Macroeconomia e mercado

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Renuka promete uma colher de açúcar aos credores

O que era para ser o fim de uma história triste ganhou um capítulo extra com a disposição da indiana Shree Renuka de negociar um aporte de capital na Renuka do Brasil.

Trata-se de um sinal de boa vontade em um momento decisivo da companhia, que teve aceito o seu pedido de recuperação judicial em 5 de outubro.

A empresa terá de apresentar um plano de pagamento das dívidas de R$ 3,3 bilhões e com 70% de seu passivo em moeda estrangeira.

Os credores, entre eles Santander, Banco do Brasil, Votorantim e Itaú, agradecem e apostam que a sinalização positiva deverá facilitar bastante o processo.

O aporte de capital terá um peso maior nas tratativas com os bancos do que a suspensão das cobranças de débitos e a obrigatoriedade de apresentação de uma solução para as dívidas, premissas da recuperação judicial.

O aporte permite ainda a retomada das negociações para a entrada de um investidor. Fonte ligada ao escritório Dias Carneiro Advogados, que assessora juridicamente o grupo indiano, informou ao RR que o plano de recuperação judicial será apresentado no início de dezembro.

A capitalização, conduzida pelo empresário Narenda Murkumbi e a trading asiática Wilmar International, controladores da Shree Renuka, deverá ser realizada no mesmo período.

Seja qual for o caminho escolhido, a Shree Renuka tem de correr com a solução, pois a situação financeira e operacional da subsidiária brasileira vem se deteriorando rapidamente.

Os recursos em caixa mal seriam suficientes para cobrir os custos fixos até dezembro. A sucroalcooleira estaria atrasando o pagamento de salários.

Ao mesmo tempo, suas quatro usinas no país estariam operando de maneira irregular. O motivo seriam as dificuldades de a Shree Renuka obter matéria-prima.

Produtores de cana-de-açúcar estariam se negando a fornecer o insumo enquanto a companhia não quitar antigos débitos.

Segundo o RR apurou, a empresa cogita desativar temporariamente uma de suas plantas industriais no Brasil como forma de reduzir os custos operacionais e os prejuízos. Somente as duas usinas paulistas torram por mês quase R$ 60 milhões.

A Shree Renuka nega o aumento de capital, assim como os atrasos de pagamento e o fechamento de usinas.

A agonia financeira da Shree Renuka é resultado de uma tempestade perfeita.

O grupo indiano acumula equívocos de gestão, altos investimentos de baixo retorno,

queda do consumo e dos preços do etanol e intempéries climáticas. Faltava apenas

uma chicotada do câmbio.

Não falta mais. (Jornal Relatório Reservado 03/11/2015)

 

Safra de cana está atrasada em São Paulo

A colheita de cana-de-açúcar no estado de São Paulo está atrasada em 4%, principalmente por causa do clima. Na região de Piracicaba, o atraso é ainda maior, em torno de 15%. A safra, que deveria terminar em novembro, deve se estender até o fim de dezembro. Ainda assim, muita cana deve ficar em pé, o que deve levar à antecipação da próxima safra.

De acordo com o fornecedor de cana Gilmar Soave, de Saltinho (SP), o início da safra já foi atrasado por falta de chuvas, e, perto de começar a colheita, choveu mais. “Aí a cana começou a crescer e não amadureceu, o que atrasou um mês para iniciar a safra”, diz.

De acordo com o diretor da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), José Clóvis Casarim, essa situação prejudica os fornecedores porque eles deixam de receber e atrasam os tratos culturais.

A produtividade geral desta safra em São Paulo está cerca de 15% acima da temporada anterior. Gilmar Soave, por exemplo, está colhendo até 85 toneladas de cana por hectare. O índice de Açúcar Total Recuperável (ATR), que serve de base para o pagamento da cana, está 4% menor, com 132 kg em média por tonelada.

O produtor enfrenta ainda atraso no pagamento. Uma das três usinas para as quais fornece cana não está pagando em dia. “Pagar, eles pagam, mas demora. Eu ainda não recebi por cana do ano passado, e não sei quando vou receber”, diz ele.

De acordo com a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), o atraso em pagamentos é uma situação pontual, que não refletiria a realidade do mercado. Os preços do açúcar e do etanol estão em alta e, aos poucos, o setor estaria se recuperando da crise.

De abril a setembro, o valor do quilo do ATR era de R$ 0,47, segundo o diretor técnico da Unica, Antonio Pádua Rodrigues. No mês de outubro, pulou para R$ 0,54, o que significaria dizer que a tonelada de cana já passa de R$ 70.

“É um cenário positivo, no qual a empresas poderão a partir do ano que vem voltar a fazer reforma no canavial, em máquinas, em equipamento, na busca por maior produtividade, porque agora o preço já está compatível com os custos de produção”, afirma Rodrigues. (Canal Rural 03/11/2015)

 

Vistoria flagra 330 cortadores de cana em situação de escravidão na Bahia

Força-tarefa foi realizada na cidade de Lajedão, no extremo-sul da Bahia. Pagamentos de rescisão e indenização por danos morais são negociados.

Um total de 330 cortadores de cana foi resgatado de condições semelhantes à escravidão em uma fazenda na cidade de Lajedão, no extremo-sul da Bahia, divisa com Minas Gerais, de acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT). A força-tarefa que flagrou a situação ocorreu na quinta-feira (30) e foi montada pela Procuradoria do Trabalho e representantes de secretarias estaduais, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A fazenda é de uma empresa do ramo sucroalcooleiro, a União Industrial Açucareira (Unial), que já havia sido alvo de operação dos procuradores, informou o MPT. De acordo com o MPT, diante do nível de degradação da dignidade humana, os trabalhadores viviam como escravos modernos. O superintendente da empresa foi levado à delegacia da Polícia Federal de Porto Seguro, onde foi ouvido e liberado, diz o MPT. A PF instaurou inquérito para apurar o caso.

A empresa é alvo de dois inquéritos civis em andamento no MPT que apura terceirização ilícita, violações à Norma Regulamentadora-31 (NR-31), sobre segurança no trabalho; além de doença ocupacional e trabalho infantil.

Entre as irregularidades encontradas, o MPT diz que as vítimas não tinham equipamento de proteção, sanitários ou proteção contra sol ou chuva nos locais de corte de cana. Aponta também que o alojamento apresentava condições precárias de higiene, em especial a água usada, que é armazenada em tanque com plantas e restos de produtos químicos.

Os 330 trabalhadores foram identificados por nome e não foram retirados do local por falta de condições de transporte. A Procuradoria informou que negocia com a empresa pagamento de rescisões e indenizações por danos morais coletivos. Segundo o MPT, a operação não teve a presença dos auditores fiscais do trabalho e, por isso, a rescisão indireta dos contratos de trabalho só poderá ser feita ou voluntariamente pela Unial ou por uma decisão da Justiça do Trabalho.

A Procuradoria informou ainda que a empresa tentou ocultar provas das condições do grupo, mas não apresentou resistência à fiscalização. Ainda com base no MPT, três prepostos da empresa serão ouvidos na tarde desta sexta-feira (30) na sede do MPT em Eunápolis, com objetivo de colher elementos para concluir o relatório de inspeção e negociar o pagamento das dívidas.

O G1 tem tentado e ainda não conseguiu contato com a empresa. (G1 03/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas expectativas de inflação para cima e de PIB para baixo neste ano e no próximo

Com exceção das projeções de inflação e PIB, o mercado manteve suas expectativas inalteradas para 2015 e 2016, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 30 de outubro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,85% para 9,91%, e para 2016, subiu de 6,22% para 6,29%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 3,02% para outra de 3,05% e, para 2016, passaram de -1,43% para -1,51%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e em 13,00% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio foram mantidas em R$/US$ 4,00 no final de 2015 e em R$/US$ 4,20 no final de 2016.

Destaques da semana

Após Ata do Copom e comunicado do Fed, IPCA de outubro e dados do mercado de trabalho norte-americano serão os destaques desta semana

Após o Copom reforçar na Ata de sua última reunião que a Selic ficará inalterada por um período prolongado, a divulgação do IPCA de outubro, na sexta-feira, será o destaque na agenda doméstica desta semana. Esperamos avanço de 0,80%, com destaque para a elevação dos preços de alimentação e o reajuste dos combustíveis. Além disso, o IPC-Fipe e o IGP-DI, referentes ao mesmo período, serão divulgados na quinta e sexta-feira, respectivamente, para os quais projetamos altas de 0,84% e 1,68%, nessa ordem. A agenda também contempla a divulgação de dados importantes de atividade. Amanhã, o IBGE divulgará a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de setembro, que deverá apontar recuo de 1,5% na margem da atividade industrial. Os dados da indústria automotiva de outubro também serão conhecidos ao longo da semana: os emplacamentos de veículos da Fenabrave, hoje, e produção e vendas da Anfavea, na sexta. Por fim, será divulgado o resultado da balança comercial de outubro, ainda hoje, que deve registrar superávit de US$ 1,6 bilhão.

Na agenda externa, após o comunicado do Fed sinalizar possível início da normalização da política monetária norte-americana em dezembro, as atenções estarão voltadas para os dados do mercado de trabalho, que serão divulgados na sexta-feira. Uma aceleração no número de vagas em setembro poderá elevar a probabilidade de aumento da taxa de juros dos EUA no final do ano. Amanhã serão divulgadas as leituras finais dos índices PMI composto da Área do Euro e do Reino Unido. Por fim, a agenda conta com decisões de política monetária de vários países durante a semana, como o Reino Unido.

Internacional

China: Após meses seguidos de desaceleração, economia deu sinais de estabilização em outubro

Os resultados dos índices PMI da indústria de transformação divulgados no final de semana sugerem que a economia chinesa pode ter entrado em uma fase de estabilização neste trimestre, como resposta aos estímulos fiscais e monetários adotados desde o final do ano passado. O indicador calculado pelo escritório de estatísticas do país, em outubro, manteve o mesmo patamar registrado em setembro, de 49,8 pontos, ficando ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado (50). O índice Caixin, cuja amostra concentra-se em empresas de menor porte, avançou de 47,2 para 48,3 pontos entre setembro e outubro, o que superou o consenso do mercado (em 47,6 pontos). Por outro lado, o índice para o setor não manufatureiro mostrou recuo de 53,4 para 53,1 pontos no mesmo período, em decorrência da retração do setor de serviços, que não foi compensada pela aceleração do segmento de construção (o que aponta para uma melhora dos investimentos em infraestrutura e reflete a recuperação das vendas de imóveis). Em suma, os sinais vindos da economia, por ora, são compatíveis com uma interrupção da desaceleração acumulada nos últimos meses. Não acreditamos, contudo, que esse movimento seja sustentável ao longo do ano que vem, tendo em vista os diversos desequilíbrios estruturais que continuam presentes.

EUA: Sondagens industriais sugerem acomodação do setor em outubro

O índice ISM da indústria de transformação norte-americana recuou de 50,2 para 50,1 pontos entre setembro e outubro. Essa foi a menor leitura do indicador no ano, mas ainda sugere expansão da atividade industrial no período. Adicionalmente, a sua abertura foi mais favorável que o resultado agregado. O componente prospectivo de novas encomendas, por exemplo, subiu de 50,1 para 52,9 pontos. Na mesma direção, o índice PMI Markit, também divulgado ontem, avançou de 53,1 para 54,1 pontos em outubro. Ambas as sondagens, portanto, sugerem alguma acomodação da produção industrial neste trimestre, o que deve contribuir para o Fed iniciar o processo de normalização monetária ainda em dezembro.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas, com exceção das ações em Tóquio e Shanghai, encerraram o pregão de hoje em alta. Em contrapartida, os mercados acionários europeus e os índices futuros norte-americanos operam em queda neste momento, diante de uma agenda fraca de indicadores nessas regiões. O dólar se fortalece ante as principais divisas, com exceção da rúpia, do ringgit e do won.

Entre as commodities, o petróleo e as metálicas industriais registram ganhos nesta manhã, refletindo a relativa estabilidade da indústria chinesa apontada pelos indicadores divulgados no final de semana. As principais agrícolas, com exceção do trigo, acompanham o movimento do petróleo. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do resultado mensal da balança comercial de outubro, para o qual projetamos superávit de US$ 1,6 bilhão, bem como aos dados de emplacamentos de veículos da Fenabrave, referentes ao mesmo período.