seja, diminui o custo para levar estes minerais em áreas mais distantes do canavial.

Elevar o teor alcoólico diminui, ainda, o consumo de vapor na destilaria, já que, em média, são consumidos 2,41 kg vapor/L etanol para um teor alcoólico de 8,5% no vinho. Isso representa um consumo de 241 mil toneladas de vapor por safra para uma destilaria com capacidade de produção para 500 m3 de etanol/dia. Neste caso, “a tecnologia ALTFERM® permite uma economia de até 590 Kg de vapor para cada 1.000 litros de etanol (ou 295 ton/vapor por dia) enquanto que, com o ECOFERM®, é possível obter uma economia de até 1.090 Kg de vapor para cada 1.000 litros de etanol (545 ton/vapor por dia)”, afirma Lopes.

Os gastos com insumos, como os antibióticos, também diminuem, pois, se houver contaminação, a resistência da bactéria em uma concentração mais elevada de etanol será menor. Esse efeito sobre as bactérias pode ser explicado pelo efeito sinergístico entre o etanol e o ácido succínico produzidos pelas leveduras como demonstrado anteriormente pela Fermentec. Há, também, economia de água no tratamento do fermento e grande apelo ambiental, pois o manejo e retorno da vinhaça à lavoura serão facilitados. “Quanto à agua usada na fermentação para diluição do levedo, as tecnologias ALTFERM® e ECOFERM® permitem reduzir os volumes em até 300m³ /dia (ALTFERM®) e 450m³/dia (ECOFERM®).”

Outro ponto positivo é a diminuição do consumo de bagaço. Dessa forma, haverá excedente que poderá ser vendido ou utilizado para cogeração de eletricidade. “Uma destilaria que produz 500 mil litros de etanol/dia (1 tonelada bagaço com 50% umidade gera 2,2 toneladas de vapor) pode elevar o teor alcoólico de 8% para 12% e, dessa forma, obter um excedente de 31.200 toneladas num período de 200 dias de safra. Porém, caso ela decida dobrar a concentração de etanol no vinho, de 8% para 16%, será possível obter um excedente de 53.800 toneladas de bagaço”, afirma o diretor científico da Fermentec.

O engenheiro de processos da Fermentec, Guilherme Marengo Ferreira, destaca, ainda, outros benefícios decorrentes da tecnologia, como o aumento do rendimento fermentativo; menor quantidade de centrífugas utilizadas (devido ao menor volume de vinho processado para a mesma produção, fazendo com que haja, também, economia de energia) e ganhos de produtividade (pois será possível produzir mais álcool por m³ de dorna). “Além disso, a fermentação será mais fácil de ser controlada. Dessa forma, é possível reduzir, também, os custos operacionais e de manutenção dos instrumentos”. (Cana Online 08/10/2015)

 

16 de outubro acontece, em Ribeirão Preto, a 2ª Reunião Anual Canaplan

O Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, mais uma vez será palco da Reunião Canaplan, desta vez a segunda edição do ano. Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da consultoria recebe profissionais do setor para uma análise profunda sobre o atual cenário da safra e do setor e a expectativa para 2016. Confira abaixo a programação completa do evento.