Macroeconomia e mercado

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Cana pode seguir o caminho da soja e do milho

Produtor de cana-de-açúcar na região de Jaboticabal, SP, Paulo Rodrigues lembra que as culturas da soja e do milho ficaram por muitos anos baseadas nas regiões tradicionais de produção e, a partir das décadas de 1970 e 1980, com o apoio tecnológico da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), as duas culturas se expandiram para Centro-Oeste e para o Nordeste do Brasil.

“Este processo exigiu que se produzisse bem nessas condições. Tinha que ter alto nível de tecnologia e manejo. Isso profissionalizou os produtores, melhorou o nível de organização deles, porque as margens eram mais apertadas, e isso refletiu em aumento de produtividade.”
Resultado: hoje se produz soja e milho como se produz o Meio-Oeste norte-americano, segundo ele. A soja brasileira já ultrapassa esta média dos EUA e o milho vai se aproximando.

“Imagino que para a cana-de-açúcar deveremos ter um efeito similar, porque uma vez ganho a tecnologia em regiões mais complicadas, elas serão replicadas nas regiões tradicionais, aumentando produtividade para todos. A cana é um pouco mais lenta para assimilar isso, mas talvez já tenhamos incorporado um pouco das mudanças do manejo que levam a uma melhor produtividade”.

Ele lembra que não há como negar que, quando se tem chuva, a produtividade tem melhoria, independente da região. “Mas talvez já tenhamos chegado a um manejo novo, mais delicado, nas regiões novas e todo o setor vai se beneficiar dele com o tempo”, conclui Rodrigues. (Cana Online 22/10/2015)

 

Levedura criada por startup eleva em até 5% produção de etanol

As leveduras são operárias microscópicas. Esses microrganismos unicelulares se reproduzem a uma velocidade estonteante e fermentam o açúcar, transformando-o em álcool. Daí, sua importância na indústria de etanol. Pois a GlobalYeast, uma startup criada pelo brasileiro Marcelo Amaral, ex-gerente de inovação da Raízen, e pelo cientista belga Johan Thevelein, produziu uma levedura geneticamente modificada, capaz de elevar entre 3% e 5% a produção de álcool nas usinas.

Se der certo, representa um ganho milionário. Em uma empresa que fabrique 2 mil metros cúbicos de etanol por dia, com o produto vendido a R$ 1,35 o litro, o benefício (em 3%) atingiria R$ 16 milhões. Um baita número para o combalido setor de açúcar e álcool.

A GlobalYeast recebeu aporte de cerca de R$ 20 milhões de quatro fundos. A maior parte veio do brasileiro Performa Investimentos e do VIB, um instituto de biotecnologia da região de Flanders, na Bélgica. Os outros são o GFF (Universidade Católica de Lovaina, KBC Group e o BNP Paribas) e o SOFI, de Flanders.

A empresa tem três clientes, mas dez usinas testam as suas leveduras. A startup adquire os microrganismos na indústria e analisa seus genes. Preserva o que há de bom e modifica o que for necessário para que alcancem um bom desempenho. “Fazemos isso de acordo com a demanda”, diz Amaral. “O que pode também incluir a produção do álcool a partir da celulose, o etanol de segunda geração”. (Revista Época 22/10/2015)

 

ATR será de 80,2 milhões de t nesta safra no CS, quase o mesmo patamar do ano passada

Na última semana, durante a 2ª Reunião da Canaplan, em Ribeirão Preto, a consultoria não fez questão de dar destaque à sua previsão de cana moída na safra 2015/16. Segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da empresa, o importante não é a quantidade de cana, mas o produto final.

“É que embora tenhamos recorde de moagem, a cana será mais pobre, e aí se tem safra mais cara”, diz Carvalho, prevendo uma moagem final de quase 610 milhões de toneladas de cana para este ciclo.

“Deveremos fechar a safra com aproximadamente 80,2 milhões toneladas de açúcares totais recuperáveis, contra 78 milhões do ano passado. A variação será mínima. Provavelmente nas outras safras também deveremos ter variação pequena. Vamos andar um período estagnado, pelo menos três safras”, frisa Carvalho.

Segundo ele, na safra 2016/17, a tendência deverá ser a mesma. “O clima vai acabar sendo responsável pela próxima safra. Se for clima seco, a produtividade cairá e a quantidade de cana moída também terá queda, mas de repente o ATR seja um pouco mais alto e assim tudo se compensa”. (Cana Online 22/10/2015)

 

Brasil apoiará Sudão para desenvolver cana-de-açúcar

Delegação da Universidade Federal de São Carlos e da Agência Brasileira de Cooperação irá cooperar para criar variedades da planta adequadas ao país árabe a partir de 2016.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC), irão desenvolver um projeto de transferência de conhecimento no setor sucroalcooleiro com técnicos da Sudanese Sugar Company (SSC), estatal do Sudão que atua no setor. Entre 14 e 18 de setembro, uma delegação brasileira visitou o país árabe e se reuniu com autoridades locais para desenvolver o projeto, que deverá ser implantado nos primeiros meses de 2016.

De acordo com o professor associado do Departamento de Tecnologia Agroindustrial da UFSCar, Octavio Valsechi, que integrou a delegação que foi ao Sudão, o governo do país árabe deseja desenvolver seu setor sucroalcooleiro com a cooperação do Brasil. Ele afirmou à ANBA nesta segunda-feira (19) que os sudaneses receberam orientação brasileira alguns anos atrás, mas aquele projeto não prosperou. O desejo, agora, é retomar o plano. Além de Valsechi, participaram da missão brasileira um integrante da Agência ABC e um diplomata do Itamaraty.

Segundo Valsechi, SSC já tem a infraestrutura básica para colocar em prática parte dos conhecimentos que serão adquiridos no projeto. O plano será ser executado em quatro etapas, provavelmente a partir de fevereiro.

Na primeira, especialistas brasileiros irão ao Sudão para capacitar técnicos de uma estação experimental da SSC. Na segunda etapa, os sudaneses deverão começar a desenvolver variedades locais de cana-de-açúcar. Na terceira fase, prevista para ser executada em agosto, os sudaneses virão ao Brasil e visitarão a Feira Internacional de Tecnologia Agroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho, no interior de São Paulo, e uma usina de processamento de cana-de-açúcar. A última etapa, no Sudão, vai aprofundar o desenvolvimento das variedades. O projeto deverá consumir US$ 250 mil.

“Eles precisam de informações e conhecimento. Eles têm oito variedades de cana-de-açúcar. Usam duas, e uma delas corresponde a cerca de 95% da área plantada. É um risco grande, pois se essa cultura é atingida por uma praga, eles perdem a produção”, afirmou Valsechi, que será o responsável pelo desenvolvimento do projeto na UFSCar. O Brasil tem cerca de 500 variedades de cana-de-açúcar.

Variedades são plantas da mesma espécie, porém com pequenas alterações que as tornam mais ou menos adaptadas ao clima e ao solo. Quanto mais adaptada para uma região, maior é a produtividade de uma variedade. Como a SSC tem poucas variedades, os sudaneses se esforçam para adaptar o solo a elas. O ideal é desenvolver variedades adaptadas ao solo local.

Segundo Valsechi, o Sudão tem potencial para desenvolver o setor. “Eles têm água do Nilo, uma terra muito boa, que não é ácida. Têm muitas vantagens”, afirmou. Se esse potencial for explorado, a Sudanese Sugar Company poderá, em 12 anos, ser produtora e exportadora dos derivados da cana-de-açúcar.

Outra grande produtora de cana-de-açúcar e derivados no Sudão é a Kenana Sugar Company. Embora o governo sudanês seja o maior acionista da empresa, os governos do Kuwait, da Arábia Saudita e fundos de investimento são sócios da companhia. A Agência ABC pertence ao Itamaraty e tem como objetivo oferecer cooperação técnica do Brasil para países em desenvolvimento em diversos setores. (ANBA 22/10/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Comunicado do Copom reforça perspectiva de manutenção da taxa de juros em 14,25% por um período prolongado

O comitê de política monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem, conforme o esperado, manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano. No comunicado emitido após o encontro, a instituição reafirma seu compromisso com a convergência da inflação para a meta. Para isso, defende que será necessário manter a taxa de juros no atual patamar por um período prolongado. No entanto, o comitê estendeu seu horizonte de convergência para além de 2016, como vinha defendendo em seus comunicados anteriores. De qualquer forma ressalta que “se manterá vigilante para a consecução desse objetivo”. Entendemos que tal mudança é justificada pela intensidade do choque recente sobre o câmbio, que, por outro lado, tende a ser transitório. Com isso, reforçamos nossa expectativa que o Copom manterá a taxa de juros em 14,25% ao menos até o segundo semestre de 2016, tornando assim bastante provável a convergência da inflação para 4,5% já em 2017.

Atividade

Sondagens industriais sugerem alguma acomodação da produção em setembro e outubro

As sondagens da indústria da FGV e da CNI, divulgadas ontem, apontam para a redução do ritmo de queda da produção industrial em setembro e alguma acomodação neste mês. O indicador de produção industrial apurado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) alcançou 42,0 pontos no mês passado. Esse resultado representa uma alta de 0,5% na margem, de acordo com nossas estimativas dessazonalizadas. A despeito do crescimento no último mês, o indicador continua abaixo do nível neutro de 50 pontos, sugerindo continuidade da retração do setor. Adicionalmente, não é suficiente para compensar as quedas de 2,3% e 3,7% observadas em julho e agosto, respectivamente, de acordo com os dados revisados. De fato, na comparação interanual, o índice ainda acumula recuo de 15,5%. Já o Índice de Confiança da Indústria da FGV cresceu 2,4% na passagem de setembro para outubro, conforme aponta a prévia da Sondagem da Indústria, divulgada há pouco. A alta na margem foi impulsionada pelo indicador de expectativas, que registrou expansão de 7,2%, excetuados os efeitos sazonais. Em contrapartida, a avaliação da situação atual caiu 1,9% no período. No mesmo sentido, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) subiu 0,3 p.p., oscilando de 76,5% para 76,8%, na série livre de influências sazonais. Esses resultados sugerem, assim, alguma recuperação da produção industrial em outubro, ainda que a confiança do empresariado continue em um patamar historicamente muito baixo.

Inflação

IBGE: Aceleração do IPCA-15 em outubro refletiu a pressão de sete dos nove grupos que compõem o índice

O IPCA-15 avançou 0,66% em outubro, conforme divulgado ontem pelo IBGE. O resultado ficou ligeiramente abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado (ambas em 0,68%) e sucedeu uma alta de 0,39% no mês anterior. Sete dos nove grupos que compõem o índice contribuíram para esse comportamento, com destaque para o segmento de alimentação e bebidas, que passou de uma deflação de 0,06% para uma elevação de 0,62%, e habitação, que oscilou de uma alta de 0,68% para outra de 1,15%. Em doze meses, o IPCA-15 acumula variação de 9,77%. Ainda que o resultado tenha ficado praticamente em linha com as expectativas, a desagregação mostra um comportamento mais favorável dos bens transacionáveis (revelando que o repasse da desvalorização recente do câmbio para os preços ao consumidor tem sido moderado). Por outro lado, os preços dos serviços vieram mais pressionados, especialmente a alimentação fora do domicílio. De todo o modo, o resultado não altera nossa projeção de IPCA para o fechamento do mês, que deve exibir variação de 0,77%.

Setor externo

BC: Fluxo cambial ficou positivo na terceira semana de outubro, recuperando parte das perdas do início do mês

O fluxo cambial foi superavitário em US$ 263 milhões na terceira semana de outubro, conforme divulgou ontem o Banco Central. O saldo acumulado em outubro, entretanto, manteve-se deficitário em US$ 1,356 bilhão. No período compreendido entre os dias 13 e 16 deste mês, as contas comercial e financeira caminharam na mesma direção. A contratação de US$ 2,436 bilhões para exportação superou os US$ 2,195 bilhões contratados para importação, resultando em um superávit de US$ 241 milhões da conta comercial. Já a conta financeira registrou superávit de US$ 21 milhões. Para isso, as compras de US$ 7,117 bilhões superaram as vendas de US$ 7,095 bilhões. De todo modo, o saldo do fluxo cambial acumulado no ano continua superavitário em US$ 9,809 bilhões.

Tendências de mercado

As bolsas chinesas reverteram as perdas da véspera no pregão de hoje, enquanto as demais asiáticas encerraram o dia no campo negativo

Os mercados acionários europeus, por sua vez, registram movimentos distintos nesta manhã, à espera da reunião de política monetária do Banco Central Europeu. Já os índices futuros norteamericanos são cotados em alta neste momento.

O dólar perde força em relação às principais divisas, com exceção do yuan e do euro. Entre as commodities, os preços do petróleo apresentam a primeira elevação na semana, a despeito de nova expansão dos estoques norte-americanos na semana passada, confirmada ontem pelo Departamento de Energia dos EUA. As principais agrícolas também operam em alta nesta manhã, refletindo a piora das condições climáticas nas regiões produtoras, principalmente na cultura do trigo. Já as metálicas industriais acentuam as perdas dos dias anteriores. No mercado doméstico, o preço dos principais ativos deverá reagir ao comunicado do Copom divulgado ontem, bem como à divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referente a setembro.