Macroeconomia e mercado

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Monsanto

Os funcionários da Monsanto terão um fim de ano angustiante.

É esperado para janeiro o anúncio da cota que caberá à subsidiária brasileira no pacote global de demissões da companhia, que prevê o fechamento de 2,6 mil postos de trabalho.

Os eleitos vão se juntar aos 150 já degolados no mês passado, com o fechamento da CanaVialis, braço sucroalcooleiro da Monsanto no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 10/11/2015)

 

Canaplan: Vantagem ambiental do etanol sobre a gasolina deve ser recompensada

O diretor da consultoria Canaplan e presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, avalia que o futuro do etanol nos próximos 40 anos depende da valorização do combustível renovável sobre a gasolina. "De um lado temos um produto como a gasolina, com as externalidades negativas, e, do outro lado, o etanol, que tem menos energia que a gasolina. Se não for criado um prêmio pela qualidade ambiental do etanol, não há competição correta", disse Carvalho, cuja carreira como agrônomo no setor também completa este ano 40 anos, como o Programa Nacional do Álcool (Proálcool).

Entre as medidas sugeridas por Carvalho está a ampliação da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina. "É preciso tratar a Cide não como um imposto arrecadador para o governo, mas como uma taxa de carbono favorável ao etanol. Aí, a capacidade competitiva do setor e o mercado fazem o resto", afirmou o consultor.

O futuro do etanol passará por grandes transformações, de acordo com o Carvalho, juntamente com o que irá ocorrer no mercado de combustíveis veiculares. "Você tem várias tecnologias de motores, como o híbrido (movido à energia elétrica e com combustíveis líquidos) e a célula a combustível. Por isso, não acredito no futuro que toda a mobilidade será dependente de um combustível apenas", disse. "Projetar o futuro imaginando bilhões e bilhões de litros de etanol ou de gasolina é bobagem", considera. (Agência Estado 10/11/2015)

 

Pressão sobre os custos teve queda, mas a disparada do dólar e o fluxo de caixa das usinas preocupam

Os números mais atuais da evolução dos custos das usinas e as perspectivas futuras para o setor canavieiro serão apresentados no 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos.

A evolução dos custos de produção de cana, açúcar e etanol até 2015 será a temática de uma das palestras do 14º. Seminário de Produtividade & Redução de Custos na Agroindústria Canavieira do Grupo IDEA. Evento que acontece no Centro de Convenções de Ribeirão Preto nos dias 2 e 3 de dezembro.

O assunto será abordado no evento pelo consultor Francisco Oscar Louro Fernandes, da Sucrotec. De acordo com ele, a pressão sobre os custos de produção arrefeceram na primeira metade da safra 2015/16, com reajustes mais moderados em vários itens importantes, como mão de obra, insumos agrícolas, itens de manutenção industrial e combustíveis. Além disso, a recessão econômica geral foi um fator determinante para este comportamento.

Mas a partir de setembro, o dólar passou a ter um peso muito grande sobre as empresas. A disparada da cotação da moeda influenciou vários insumos. “O diesel, que já havia tido seu preço fortemente reajustado em novembro de 2014 (5%) e fevereiro de 2015 (6%), encarecendo a safra atual em relação ao realizado na safra anterior, foi novamente elevado em outubro de 2015 (4%)”.

Ao analisar a safra 2015/16, é importante considerar que o ciclo está marcado por uma melhora no rendimento agrícola em relação ao anterior e por um rendimento industrial que continua patinando e não conseguiu se recuperar adequadamente.

PERSPECTIVAS POSITIVAS, MAS COM DESAFIOS À VISTA

Segundo Oscar, a perspectiva para o custo médio da safra 2015/16 é de um custo total ligeiramente superior à safra anterior em termos nominais, mas descontando-se a inflação do período, os custos terão uma redução significativa.

Além disso, é possível traçar um cenário mais tranquilo para o setor sucroenergético. Ele destaca que a recente alta nos preços do açúcar e do etanol é muito bem vinda e muda para melhor as perspectivas das empresas do setor.

“No curto prazo, porém, permanecem enormes dificuldades de fluxo de caixa para a maioria das empresas. A alta do dólar é um desafio para as usinas com endividamento atrelado à moeda estrangeira. Muitas terão benefícios bastante limitados com a alta dos preços ainda nesta safra, já que a maior parte da produção já foi comercializada e precificada a valores menores”.

No entanto, segundo ele, a perspectiva para a safra 2016/17 é bastante positiva para as empresas que conseguirem equacionar as dificuldades de fluxo de caixa e de capital de giro, problemas que permanecerão na entressafra que se aproxima. “Teremos boa disponibilidade de matéria-prima e preços mais remuneradores, mas o desafio de conter os custos de produção permanecerá, já que a alta inflação é uma ameaça real na situação atual da economia brasileira”.

Já uma análise mais completa sobre os custos de produção, Oscar apresentará no 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos. Inclusive levará todos os números mais atuais relacionados à evolução dos custos na agroindústria canavieira. “Não quero me adiantar nos resultados finais, porque quero apresentar na palestra os números mais atualizados possíveis”. (Cana Online 10/11/2015)

 

Etanol 2G precisa ganhar escala e não deve ser tábua de salvação, defende Nastari

Uma das promessas energéticas já viabilizadas no País, com a produção migrando dos centros de pesquisa para as usinas, o etanol de segunda geração (2G), feito a partir da palha ou do bagaço da cana, "precisa ganhar escala" antes de se tornar uma realidade para o setor sucroenergético no futuro. A avaliação é do presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. "Isso vai acontecer no futuro. Não podemos, ainda, transformar o 2G em tábua de salvação", disse.

Para o curto prazo, Nastari engrossa o coro de analistas e produtores ouvidos pelo Broadcast Agro nesta reportagem especial dos 40 anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool): avalia que o setor sucroenergético precisa, como meta para as próximas quatro décadas, de uma regulação de mercado. "Até hoje não se sabe qual é o nível correto da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) cobrada sobre a gasolina. Não se sabe se o preço da gasolina na refinaria vai seguir os valores internacionais. Não há nenhuma segurança", disse ele, se referindo ao combustível de petróleo que baliza o consumo do álcool.

Nastari enfatiza que a retomada de níveis recordes de consumo de etanol neste ano ocorre por causa dos preços mais atrativos que os da gasolina e não pode ser tratada como uma tendência na utilização do combustível renovável, menos poluente. Ele lembra que os preços menos remuneradores do açúcar fizeram as usinas priorizarem a produção de etanol. "Quando o mercado de açúcar se recuperar, a proporção de cana destinada a etanol e à bioeletricidade vai cair", afirmou. (Agência Estado 10/11/2015)

 

Movimento de alta do açúcar é intensificado e indicador atinge R$ 75/sc

Os preços do açúcar cristal seguem em forte ritmo de alta neste início de novembro no mercado spot paulista. Nessa segunda-feira, 9, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, atingiu R$ 75,02/saca de 50 kg, aumento de 2,12% no acumulado parcial do mês.

Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas em algumas regiões do estado de São Paulo interromperam a moagem e o processamento nas usinas na última semana. Esse cenário, somado a postura firme de vendedores quanto aos valores ofertados, reforçou o movimento altista dos preços, que vem sendo observado desde o final de agosto.

Com as novas altas, a vantagem do mercado spot paulista frente às exportações quase que dobrou entre o final de outubro e início deste mês. De 2 a 6 de novembro, segundo cálculos do Cepea, a remuneração com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 9,67% superior à obtida com as vendas externas – na semana anterior, a vantagem interna era de 5,31%. (Cepea / ESALQ 10/11/2015)

 

O que acontece com nossa cana?

-O aumento do diesel, desnecessário pois este produto vendido pela Petrobras no mercado interno está ao redor de 10 a 15% mais caro que no exterior e estamos num país que precisa estimular a produção, trará ainda mais impacto de custos nas Usinas. Estima-se que para cada 10 litros de etanol gerados, 1 litro de diesel é necessário.

-O Pro-renova, programa para renovação de canaviais do BNDES terá apenas metade do que foi alocado em 14/15, o que dificultará a renovação. Sinais do cobertor curto.

-Finalizado o mês de setembro, a moagem de cana no Centro-Sul está em 444,3 milhões de toneladas, contra 441,44 milhões de toneladas processadas até setembro de 2014. Porém, São Paulo tem quase 12 milhões de toneladas de defasagem na moagem e pode não conseguir moer tudo.

-O ATR até o final de setembro estava, na média da safra, em 132,16. Estamos 2,5% abaixo de 2014. Porém, o clima melhor elevou a produtividade média da safra para 85,3 toneladas/ha, 10% a mais que na safra anterior.

-Entrevistando usineiros que considero muito eficientes e austeros, na safra 2014/15 o custo de se produzir açúcar foi de R$ 40 por saca, etanol hidratado 1,05/l e o anidro 1,15/l.

-Mas, aí vem o dreno do setor: juros saltaram de 11,5 para 14,25% e câmbio de 3,20 a 3,80, ,00. De acordo com o Itaú-BBA, analisando 65 grupos que representam 75% do setor mostram que o endividamento cresceu 23% em um ano, pulando de mais de 46 para quase R$ 57 bilhões.

Cerca de 43% do endividamento analisado pelo Banco está em dólar. A dívida pulou de 3,8 (em 2013/14) para 4,3 vezes o EBITDA em 2014/15 sendo que a dívida líquida atingiu 133 reais/tonelada de cana. Além da restituição da CIDE, uma ação coordenada dos agentes financeiros na estrutura de débitos de empresas que se mostrem competitivas do ponto de vista operacional e que não conseguem fazer frente ao endividamento do curto prazo é uma importante alternativa.

-O relatório mais recente da EPE, ligada ao MME, mostra uma produção de cana de 792 milhões de toneladas em 2020 e de em 841 milhões de toneladas em 2024. Teríamos, de acordo com este material, uma produção de 47,6 milhões de toneladas de açúcar em 2024, com crescimento de 2,8% ao ano, com ATR de 142,8 e produtividade média de 85,3 t/ha. O consumo de etanol hidratado seria de 27 bilhões de litros, um crescimento anual de 6,8% ao ano e o anidro, um crescimento de 1,9% ao ano, chegando a 13 bilhões de litros. (USP/Markestrat - Cana Online 10/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Desaceleração da inflação na China em outubro reforça expectativa de continuidade do alívio da política monetária no país

O cenário para a inflação na China seguiu refletindo a fraca demanda doméstica no país, mantendo espaço aberto para a continuidade do alívio das condições monetárias. O índice de inflação ao consumidor mostrou alta de 1,3% em outubro, ficando abaixo do esperado (1,5%) e da elevação registrada em setembro (1,6%). A descompressão dos preços de alimentação, que passaram de uma alta de 2,7% para 1,9%, responde não só à queda dos preços de vegetais e carne suína, mas também à desaceleração da economia. Os preços não ligados à alimentação, por sua vez, cederam de uma variação positiva de 1,0% para 0,9% entre setembro e outubro. Já o índice de preços no atacado manteve-se, por mais um mês, no campo negativo, com deflação de 5,9%, sugerindo que as condições da indústria e da construção ainda estão muito deprimidas. Dessa forma, as atenções da política econômica seguem voltadas à perda de ritmo da economia e ao aumento dos riscos das condições financeiras das empresas. Assim, esperamos mais um corte da taxa de juros e do depósito compulsório neste ano.

Atividade

Serasa Experian: Atividade varejista apresentou nova contração em outubro

O Índice de Atividade do Comércio apurado pela Serasa Experian caiu 3,3% na passagem de setembro para outubro, excetuada a sazonalidade, conforme divulgado ontem. O resultado, que marcou a quinta queda consecutiva, refletiu o declínio em cinco dos seis setores pesquisados. O destaque negativo ficou com o segmento de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática, cujo recuo na margem foi de 7,7%. O único ramo que apresentou alta mensal foi o de combustíveis e lubrificantes, que cresceu 2,0%. Na comparação interanual, o indicador registrou variação negativa de 7,9%. Ainda assim, a atividade do comércio acumulou avanço de 0,8% nos últimos doze meses. Dessa forma, os dados sugerem nova retração das vendas varejistas em outubro, dado a ser divulgado apenas no próximo mês. Ademais, o resultado também aponta para a continuidade da queda do consumo das famílias no início deste trimestre.

Anatel: Número de linhas fixas habilitadas em setembro recuou em 23 das 27 unidades federativas do País

O total de linhas de telefonia fixa habilitadas no País somou 44,18 milhões em setembro, o que representa uma leve alta de 0,12% ante agosto, conforme divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No sentido oposto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve retração de 2,11%. Esse comportamento resultou da queda do número de linhas em 23 dos 26 estados do País, mais o Distrito Federal. Com isso, todas as regiões brasileiras registraram redução na comparação com setembro de 2014. Destaque para o Sudeste, que concentra 61% dos acessos e apresentou retração de 1,8% nessa métrica. Para os próximos meses, prevemos continuidade do enfraquecimento do setor, diante da perspectiva de acomodação adicional da renda das famílias.

Setor externo

MDIC: Saldo da balança comercial foi positivo na primeira semana de novembro e inicia o mês com superávit de US$ 144 milhões

A balança comercial registrou superávit de US$ 144 milhões na primeira semana de novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). No período compreendido entre os dias 3 e 6 deste mês, as exportações somaram US$ 3,0 bilhões, superando, assim, as importações, que alcançaram US$ 2,9 bilhões. A comparação com as médias diárias de novembro do ano passado mostra queda de 4,2% dos embarques, influenciada pela retração de 5,6% dos produtos básicos (principalmente farelo de soja, petróleo em bruto, minério de ferro, fumo em folhas, algodão em bruto, café em grão e carne de frango) e de 2,7% dos produtos semimanufaturados (especialmente semimanufaturados de ferro/ aço, ferro-ligas, madeira serrada ou fendida, couros e peles, celulose e óleo de soja em bruto). As vendas de produtos manufaturados, por outro lado, cresceram 0,1% nessa mesma base de comparação. As importações, por sua vez, apresentaram retração de 21,1%. O resultado refletiu a queda das compras de combustíveis e lubrificantes (-51,6%), adubos e fertilizantes (-56,2%), siderúrgicos (-31,2%) e veículos automóveis e partes (-24,7%). Assim, no ano, o saldo da balança comercial acumula superávit de US$ 12,389 bilhões.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o pregão de hoje em queda, refletindo a surpresa negativa com a inflação ao consumidor e ao produtor na China. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus e os índices futuros norte-americanos operam no campo negativo nesta manhã, diante de agenda fraca de indicadores locais.

O dólar perde força em relação às divisas dos países emergentes asiáticos, mas é cotado em alta em relação ao euro e à libra. Entre as commodities, as metálicas industriais registram novas perdas neste momento, refletindo a desaceleração da inflação chinesa. Em contrapartida, as principais agrícolas apresentam ganhos, à espera da divulgação do relatório mensal do USDA. Já os preços de petróleo são cotados em direções distintas, com o tipo WTI no campo positivo e o tipo Brent em queda. Vale lembrar que o American Institute of Petroleum divulga hoje as informações acerca dos estoques semanais norte-americanos. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação dos dados de fluxo de veículos da ABCR e aos levantamentos agrícolas do IBGE e da Conab.