Macroeconomia e mercado

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Mesmo a energia sendo o produto da cana mais remunerador, menos de 5% da palha disponível é aproveitada

A receita gerada a partir da energia da biomassa pode parecer pouca, a princípio, mas nos últimos anos, para algumas usinas que estão cogerando, essa fonte de receita foi o principal produto que contribuiu para a margem EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de muitas usinas. “Por isso, está perdendo dinheiro quem ainda não se voltou para esta oportunidade”, frisa Henrique D´Avila, especialista de negócios do CTC.

Pelo jeito, tem muita gente perdendo dinheiro, pois levantamento realizado pelo próprio CTC, aponta que menos de 5% de toda essa palha disponível para recolhimento está sendo de fato aproveitada. “Em torno de 40 bilhões de toneladas de palha no Brasil hoje poderiam estar sendo recolhidas de maneira sustentável, mas não estão.”

Foi com o objetivo de capturar esta oportunidade, que o CTC se debruçou nos últimos anos a entregar soluções diferenciadas ao mercado na área de recolhimento de palha, originando a tecnologia Palha Flex.

Por que este nome? “Primeiro porque temos condições de oferecer tecnologia para as principais rotas de recolhimento de palha. Tanto no sistema de limpeza a seco, como na rota do enfardamento, em que temos o primeiro projeto implementado com a Ferrari. Além disso, esta palha recolhida também tem a flexibilidade para ser utilizada nos principais mercados, tanto de cogeração de energia como de etanol de segunda geração.”

O CTC oferece ao mercado, além do sistema de limpeza a seco e da planta de processamento de fardo, um sistema híbrido que nada mais é do que uma planta que integra os dois sistemas: parte da palha é recolhida pelo sistema de limpeza a seco, e outra pelo sistema de processamento de fardos. “A vantagem deste sistema, que também pode ser aplicado em grandes módulos, é que se consegue otimizar alguns equipamentos”. (Cana Online 04/11/2015)

 

Indicador dispara em outubro e aumento do açúcar chega a 35%

Os preços do açúcar cristal dispararam em outubro no mercado paulista e encerraram o mês com alta acumulada de 35%. O Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, teve média de R$ 64,98/saca de 50 kg em outubro, 27,3% superior à de setembro/15 (R$ 51,06/saca de 50 kg) e 25,6% acima da de outubro/14 (R$ 51,75/saca de 50 kg), em termos reais (IGP-DI, setembro/15).

O patamar atingindo em outubro não era observado desde a safra 2012/13. No dia 30, o Indicador fechou a R$ 73,46/saca de 50 kg.

Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento de alta segue desde o final de agosto de 2015, quando a exportação passou a remunerar mais que a venda doméstica. Porém, os aumentos mais acentuados ocorreram a partir do reajuste da gasolina (autorizado no final de setembro) que, por sua vez, elevou a demanda pelo etanol e resultou em maior direcionamento da cana-de-açúcar para produção do biocombustível em detrimento do açúcar.

Além disso, nas últimas semanas, perspectiva de déficit na oferta de açúcar na temporada 2015/16 também têm dado suporte à commodity.

Preço do etanol hidratado se mantém em alta há 10 semanas

A demanda aquecida e a oferta relativamente restrita, devido às chuvas ocorridas em algumas regiões paulistas, que prejudicam a colheita, mantêm os preços dos etanóis hidratado e anidro em alta em São Paulo.

De acordo com dados do Cepea, os aumentos para o hidratado são verificados há 10 semanas consecutivas, para o anidro, os valores estão em altas seguidas há nove semanas. Além disso, o baixo volume de etanol de outros estados no mercado paulista, em decorrência principalmente do encarecimento do frete, reforça o movimento altista.

A possibilidade de aumento da Cide sobre a gasolina também vem contribuindo para manter aquecidas as vendas de etanol.

De 26 a 30 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq (estado de São Paulo) semanal do etanol hidratado foi de R$ 1,6183/litro (sem impostos), alta de 4,7% frente ao anterior. No caso do anidro, o Indicador Cepea/Esalq foi de R$ 1,7889/litro na última semana, alta de 3,2% em relação ao anterior. (Cepea / ESALQ 04/11/2015)

 

Unicamp cria Laboratório de Pesquisa em Bioenergia

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou Laboratório de Pesquisa em Bioenergia que irá operar vinculado ao seu Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe).

O novo laboratório integra a infraestrutura do Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia – internacionalmente conhecido como SP BIOEN Research Center (SPBioenRC) –, criado em 2009 por meio de um convênio firmado entre o governo do Estado de São Paulo, a FAPESP, a Unicamp, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP).

A Unicamp integra o SPBioenRC desde o início do convênio, porém de forma descentralizada, explica Telma Teixeira Franco, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, coordenadora do Nipe e do Laboratório de Pesquisa em Bioenergia. “O laboratório terá agora infraestrutura própria e reunirá pesquisadores seniores de diversas áreas, além de 10 jovens pesquisadores recentemente contratados no âmbito do SPBioenRC, todos com atividades alinhadas à investigação em bionenergia, especialmente ao bioetanol e a outros biocombustíveis, à bioeletricidade e a produtos químicos derivados da cana-de-açúcar e outras biomassas”.

O Laboratório vai operar como um centro muldisciplinar, com infraestrutura de pesquisa associada às atividades desses novos pesquisadores e em rede com os demais laboratórios das universidades conveniadas. Contará também com um Conselho formado por sete especialistas na área que acompanhará o desenvolvimento das pesquisas.

De acordo com o convênio firmado em 2009, o governo estadual ficou responsável por financiar a infraestrutura do centro. As universidades estaduais investem na contratação de recursos humanos e a FAPESP financia os projetos desenvolvidos pelos pesquisadores vinculados ao SPBioenRC.

Cada universidade adotou um modelo diferente para aplicar os recursos. A Unicamp criou o Laboratório de Pesquisa em Bioenergia, a Unesp constituiu o Instituto de Pesquisa em Bioenergia (IPBEN), e a USP, o Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) em Biologia Celular e Molecular na Agropecuária (Biocema), o Centro de Processos Biológicos e Industriais para Biocombustíveis (CeProBIO), o Laboratório de Metabolômica e o The Biomass Systems and Synthetic Biology Center (BSSB).

No âmbito do SPBioenRC também foi criado um Programa Integrado de Doutorado em Bioenergia, oferecido conjuntamente pelas três universidades. (Agência FAPESP 04/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Balança comercial brasileira em outubro ficou positiva em US$ 2,0 bilhões

A balança comercial brasileira registrou superávit bastante surpreendente, de US$ 1,1 bilhão, na última semana de outubro, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Assim, no acumulado do mês, o saldo comercial atingiu US$ 2,0 bilhões. Para isso, as exportações somaram US$ 3,6 bilhões, superando as importações, que registraram US$ 2,5 bilhões. A comparação com as médias diárias de outubro do ano passado mostra que houve contração mais acentuada nas compras externas (21,1%) do que nos embarques (4,1%). A queda das importações foi impulsionada pela forte retração das compras de equipamentos elétricos e eletrônicos (33,3%), de equipamentos mecânicos (19,7%) e de veículos automóveis e partes (31%). Em relação às exportações, houve queda de 8,0% das vendas externas de semimanufaturados, em linha com a retração das exportações de ferro fundido, couros e pele, alumínio em bruto e açúcar em bruto. Houve também redução das exportações de manufaturados (3,4%) e de produtos básicos (1,6%). Dessa forma, a balança acumula um superávit de US$ 12,2 bilhões no ano, reforçando os sinais de ajuste nas contas externas brasileiras.

Atividade

Fenabrave: Emplacamento de veículos registrou nova queda em outubro

O emplacamento de veículos, exceto máquinas agrícolas, somou 281.207 unidades em outubro, conforme reportado ontem pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O resultado é equivalente a um recuo de 2,2% em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais. Essa foi a decima queda em onze meses e refletiu os recuos em todas as categorias, com destaque para a retração de 18,0% dos emplacamentos de ônibus. Na comparação interanual, o emplacamento total de veículos, exceto máquinas agrícolas, recuou 34,3%, devido à retração nas cinco categorias, com destaque para o declínio de 51,3% de comerciais leves e de 52,5% de caminhões. Para o restante do ano, o enfraquecimento do mercado de trabalho e o menor nível de atividade econômica devem contribuir para a manutenção do fraco desempenho das vendas do setor.

CNI: Indicadores industriais apresentaram direções divergentes em setembro

Os indicadores industriais apurados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentaram direções divergentes em setembro, segundo os dados divulgados ontem. Descontada a sazonalidade, o número de horas trabalhadas, o nível de emprego, massa salarial real e o rendimento médio real caíram 0,7%, 1,7%, 1,6% e 0,3% na margem, respectivamente, enquanto que o nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) recuou de 77,9% para 77,7%, excetuados os efeitos sazonais. Em contrapartida, o faturamento real avançou 1,2% na mesma métrica. Na comparação interanual, todos os índices apresentaram queda, com destaque para o recuo de 13,9% das horas trabalhadas. A despeito da ausência de direção homogênea dessas variáveis, mantemos nossa expectativa de nova retração da produção industrial na margem em setembro, resultado que será divulgado hoje pelo IBGE.

ANP: Paradas para manutenção de algumas plataformas resultaram em menor produção de petróleo e gás natural em setembro

A produção de petróleo somou 2,4 milhões de barris por dia em setembro, segundo dados divulgados ontem pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Isso representa uma queda de 6,0% em relação a agosto e um avanço de 1,6% ante o mesmo período de 2014. A produção de gás natural, no mesmo sentido, somou 97,4 milhões de metros cúbicos no mês, o equivalente a um recuo de 1,9% na comparação com o mês anterior. Quando comparada ao mesmo período do ano passado, houve alta de 9,5%. Por outro lado, a queima de gás natural somou 4,9 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a um aumento de 5,9% na margem e uma alta interanual de 23,5%. A produção do pré-sal, que representa cerca de 1/3 da produção total de petróleo e gás natural, foi de 828,5 mil barris de óleo equivalente por dia, o que representa uma retração de 1,8% no mês. O resultado negativo neste mês refletiu a parada de grandes plataformas para manutenção. Nesse sentido, esperamos alguma retomada na produção de petróleo em outubro, ainda que a greve no setor minimize essa trajetória.

Internacional

Países desenvolvidos puxaram desempenho positivo da indústria mundial em outubro

O indicador de atividade da indústria global (PMI-Global), calculado pelo Depec-Bradesco, com uma amostra de 24 países mais a Área do Euro, apresentou ligeira melhora entre setembro e outubro. O avanço de 50,33 para 50,45 pontos sugere que a indústria mantém tendência de crescimento ainda bastante moderado. Essa foi a primeira variação positiva desde julho e reflete direções opostas entre os países desenvolvidos e os emergentes. Por um lado, o primeiro grupo registrou alta de 0,38 ponto, elevando o índice para 51,53 pontos. As performances positivas dos índices japonês, britânico, norte-americano e da Área do Euro foram suficientes para atenuar as quedas dos indicadores da Austrália e do Canadá. Por outro lado, entre os emergentes, o fraco desempenho foi puxado por praticamente todos os países, com destaque para o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul. Em contrapartida, Turquia e Polônia apresentaram melhora expressiva do indicador. De modo geral, o resultado do índice PMI global da indústria de transformação de outubro reforça nossa expectativa de crescimento moderado do PIB mundial neste ano.

Área do Euro: Índice PMI composto em outubro sugere manutenção do crescimento do PIB ao redor de 0,4% neste trimestre

O índice PMI composto da Área do Euro em outubro atingiu 53,9 pontos, conforme leitura final do indicador divulgada hoje. Ainda que o resultado tenha ficado abaixo da prévia, divulgada no último dia 23 de outubro, foi superior ao observado em setembro (53,6 pontos). Uma ligeira melhora também foi observada no componente de novas encomendas, sugerindo que essa trajetória poderá persistir nos próximos meses. Entre os países do bloco, destaque positivo para a Espanha, enquanto a Itália, a Alemanha e a França também exibiram algum avanço em relação ao mês anterior. Esse resultado, assim, sugere que o PIB europeu possa manter um ritmo de expansão próximo a 0,4% neste trimestre, em linha com nossa projeção de crescimento de 1,5% neste ano.

Tendência de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em alta, após a notícia de que o governo chinês lançará um programa para atrelar os negócios com as ações em Shenzhen e Hong Kong até o final deste ano. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus operam no campo positivo nesta manhã. Os índices futuros norteamericanos também registram elevação neste momento, à espera dos dados de balança comercial e de geração de vagas de emprego da pesquisa ADP.

O dólar continua se fortalecendo em relação às principais moedas, com exceção do dólar taiwanês, da libra e do ringgit. Entre as commodities, o petróleo reverte parcialmente os ganhos da véspera, refletindo a expansão dos estoques norte-americanos na última semana. As principais agrícolas, exceto a soja, acompanham o movimento do petróleo. Em contrapartida, as metálicas industriais são cotadas em alta, puxadas pelas ações chinesas. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação da Pesquisa Industrial Mensal de setembro, que deverá apontar nova queda da atividade industrial no período.