Macroeconomia e mercado

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Mix alcooleiro dá suporte e futuros do açúcar disparam em NY

Os futuros de açúcar demerara surpreenderam ontem e avançaram mais de 4% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Para analista, a renovação do viés de alta está no mix de produção mais alcooleiro no Centro-Sul do Brasil, mesmo com a demanda pelo alimento ainda patinando no físico.

Relatório divulgado nesta terça-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostrou que as usinas e destilarias da principal região produtora do País destinaram 57,8% da oferta de matéria-prima para fabricação de etanol na segunda quinzena de outubro. O porcentual ficou acima do de 56,6% registrado na primeira metade do mês, contrariando as expectativas de um mix mais açucareiro.

João Paulo Botelho, da INTL FCStone, comenta que as vendas recordes de álcool no mês passado mantêm as perspectivas favoráveis para a fabricação do biocombustível. Em outubro, o Centro-Sul comercializou 1,7 bilhão de litros de hidratado internamente, um recorde. No total, incluindo anidro, as usinas da região venderam no mês passado 2,74 bilhões de litros (+27%) nos mercados doméstico e externo.

Do lado baixista, continua a demanda enfraquecida. "No Porto de Santos, os diferenciais de exportação chegam a 100 pontos, mesmo com o mercado em Nova York invertido", destacou Botelho, em referência à retração na procura pelo alimento.

Com a movimentação de ontem, os preços voltaram para o intervalo que vai de 14,50 cents a 15 cents por libra-peso. A expectativa é de que os contratos se mantenham neste range hoje, mas tanto uma correção para baixo quanto mais uma esticada para cima não estão descartadas.

Olhando mais para a frente, o Itaú Unibanco projetou ontem que a cotação média do açúcar em 2016 alcançará 14,90 cents/lb, acima dos 11,40 cents/lb estimados anteriormente. A revisão incorpora "a realidade atual de déficit no ano-safra 2015/16 e o fato de que os preços deverão permanecer elevados para incentivar uma produção maior à frente".

Março subiu 72 pontos (5,15%) e fechou a terça-feira em 14,71 cents/lb, com máxima de 14,87 cents/lb (mais 88 pontos) e mínima de 13,97 cents/lb (menos 2 pontos). Maio avançou 67 pontos (4,89%) e terminou em 14,36 cents/lb. O spread março/maio variou de 30 para 35 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 75,54/saca, alta de 0,69% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 19,92/saca (+0,91%). A moeda norte-americana ficou em R$ 3,7789, baixa de 0,30%. (Agência Estado 11/11/2015)

 

Fundos de hedge fazem grandes apostas no açúcar

De repente, os investidores estão novamente vendo uma boa oportunidade no açúcar.

Os preços dos contratos futuros de açúcar demerara subiram 39% desde 24 de agosto, a maior alta registrada desde 2011 e um salto raro em meio ao colapso do mercado de commodities. O volume de negócios com futuros bateu um recorde em setembro, e as apostas otimistas dos gestores de recursos neste mês atingiram seu maior nível em dois anos, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, (CFTC, na sigla em inglês).

O Tudor Investment Corp. e o D.E. Shaw & Co. estão entre fundos de hedge que vêm injetando dinheiro no mercado de açúcar, depois que Wall Street praticamente abandonou a commodity em meio a um declínio de preços de vários anos.

Os ganhos estão sendo impulsionados, em parte, pela melhora nos fundamentos do mercado de açúcar. Este ano deve ser o primeiro dos últimos cinco em que a produção anual ficará abaixo da demanda em todo o mundo, ajudando a reduzir o excedente de açúcar que, em agosto, derrubou os preços para uma mínima de sete anos. Outro fator que está ajudando na mudança é uma melhora nos dados econômicos de mercados emergentes, o que tem ajudado a produzir uma modesta recuperação em relação ao dólar das moedas do Brasil e da Índia, os principais produtores de açúcar do mundo.

Mas as oscilações de preços também são uma prova da tendência dos investidores, em tempos de dinheiro fácil e baixos retornos, de migrar em bando para mercados vistos como uma boa oportunidade de fazer operações rentáveis. Os preços dos futuros subiram até 12% acima dos praticados no início da semana passada nas negociações reais com o açúcar físico, de acordo com a Platts, sinal de que os futuros estão muito elevados, dizem operadores.

“Observamos uma desconexão total com o mercado físico”, diz David Martin, membro da diretoria do fundo de hedge Martin Fund Management, que administra US$ 75 milhões, e operador ativo no mercado de açúcar. Ele considera a alta atual exagerada.

A oscilação já chamou a atenção da operadora de bolsas Intercontinental Exchange Inc., que na quinta-feira aumentou as exigências de margem dos futuros de açúcar em 19,5% para elevar o custo de se fazer apostas alavancadas com dinheiro emprestado. Os ganhos já estão começando a retroceder, com o mercado caindo 5,04% em relação ao pico recente registrado na quarta-feira passada. Ontem, os futuros de açúcar fecharam com alta de 5,1% na ICE, a US$ 14,71 por libra-peso.

“Estamos vendo uma nova leva” de operadores entrando no mercado de açúcar, atraídos pelo seu crescimento e alta volatilidade, diz Jeff Dobrydney, diretor da Jenkins Sugar Group, corretora americana de açúcar.

O açúcar começou a atrair a atenção dos operadores no início do ano, depois que a desvalorização do real derrubou os preços da commodity. Como o Brasil responde por mais de 40% de açúcar demerara exportado no mundo, uma queda no real tende a incentivar os agricultores a elevar a produção, o que pressiona os preços para baixo.

Alguns fundos de hedge macro, que fazem apostas com base em tendências macroeconômicas, aproveitaram a oportunidade e começaram a vender o açúcar como uma forma mais barata de apostar contra o real, já que as taxas de juros do Brasil, perto de 15% ao ano, tornam caro tomar reais emprestados para fazer apostas, dizem corretores.

Especuladores financeiros fizeram um recorde de apostas pessimistas contra o mercado em março, segundo a CFTC.

Desde então, o real se valorizou um pouco, provocando uma corrida desabalada de investidores para cobrir vendas a descoberto, com alguns dando meia volta e apostando numa alta.

No Briarwood Capital Management, fundo de hedge que administra US$ 30 milhões, o açúcar “vem sendo uma fonte de dinheiro”, diz Fred Schutzman, diretor-presidente da empresa.

O Briarwood fez vendas a descoberto de açúcar no início do ano, mas passou a apostar na alta dos preços em 22 de setembro, quando seus modelos indicaram que era hora de comprar.

Há razões fundamentais para apostas otimistas.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) prevê que o mercado do produto terá o primeiro “déficit estatístico” este ano, com a produção atual ficando aquém da demanda em 3,5 milhões de toneladas. A associação setorial, que é sediada em Londres, não prevê que haja uma escassez de açúcar ao redor do mundo, graças aos excedentes de oferta acumulados desde 2011.

“É o mercado pessimista mais longo que já vimos para o açúcar em um bom tempo”, diz Michael McDougall, diretor de commodities do Société Générale em Nova York. “É como um grande navio que tem dificuldade em virar. Mas parece que finalmente está começando a virar.”

As usinas de açúcar no Brasil estão direcionando mais cana-de-açúcar para produção de etanol, que é misturado à gasolina. A produção de açúcar da região Centro-Sul na safra 2015/2016 até 30 de outubro caiu 6,7% ante um ano atrás, para 27,5 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar, ou Unica. A safra termina em março.

Após uma safra nacional fraca, a demanda da China por açúcar importado saltou 55%, para 3,75 milhões de toneladas, nos primeiros nove meses do ano. A Wilmar International Ltd., trading com sede em Cingapura, recebeu entregas físicas de US$ 1 bilhão em açúcar através das bolsas este ano, alimentando especulações sobre um maior apetite asiático.

Mas, num sinal que deixa alguns investidores em dúvida, os produtores e processadores de açúcar estão fazendo as maiores apostas em dois anos de que os preços vão cair. “A demanda simplesmente não está lá ainda”, diz Bruno Lima, que lidera a divisão de açúcar e etanol da corretora INTL FCStone no Brasil. Durante visita a usinas, ele encontrou demerara com um grande desconto em relação aos futuros negociados em Nova York.

Os estoques globais de açúcar encerram setembro em 85,4 milhões de toneladas, ante 83,2 milhões um ano antes. É o suficiente para suprir o mundo durante seis meses, afirma a ISO.

Schutzman, do Briarwood, diz que a firma está pronta para sair do mercado. “Neste momento, nossos modelos nos dizem que as chances de os preços do açúcar subirem mais são baixas”. (The Wall Street Journal 11/11/2015)

 

Safra vai avançar dezembro na maior parte das usinas produtoras

Essa informação foi passada ontem à imprensa por Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar). Se em 2014 a moagem terminou mais cedo por falta de cana, nesse ano história está totalmente diferente.

Rodrigues destaca que “no ano passado, a seca reduziu a quantidade de cana-de-açúcar disponível para moagem, antecipando o fim da safra. Neste ano, a maior oferta de matéria-prima deve fazer com que a moagem avance até dezembro na maior parte das unidades produtoras”.

De fato, dados apurados pela UNICA mostram que no último ano 47 unidades produtoras haviam encerrado a safra antes de 1º de novembro, enquanto que em 2015 apenas 15 empresas finalizaram o processamento até a referida data.

Quanto ao ritmo de processamento de cana, o moído pelas empresas do Centro-Sul alcançou 38,38 milhões de toneladas nos últimos 15 dias de outubro, superando em 11,35% o resultado observado na mesma quinzena de 2014 (34,47 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de novembro, a quantidade de cana-de-açúcar processada somou 518,82 milhões de toneladas, ante 515,32 milhões de toneladas processadas em igual período da safra anterior. (Cana Online 11/11/2015)

 

Veja quanto a Biosev espera colher com colhedoras novas

Controlada pelo grupo francês Louis Dreyfus Commodities (LDC), a Biosev administra 11 usinas sucroenergéticas, com capacidade anual para moer 36,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

A expectativa da Biosev é encerrar a temporada 15/16 com moagem de 32 milhões de toneladas, ante as 28,3 milhões de toneladas da temporada anterior.

O ganho de moagem reflete os investimentos agrícolas, e, também, em novas máquinas. Nesta semana, a Biosev recebe 15 novas colhedoras Case IH 8800 da Tracan, empresa revendedora da marca.

E, com o maquinário indo para o campo, neste último bimestre da safra 15/16, a companhia sucroenergética espera superar 83,7 toneladas de cana por hectare, sua atual marca.

Segundo a assessoria da fornecedora das colhedoras, os investimentos da companhia sucroenergética nas máquinas integram o aporte de R$ 226 milhões feitos pela Biosev na safra em andamento.

Quase metade desse valor foi aplicado na área agrícola para renovar os canaviais com variedades de cana mais produtivas, na fertilização do solo, no controle de pragas e em máquinas e equipamentos.

As 11 usinas da Biosev estão localizadas nos estados São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Paraíba. (Jornal Cana 11/11/2015)

 

Câmbio impactou na dívida da Biosev, mas também deu competitividade à exportação

A Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities, reportou prejuízo de R$ 220 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2015/16, correspondente aos meses de julho, agosto e setembro. O montante é 423,8 maior na comparação com o prejuízo de R$ 42 milhões registrado em igual intervalo do ano passado.

O CEO da Biosev, Rui Chammas, disse ao Broadcast Agro que a desvalorização do real impactou no endividamento da empresa durante o segundo trimestre da safra 2015/16 (julho, agosto e setembro), "mas também trouxe maior competitividade para a exportação". "Com essa desvalorização, o Brasil voltou a ser o País mais competitivo do mundo em embarques de açúcar", destacou o executivo.

O resultado financeiro do trimestre foi negativo em R$ 859,5 milhões, 190% acima do registrado um ano antes. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, desse montante, o efeito do câmbio foi de R$ 790 milhões, resultado da depreciação de 28,1% do real em relação ao dólar no intervalo.

Para o Broadcast Agro, Chammas destacou, ainda, que, apesar da redução dos estoques de açúcar e etanol, a empresa pretende tirar proveito da alta das cotações desses produtos prevista até o final do atual ciclo, em março do ano que vem. Em 30 de setembro, a companhia detinha reservas de 419 mil toneladas de açúcar, estável ante igual intervalo do ano passado, e 354 milhões de litros de etanol, queda de 28,9%. "A comparação com o ano passado não é precisa, porque a safra 2014/15 foi menor. Nossa estratégia de venda está ancorada nos estoques de setembro e na produção que ainda virá", afirmou o executivo.

Ele não projetou, contudo, nenhum mix de produção para o restante da temporada. "Continuamos a fazer nosso mix numa base semanal. Não dá para dar um guidance", explicou. No acumulado da atual temporada, entre abril e setembro, a Biosev destinou 48,2% da oferta de cana para açúcar, ante 47,2% há um ano.

Indagado se as chuvas deste ano no Centro-Sul do Brasil tendem a atrasar o término da safra das unidades da Biosev, Chammas comentou que ainda não é possível fazer previsões, mas salientou que o setor sucroenergético como um todo tende a deixar mais cana em pé no campo (bisada) por causa das precipitações, que prejudicaram o trabalho de colheita. "Devemos ter muita cana bisada e uma safra que começará mais cedo no ano que vem", afirmou.

Sobre eventuais aquisições pela Biosev, Chammas apenas informou "que não há nada para se comentar no momento". Criada em 2009 a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar, a Biosev é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. A capacidade total de moagem é superior a 36 milhões de toneladas por safra.

Investimento

A Biosev reportou investimentos de R$ 220 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2015/16 (julho, agosto e setembro), montante 8,2% maior na comparação com igual período do ano passado. "Esse aumento é decorrente principalmente do aumento dos custos de insumos utilizados no plantio e nos tratos culturais, indexados ao dólar", destaca a empresa no relatório de demonstrações financeiras.

Receita

No segundo trimestre, a receita líquida somou R$ 1,74 bilhão, expansão de 56,6% ante a de R$ 1,11 bilhão registrada no mesmo período do ciclo anterior.

A empresa aumentou a receita com açúcar no trimestre em 0,4%, para R$ 653,14 milhões, e a com etanol em 48,1%, para R$ 406,77 milhões.

Ebitda

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 26% entre os trimestres, passando de R$ 273,11 milhões para R$ 344,09 milhões. A margem Ebitda ajustado variou de 24,6% para 19,8% no segundo trimestre deste ano safra.

Dívida líquida ajustada

A dívida líquida ajustada totalizou R$ 5,7 bilhões ao término do trimestre, em 30 de setembro, um aumento de 20,5% em relação ao valor registrado no encerramento da safra anterior. . "Essa variação é decorrente principalmente do impacto da variação cambial sobre a parcela do endividamento em dólares. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo aumento dos estoques de alta liquidez (açúcar e etanol)."

Do total do endividamento, 80,6% estavam denominados em dólar e 19,4%, em real. Ao final do primeiro semestre da safra, a dívida líquida ajustada representava 4,2 vezes o Ebitda ajustado.

Produção

A Biosev informou ainda ter processado 12,08 milhões de toneladas de cana entre julho e setembro (+6,7%). O rendimento por hectare foi de 78,5 toneladas de cana (+16,1%), com nível de sacarose de 137,5 kg por tonelada (+1,2%).

Foram produzidos 776 mil toneladas de açúcar (+12,6%) e 489 milhões de litros de etanol (+0,8%), com cogeração de energia elétrica para venda de 370 GWh (+3,4%).

Guidance de produção

A Biosev manteve nesta terça-feira seu guidance de produção para a safra 2015/16, que se encerra em 31 de março do ano que vem. A companhia espera processar entre 29 milhões e 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com nível de sacarose (ATR) de 129 kg a 133 kg por tonelada

Estoques

A Biosev, reportou estoques de 419 mil toneladas de açúcar em 30 de setembro, término do segundo trimestre do ano-safra 2015/16. O volume ficou estável na comparação com igual intervalo do ano passado. Já em relação às reservas de etanol, estas caíram 28,9%, para 354 milhões de litros.

A companhia informou ainda já ter realizado o hedge de 1,59 milhão de toneladas de açúcar da safra 2015/16, a um preço médio de 14,60 centavos de dólar por libra-peso. O volume representa aproximadamente 95% da exposição da companhia.

Mecanização

Entre outras informações, a empresa informou também que a mecanização da colheita atingiu 97,3% no segundo trimestre do ano-safra 2015/16, superando em 1,5 ponto porcentual os 95,8% alcançados em igual intervalo do ano passado. "A Biosev perseguirá o atingimento de 100% de piloto automático na colheita mecanizada até o final da safra 2016/17. Já contamos com a totalidade do canavial georreferenciado, o que assegura as condições necessárias para a automatização do plantio e da colheita", destaca a companhia no relatório de demonstrações financeiras. (Agência Estado 11/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Desaceleração da inflação na China em outubro reforça expectativa de continuidade do alívio da política monetária no país

O cenário para a inflação na China seguiu refletindo a fraca demanda doméstica no país, mantendo espaço aberto para a continuidade do alívio das condições monetárias. O índice de inflação ao consumidor mostrou alta de 1,3% em outubro, ficando abaixo do esperado (1,5%) e da elevação registrada em setembro (1,6%). A descompressão dos preços de alimentação, que passaram de uma alta de 2,7% para 1,9%, responde não só à queda dos preços de vegetais e carne suína, mas também à desaceleração da economia. Os preços não ligados à alimentação, por sua vez, cederam de uma variação positiva de 1,0% para 0,9% entre setembro e outubro. Já o índice de preços no atacado manteve-se, por mais um mês, no campo negativo, com deflação de 5,9%, sugerindo que as condições da indústria e da construção ainda estão muito deprimidas. Dessa forma, as atenções da política econômica seguem voltadas à perda de ritmo da economia e ao aumento dos riscos das condições financeiras das empresas. Assim, esperamos mais um corte da taxa de juros e do depósito compulsório neste ano.

Atividade

Serasa Experian: Atividade varejista apresentou nova contração em outubro

O Índice de Atividade do Comércio apurado pela Serasa Experian caiu 3,3% na passagem de setembro para outubro, excetuada a sazonalidade, conforme divulgado ontem. O resultado, que marcou a quinta queda consecutiva, refletiu o declínio em cinco dos seis setores pesquisados. O destaque negativo ficou com o segmento de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática, cujo recuo na margem foi de 7,7%. O único ramo que apresentou alta mensal foi o de combustíveis e lubrificantes, que cresceu 2,0%. Na comparação interanual, o indicador registrou variação negativa de 7,9%. Ainda assim, a atividade do comércio acumulou avanço de 0,8% nos últimos doze meses. Dessa forma, os dados sugerem nova retração das vendas varejistas em outubro, dado a ser divulgado apenas no próximo mês. Ademais, o resultado também aponta para a continuidade da queda do consumo das famílias no início deste trimestre. Anatel: Número de linhas fixas habilitadas em setembro recuou em 23 das 27 unidades federativas do País

O total de linhas de telefonia fixa habilitadas no País somou 44,18 milhões em setembro, o que representa uma leve alta de 0,12% ante agosto, conforme divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No sentido oposto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve retração de 2,11%. Esse comportamento resultou da queda do número de linhas em 23 dos 26 estados do País, mais o Distrito Federal. Com isso, todas as regiões brasileiras registraram redução na comparação com setembro de 2014. Destaque para o Sudeste, que concentra 61% dos acessos e apresentou retração de 1,8% nessa métrica. Para os próximos meses, prevemos continuidade do enfraquecimento do setor, diante da perspectiva de acomodação adicional da renda das famílias.

Setor externo

MDIC: Saldo da balança comercial foi positivo na primeira semana de novembro e inicia o mês com superávit de US$ 144 milhões

A balança comercial registrou superávit de US$ 144 milhões na primeira semana de novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). No período compreendido entre os dias 3 e 6 deste mês, as exportações somaram US$ 3,0 bilhões, superando, assim, as importações, que alcançaram US$ 2,9 bilhões. A comparação com as médias diárias de novembro do ano passado mostra queda de 4,2% dos embarques, influenciada pela retração de 5,6% dos produtos básicos (principalmente farelo de soja, petróleo em bruto, minério de ferro, fumo em folhas, algodão em bruto, café em grão e carne de frango) e de 2,7% dos produtos semimanufaturados (especialmente semimanufaturados de ferro/ aço, ferro-ligas, madeira serrada ou fendida, couros e peles, celulose e óleo de soja em bruto). As vendas de produtos manufaturados, por outro lado, cresceram 0,1% nessa mesma base de comparação. As importações, por sua vez, apresentaram retração de 21,1%. O resultado refletiu a queda das compras de combustíveis e lubrificantes (-51,6%), adubos e fertilizantes (-56,2%), siderúrgicos (-31,2%) e veículos automóveis e partes (-24,7%). Assim, no ano, o saldo da balança comercial acumula superávit de US$ 12,389 bilhões.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o pregão de hoje em queda, refletindo a surpresa negativa com a inflação ao consumidor e ao produtor na China. No mesmo sentido, os mercados acionários europeus e os índices futuros norte-americanos operam no campo negativo nesta manhã, diante de agenda fraca de indicadores locais.

O dólar perde força em relação às divisas dos países emergentes asiáticos, mas é cotado em alta em relação ao euro e à libra. Entre as commodities, as metálicas industriais registram novas perdas neste momento, refletindo a desaceleração da inflação chinesa. Em contrapartida, as principais agrícolas apresentam ganhos, à espera da divulgação do relatório mensal do USDA. Já os preços de petróleo são cotados em direções distintas, com o tipo WTI no campo positivo e o tipo Brent em queda. Vale lembrar que o American Institute of Petroleum divulga hoje as informações acerca dos estoques semanais norte-americanos. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação dos dados de fluxo de veículos da ABCR e aos levantamentos agrícolas do IBGE e da Conab.