Macroeconomia e mercado

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Fertilizantes

Às vezes, um charuto é apenas um charuto, dizia Freud. Já o aporte de US$ 185 milhões feito pela norueguesa Yara na Galvani na semana passada não seria somente um financiamento para a implantação do projeto de fosfato de Serra do Salitre (MG), conforme reza o discurso final.

Os recursos estariam vinculados a uma opção de compra dos 40% da fabricante de fertilizantes ainda pertencentes à família Galvani.

Yara e Galvani negam. (Jornal Relatório Reservado 13/11/2015)

 

Grão chinês

Os chineses estão se espalhando pelo Centro-Oeste.

m grupo de companhias agrícolas capitaneado pela trading Shandong Sunrise negocia a compra de plantações de soja na região.

A trading entra com o financiamento da operação, que poderá chegar a US$ 200 milhões. (Jornal Relatório Reservado 13/11/2015)

 

Diretor da Unica comenta sobre o impacto das greves na Petrobras e de caminhoneiros

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), revela as repercussões no setor sucroenergético das greves dos petroleiros da Petrobras, iniciada há 13 dias, e dos caminhoneiros, que começou no último domingo.

Rodrigues falou para o Portal Jornal Cana na tarde de quarta-feira (11/11), em Araçatuba (SP), onde participou da oitava edição do Congresso Nacional de Bioenergia, que termina nesta quinta­feira (12/11) e é promovido pela Udop e pela STAB.

As greves têm gerado alguma repercussão junto ao setor sucroenergético, seja pelo aumento do consumo de etanol hidratado, por conta da menor produção de gasolina, ou seja por problemas no transporte de biocombustível por caminhões?

Antonio de Pádua Rodrigues: Até agora não temos nenhuma informação. Conversei com todas as distribuidoras, e são elas quem devem responder a essa pergunta. Do ponto de vista de etanol, ele está disponível em todas as usinas, seja anidro ou hidratado. Quem pega gasolina na refinaria são as distribuidoras, quem pega o etanol nas usinas são as distribuidoras. Até o momento, não sentimos nenhuma redução na retirada de etanol. O que significa que eles [distribuidoras] têm gasolina para misturar ao anidro.

Como deverá estar o estoque de etanol hidratado para atender o consumo durante a entressafra?

Rodrigues: Estoque, há. Temos ainda 15% ou 16% da cana [na região Centro-Sul] para ser processada. Estamos com 518 a 520 milhões de toneladas de cana processadas. Para esta safra a moagem pode passar de 600 milhões de toneladas.

Fale mais a respeito, por favor.

Rodrigues: Sabemos que a demanda de ciclo otto no último mês caiu 2%. Há indicação de que a demanda de ciclo otto vai cair muito mais agora em novembro, dezembro e janeiro, por conta da perda de poder aquisitivo da população. Então o que será a próxima entressafra? Será um mercado que depende ainda da oferta e da cana. Moeremos as 80 milhões de toneladas de cana disponíveis.

Como se faz 40 a 42 litros de etanol por toneladas, há, com as 80 milhões, uma oferta de 3,2 milhões de litros de etanol.

Temos que levar em conta a queda de demanda. Dependendo desses movimentos é que haverá uma direção do tamanho da oferta e dos estoques de etanol para a próxima safra.

Há volume estimados de estoque de anidro?

Rodrigues: O etanol anidro é regulado. Posso garantir que no começo de abril de 2016 haverá um estoque superior a 1 bilhão de litros de anidro. É obrigado a ter 752 milhões de litros nas mãos dos produtores e obrigado a ter 400 milhões de litros nas mãos das distribuidoras. Se houver, por algum motivo, migração do consumidor do hidratado para a gasolina [que tem 27% de adição de etanol anidro], o estoque do anidro é suficiente para essa migração.

O Senhor tem uma projeção de quantas toneladas de cana serão bisadas para a safra 16/17?

Rodrigues: 30 milhões de toneladas de cana.

 

Mercado foca em déficit de açúcar e NY pode romper os 15 cents/lb

Os futuros do açúcar demerara fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), sustentados pela perspectiva de um déficit maior na safra global 2015/16. Embora os contratos permaneçam abaixo de 15 cents por libra-peso, participantes avaliam que há, agora, mais chances para um rompimento desse patamar no curtíssimo prazo.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a INTL FCStone elevou a estimativa de déficit para o ciclo iniciado em outubro, de 3,8 milhões para 5,6 milhões de toneladas. A projeção considera uma produção de 177,6 milhões de toneladas (-2,6%) e uma demanda de 183,2 milhões de toneladas (+2,1%) por açúcar na temporada global. Caso se confirme, será o primeiro ciclo déficit após cinco consecutivos de superávit.

Para um corretor, porém, se o mercado falhar em superar os 15 cents/lb, os preços tendem a devolver os ganhos das últimas sessões, retornando à base do intervalo recente, em 14,50 cents/lb. Abaixo disso, aparecem os 14,35 cents/lb, embora o piso mais forte surja mesmo nos psicológicos 14 cents/lb.

Do lado climático, também há informações altistas. Conforme a Climatempo, até 17 de novembro deve chover de forma generalizada, entre 30 mm e 50 mm, no Estado de São Paulo. São esperados volumes semelhantes para Minas Gerais. Já no Paraná, as condições seguirão instáveis. São precipitações com potencial para atrapalhar os trabalhos de campo de uma safra que já pende para o etanol.

Ontem, março subiu 28 pontos (1,91%) e fechou em 14,97 cents/lb, com máxima de 15 cents/lb (mais 31 pontos) e mínima de 14,59 cents/lb (menos 10 pontos). Maio avançou 26 pontos (1,81%) e terminou em 14,60 cents/lb. O spread março/maio variou de 35 para 37 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 75,99/saca, alta de 0,03% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,20/saca (+0,25%). A moeda norte-americana trabalhou perto da estabilidade durante o dia, encerrando em R$ 3,7702 (+0,09%). (Agência Estado 13/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

BNDES emprestou à usina de amigo de Lula com garantia inferior a 1%

Banco sustenta que operação ocorreu dentro dos padrões normais.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou, entre dezembro de 2008 e fevereiro de 2009, R$ 459,8 milhões para a usina São Fernando, empreendimento de José Carlos Bumlai com o grupo Bertin. A garantia oferecida, porém, foi de menos de 1% desse valor: R$ 2 milhões, ou seja, 0,45%. Na sessão de ontem, a CPI do BNDES aprovou a convocação de Bumlai para prestar depoimento.

Esse empréstimo se deu de forma direta, quando o próprio BNDES concede os recursos e arca com os riscos de inadimplência. Em resposta a um requerimento de informação do deputado José Rocha (PR-BA), relator da CPI, o banco informou que os R$ 2 milhões ofertados como garantia se deram porque “se tratava de um projeto greenfield (quando um empreendimento começa a ser desenvolvido do zero), no qual a garantia é evolutiva e, portanto, tem seu valor incrementado ao longo de sua implementação”. O banco acrescentou que as garantias atingiram R$ 496,1 milhões após a conclusão do projeto, em julho de 2010.

Ao jornal O Globo, o BNDES também justificou a operação com garantia inferior a 1% do valor do crédito: “A estruturação de projeto com garantia evolutiva é padrão para este tipo de empreendimento. Não houve qualquer tipo de excepcionalidade no caso em questão. Outro ponto importante é que o desembolso do BNDES não ocorre de uma só vez, mas de acordo com o andamento do projeto. À medida em que o projeto vai avançando, a garantia real vai se robustecendo. Além da garantia real, o projeto da São Fernando conta com fiança da Heber Participações”.

A documentação fornecida à CPI sobre a transação com a usina de Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revela uma sucessão de empréstimos e calotes que culminaram com o pedido de falência da São Fernando pelo próprio BNDES.

A São Fernando teria capacidade para moer 2,3 milhões de toneladas de cana por ano para gerar energia. Em julho de 2009 o projeto já estava pronto e, no mesmo mês de 2010, entrou em funcionamento. Mal havia começado a operar, a usina quis dobrar sua capacidade. Mas a safra de 2010/2011 teria sido afetada pelas chuvas, como alega o próprio BNDES. Em consequência, a produção foi de 3,1 milhões de toneladas.

A partir daí houve uma sucessão de transações financeiras que acabaram levando ao calote. Em 2011, a usina reestruturou sua dívida com o BNDES. O saldo devedor era, na época, de R$ 362,4 milhões. A Bertin reescalonou sua dívida de R$ 59,3 milhões, em 23 de julho de 2012, e a São Fernando, outros R$ 303 milhões, na mesma data.

A Bertin só pagou o refinanciamento até junho de 2014 e se tornou inadimplente, devendo R$ 39,4 milhões. Mesmo assim, obteve novo reescalonamento, e, mais uma vez, não pagou. A São Fernando pagou até março de 2013 apenas R$ 2 milhões, dos R$ 303 milhões que devia e, no mês seguinte, entrou com pedido de recuperação judicial. Como não pagou aos credores, o BNDES pediu a falência da empresa.

No dia 1º deste mês, a Folha de S.Paulo noticiou um empréstimo do BNDES a Bumlai de R$ 101,5 milhões, em julho de 2012. Em novembro de 2011, Bumlai já fora alvo de um pedido de falência por parte de um fornecedor, a quem devia R$ 523 mil. Ainda segundo o jornal, as normas do BNDES proíbem empréstimos a empresas nessa situação. (O Globo 13/11/2015)

Recuo da atividade varejista em setembro sugere nova retração do consumo no terceiro trimestre

O volume de vendas do comércio varejista restrito (que exclui os segmentos de veículos e motos, partes e peças e de material de construção) caiu novamente em setembro, registrando recuo de 0,5% na margem, descontada a sazonalidade, conforme divulgado ontem na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE. Assim, o dado, que marcou a oitava contração consecutiva, reforça a expectativa de continuidade da queda do consumo das famílias no PIB – projetamos retração de 0,8% no terceiro trimestre. Na comparação interanual, a atividade varejista caiu 6,2%. Seis dos oito setores contemplados na pesquisa influenciaram negativamente o resultado, com destaque para o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que declinou 3,8%. Já os ramos de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e móveis e eletrodoméstico ficaram relativamente estáveis na margem. No mesmo sentido, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui todos os setores, caiu 1,5% na passagem de agosto para setembro e 11,5% na comparação com o mesmo mês de 2014. A maior queda em relação ao comércio restrito refletiu o forte recuo de 4,0% do segmento de veículos e motos, partes e peças, confirmando os recuos apresentados pelos dados de emplacamentos da Fenabrave e vendas da Anfavea e ampliando a retração de 5,8% exibida no mês anterior. O ramo de material de construção também ampliou as perdas anteriores, registrando variação negativa de 1,5% na margem. Mais uma vez, a receita nominal das vendas manteve o baixo ritmo de crescimento, com avanço interanual de 1,9% em setembro (o cálculo é realizado com os dados dessazonalizados das vendas nominais, visto que a série original é excessivamente volátil). Essas receitas encontram-se essencialmente estáveis desde o final do ano passado, refletindo a piora do mercado de trabalho, conforme apontado pelo Caged e pela PME, com a redução do emprego e desaceleração dos ganhos nominais. Com base no resultado da PMC reportado ontem, juntamente com a queda de 1,3% da produção industrial no final do trimestre passado, projetamos retração de 0,4% na margem do IBC-Br (proxy mensal do PIB) em setembro (que deverá acumular retração de 1,1% no terceiro trimestre), dado que será divulgado pelo Banco Central na próxima semana.

Atividade

Abramat: Vendas da indústria de materiais de construção civil registraram queda em outubro

As vendas da indústria de materiais de construção civil ao mercado atacadista registraram queda real de 2,1% na passagem de setembro para outubro, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Tal resultado foi influenciado pelo recuo de 4,5% nas vendas de materiais de acabamento, enquanto a venda de produtos básicos apresentou leve alta de 0,2%. Assim, as vendas totais acumulam declínio de 12,3% no ano, também em termos reais, reforçando nossa expectativa de continuidade da queda na atividade da construção civil nos próximos meses.

Anatel: Total de linhas móveis habilitadas no País apresentou nova queda em setembro, influenciada pela modalidade pré-paga

O total de linhas móveis habilitadas no País somou 275,889 milhões em setembro, o equivalente a uma retração de 1,5% em relação a agosto, de acordo com os dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). O resultado, que representa a quarta queda consecutiva na margem, refletiu o recuo de 2,1% na modalidade pré-paga, que responde por 73,78% do total de linhas. Já as linhas pós-pagas exibiram alta de 0,5%, na mesma base de comparação. Em relação ao mesmo período do ano anterior, foi verificada variação negativa de 0,9% no total de linhas móveis habilitadas no País, resultado composto pelo avanço de 10,5% na modalidade pós-paga e pela redução de 4,4% na modalidade pré-paga. Daqui para frente, acreditamos que o comportamento exibido no último mês deverá se manter, respondendo às perspectivas de acomodação adicional da renda das famílias e aos baixos níveis dos índices de confiança.

Internacional

Área do Euro: Desaceleração do PIB europeu no terceiro trimestre foi generalizada entre os países do bloco

O PIB da Área do Euro avançou 0,3% entre o segundo e o terceiro trimestre, conforme leitura preliminar do indicador divulgada nesta manhã. O resultado ficou abaixo do crescimento exibido nos três meses anteriores e da expectativa do mercado, ambos em 0,4%. Tal desaceleração foi generalizada entre os países do bloco, com raras exceções, como a França. A prévia do PIB ainda não traz abertura por atividade e por componentes da demanda. De todo o modo, esse comportamento reforça a necessidade de novos estímulos monetários no continente, o que deverá ocorrer já em dezembro, na próxima reunião do BCE.

Tendências de mercado

Influenciadas pela queda das ações ligadas às commodities, as bolsas asiáticas encerraram o último pregão da semana em baixa. Na mesma direção, os mercados acionários europeus operam no campo negativo nesta manhã, como reflexo da desaceleração do PIB da Área do Euro no terceiro trimestre. Em contrapartida, os índices futuros norte-americanos registram alta nesta manhã, à espera da divulgação dos dados de vendas no varejo e de inflação ao produtor.

O dólar amplia os ganhos da véspera ante as principais divisas, com exceção do rublo e da rúpia, que apresentam leve valorização em relação à moeda norte-americana. Entre as commodities, o petróleo é cotado em alta, mas tem seu avanço limitado pela nova elevação dos estoques norte-americanos na última semana, conforme reportado ontem pelo Departamento de Energia dos EUA. No sentido oposto, as metálicas industriais registram queda, refletindo as preocupações com a economia chinesa, enquanto o excesso de oferta global de grãos pressiona as principais agrícolas para baixo neste momento. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas para a chegada do projeto de lei sobre a repatriação de recursos ao Senado. Adicionalmente, com a falta de indicadores na agenda local, os principais ativos devem acompanhar o movimento do exterior, com queda do Ibovespa e desvalorização do real, que pode levar à abertura da curva de juros futuro.