Macroeconomia e mercado

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Pedro Mizutani acredita que setor sucroenergético deve sentir uma recuperação mais acelerada da crise

A crise econômica afeta o setor sucroenergético principalmente, dificultando e encarecendo o crédito para as empresas, mas a tendência é de que, após as complicações enfrentadas nos últimos anos, o mercado de açúcar e álcool tenha tempos bastante promissores daqui para a frente.

Para o vice-presidente da Raízen, Pedro Isamu Mizutani, o setor deve sentir uma recuperação mais acelerada a partir do ano que vem, graças à melhora do preço do açúcar internacionalmente devido à queda dos estoques e ao aumento da competitividade brasileira, beneficiada pela valorização do dólar frente ao real, o que trará melhor remuneração.

Mizutani integra a série de entrevistas especiais do Jornal de Piracicaba com profissionais e autoridades a respeito da crise e seus reflexos na cidade.

Como o setor sucroenergético tem sido impactado pela crise econômica nacional?

Basicamente, no nosso setor, que é o sucroenergético, dependemos muito de recursos de BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para plantio e trato de cana e essa parte de crédito foi onde a crise mais afetou. Ela fez com que o crédito fosse reduzido em montante, fazendo, com isso, que fossemos tomar crédito no mercado privado. Muitas empresas não tem acesso ao mercado, não é nosso caso, mas os juros ficam caros e há falta de recursos também. A Raízen não sofre com isso, mas o setor sucroenergético sofre muito. A taxa de juros hoje gira em torno de 14% a Selic, essa é a base, mas no mercado elas custam a Selic mais 2% ou 3%, o que daria 17% ao ano. As taxas, quando são subsidiadas, custam em torno de 8% ou 8,5%. Elas continuam nesse nível, porém, o volume de recursos é mais baixo e como a disponibilidade é menor, tem que buscar o restante no mercado. Esse é um dos maiores problemas provocados pela crise. Outro problema que afetou, ao longo do tempo, todo nosso setor, foi o preço da gasolina congelado por causa da preocupação do governo com relação à inflação, o que fez com que os preços do etanol ficassem parados, mas nossos custos foram crescendo. Isso não é de agora, já vem ao longo dos quatro últimos anos. Estamos sofrendo com isso, ora porque se tira a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que é um imposto diferencial da gasolina com relação ao etanol, ora porque se congela o preço da gasolina.

O retorno parcial da Cide em janeiro trouxe benefícios para o setor...

Trouxe sim. Você teve uma parte da Cide, uma parte do PIS/Cofins e um reajuste do preço da gasolina, isso nos deu um pouco mais de competitividade. Agora, depois de todas voltas desses tributos, o que mais tem nos afetado recentemente é o tempo, que não nos deixa moer a cana. Por um lado (devido às chuvas) você tem a produtividade agrícola maior, mas esse tempo mais chuvoso faz com que a gente tenha menos tempo para processar essa cana, o que atrasa o término da safra e ao mesmo tempo faz com que você deixe mais cana no campo.

E quanto à alta recente do dólar, ela ajudou ou prejudicou o setor sucroenergético?

A desvalorização do real prejudica o setor em termos de custo, mas em termos de receita, nos dá competitividade, porque o Brasil é um grande produtor de açúcar, exporta dois terços da produção (do produto), então o real desvalorizado dá competitividade em relação aos outros países. Ela é muito mais positiva que negativa para a gente.

Como o setor tem reagido à atual crise?

Empresas menos preparadas estão fechando, elas não conseguem sobreviver a isso. Empresas mais preparadas têm enfrentado a crise, como é o caso da Raízen. Nós fizemos a lição de casa, cortamos custos, melhoramos nossa eficiência, estamos preparados para a crise. E as empresas menos preparadas fecharam, demitiram funcionários, enfrentam muitas dificuldades. Por outro lado, você vê que esses progressivos aumentos de preços com relação ao etanol e ao açúcar, por causa da competitividade do real-dólar, têm feito com que muitas empresas não fossem para expansão, mas pelo menos eles dão uma sobrevivência.

E a maioria das empresas está sobrevivendo ou fechando as portas?

Já fecharam em torno de 60 usinas no Centro-Sul, tem mais de 200, então se você pensar, a maioria está sobrevivendo à crise. As empresas que estão sobrevivendo estão mais fortes. Reduziu-se o número de usinas, mas a quantidade de cana disponível é a mesma, então as usinas complementaram sua capacidade ociosa fazendo com que elas tenham mais competitividade. Então, quando a situação começar a melhorar, a partir do ano que vem, essas usinas vão estar beneficiadas.

E essa melhora esperada parte de quê exatamente?

Parte dos preços. Essa desvalorização cambial faz com que a gente tenha maior competitividade no mercado internacional, então melhora o preço do açúcar, não em dólar, mas em reais, dando maior competitividade para as exportações. Em relação ao clima, o El Niño provoca secas em alguns lugares produtores de cana, então se eles produzem menos açúcar, é menos competição. Nós viemos de um ciclo muito longo só de superávit (de produção), em que criou-se um estoque. E neste ano, por exemplo, vamos ter déficit, isso faz com que os preços do açúcar subam. Por outro lado, temos também um déficit de combustíveis como um todo, então isso faz com que haja mais procura do etanol, faz com que tenhamos melhores preços.

Então essa melhora está mais ligado à dinâmica do setor do que a mudanças políticas...

Nós vivemos no livre mercado, nosso único problema é que nosso preço (do etanol) é dependente ao preço da gasolina, que é controlado.

E como a crise política atual prejudica?

A gente vê que a crise de fundo político faz com que não tenhamos uma política de investimentos de longo prazo. Você vê capital estrangeiro não vindo mais para cá. No passado você via muito capital vindo por causa da confiança no país. O Brasil é uma terra, a médio e longo prazos, muito promissora, mas precisa realmente ter uma estabilidade política. Essa instabilidade cria uma aversão a recursos virem para o país. Os ativos do Brasil, com a desvalorização cambial, ficaram baratos, então só falta essa estabilidade política para atrair o capital estrangeiro.

Quanto às políticas voltadas ao etanol, na semana passada, o BNDES apresentou em Piracicaba um estudo para venda de etanol hidratado em contratos de longo prazo. Isso ajudaria o setor?

Depende muito de como for desenhado. Toda vez que a gente tenta fazer uma fórmula para um livre mercado, é complicado. Já existe um contrato de álcool anidro, existe uma legislação que obriga você a fazer uma parte em contrato tanto para a distribuidora quanto para o produtor. No caso do hidratado, não existe contrato. Eu não acho que o contrato vá fazer com que exista uma melhora no mercado. O que faz realmente uma melhora no mercado é uma transparência nos preços da gasolina, porque o hidratado, o competidor dele é a gasolina — ou você coloca o etanol hidratado ou coloca a gasolina. O anidro não, é uma mistura, um blend, não depende tanto do preço da gasolina, mas o hidratado depende 100%. E quanto mais você tiver uma política clara de como vão ser os preços, melhor.

E esse aumento recente no consumo de etanol hidratado vai motivar as empresas a investirem mesmo com a crise?

O aumento do etanol faz com que se tenha mais competitividade. Hoje o etanol está quase 70% do preço da gasolina, faz com que o consumidor consuma etanol, está em um patamar realmente bom em termos de comparação com a gasolina, mas ainda não remunera suficientemente o setor para voltar a investir. Esse patamar de preço nos dá sobrevivência para remunerar o capital já investido e não para fazer novos capitais.

Qual seria uma remuneração justa hoje?

Hoje o etanol teria de ter aumento basicamente de quase 30% ou ter um diferencial ambiental de 30% em relação à gasolina. Fala-se muito em uma Cide de R$ 0,60 e, se você considerar o etanol em termos de R$ 2 por litro, os R$ 0,60 centavos significam 30%. Esse nível daria uma competitividade melhor para o etanol e os empresários começariam a pensar como investir. Porque o fato do etanol ser um combustível limpo, renovável, ele tem que ter uma figura de prêmio em relação à gasolina. Ou a gasolina ser mais cara em função dela ser mais poluente que o etanol. É isso que a gente espera que o governo faça, não só o governo, mas as entidades que estão ligadas a meio ambiente, aquecimento global, façam com que exista esse entendimento com relação a este aspecto do etanol.

Mas está um pouco difícil ter um indicador por parte do governo a respeito disso...

Vamos ter a Cop 21 (Conferência do Clima) na França, onde o governo brasileiro terá uma meta de redução de CO2 (Dióxido de Carbono), o mundo vai ter uma meta de redução de C02, e tudo passa pelo combustível, passa pelo desmatamento zero na Amazônia, passa por fazer consumo de mais etanol em relação à gasolina. Para se ter uma ideia, São Paulo há 20 anos ou 30 anos, era tudo escuro, hoje você já vê o sol, o céu limpo, hoje é totalmente diferente, porque tem o carro a etanol. Então tudo isso contribui para o meio ambiente, mas se você não tiver um reconhecimento dessa externalidade positiva, dificilmente o etanol sobrevive, principalmente hoje que o petróleo não está US$ 100 por barril, está metade disso.

Mas não há indicação por parte do Governo de que alíquota da Cide volte integralmente agora...

O próprio governo brasileiro anunciou que, em 2030, teremos 50 bilhões de litros de etanol. Para se ter essa quantidade ele precisa incentivar a indústria do etanol a fazer novos investimentos, novas fronteiras, aí que eu acredito que haverá um incentivo, ou através de uma Cide, de uma Cide ambiental, ou de um reconhecimento da externalidade positiva do etanol.

As duas visitas da presidente Dilma Rousseff (PT) a Piracicaba trouxeram esperança para o setor?

Sim, porque a gente quis mostrar para a presidente o quanto o setor está evoluído, o quanto a gente está investindo em tecnologia. Quando a trouxemos para a Raízen para ver a tecnologia de segunda geração, muito mais ver a tecnologia industrial, o quanto ela está evoluindo, ela ficou muito contente porque, no etanol de segunda geração você tem menores emissões de C02 que o próprio etanol de primeira geração (cerca de 17 vezes menos), a gente consegue vender isso melhor do que o de primeira geração. E no CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), a gente quis mostrar a evolução da tecnologia agrícola. Tivemos muito retorno positivo dela, porque se vê como estamos evoluindo no plantio de cana, nas novas variedades, até transgências, isso dá uma esperança para o Brasil. Somos uma terra muito rica em agricultura, o Brasil tem competitividade na agricultura, e isso que deu esperança para ela.

E como foi a reação da presidente nas visitas?

Ela ficou muito emocionada. Ela faz muita pergunta técnica com relação a todas essas evoluções que o setor tem feito e ficou muito entusiasmada com isso, principalmente em um período que antecede a COP 21 na França.

E como está atualmente a produção do etanol de segunda geração?

Nós instalamos a primeira planta comercial de etanol de segunda geração na (usina) Costa Pinto, está na primeira fase ainda, que é a produção de etanol no C6, que são seis carbonos. Agora é a produção através do C5, isso deve ser finalizado em 2017. Estamos na fase de aprendizado e quando essa planta estiver totalmente pronta ela produzirá 40 milhões de litros (por safra). Esse ano temos expectativa de produção de 3 a 4 milhões de litros.

De forma geral, como Piracicaba tem sentido essa crise econômica?

Basicamente, Piracicaba, com a vinda da Hyundai e de outras empresas no auge do setor da cana, a cidade cresceu muito. Claro que nesta crise houve uma estabilizada e ela sofre também. Todas as empresas ligadas ao setor sofrem, você tem menos empresas e geração de renda com a crise. Por outro lado, há empresas que tem uma competitividade maior de exportação e vão ser beneficiadas com a desvalorização cambial.

As perspectivas para o futuro da cidade são boas...

Acredito que Piracicaba sofra, hoje, menos que as demais cidades, mas ela vai acompanhar a evolução do país também. A reação não depende só de Piracicaba e das empresas daqui. Vendemos nosso produto para o Brasil como um todo e vendemos para fora do país, então essa reação vai depender muito do país melhorar e da situação de mundo melhorar também. As perspectivas para a cidade são boas. As expectativas para o Brasil são boas a médio e longo prazos, o importante é você se adaptar neste curto prazo e fazer a lição de casa.

Quando o país sairá da crise em sua opinião?

Levará uns dois anos. Acredito que 2016 será um ano muito difícil também e, em 2017, a gente comece a se recuperar. Os setores de exportação vão alavancar (essa recuperação), porque houve uma correção do câmbio como um todo. Agora as empresas que têm dívidas em dólar estão com uma situação muito difícil, muito delicada financeiramente.

E quanto ao setor sucroenergético especificamente?

Nosso setor vive de momentos. É um setor que tem açúcar como commodity e o etanol que depende do preço da gasolina. O setor de commodities é de altos e baixos. Vivemos um período muito ruim durante os ultimos cinco anos e a acredito que viveremos um período bom daqui para a frente, começa-se um ciclo bom de três a cinco anos onde teremos uma falta de produto no mundo e nós somos capazes de produzir. E a Raízen é uma empresa bem preparada, bem estruturada, que fez a lição de casa e deve se destacar em um sistema como um todo. Os investimentos necessários sempre foram mantidos pela empresa, mesmo com a crise. Fizemos a lição de casa, terminamos todos os projetos de geração de energia e estamos terminando dois projetos de expansão de usinas, uma em Paraguaçu Paulista (SP) e outra em Caarapó, no Mato Grosso do Sul. (Jornal de Piracicaba 05/11/2015)

 

Rubens Ometto convoca acionistas

Assembléia será realizada no próximo dia 16 de novembro.

Os acionistas da Usina Bom Jesus S.A. Açúcar e Álcool, uma das empresas controladoras da companhia estrangeira Cosan Limited, listada nas bolsas de Nova York e na BMF&Bovespa, estão convocados para Assembleia Geral Extraordinária programada para 16/11.

Assinado pelo presidente da companhia sucroenergética, Rubens Ometto Silveira Mello, o Edital de Convocação da Assembleia detalha os motivos do evento:

1) ratificar a nomeação e contratação pela administração da Companhia dos peritos independentes e da empresa especializada responsável pela elaboração das avaliações necessárias à apreciação da incorporação de parcela cindida do patrimônio líquido da Aguassanta Agrícola. S.A., CNPJ nº 14.513.224/0001­01 (“Aguassanta”);

2) examinar e deliberar a respeito dos laudos de avaliação mencionados no item (a) acima, que constituem anexos ao Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Aguassanta, com a consequente incorporação da parcela cindida da Aguassanta na Companhia (“Protocolo”);

3) examinar e deliberar acerca do Protocolo, bem como da proposta de incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da Aguassanta pela Companhia (“Incorporação”);

4) deliberar acerca do aumento de capital da Companhia em decorrência da Incorporação, caso aprovada, com a consequente alteração da redação do artigo 5.º do Estatuto Social;

5) outros assuntos do interesse social. (Jornal Cana 05/11/2015)

 

Cerradinho Bioenergia contrata Paulo Oliveira Motta Júnior como novo vice-presidente

Paulo Oliveira Motta Júnior assumiu, no último dia 3 de novembro, a vice-presidência da Cerradinho Bioenergia S.A. A chegada do profissional consolida ainda mais o processo de governança corporativa que teve início em 2010 com a formação do Conselho Administrativo, hoje composto por três membros da família Sanches Fernandes e três conselheiros independentes. À frente da companhia está o empresário Luciano Sanches Fernandes, atual presidente.

O vice-presidente é engenheiro metalúrgico formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. Pós-graduado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, é formado como Conselheiro de Empresas pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - IBGC, além de possuir outros cursos de especialização em escolas do Brasil e exterior (Fundação Dom Cabral, Kellog Scholl of Management, University of Tennessee, University of Western Ontario). Ao longo de sua trajetória profissional, ocupou posições executivas sêniores em empresas como Alcan Alumínio S.A., onde trabalhou por quase duas décadas, no Brasil e Canadá. Nos últimos onze anos, foi diretor de Negócio Zinco da Votorantim Metais S.A., e Diretor Executivo e Diretor Vice-Presidente da Votorantim Cimentos S.A.

A Cerradinho Bioenergia S.A. concentra sua planta industrial em Chapadão do Céu, Goiás. Produz etanol e bioeletricidade e está em sua sétima safra. A empresa foi fundada pela família Sanches Fernandes que atua há mais de 4 décadas no setor sucroenergético. A companhia tem cerca de dois mil colaboradores diretos, tendo no ser humano o seu maior patrimônio. Com crescimento sustentável, respeito ao meio ambiente, rentabilidade das operações e excelência nos processos a empresa avança em direção ao futuro. (Cerradinho Bio 05/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Sondagens da FGV apontam deterioração adicional do mercado de trabalho brasileiro à frente

Os indicadores de mercado de trabalho divulgados hoje pela FGV, com base nas sondagens da indústria, de serviços e do consumidor, ainda apontam para a deterioração adicional do emprego no País, nos próximos meses. Ainda que o indicador antecedente de emprego tenha subido 5,0% entre setembro e outubro, esse comportamento não foi suficiente para reverter a tendência de queda dos últimos meses, levando ao recuo de 0,3% da média móvel de três meses. Já o indicador coincidente de desemprego manteve a trajetória de alta, com avanço de 5,4% no último mês. Com isso, atingiu o maior nível desde março de 2007. Desse modo, mesmo que esses resultados possam sugerir algum aumento na criação de vagas em outubro, ainda não apontam para a melhora do mercado de trabalho à frente.

Atividade

IBGE: Produção industrial de setembro sugere contração de 1,5% do PIB no terceiro trimestre

A produção industrial caiu 1,3% na margem em setembro, excetuados os efeitos sazonais, conforme divulgado ontem na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Com isso, a produção acumula retração de 7,4% neste ano e de 6,5% nos últimos doze meses. Na comparação interanual, houve queda de 10,9%. A nova contração da atividade industrial refletiu o declínio de 15 dos 14 setores pesquisados. Assim como na leitura passada, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias apresentou a maior variação negativa na margem, de 6,7%. Os ramos de máquinas e equipamentos e confecção de artigos de vestuário e acessórios também registraram forte contração, de 4,5% e 4,2%, respectivamente. Em contrapartida, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis cresceram 3,5%, revertendo a queda observada no mês anterior. Em relação às categorias de uso, apenas a produção de bens de capital e de bens de consumo semiduráveis tiveram alta na comparação mensal, avançando 1,0% e 0,5%, nessa ordem. Vale lembrar que a expansão dos bens de capital foi insuficiente para reverter o recuo de 23,6% acumulado no ano. Já os bens intermediários e os de consumo duráveis caíram 1,3% e 5,3%, respectivamente. O resultado reforça a expectativa de continuidade do enfraquecimento da indústria até o final deste ano, diante da confiança do empresariado industrial em patamares ainda baixos e de mais uma elevação dos estoques em outubro. Adicionalmente, o setor de construção civil mantém o ajuste em sua cadeia produtiva, assim como o segmento de veículos automotores (nos últimos dois meses, a queda dos insumos típicos da construção civil chegou a cerca de 10%). Com esse resultado, atualizamos a projeção do PIB do terceiro trimestre, de uma retração de 1,3% para uma mais intensa, de 1,5%.

Inflação

FIPE: IPC surpreendeu novamente para cima em outubro

O Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) registrou alta de 0,88% em outubro, sucedendo elevação de 0,66% na leitura de setembro, conforme divulgado hoje. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que apontavam alta de 0,85%. A aceleração é explicada pela maior pressão do grupo alimentação, ao passar de uma deflação de 0,04% para uma alta de 1,31% entre setembro e outubro. Ademais, destacamos a elevação dos preços de transporte, que subiram de 0,14% para 1,55% no mesmo período, refletindo o reajuste de combustíveis. Em sentido contrário, houve desaceleração de habitação, que passou de uma alta de 1,51% para outra de 0,35%. Para os próximos meses, acreditamos que essa tendência deva ser interrompida, com alguma desaceleração dos preços ao consumidor na cidade de São Paulo.

BC: Após forte alta no mês anterior, IC-Br registrou menor crescimento em outubro

O Índice Commodities Brasil (IC-Br) registrou alta de 1,39% em outubro, conforme divulgado ontem pelo Banco Central. A desaceleração em relação à elevação de 9,94% observada no mês anterior refletiu as deflações de 1,80% e 0,77% das commodities metálicas e energéticas, respectivamente, bem como o menor crescimento dos preços agropecuários, cujo avanço passou de 9,15% para 2,34%. Com isso, o IC-Br acumula variação positiva de 26,7% neste ano e de 28,93% em doze meses. Para as próximas leituras, esperamos nova expansão do índice, impulsionada pela alta dos produtos agrícolas e pela continuidade da desvalorização cambial.

Setor externo

BC: Movimentações cambiais na última semana de outubro foram negativas, acentuando o saldo deficitário do mês passado

O fluxo cambial registrou déficit de US$ 2,2 bilhões na quinta semana de outubro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Com isso, o saldo no mês ficou deficitário em US$ 3,5 bilhões. Entre os dias 26 e 30 de outubro, as contas financeira e comercial apresentaram direções distintas. Por um lado, a primeira registrou superávit US$ 128 milhões, impulsionado pela contratação de US$ 3,6 bilhões para exportação, que superou os US$ 3,4 bilhões contratados para importação. Por outro, a conta financeira apresentou saldo negativo de US$ 2,2 bilhões. Para tanto, as vendas de US$ 10,3 bilhões superaram as compras de US$ 8,0 bilhões. No acumulado do mês, ambas as contas foram negativas. A comercial ficou deficitária em US$ 237 milhões, enquanto a financeira apresentou déficit de US$ 3,3 bilhões. Ainda assim, no acumulado do ano, o saldo do fluxo cambial registra superávit de US$ 7,7 bilhões.

Internacional

EUA: Indicadores sinalizam avanço da economia norte-americana em outubro

O índice ISM do setor de serviços oscilou de 56,9 para 59,1 pontos na passagem de setembro para outubro, de acordo com os dados divulgados ontem. Contribuíram positivamente para a alta do indicador os subíndices de atividade, novos negócios e emprego. Já o índice PMI Markit de serviços passou de 55,1 para 54,8 entre setembro e o mês passado. É importante lembrar que, a despeito da queda observada na última leitura, o indicador permanece acima de 50 pontos indicando expansão do setor. Assim, o índice PMI Composto permaneceu em 55,0 pontos em outubro. Os resultados sinalizam, dessa forma, para a continuidade do avanço da economia norte-americana no início do quarto trimestre, reforçando nossa expectativa de que o início da normalização da política monetária nos EUA ocorrerá mesmo em dezembro. De fato, em pronunciamento ontem no Congresso norte-americano, a presidente do Fed, Janet Yellen, reforçou que a instituição deverá realmente começar a subir os juros no mês que vem.

Área do Euro: Atividade varejista exibiu nova desaceleração em outubro

O índice PMI do varejo na Área do Euro recuou de 51,9 para 51,3 pontos entre setembro e outubro. Essa foi a menor leitura do indicador em quatro meses, sugerindo nova desaceleração das vendas do varejo no período. Esse comportamento refletiu especialmente o desempenho do comércio na Alemanha, onde o PMI atingiu o menor nível em oito meses, ainda que permaneça acima de 50 pontos. Na Itália, o indicador se manteve abaixo do nível neutro de 50 pontos, enquanto na França, alcançou o maior patamar em três meses. De qualquer forma, a acomodação das vendas no continente está em linha com os demais indicadores divulgados recentemente, que sugerem manutenção do crescimento do PIB europeu ao redor de 0,4% neste trimestre.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o pregão de hoje em queda, com exceção das ações japonesas e chinesas, após a presidente do Fed, Janet Yellen, reforçar a possibilidade de elevação dos juros norte-americanos ainda neste ano, em discurso realizado ontem. Na Europa, a maioria dos mercados acionários opera no campo positivo nesta manhã, antes do discurso do presidente do BCE, Mario Draghi, e da decisão de política monetária da Inglaterra. Os índices futuros norte-americanos apontam alguma recuperação após o movimento de baixa da véspera.

O dólar continua se fortalecendo em relação às principais moedas, com destaque para a desvalorização do rublo russo e o dólar taiwanês. Entre as commodities, o preço do petróleo mostra ligeira recuperação, enquanto as metálicas industriais e as agrícolas registram queda neste momento. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à agenda política e à greve dos petroleiros.