Macroeconomia e mercado

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Convênio entre Raízen e Itaú BBA disponibiliza R$ 150 milhões para produtores do Programa Cultivar

A Raízen firma convênio de R$ 150 milhões com o Itaú BBA para uso exclusivo dos fornecedores de cana participantes do Programa Cultivar. A iniciativa, pioneira no setor, oferece vantagens aos produtores parceiros da companhia, que contempla 286 fornecedores. Esse total representa 74% da produção de cana-de-açúcar comprada pela Raízen. 

Todos os fornecedores do Programa Cultivar do centro-sul do Brasil podem solicitar o financiamento. Os interessados devem procurar diretamente a Raízen, que será responsável pelo contato com o banco. O convênio pode disponibilizar um crédito de até R$ 2,2 milhões por CPF ou CNPJ, com juros de 8,75% ao ano, sujeito às regras vigentes do Programa de Crédito Rural estabelecido pelo Banco Central do Brasil e sujeito à análise de crédito.

O financiamento pode ser usado nos tratos culturais, em que o valor pode chegar até R$ 1,2 milhão, com prazo de pagamento de 18 meses e também na linha de investimento em plantio, que disponibiliza ao fornecedor R$ 1 milhão e pode ser quitado em até cinco anos – com carência de um ano. 

“Nosso objetivo com essa parceria é disponibilizar uma opção de crédito a custos baixos e prazos viáveis para o produtor de cana-de-açúcar. Junto com as outras ações do Programa Cultivar, buscamos garantir que o fornecedor se mantenha competitivo e continue investindo na produção da cana-de-açúcar”, afirma Carlos Martins, diretor de fornecedores de cana e parcerias da Raízen.

O Programa Cultivar oferece uma série de vantagens em várias etapas do processo produtivo da cana-de-açúcar, como a compra de insumos, a adoção de boas práticas no campo, oferecimento de serviços diferenciados e contratação de linhas de crédito . (Assessoria de Imprensa 26/10/2015)

 

Alexandre Figliolino, deixará o Itaú BBA

O diretor de Agronegócios do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, deixará o cargo em janeiro, após 23 anos no grupo.

Há cerca de dois anos, sua atuação passou a ser menos ligada ao dia a dia das atividades executivas e mais focada em consultoria para a área de crédito do banco.

Um dos mais antigos especialistas de banco no setor de agronegócios, Figliolino esteve, durante a maior parte de sua carreira, envolvido em operações do segmento sucroalcooleiro. Com bom trânsito entre os empresários do ramo, o engenheiro agrônomo formado pela Esalq/USP é considerado um dos diferenciais que garantiram ao Itaú BBA a liderança na concessão de crédito ao segmento ­ que entrou em curva de crescimento em 2006, frustrada há alguns anos pelo controle de preços dos combustíveis no país.

A saída de Figliolino do banco está relacionada a uma reestruturação que inclui enxugamento de estrutura e desligamento de outros diretores.

Aos 56 anos, ele se dedicará a negócios da família (pecuária) e atuará como consultor e conselheiro de companhias, ocupação que hoje não pode exercer. (Valor Econômico 23/10/2015)

 

Se o clima ajudar, mais de 100 milhões de toneladas de cana ainda serão moídas nesta safra

Segundo dados divulgados pela UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar) na semana passada, a safra 2015/16 já processou, até 16 de outubro, 480,44 milhões de toneladas de cana desde o início do ciclo. Este volume é praticamente igual ao apurado no mesmo período do último ano (480,85 milhões de toneladas), mas a expectativa é que muita cana ainda seja moída neste ano. De acordo com o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, “mais de 100 milhões de toneladas ainda deverão ser processadas até o final desta safra”.

A quantidade de cana esmagada até o momento no Centro-Sul poderia ter sido maior se não fossem as condições climáticas. O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região alcançou 36,13 milhões de toneladas nos primeiros 15 dias de outubro, 8,31% abaixo do resultado observado na mesma quinzena de 2014 (39,41 milhões de toneladas) e queda de 10,7% em relação ao valor verificado na última metade de setembro de 2015 (40,46 milhões de toneladas).

Esse recuo na moagem quinzenal se deve às chuvas que atingiram tradicionais áreas canavieiras em todo o Centro-Sul. Paraná e Mato Grosso do Sul foram os Estados mais afetados. Em São Paulo, a retração da moagem ocorreu mais intensamente nas regiões de Araçatuba e Assis, enquanto as demais áreas paulistas elevaram o processamento de cana durante os primeiros 15 dias de outubro em relação aos resultados da quinzena anterior.

Segundo Rodrigues, “a quantidade de cana processada na atual safra só deve se distanciar dos valores acumulados registrados no ciclo 2014/2015 ao longo das próximas quinzenas”. De fato, o encerramento de ambas as safras será completamente distinto, acrescentou o executivo. Enquanto na safra passada as unidades encerraram a moagem cedo devido à falta de matéria-prima, em 2015/2016 dificilmente conseguirão processar toda a cana-de-açúcar disponível. (Cana Online 26/10/2015)

 

Sistema Palha Flex instalado na Usina Ferrari é a maior planta de processamento de palha do Brasil

Sistema instalado na Ferrari tem capacidade de processamento de 25 toneladas de palha por hora ou 100 mil toneladas por safra.

Um terço da energia da cana-de-açúcar sempre foi desperdiçado. Representada pela palha, folhas verdes, ponteiros, essa parte da planta foi, durante séculos, queimada para facilitar a colheita manual do canavial. Mais recentemente, principalmente a partir da década passada, a mecanização do corte de cana ganhou fôlego, e a palha, as folhas e os ponteiros, que antes viravam cinzas, começaram a ficar no canavial.

Esse material é bem-vindo para o solo do ponto de vista agronômico, mas sua quantidade abundante passou a trazer problemas para a lavoura. Mudou o ambiente de produção, ao influenciar, por exemplo, na incidência de pragas e ervas daninhas.

Mas o setor sucroenergético acordou! Percebeu que a palha não é um resíduo, mas uma oportunidade de ampliar o faturamento do negócio. Não é à toa que cada vez mais usinas e produtores de cana têm buscado adotar tecnologias de recolhimento e reaproveitamento desta biomassa.

Pesquisadores, empresas e instituições passaram a estudar o tema e a desenvolver soluções que pudessem viabilizar a biomassa como produto interessante para fornecedores de cana e usinas.

Diante deste desafio, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) assumiu posição de ponta nos estudos com biomassa de cana-de-açúcar no país, como é característica da empresa, que há mais de 40 anos desenvolve e comercializa tecnologias inovadoras para o setor canavieiro, agregando valor às diversas etapas do processo e contribuindo com a evolução sustentável do setor. (Cana Online 26/10/2015)

 

El Niño: uma ameaça para a safra do Nordeste

Fenômeno climático pode aumentar ainda mais a seca na região e reduzir a produção

“Apreensão”. Esse é o sentimento das usinas e dos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste para o transcorrer da safra 2015/16. Para Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar-AL (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas) - estado que mais produz cana na região -, é grande a expectativa não apenas para o desdobramento da atual crise do setor sucroenergético, como para as consequências do fenômeno El Niño para a região Nordeste, podendo aumentar ainda mais a estiagem já enfrentada.

Segundo ele, considerando a atual conjuntura, o sindicato estima que ocorrerá em AL uma retração na produção de cana em torno de 10% em comparação com a safra anterior. “Sem considerar o efeito do El Niño”, acrescenta. “Levando em conta a ocorrência de baixa precipitação nos últimos meses da corrente safra, o fator clima será um elemento ponderável nos resultados finais deste ciclo”, completa.

A safra 2015/16 em Alagoas começou na segunda quinzena de agosto, com a Usina Santo Antônio, seguida pela Usina Camaragibe, em 1º de setembro. Segundo ele, a expectativa é de que 20 unidades industriais atuem neste ciclo em AL.

Neste início de safra, a estimativa de moagem em Alagoas é de 21 milhões de toneladas, com uma produção de 1,750 milhão de toneladas de açúcar e de 50 milhões de litros de etanol. Fora a contribuição na geração energética, uma vez que cinco usinas do estado exportam energia. (Cana Online 26/10/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas expectativas de inflação para cima e de PIB para baixo neste ano e no próximo

O mercado revisou a maioria das suas projeções para 2016, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 23 de outubro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,75% para 9,85%, e para 2016, subiu de 6,12% para 6,22%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 3,00% para outra de 3,02% e, para 2016, passaram de -1,22% para -1,43%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e subiu de 12,75% para 13,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio foram mantidas em R$/US$ 4,00 no final de 2015 e passaram de R$/US$ 4,13 para R$/US$ 4,20 no final de 2016.

Destaques da semana

Ata do Copom e reunião do Fed serão os destaques desta semana, em uma agenda repleta de indicadores

Após o Copom estender o horizonte de convergência da inflação para a meta no comunicado emitido em sua última reunião, a divulgação da ata do encontro, na quinta-feira, deverá reforçar ainda mais a expectativa de manutenção da taxa Selic em 14,25% a.a. por um período prolongado. Além disso, as atenções também estarão voltadas para a divulgação dos dados fiscais de setembro. Na quintafeira será conhecido o resultado primário do governo central, para o qual estimamos déficit de R$ 8,9 bilhões, e na sexta, o Banco Central divulgará a nota à imprensa de política fiscal. A agenda também contará com importantes indicadores de atividade, com a divulgação dos dados de política monetária e operações de crédito de setembro, amanhã, e as sondagens da FGV e da CNI, ao longo da semana. Também conheceremos, na quinta-feira, o indicador de atividade industrial paulista da Fiesp/Ciesp do mês passado, bem como os dados da Pnad Contínua mensal de agosto e da pesquisa de emprego da Seade/Dieese. Ainda na agenda local, serão divulgados indicadores de inflação, como o Índice de Preços ao Produtor do IBGE de setembro e o IGP-M final de outubro, para o qual projetamos alta de 1,94%.

No cenário externo, a reunião do Fed na quarta-feira será o principal acontecimento da semana. A despeito do mercado esperar manutenção da taxa de juros, o comunicado deverá conter informações relevantes a respeito de quando e como se dará o início da normalização da política monetária norte-americana. Ademais, teremos a divulgação das leituras preliminares do PIB do terceiro trimestre do Reino Unido e dos EUA, amanhã e quinta-feira, além dos indicadores de confiança do consumidor de outubro na Área do Euro e nos Estados Unidos, também amanhã e quinta. Por fim, na sexta-feira, conheceremos a prévia do índice de preços ao consumidor deste mês e a taxa de desemprego de setembro na Área do Euro.

Internacional

Argentina: país terá segundo turno nas eleições presidenciais pela primeira vez desde a redemocratização

O primeiro turno das eleições presidenciais argentinas, realizado neste domingo, mostrou desempenho expressivo do candidato oposicionista, Mauricio Macri. Diferente do que apontavam as pesquisas, Macri ficou bastante próximo do candidato governista, Daniel Scioli. Com praticamente 100% dos votos apurados, Scioli ficou com quase 37% dos votos, enquanto Macri obteve mais de 34%. Com isso, pela primeira vez desde a redemocratização do país, haverá um segundo turno nas eleições presidenciais (em 2003 Menem renunciou à disputa contra Nestor Kirchner no segundo turno). Assim, o posicionamento do terceiro colocado, Sergio Massa, deverá definir o resultado final. Havia a possibilidade de Massa apoiar Macri no começo da campanha, mas divergências entre os dois impediram uma aliança. Massa é o antigo chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner e abandonou o governo em 2013. Por isso, parte dos seus votos é composta por peronistas e deve migrar automaticamente para Scioli. De qualquer forma, o desempenho de Macri no primeiro turno deverá favorecer o preço dos ativos argentinos, uma vez que o candidato defende mudanças profundas na política econômica local. O segundo turno ocorrerá no dia 22 de novembro.

Alemanha: Confiança dos empresários manteve tendência de acomodação em outubro

O índice Ifo de confiança dos empresários alemães recuou de 108,5 para 108,2 pontos entre setembro e outubro. Essa foi a oitava leitura consecutiva do indicador ao redor de 108 pontos. A ligeira piora refletiu a queda do índice de situação atual, de 114,0 para 112,6 pontos. Por outro lado, as expectativas subiram de 103,3 para 103,8 pontos no período. Entre os setores pesquisados, destaque negativo para o comércio varejista e a indústria de transformação, enquanto na construção e no atacado o indicador ficou praticamente estável. De modo geral, portanto, a pesquisa reforça o cenário de acomodação do crescimento alemão neste trimestre.

EUA: Prévia do índice PMI da indústria de transformação sugere alta da produção industrial do país em outubro

O índice PMI da indústria de transformação norte-americana oscilou de 53,1 para 54,0 pontos na passagem de setembro para outubro, conforme divulgado na última sexta-feira pela Markit. O resultado foi influenciado, majoritariamente, pela expansão da produção e do volume de novos negócios, além do aumento das exportações do setor. A criação de empregos continuou a contribuir positivamente para o crescimento do indicador, porém em menor ritmo. O resultado sugere, assim, alta da produção industrial dos EUA em outubro.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o primeiro pregão da semana em direções divergentes, com as ações em Shanghai e Tóquio em alta e as demais em queda. Na Europa, a maioria dos mercados acionários operam em baixa, refletindo a surpresa negativa com o índice Ifo de sentimento econômico alemão. Os índices futuros norte-americanos também são cotados no campo negativo nesta manhã, à espera dos dados de vendas de novos imóveis referentes a setembro.

O dólar perde força em relação às demais divisas, com exceção da rúpia e do won sul coreano. Entre as commodities, o petróleo é cotado ligeiramente em alta. As principais agrícolas e as metálicas industrias, com exceção da soja e do cobre, também registram ganhos nesta manhã. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do relatório mensal de dívida pública federal de setembro. Adicionalmente, o mercado também estará atento à possível divulgação de nova meta fiscal de 2015.