Macroeconomia e mercado

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A dívida em dólar do setor sucroenergético

Acredita-se que mais de 50% das dívidas do setor bioenergético canavieiro sejam denominadas em dólar. E a desvalorização cambial faz crescer essa parcela e coloca ainda mais pressão sobre a gestão financeira das empresas do setor.

Para empresas exportadoras, gerar um nível elevado de alavancagem financeira em dívidas atreladas ao dólar significa, aproximadamente, o mesmo que especular com derivativos cambiais. Ou seja, pode levar ao mesmo efeito: insolvência. Vale lembrar aqui os casos da Aracruz Celulose e da Sadia, que durante muito tempo especularam no mercado futuro da moeda americana e, com o aprofundamento da crise financeira internacional e a consequente valorização do dólar no segundo semestre de 2008, registraram perdas financeiras irrecuperáveis. Ou seja, eram empresas exportadoras que assumiram contratos denominados em dólar e, no final, percebeu-se que estavam desprotegidas do risco cambial.

Quer dizer, tanto as empresas que emitiram títulos de dívida denominados em dólar como aquelas que realizaram operações com derivativos cambiais, no final das contas estão se comprometendo com o mesmo: entregar determinado volume de dólares aos credores ou investidores. E o fim pode ser exatamente o mesmo para ambos os grupos de empresas. Infelizmente. (Cana Online 09/11/2015)

 

Recuperação do setor sucroenergético será lenta, avalia Agroconsult

Nova mudança da Cide depende da CPMF e recentes altas do açúcar e do etanol trazem apenas alívio para uma indústria que deve R$ 80 bilhões,

A recente alta dos preços de açúcar a etanol neste momento traz apenas um alívio para a indústria de cana-de-açúcar e um processo de recuperação do setor deve ser considerado apenas no médio prazo. Foi a avaliação feita, nesta sexta-feira (6/11), pelo sócio consultor da Agroconsult, Fábio Meneghin, em conferência com jornalistas realizada via internet.

Entre setembro e outubro, os preços do etanol hidratado recebidos pelas usinas do estado de São Paulo, maior produtor nacional, aumentaram 36,07% nas médias semanais medidas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em valores que não consideram a cobrança de impostos, o litro passou de R$ 1,1893 para R$ 1,6183. O indicador diário de preços do açúcar cristal, também medido pela instituição, registrou elevação de 35% só no mês de outubro. No último dia do mês passado, a cotação chegou a R$ 73,46 a saca de 50 quilos e, nos primeiros dias de novembro, a valorização já está próxima e 1,5%.

Fábio Meneghin destacou que as cotações da commodity aceleraram a alta, especialmente, nos últimos três meses, equiparando a sua rentabilidade com a do combustível. Inicialmente, a expectativa era de uma margem entre 12% e 13% para o etanol e de 5% para o açúcar. Nesta sexta-feira, a Agroconsult estimou uma margem de 17% para os dois principais subprodutos da cana-de-açúcar. “Os negócios com açúcar estão acontecendo”, disse, destacando preços em torno de R$ 70 a saca diante de um custo de produção em torno dos R$ 40.

Os resultados positivos deste ano, avaliou o consultor, devem ser usados prioritariamente para a indústria “arrumar a casa” diante de uma dívida calculada em R$ 80 bilhões. De acordo com Meneghin, nos piores momentos da crise, o caixa das empresas mal dava para pagar os juros desse endividamento, equivalente a uma safra inteira. Diante da situação, ele acredita que o processo de recuperação do setor será lento, partindo da reorganização financeira das empresas, passando pelo tratamento dos canaviais, reforço da capacidade atualmente instalada - incluindo reabertura de usinas que estiveram paradas - e, como último passo, a construção de novos parques industriais.

Decisões do governo

A cadeia produtiva ainda reivindica e espera por decisões do governo que tragam melhor remuneração, especialmente para o etanol. Quer, por exemplo, a cobrança ainda maior da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, o que elevaria os preços do derivado de petróleo, influenciando o combustível de cana. Fábio Meneghin acredita que a chance de um novo aumento da cobrança é maior se o governo não conseguir a aprovação da nova CPMF, o imposto sobre as movimentações financeiras.

“O setor ainda tem um pé atrás muito grande em relação à atual política do governo (reajuste da gasolina e retomada da cobrança da Cide), mas há alguns pontos que nos permitem acreditar que vai permanecer”, disse Meneghin, lembrando, por exemplo, dos compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa assumidos pelo governo brasileiro. “Para atingir essa meta, tem que estimular o etanol”, argumentou.

Crescimento da moagem

Em meio a um cenário que melhor rentabilidade, o processamento de cana-de-açúcar na safra 2015/2016, que termina em março do próximo ano, deve chegar a 600 milhões de toneladas só no Centro-sul do Brasil. O volume representa um aumento de 4,5% em relação ao registrado na safra 2014/2015, quando passaram pelo maquinário das usinas 575 milhões de toneladas. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana deve ser de 132,7 quilos. Na temporada passada, foi de 137,7 quilos por tonelada.

Com um mix ainda mais alcooleiro (58% a 42%) do que na safra 2014/2015, a produção de etanol (somados os volumes de anidro e hidratado) deve encerrar o atual ciclo com um crescimento de 1,2%, passando de 26,5 bilhões para 26,8 bilhões de litros. A produção de açúcar deve permanecer estável em 32 milhões de toneladas. “É a safra mais alcooleira desde a de 2008/2009, quando houve o pico de 60% para etanol”, disse o consultor.

Próximo ciclo

Para o ciclo 2016/2017, os números apontam para uma moagem entre 615 e 630 milhões de toneladas, que representariam um crescimento de 2,5% a 5% em relação ao ciclo atual. Um dos motivos é o atual ritmo de rebrota da cana nas lavouras que, conforme Fábio Meneghin, é o melhor desde 2010.

Outro é a possibilidade de as indústrias processarem até 20 milhões de toneladas durante a entressafra, a chamada cana bisada, que tende a não ir para as moendas na safra atual e sobrar no campo. “Se o clima no verão ajudar, as usinas vão moer. Há usinas que vão emendar uma safra na outra”, disse, lembrando que, na safra 2009/2010, 26,5 milhões de toneladas de cana foram moídas na transição de uma temporada para outra.

A Agroconsult considera que a próxima safra deve apresentar maior rentabilidade para o açúcar do que para o etanol, com margens calculadas em 20% e 14%, respectivamente. De acordo com Fábio Meneghin, os preços internacionais da commodity tiveram forte alta porque pela primeira vez em vários anos, há uma expectativa de déficit de oferta global. Mas isso não deve significar uma inversão do mix de produção das usinas do Centro-Sul do Brasil na próxima safra. A produção de açúcar na próxima safra é estimada entre 32,9 milhões (+2,8%) e 33,7 milhões de toneladas (+5,3%) enquanto a de etanol deve variar de 27,8 bilhões (+3,6%) a 28,5 (+6,2%).

“Como tem mais liquidez que o açúcar, as usinas produzem mais, principalmente quando precisam fazer caixa. E hoje tem usinas que só produzem etanol”, lembrou o sócio consultor da Agroconsult. Esses níveis de produção devem ser possibilitados por um nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 134,5 quilos por tonelada de cana. (Globo Rural 09/11/2015)

 

Do bagaço se faz a luz

A Biosev, subsidiária da francesa Louis Dreyfus Commodities, investe na melhoria do cultivo de cana-de-açúcar para produzir mais açúcar, etanol e eletricidade.

Um mar de canaviais a perder de vista: assim podem ser definidas as plantações de cana-de-açúcar da Biosev, subsidiária da gigante francesa Louis Dreyfus Commodities para o setor sucroenergético no Brasil. São 340 mil hectares distribuídos em 11 unidades nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Paraíba. Desde que o grupo francês desembarcou no País no ano 2000, a lida no campo tem como foco aumentar a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade para tornar rentável essa unidade de negócio.

“Se tem algo no qual o Brasil é competitivo é no agronegócio”, diz o engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Rui Chammas, presidente da companhia desde o final de 2013. “O país é o maior exportador de açúcar e tem no etanol um exemplo de inovação do qual pode se orgulhar.” Na safra 2014/2015, encerrada no primeiro semestre, a receita da companhia foi de R$ 4,5 bilhões, uma expansão de 5,8% na comparação com o período anterior. As usinas da Biosev têm capacidade para moer anualmente 36,4 milhões de toneladas de cana.

Na safra passada, foram processadas 28,3 milhões, transformadas em 1,6 milhão de toneladas de açúcar, a maior parte exportada para China e Rússia, além de países da União Europeia, África, Sudeste Asiático e do Oriente Médio; em 1,2 bilhão de litros de etanol; e em 896 GW/h (gigawatts hora) de bioeletricidade a partir da queima do bagaço. A empresa é a segunda maior geradora de energia renovável a partir da biomassa do Brasil. As vendas da eletricidade gerada nas usinas termelétricas cresceu 26% na safra 2014/15.

Em função dos investimentos e da gestão mais afinada, Chammas prevê uma moagem de até 32 milhões de toneladas para o período 2015/2016. “Tudo indica que teremos uma boa safra”, afirma o executivo. “Quem fez bem a lição de casa vai poder gerar resultados melhores ao longo dos próximos anos.” O desafio do principal executivo da Biosev não tem sido pequeno e nem fácil. Nas últimas safras, apesar do faturamento robusto, a Biosev trabalha para sair da saia justa do prejuízo, resultado de um cenário adverso que, desde 2007, já levou ao fechamento de 80 usinas de cana-de-açúcar no Brasil e foi provocado por políticas públicas de valorização do uso do combustível fóssil em detrimento dos renováveis.

Para isso, a arma da empresa tem sido investir. Na safra passada foram R$ 1,13 bilhão e, nos últimos três meses no primeiro trimestre da atual, R$ 226 milhões. “O mercado começa a reagir", afirma Chammas. “E nós saímos de uma geração negativa de caixa de R$ 200 milhões, o que aconteceu por dois anos, e chegamos a última safra com uma geração positiva de R$ 16 milhões.” Do total investido nessas duas safras, quase metade foi aplicado na área agrícola para renovar os canaviais com variedades de cana mais produtivas, na fertilização do solo e no controle de pragas.

A outra parte foi investida em máquinas e em processos operacionais para melhorar a gestão das usinas, como a divisão das 11 unidades produtivas em quatro polos administrativos. Com isso, a empresa espera colher acima de 83,7 toneladas de cana por hectare, sua atual marca, ante a média nacional de 70,4 toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento.. "Tudo foi realizado esperando por esse momento que a gente começa a viver agora", afirma Chammas.

A estratégia da Biosev para crescer se baseia na melhoria do mercado para as duas principais commodities nas quais investe, o açúcar e o etanol. Na safra passada, a moagem total de cana no País foi de 632 milhões de toneladas, das quais 571 milhões na região Centro-Sul e 61 milhões no Nordeste. Para a safra 2015/2016, a consultoria Datagro, uma das maiores do setor, projeta uma moagem 4% maior, de 605,9 milhões de toneladas no Centro-Sul e de 52 milhões para o Nordeste, em função da atual estiagem.

"Há uma conjunção de fatores, como o consumo de etanol em alta com aumento de preço pago ao produtor, e de aumento do preço do açúcar no mercado interno e também nas principais bolsas de valores, como a de Nova York e a de Londres", diz Plínio Nastari, diretor da Datagro. Em 60 dias, nos meses de setembro e outubro, o preço do etanol aos produtores saiu de R$ 1,18 por litro para R$ 1,64. O açúcar, entre julho e outubro passou de R$ 48 a tonelada para R$ 76 no mercado interno e de US$ 0,38 por libra peso para US$ 0,54. "O cenário é bom e precifica novos patamares para 2016, mas isso não significa que as dívidas do setor serão resolvidas de imediato". (Isto É Dinheiro 06/11/2015)

 

Mais-valia da cana-energia - Por Roberto Rodrigues

O recente aumento dos preços dos combustíveis fósseis não foi suficiente para resolver os problemas de caixa da Petrobras nem deu melhores condições ao etanol. Economistas de peso têm mostrado a grande vantagem de resgatar a Cide sobre a gasolina.

Em primeiro lugar, é uma taxa que já existe, que foi zerada no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff e apenas parcialmente recuperada em março deste ano. Portanto, não necessita ser aprovada ou votada no Congresso Nacional. Isso daria competitividade ao etanol, mostrando que o Brasil nâo teria jogado fora o maior, mais importante e mais admirado programa global de alternativa energética (renovável e ambientalmente superior) desde a crise do petróleo, em 1974/75. Por outro lado, seria uma injeção direta de recursos no Tesouro, sem a oposição que existe em torno da volta da CPMF. Por fim, seria o reconhecimento das externalidades do etanol para a saúde pública e o meio ambiente, cantadas e decantadas em todo o mundo. E ainda salvaria um setor que gera empregos e economiza divisas.

Não existe nenhuma explicação plausível para essa teimosia do governo em não aumentar a Cide. Nem mesmo o eventual aumento da inflação, sempre levantado, serve como argumento, de acordo com o que dizem respeitados analistas.

Independentemente dessa questão, entretanto, o setor sucroenergético, que vem naufragando desde que o governo segurou os preços da gasolina, para frear a inflação nos quatro anos passados, precisa investir em avanços tecnológicos para encontrar outras formas de sobrevivência e progresso. E já existem muitas inovações, tanto na área agrícola quanto na industrial. Novos equipamentos de plantio e colheita são aperfeiçoados para evitar perdas ou má brotação das soqueiras; entram no mercado fórmulas especiais de adubação com nutrientes mais bem calibrados; e estudos são desenvolvidos para obter o melhor espaçamento entre ruas de cana e perfilhamento das plantas, e assim por diante.

Mas uma das mais extraordinárias novidades é a chamada "cana-energia". Acontece que, contrariamente a diversas culturas - soja, milho, algodão, entre outras -, cujas novas variedades são sistemática e rapidamente desenvolvidas com maior produtividade e adaptabilidade às áreas de cultivo, a produtividade da cana-de-açúcar, que teve grandes avanços nos anos 70 do século passado, estagnou na última década. Está difícil superar a média de 85/90 toneladas por hectare em quatro ou cinco cortes.

Pois a cana-energia surge como uma resposta impressionante a essa necessidade. Com maior participação da S. Spontaneum nos cruzamentos com a S. Offici-narum, ela facilmente supera as 100 toneladas por hectare. Além disso, a cana-energia tem um sistema radicular muito mais forte do que as variedades hoje cultivadas, de modo que tem muito maior brotação das socas, o que lhe dá uma vida útil mais longa e melhor resistência a secas eventuais. Isso também permite o seu cultivo em regiões com menor pluviosidade que aquelas atualmente utilizadas em canaviais. E tem mais: com a cogeraçâo de eletricidade a partir da biomassa de bagaço e palha, a cana-energia se torna uma alternativa agrícola muito melhor, notadamente com o avanço do etanol de segunda geração. Com seu uso, as atuais usinas de açúcar e álcool se transformarão em biorrefinarias modernas e competitivas, produzindo uma gama de novos produtos de maior valor agregado.

Cide e cana-energia, eis o binômio para a recuperação do setor sucroenergético: uma política pública e uma ação técnico-empresarial (Roberto Rodrigues é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ex-ministro da Agricultura; Revista Globo Rural, Novembro/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar suas expectativas de inflação para cima e de PIB para baixo neste ano e no próximo

Com exceção das projeções de inflação e PIB, o mercado manteve suas expectativas praticamente inalteradas para 2015 e 2016, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 06 de novembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 9,91% para 9,99%, e para 2016, subiu de 6,29% para 6,47%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 3,05% para outra de 3,10% e, para 2016, passaram de -1,51% para -1,90%. A mediana das projeções para a taxa Selic se manteve em 14,25% neste ano e passou de 13,00% para 13,25% em 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio foram mantidas em R$/US$ 4,00 no final de 2015 e em R$/US$ 4,20 no final de 2016.

Destaques da semana

Vendas no varejo serão o destaque da agenda doméstica nesta semana

Após a agenda carregada da última semana semana, que contemplou a divulgação da Ata do Copom, do IPCA e da produção industrial, as vendas no varejo em setembro, a serem conhecidas na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), na quinta-feira, serão o destaque doméstico. Projetamos queda de 1,5% na margem para o varejo restrito e de 5,5% do ampliado, resultados que devem confirmar nossa expectativa de nova contração do consumo das famílias no terceiro trimestre. Além disso, outros indicadores de atividade, referentes a outubro, deverão mostrar continuidade do enfraquecimento da produção industrial e do comércio no período: ainda hoje, conheceremos o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian; amanhã, teremos as informações do fluxo pedagiado de veículos da ABCR, enquanto na quinta-feira, a ABPO divulgará os dados de vendas de papelão ondulado. A agenda doméstica ainda contará, amanhã, com a primeira prévia do IGP-M de novembro, o levantamento sistemático da produção agrícola em outubro do IBGE e o 2º Levantamento de safra de grãos da Conab. No cenário externo, as atenções estarão voltadas aos indicadores chineses, que deverão apontar nova desaceleração no início do quarto trimestre. Hoje, serão divulgados os dados de inflação ao consumidor e ao produtor, ambos referentes a outubro, ao passo que os resultados da produção industrial e de atividade varejista, também do mês passado, serão conhecidos na quarta-feira. Ademais, o mercado estará atento à divulgação, na sexta-feira, das leituras preliminares do PIB da Alemanha e da Área do Euro do terceiro trimestre. No mesmo dia, serão conhecidos os dados das vendas do comércio varejista nos EUA, em outubro. Por fim, amanhã o USDA divulgará o seu relatório mensal da produção mundial de grãos.

Atividade

Anfavea: A despeito da alta na margem, produção de veículos se manteve em patamar reduzido em outubro

A produção de veículos automotores, exceto máquinas agrícolas, somou 205.020 unidades em outubro, o equivalente a uma alta de 5,95% ante setembro, na série livre de efeitos sazonais, segundo os dados divulgados na última sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com isso, a fabricação de veículos voltou a apresentar elevação na margem, após uma sequência de onze quedas seguidas na margem, interrompida apenas em julho deste ano. Destacaram-se positivamente os avanços mensais de 22,0% na produção de comerciais leves e de 4,6% na fabricação de automóveis. Já a produção de ônibus e de caminhões registrou variações negativas de 22,9% e 4,2%, na mesma métrica, revertendo em parte o movimento de alta observado em setembro. As vendas ao mercado interno, no sentido oposto, apresentaram recuo de 1,7%, enquanto as exportações subiram 8,6% na comparação com o mês anterior, já excetuados os efeitos sazonais. Assim, os estoques atingiram 41 dias de vendas em outubro, mesmo nível verificado no mês anterior. Na comparação interanual, a produção caiu 30,1%, movimento seguido pelas vendas ao mercado interno que apresentaram variação negativa de 37,4%. As exportações, de maneira oposta, subiram 69,2%. Para os próximos meses, esperamos continuidade do fraco desempenho do setor, respondendo ao cenário de enfraquecimento da atividade econômica e necessidade de ajuste dos estoques.

Inflação

IBGE: Nova aceleração do IPCA em outubro refletiu maiores preços de transportes e alimentação

O IPCA teve alta de 0,82% em outubro, sucedendo avanço de 0,54% em setembro, conforme reportado na sexta-feira pelo IBGE. Com isso, nos últimos doze meses, o IPCA acumulou elevação de 9,93%, voltando a acelerar na comparação com setembro, quando o resultado fora de 9,49%. Dessa forma, em 2015, o índice acumula avanço de 8,52%, valor bastante superior ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,50%. Dentre os nove grupos que compõem o IPCA, seis registraram maior crescimento em outubro. Destaque para o item de transportes, cuja alta passou de 0,71% em setembro para 1,72% no mês passado, refletindo o aumento dos preços de combustíveis no período. No mesmo sentido, o grupo de alimentação e bebidas apresentou mais uma aceleração, saindo de uma elevação de 0,24% para outra de 0,77%. Em contrapartida, o segmento de educação voltou a desacelerar, oscilando de uma variação positiva de 0,25% para 0,10%. Em linha com o índice cheio, os indicadores de inflação subjacente registraram nova aceleração no mês passado, com a média dos núcleos passando de 0,55% para 0,61%. Com isso, os núcleos acumularam expansão de 7,95% nos últimos doze meses, alta superior aos 7,80% e 7,83% verificados em agosto e setembro, respectivamente. O índice de difusão dessazonalizado registrou resultado menor no período, oscilando de 69,51% para 64,83%. No mesmo sentido, os preços de serviços exibiram alta 0,05 p.p. inferior à de setembro, subindo 0,62%. Para as próximas leituras, esperamos alguma descompressão do IPCA, ocasionada pela dissipação dos reajustes da gasolina e, em menor medida, dos de botijão de gás. Ainda assim, o índice deverá se manter em patamares elevados, refletindo a aceleração da alimentação – em linha com o observado nos índices do atacado.

Internacional

EUA: Geração de empregos surpreendeu fortemente para cima em outubro, reforçando nossa expectativa de aumento da taxa de juros norte-americana em dezembro

A economia norte-americana gerou 271 mil postos de trabalho em outubro, conforme divulgado na última sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA. O resultado ficou muito acima do esperado pelo mercado, que previa criação de 185 mil vagas. Analisando setorialmente, os segmentos de serviços e saúde foram os responsáveis pela maior geração de emprego, contribuindo com 78 mil e 44 mil vagas, respectivamente. Os dados de setembro, por sua vez, sofreram leve revisão baixista, de 142 mil para 137 mil. Com a aceleração do ritmo de crescimento de novas contratações, a taxa de desemprego oscilou de 5,1% para 5,0%, em linha com o previsto. Dessa forma, o resultado reforça ainda mais a sinalização recente do Fed, de que iniciará a normalização da política monetária já em dezembro.

China: Exportações e importações continuaram fracas em outubro

O desempenho do comércio internacional chinês continuou fraco em outubro. No mês passado, as exportações recuaram 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado, frustrando as expectativas (que apontavam para uma queda de 3,2%) e intensificando a tendência de retração, lembrando que em setembro, o recuo tinha sido de 3,7%. Para tanto, as vendas destinadas aos EUA e à Europa caíram 0,9% e 2,9%, respectivamente. Ao mesmo tempo, as importações chinesas registraram retração interanual de 18,8%, mais acentuada que o esperado (-15,2%), após terem recuado 20,4% em setembro. Vale destacar o efeito dos menores preços das commodities sobre o desempenho das compras do país. Ainda assim, as importações de minério de ferro, em quantidade, acumularam contração de 0,5% no ano. Como os sinais vindos da economia, no melhor cenário, sugerem estabilização da atividade, não devemos esperar retomada significativa das compras chinesas, especialmente das commodities ligadas à atividade da construção. Assim, o saldo da balança comercial somou US$ 61,6 bilhões em outubro, atingindo recorde histórico, o que deve compensar a saída de capital via portfolio, aliviando as pressões para a depreciação da moeda. De fato, as reservas estrangeiras totalizaram US$ 3,52 trilhões no mês passado, o que implica uma alta de US$ 11,4 bilhões em relação ao setembro. Por fim, ainda nesta semana, conheceremos os demais indicadores de atividade referentes a outubro, para os quais esperamos a confirmação da interrupção da desaceleração, especialmente da indústria, indicada previamente pelos índices PMI.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas, com exceção das ações em Tóquio e Shanghai, encerraram o primeiro pregão da semana em baixa, refletindo a surpresa negativa com os dados de importação e exportação na China. Além disso, as quedas também foram impulsionadas pela expectativa de que o Fed iniciará a subida da taxa de juros nos EUA em dezembro, reforçada pelo resultado do payroll divulgado na última sexta-feira. No mesmo sentido, a maioria dos mercados acionários europeus e os índices futuros norte-americanos registram perdas nesta manhã.

O dólar mais uma vez ganha força em relação às principais divisas dos países emergentes, com destaque para o ringgit, que reverteu parte dos ganhos auferidos na semana anterior. Em contrapartida, o euro e a libra se valorizaram ante a moeda norte-americana. Entre as commodities, o petróleo recupera parte da queda da véspera, enquanto as metálicas industriais são cotadas em baixa, respondendo aos dados mais fracos da balança comercial chinesa. No sentido oposto, as principais agrícolas, com exceção do trigo, apresentam elevação em seus preços. No mercado doméstico, a fraca agenda de indicadores deve fazer com que os principais ativos acompanhem o movimento externo. Assim, espera-se queda do Ibovespa, alguma depreciação do real e, consequentemente, abertura da curva de juros futuro.