Macroeconomia e mercado

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Nova York pode testar açúcar a 15 cents/lb com clima no centro-sul do Brasil

Os futuros de açúcar demerara avançaram com força ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Além de corrigirem as perdas observadas na sexta-feira, as cotações embutiram também a previsão de chuva para áreas produtoras do Centro-Sul do Brasil nesta semana. Acima dos 14,50 cents por libra-peso, os preços têm potencial para buscar o teto de 15 cents/lb nos próximos dias.

Conforme a Climatempo, até o início de novembro deve chover entre 50 mm e 70 mm em regiões de Minas Gerais e São Paulo. São precipitações que podem atrasar ainda mais os trabalhos de campo na principal região produtora do País. "E a previsão para novembro é de que o El Niño continue afetando a moagem no Brasil, com chuvas em Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo", afirmou João Paulo Botelho, da INTL FCStone.

De acordo com ele, o mercado atenta também para a Índia. Por motivos eleitorais, o país não conseguirá editar até a segunda quinzena do mês que vem os subsídios para exportação de açúcar. A meta da nação asiática é embarcar 4 milhões de toneladas. "Essa notícia tirou o peso (sobre os futuros) no curto prazo", destacou o analista.

Nos gráficos, o primeiro suporte está nos psicológicos 14,50 cents/lb, enquanto a resistência inicial passou para 14,73 cents/lb. Acima disso aparecem, portanto, os 15 cents/lb.

Março subiu 36 pontos (2,52%) e fechou em 14,64 cents/lb, com máxima de 14,66 cents/lb (mais 38 pontos) e mínima de 14,18 cents/lb (menos 10 pontos). Maio avançou 24 pontos (1,71%) e terminou em 14,25 cents/lb. O spread março/maio variou de 27 para 39 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 70,84/saca, alta de 1,81% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 18,11/saca (+1,12%).

Conforme o centro de estudos, "com as fortes altas nos preços do açúcar cristal no mercado spot de São Paulo, a exportação perdeu a vantagem que mantinha desde o final de agosto". A diferença favorável à exportação chegou a 15% na média da semana de 28 de setembro a 2 de outubro. Já na semana passada (19 a 23 de outubro), a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista praticamente se igualou à das vendas externas, com ligeira vantagem de 0,2%. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 67,70/saca, as cotações do contrato março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 67,57/saca. (Agência Estado 28/10/2015)

 

Valores do etanol se mantêm em alta

Os preços dos etanóis hidratado e anidro seguem em alta no mercado paulista. Entre 19 e 23 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,5451/litro (sem impostos), elevação de 1% em relação à semana anterior.

Para o anidro, o aumento foi de 0,7%, com o Indicador passando para R$ 1,7326/litro. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores foram influenciados pela menor oferta e pela demanda aquecida.

Distribuidoras elevaram as aquisições visando ao abastecimento de curto prazo, que inclui o feriado prolongado de 2 de novembro. Além disso, as chuvas ocorridas em algumas regiões do estado de São Paulo interromperam pontualmente a colheita de cana, limitando o volume de etanol ofertado no spot. (CEPEA / ESALQ 27/10/2015)

 

Meiosi MPB com Crotalária

O uso de adubos verdes na implantação e renovação dos canaviais já é bastante utilizado, a prática agora é seu uso na Meiosi com mudas de cana pré-brotadas

A cana muda proveniente de mudas pré-brotadas (MPB) apresenta alta sanidade, mais vigor, maior perfilhamento e maior taxa de multiplicação. Mas se elas forem tombadas em áreas que receberam adubação verde, o desempenho será melhor ainda. Por isso, já há várias iniciativas no setor de prática de Meiosi, intercalando a MPB com culturas que alimentam o solo.

José Aparecido Donizeti Carlos, diretor-comercial da Piraí Sementes, explica que a adubação verde é uma prática agrícola milenar, que aumenta a capacidade produtiva do solo, melhorando os solos naturalmente pobres e conservando aqueles que já são produtivos. Consiste no cultivo de plantas em rotação/sucessão/consorciação com as culturas, que melhoram significativamente os atributos químicos, físicos e biológicos do solo.

“Essas plantas denominadas “Adubos Verdes” têm características recicladoras, recuperadoras, protetoras, melhoradoras e condicionadoras de solo. Englobam diversas espécies vegetais, porém a preferência pelas leguminosas está consagrada também por sua capacidade de fixar nitrogênio direto da atmosfera, por simbiose”, diz Donizeti. (Cana Online 27/10/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Sondagens apontam para nova queda da atividade na construção civil em setembro e outubro

As sondagens da construção da CNI e da FGV apontam para nova queda da atividade do setor em setembro e outubro, conforme divulgado ontem e hoje. No mês passado, o nível de atividade em relação ao mês anterior caiu 1,1% na margem, descontada a sazonalidade, enquanto na comparação com o usual, a queda foi de 1,7% no mesmo período, de acordo com os dados da CNI. Dessa forma, o resultado acentuou os recuos observados nos três meses anteriores. Na comparação interanual, esses indicadores registraram declínios de 15,1% e 30,2%, respectivamente. Neste mês, a retração no setor se manteve, segundo informado há pouco pela FGV. O índice de confiança da construção atingiu 62,0 pontos em outubro, o menor nível da série histórica iniciada em 2010, o equivalente à uma contração de 3,9% na margem, excetuados os efeitos sazonais. A queda refletiu as variações negativas de 7,9% e 1,5% dos indicadores de situação atual e expectativas, nessa ordem. Em relação ao mesmo período de 2014, a confiança recuou 34,0%. Assim, o ajuste no setor deverá continuar ao longo deste trimestre, diante da retração da atividade econômica e de menores investimentos no setor.

Setor externo

MDIC: Balança comercial retomou saldo positivo na quarta semana do mês

O saldo da balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 102 milhões na quarta semana de outubro, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Entre os dias 19 a 23 deste mês, as exportações somaram US$ 3,9 bilhões e superaram as importações, que alcançaram US$ 3,8 bilhões. No mês, a balança acumula superávit de US$ 879 milhões. A comparação com as médias diárias de outubro do ano passado mostra contração mais acentuada nas compras externas (14,9%) do que nos embarques (2,5%). A queda das importações foi impulsionada pela forte retração das compras de equipamentos elétricos e eletrônicos (30,9%), de equipamentos mecânicos (18,7%) e de veículos automóveis e partes (29,4%). Em relação às exportações, houve queda de 13,7% nas vendas de semimanufaturados e de 0,9% dos manufaturados, enquanto os produtos básicos exibiram ligeira alta, de 1,6%. Dessa forma, o saldo da balança comercial acumulou superávit de US$ 11,1 bilhões no ano, favorecendo o ajuste em curso das contas externas.

Internacional

Reino Unido: economia inglesa cresceu 0,5% no terceiro trimestre

O PIB do Reino Unido cresceu 0,5% entre o segundo e o terceiro trimestre, conforme leitura preliminar divulgada hoje pelo escritório nacional de estatísticas do país. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que apontavam expansão de 0,6%, e do crescimento de 0,7% exibido nos três meses anteriores. A maior contribuição partiu do setor de serviços, com variação positiva de 0,7%. A indústria cresceu 0,3%, impulsionada pela extrativista, com expansão de 2,4%, compensando a retração de 0,3% da indústria de transformação. Já o PIB agropecuário subiu 0,5%. Por outro lado, o setor de construção registrou queda de 2,2%. Na comparação interanual, a economia britânica cresceu 2,3%. Ainda que o resultado tenha surpreendido negativamente e possa postergar o início da normalização monetária no país, a recuperação persistente do PIB deverá levar o banco central inglês a subir os juros em algum momento no próximo ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas, com exceção das chinesas, encerraram o pregão de hoje em queda

Em um pregão de intensa volatilidade, a alta das ações na China ocorreu simultaneamente ao início da reunião do Partido Comunista Chinês, na qual serão discutidas as políticas econômicas para os próximos cinco anos. Já a maioria dos mercados acionários europeus opera em baixa nesta manhã, após a surpresa negativa com o PIB do Reino Unido no terceiro trimestre. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos também são cotados em queda, à espera da decisão de política monetária do Fed, a ser anunciada amanhã.

O dólar segue ganhando força em relação às principais moedas, com destaque para as fortes desvalorizações do ringgit e do rublo. Em contrapartida, o iene e o won sul coreano se valorizam ante a divisa norte-americana. Entre as commodities, o petróleo registra perdas nesta manhã, refletindo a expectativa de nova elevação dos estoques nos EUA na última semana. As principais agrícolas e as metálicas, com exceção da soja e do cobre, acompanham o movimento do petróleo neste momento. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação da nota de crédito de setembro, às 10h30. Adicionalmente, o fortalecimento do dólar pode pressionar o real para baixo e a curva de juros futuro para cima.