Macroeconomia e mercado

Notícias

Usinas da Raízen Energia moeram 24,3 mi t no 3º trimestre de 2015

As 23 usinas da Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, processaram 24,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no terceiro trimestre de 2015, correspondente ao segundo trimestre do ano-safra 2015/16. O volume representa queda de 0,9% na comparação anual. "O resultado do terceiro trimestre foi marcado por volumes atípicos de chuvas em julho e setembro, impactando a moagem", destacou a companhia.

As unidades registraram produtividade agrícola de 90,5 toneladas por hectare, acima dos 73,8 toneladas por hectare da safra anterior. O nível de sacarose nas plantas (ATR) atingiu 136,4 kg por tonelada, abaixo do de 139,9 kg/t de um ano atrás. "A combinação desses dois indicadores compõe a produtividade do canavial, que foi de 12,3 toneladas de ATR por hectare, índice 19,6% superior ao observado no terceiro trimestre de 2014".

A receita líquida ajustada pelo hedge accounting da Raízen Energia foi 24,1% maior na comparação anual, totalizando R$ 2,9 bilhões. "O crescimento da receita é reflexo do aumento dos volumes vendidos de açúcar e etanol, bem como de maiores preços médios dos produtos".

Em relação ao açúcar, a receita líquida ajustada atingiu R$ 1,5 bilhão (+35,3%), com volume vendido 17,6% maior (próprios e de revenda). O preço médio apresentou uma melhora de 15,1%, atingindo R$ 1.065 por tonelada de cana. Quanto ao etanol, a receita líquida cresceu 18,5%, para R$ 1,1 bilhão. "A maior competitividade do etanol no mercado brasileiro refletiu em crescimento de 10,6% nas vendas, principalmente nos volumes de revenda e trading. O preço médio do etanol foi de R$ 1.490 por metro cúbico, 7,2% superior na comparação anual, em virtude do aumento da demanda e competitividade do produto no mercado doméstico, bem como maior volume exportado no período", explicou a empresa.

Em relação à cogeração de energia elétrica, a receita líquida apresentou uma redução de 12,0%, atingindo R$ 203 milhões. O volume vendido aumentou 15,5%, dada maior disponibilidade de biomassa no trimestre, porém o preço médio de venda foi 23,8% inferior, com R$ 197 por Mwh.

A Raízen Energia informou, ainda, que, em 30 de setembro, detinha estoques de 1,398 milhões de toneladas de açúcar, 11,5% mais na comparação anual. A um preço médio de R$ 769 por tonelada, o volume representa R$ 1,075 bilhão (-8%). As reservas de etanol somavam 921 milhões de litros (-14,9%), com o metro cúbico em R$ 1.153, totalizando R$ 1,062 bilhão (-16,2%).

Por fim, a Raízen Energia informou que os custos de produtos vendidos (CPV) no trimestre foram 12,2% maiores, com R$ 2,195 bilhões, "em função dos maiores volumes de venda e revenda de etanol, açúcar e cogeração".

Vendas da Raízen Combustíveis crescem 1,2%

Por sua vez, a Raízen Combustíveis reportou aumento de 1,2% na comercialização de produtos no terceiro trimestre de 2015, com um total de 6,51 bilhões de litros. A maior expansão se deu sobre o etanol, que registrou expansão de 59%, para 937 milhões de litros. Já as vendas de gasolina caíram 9,2%, para 1,96 bilhão de litros.

Conforme a empresa, o custo dos produtos vendidos totalizou R$ 14,9 bilhões no trimestre, incremento de 9,3%, "em função do aumento dos preços de diesel e gasolina". As despesas com vendas, gerais e administrativas foram 0,5% superiores na comparação com o terceiro trimestre de 2014, totalizando R$ 397,2 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Raízen Combustíveis totalizou R$ 572,6 milhões de julho a setembro deste ano, com expansão de 7% em relação a igual período do ano passado. (Agência Estado 12/11/2015)

 

Futuros de açúcar em NY voltam a ter resistência em 15 cents/lb

Os futuros de açúcar demerara fecharam perto da estabilidade ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Durante o pregão, os preços até esticaram os ganhos, mas não tiveram forças para ir além dos 15 cents por libra-peso, que figuram como resistência inicial. A avaliação é de que a demanda ainda não dá sinais de melhora, o que impede ganhos mais expressivos, principalmente acima desse patamar.

O relatório de terça-feira da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que apontou um mix de produção mais alcooleiro no Centro-Sul do Brasil, deu início ao rali observado nessas duas últimas sessões. As cotações saíram de 13,99 cents/lb e foram até uma máxima de 15,06 cents/lb ontem, valorização de 107 pontos (7,65%).

Apesar do suporte dado pela safra brasileira, a demanda no físico local continua patinando, com diferenciais de exportação beirando os 100 pontos. Em meio a essas forças altista e baixista, participantes voltaram a apostar em futuros dentro do intervalo que vai de 14,50 cents/lb a 15 cents/lb no curto prazo.

Esse range pode ser alterado conforme a oscilação cambial. O dólar, que há algumas sessões deixou de ditar o rumo das cotações, voltou a mexer com os contratos ontem. Durante o dia, a divisa caiu para R$ 3,70, impulsionando o demerara para acima de 15 cents/lb. No final, a moeda norte-americana ficou em R$ 3,7669 (-0,32%).

Março caiu 2 pontos (0,14%) e fechou a quarta-feira em 14,69 cents/lb, com máxima de 15,06 cents/lb (mais 35 pontos) e mínima de 14,64 cents/lb (menos 7 pontos). Maio também recuou 2 pontos (0,14%) e terminou em 14,34 cents/lb. O spread março/maio permanece em 35 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 56 para 64 na semana encerrada nesta ontem, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 20 de dezembro.

Foi agendado o carregamento de 2,031 milhões de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,302 milhão de t, ou 64% do total. Paranaguá responderá por 30% (617,721 mil t); Recife, por 3% (56,500 mil t); Maceió, por 2% (30,250 mil t); e Suape, por 1% (25 mil t).

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 75,97/saca, alta de 0,57% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,15/saca (+1,15%). (Agência Estado 12/11/2015)

 

Usina Moema - Justiça intima Bunge a regularizar situação de trabalho em usina de SP

A Justiça do Trabalho em São José do Rio Preto (SP) aceitou pedido de liminar feito pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Usina Moema e Álcool, localizada em Orindiúva (SP), acusada de irregularidades. A companhia tem como um dos sócios a Bunge Açúcar e Bioenergia.

Conforme o MPT, a Usina Moema e Álcool mantém "um histórico com irregularidades relativas ao meio ambiente e jornada de trabalho". A decisão do juiz Leandro Catelan Encinas, da 3ª Vara do Trabalho de São José do Rio Preto, estipula 12 obrigações a serem cumpridas pela empresa em até 15 dias após sua intimação. Na ação, o MPT pede o valor mínimo de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

Segundo uma das denúncias, a empresa não realizava o "aguamento" das principais vias de acesso e de trânsito das plantações, fazendo com que os trabalhadores, durante o transporte, inalassem, juntamente com a poeira, substâncias tóxicas aplicadas na plantação. Além disso, a empresa não teria pago o deslocamento dos trabalhadores que se iniciava fora de Orindiúva.

Os trabalhadores ainda perdiam 30 minutos de deslocamento da sede da usina até as frentes de trabalho e o mesmo tempo para retornarem aos seus municípios, não sendo computado pela empresa como hora de trabalho. Segundo o MPT, nos últimos dois anos a empresa foi autuada 21 vezes pela Gerência Regional do Trabalho e Emprego por infrações trabalhistas.

Entre os procedimentos determinados pela liminar, a Usina Moema não poderá prorrogar jornada de trabalho além do limite legal, deverá conceder ao empregado descanso semanal de 24 horas consecutivas e registrar os horários de entrada, saída e repouso praticados pelos empregados de estabelecimentos com mais de 10 trabalhadores.

Procurada, a Bunge afirmou que a "Usina Moema, adquirida em 2010, adota as melhores práticas de gestão, incluindo as práticas trabalhista e ambiental - sendo, por isso, reconhecida como uma das referências no setor", em nota ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado. "Em relação à ação civil pública, a Usina Moema informa que apresentará sua defesa, contestando todas as alegações do MPT de São José do Rio Preto". (Agência Estado 12/11/2015)

 

Usinas podem aumentar produção de açúcar na próxima temporada

A Biosev, unidade brasileira de açúcar e etanol da trading de commodities francesa Louis Dreyfus, vê potencial para as usinas do Centro-Sul terem um mix mais favorável ao açúcar na próxima temporada, desde que o adoçante esteja pagando um prêmio sobre o etanol, disse o presidente-executivo da companhia, Rui Chammas, nesta quarta-feira.

Mas a possível mudança no mix de produção não seria suficiente para alterar o cenário de déficit global esperado para o mercado de açúcar em 2016/17, ele disse durante uma conferência com analistas.

"Quando consideramos a nova safra (2016/17), vemos que há um potencial para que seja mais pesada em açúcar (produção)", disse o executivo da Biosev, segunda maior processadora de cana com uma moagem de cana estimada em até 32 milhões de toneladas este ano.

De acordo com a associação do setor (Unica), as usinas estavam alocando 58,2 por cento da cana para a produção de etanol em média no fim de outubro, como resultado de retornos mais altos pelo biocombustível anteriormente este ano e a necessidade de algumas empresas de gerar dinheiro rapidamente por meio do muito líquido mercado local de combustíveis.

Quando questionado por um analista se as usinas poderiam alocar até 60 por cento da cana no próximo ano para a produção de açúcar, Chammas disse que isso não era provável.

"Eu não acho que a indústria hoje tenha a flexibilidade para ir até 60 por cento do mix em favor do açúcar", ele disse . (Reuters 11/11/2015)

 

Maior produtividade reduziu custo de produção da cana em 2015

O custo de produção para o setor sucroenergético caiu em 2015. Quem afirma é o consultor Dib Nunes, presidente do Grupo IDEA. Segundo ele, a queda será em torno de 5% em relação ao ano passado. “Isso ocorreu, principalmente, porque a produtividade aumentou. Na safra 2014/15, muitas usinas fecharam com valores de TCH abaixo de 70 toneladas. Neste ano deve fechar com um aumento significativo entre 6 e 10% conforme a região”, diz Dib.

Esse ganho de produtividade é importante porque o custo de produção é dividido pela quantidade de toneladas de cana produzida por hectare. “É fato que subiu o óleo diesel, a mão de obra, mas tivemos em contrapartida o ganho de produtividade, que anulou estas altas e deu uma margem. Nos últimos anos tivemos o processo diferente. Além de os custos estarem aumentando, a produtividade também vinha caindo”. (Cana Online 12/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

A despeito dos diversos estímulos monetários e fiscais, economia chinesa segue desacelerando

Os desafios de estabilizar a economia chinesa seguem presentes, diante de tantos desequilíbrios estruturais, como a elevada alavancagem. Nesse sentido, devemos entender que o alívio monetário com cortes expressivos da taxa de juros e do depósito compulsório, implementado desde o final do ano passado, tem sido direcionado majoritariamente para o refinanciamento de dívidas anteriores. Assim, a demanda por crédito continua fraca, em linha com os indicadores de atividade econômica conhecidos nos últimos dias. Em outubro, as concessões totais de crédito foram muito fracas, somando RMB 476,7 bilhões (o equivalente a aproximadamente US$ 75 bilhões), ficando abaixo do esperado (RMB 1,050 trilhão) e do emprestado em setembro (RMB 1,302 trilhão). Por outro lado, a política fiscal tem sido mais ativa, com os gastos públicos avançando 36,1% em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado, frente ao crescimento das receitas de 8,7%, na mesma base de comparação. Esses gastos, por sua vez, têm sido direcionados aos projetos de infraestrutura, com destaque para transporte, preservação de energia e proteção ambiental e mobilidade urbana. Do lado fiscal, devemos ainda considerar a injeção de liquidez que os bancos de desenvolvimento têm proporcionado às provinciais e ao avanço do programa de reestruturação das dívidas dos governos locais, que têm trocado suas dívidas por títulos, o que têm aliviado parcialmente as finanças dos governos locais. Em suma, diante desses sinais de enfraquecimento da atividade e da baixa resposta às políticas de estímulos, mantemos nossa visão mais cautelosa para a economia chinesa nos próximos trimestres, ainda que a desaceleração possa ser suavizada pelas medidas de suporte.

Setor externo

BC: Fluxo cambial foi superavitário na primeira semana de novembro

O saldo do fluxo cambial registrou saldo positivo de US$ 99 milhões na primeira semana de novembro, conforme divulgou ontem o Banco Central. As contas comercial e financeira apresentaram movimentos opostos entre os dias 3 e 6 desse mês. De um lado, a primeira ficou negativa em US$ 305 milhões, resultado da contratação de US$ 2,1 bilhões para exportação e US$ 2,4 bilhões para importação. Ainda assim, no acumulado do ano, essa conta se mantém superavitária em US$ 16,9 bilhões. De outro lado, o saldo da conta financeira apresentou superávit de US$ 404 milhões, com as compras somando US$ 7,2 bilhões, superando, assim, as vendas de US$ 6,8 bilhões. No acumulado do ano, entretanto, seu saldo ainda é bastante deficitário e soma US$ 9,1 bilhões. Com isso, o fluxo cambial no ano acumula superávit de US$ 7,8 bilhões.

Internacional

Área do Euro: Queda da produção industrial em setembro reforça acomodação do PIB europeu no terceiro trimestre

A produção industrial da Área do Euro recuou 0,3% entre agosto e setembro, sucedendo retração de 0,4% no mês anterior. Ainda assim, acumulou alta de 0,1% no terceiro trimestre, após exibir queda de 0,13% nos três meses anteriores. Em setembro, o resultado refletiu a retração de 3,9% na margem da produção de bens de consumo duráveis e de 1,0% de não duráveis. Entre os países da região, as maiores quedas foram registradas pela Irlanda e Grécia (2,4% e 1,9%, respectivamente). A Alemanha também manteve tendência negativa, com o recuo de 1,2% da produção fabril sucedendo queda de 0,8% no mês anterior. Já a Itália, a França e a Espanha exibiram variações positivas de 0,2%, nos dois primeiros casos, e de 1,4% no último. De qualquer forma, o desempenho da indústria europeia em setembro reforça os sinais de acomodação do crescimento do PIB europeu no segundo trimestre ao redor de 0,4%. Também hoje foram divulgadas as leituras finais da inflação na Alemanha e na França, sugerindo alguma recuperação dos preços no continente em outubro. No primeiro caso, a variação anual do índice de preços passou de 0,0% para 0,3%; enquanto no segundo passou de 0,0% para 0,1%, entre setembro e o último mês. Ainda assim, a inflação ao consumidor permanece em patamar bastante baixo, o que não afasta a necessidade de novos estímulos monetários por parte do BCE.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas, com exceção do mercado de Shanghai, encerraram o pregão de hoje em alta, após a divulgação dos dados fiscais da China mostrarem aceleração dos gastos do governo em outubro. Já os mercados acionários europeus operam em baixa nesta manhã, refletindo a queda inesperada da produção industrial da Área do Euro em setembro. Os índices futuros norte-americanos, por sua vez, operam com direções distintas, à espera do discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, às 12h30.

O dólar recupera parte da queda dos últimos dias em relação às principais moedas, com exceção do dólar australiano, que se valorizou diante da surpresa positiva com os números de geração de empregos em setembro. Entre as commodities, o petróleo ameniza as perdas da véspera, à espera da divulgação dos dados oficiais de estoques semanais. As principais agrícolas, com exceção do trigo, são cotadas no campo negativo, respondendo à expectativa de elevação de oferta mundial de grãos. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de setembro. Adicionalmente, os ativos deverão reagir à aprovação do projeto sobre a repatriação de recursos pela Câmara ontem à noite, que segue agora para o Senado.