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Proálcool ainda busca espaço no setor energético brasileiro

Considerado o mais bem-sucedido modelo de substituição em larga escala do petróleo por um combustível alternativo, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) completou 40 anos neste domingo sem uma política pública que dê previsibilidade e estabilidade para a utilização do etanol no País. Nessas quatro décadas, a adoção do biocombustível em veículos de passeio enfrentou crises de confiança, volatilidade de oferta e demanda e até hoje o papel do álcool na matriz energética brasileira segue indefinido.

Representantes da cadeia produtiva dizem que a definição desse papel é essencial para investimentos futuros na produção. Para eles, o governo deveria abrir mão do viés econômico usado para controlar oferta e preço da gasolina e frear a inflação. Eles ainda defendem que, para assegurar os efeitos sociais e econômicos do etanol como combustível ambiental, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), ora adotada para segurar a inflação, ora como forma de mitigar rombos fiscais, seja tratada como um imposto ambiental.

As metas de redução de emissões para 2030, no plano que o governo considerou "ousado", preveem que a participação da energia renovável de cana-de-açúcar no total da oferta interna salte de 15,7% para 16% em 15 anos. O pequeno incremento limita o espaço para o crescimento da produção de etanol de segunda geração (2G), feito a partir do bagaço ou da palha de cana e apontado como o futuro do biocombustível. "Isso é muito pouco, porque o Brasil poderia fazer mais. O plano do governo é deixar o setor do tamanho que ele tem hoje", afirma o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari.

Indagado se o governo federal tinha uma proposta concreta do papel do etanol na matriz energética brasileira no futuro ou se seguiria tratando o combustível como um instrumento de controle de inflação ou de socorro à demanda da gasolina, o Ministério das Minas e Energia (MME) informou, por e-mail, que "o setor sucroenergético está contemplado nas diretrizes da política energética brasileira, e representa uma das estratégias para garantir a redução na emissão de gases".

Sem traçar metas para o futuro, o MME citou um longo histórico das medidas adotadas no passado para fomentar o consumo e incentivar a produção do etanol. "Desde a criação do Proálcool sempre houve mandato da mistura de etanol na gasolina. Em 1975, a mistura era de 15%. Em 1993, por força de lei, esse percentual passou para 22%", informou o MME.

Ainda segundo o ministério, "o governo federal atua na linha de incentivar o setor a partir de medidas que sejam sustentáveis e que não gerem intervenção no mercado", mesmo com as críticas de usineiros à redução da Cide sobre a gasolina para tirar o impacto nas bombas das altas da gasolina nas refinarias. "Entendemos que o setor tem capacidade e expertise para se tornar cada vez mais competitivo, eficiente, sem depender de medidas excessivas de proteção."

Intervenção

A demanda pelo etanol sempre caminhou sob intervenção dos governos, seja alavancada pela 2ª Guerra Mundial, ou pela crise do petróleo na década de 1970. Depois vieram os carros movidos exclusivamente a etanol, em 1981, além da obrigatoriedade de todos os postos terem ao menos uma bomba de etanol para abastecê-los. Em 2003, houve o advento dos veículos flex fuel - movidos a etanol, gasolina ou a partir da mistura de ambos.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio da Canaplan e presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), lembra que a primeira crise do etanol, entre 1986 e 1998, só foi suplantada porque o setor contava com a eficiência do produtor de cana e do combustível, adquirida na primeira década do Proálcool. "O etanol foi empurrado por inércia por mais de uma década de indefinições", disse Carvalho.

Durante esse período o governo ainda controlava o preço dos combustíveis. Com uma nova alta no açúcar, usineiros partiram para a commodity facilmente exportável, em detrimento do etanol com preços controlados. A crise de desabastecimento com acusações mútuas entre governo e empresários prejudicou os consumidores, que não tinham, à época, a opção de abastecer com gasolina e o etanol caiu em descrença. As vendas de carros a álcool saíram de picos de 95% dos veículos leves zero-quilômetro, em 1986, para 1% no começo dos anos 2000.(DCI 16/11/2015)

 

Preços do açúcar em real mais remuneradores em 2016 podem tornar próxima safra menos alcooleira

A combinação entre os futuros do açúcar em dólar na bolsa de Nova York e a cotação da moeda americana frente ao real deverá fazer com que os preços da commodity se recuperem ao longo do próximo ano. Se esse cenário se consolidar, é provável que esta seja a primeira temporada (se referindo à safra mundial de açúcar que vai de outubro de 2015 a setembro de 2016), em muitos anos, em que o consumo irá superar a produção.

Essa tendência de aumento dos preços do açúcar em real em 2016 deve estimular as usinas brasileiras a produzir, no próximo ano, um volume maior do produto do que o registrado em 2015, caso o governo não eleve mais o preço da gasolina e torne as vendas de etanol mais interessantes. Na safra atual, as usinas que se encontram em dificuldades financeiras favoreceram a produção do biocombustível devido à maior liquidez e à melhoria da remuneração do produto. Um novo ciclo virtuoso se desenha para o setor. (Cana Online 16/11/2015)

 

Futuros de açúcar iniciam semana firmes em NY, com suporte em 15 cents/lb

Os futuros de açúcar demerara iniciam a semana sustentados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os fundamentos de suporte permanecem os mesmos, e os contratos voltaram a ter nos 15 cents por libra-peso um piso inicial. De acordo com participantes, o simples fato de o mercado ter retornado a esse terreno já pode ser considerado como algo altista.

Na sexta-feira, por exemplo, as cotações chegaram a marcar a máxima de 15,26 cents/lb, mesmo com o dólar disparando para acima de R$ 3,80. A moeda norte-americana, que terminou o dia em R$ 3,8398 (+1,85%), até limitou alguns ganhos, mas não impediu que os futuros se valorizassem.

Março subiu 7 pontos (0,47%) e fechou em 15,04 cents/lb, com máxima, portanto, de 15,26 cents/lb (mais 29 pontos) e mínima de 14,85 cents/lb (menos 12 pontos). Maio também avançou 7 pontos (0,48%) e terminou em 14,67 cents/lb. Na semana, acumularam valorizações de 4,01% (mais 58 pontos) e de 3,82% (mais 54 pontos), respectivamente.

O spread março/maio, que iniciara a semana passada em 33 pontos, fechou sexta-feira em 37 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

Jogam a favor da alta das cotações a perspectiva cada vez mais concreta de déficit em 2015/16 e também os efeitos do El Niño sobre os canaviais ao redor do mundo. Na semana passada, foi a vez de a INTL FCStone elevar sua estimativa de demanda maior que produção no atual ciclo, para 5,6 milhões de toneladas.

Do lado climático, participantes ainda monitoram os impactos das chuvas no Centro-Sul do Brasil, região que atravessa um novembro bem úmido. Para esta semana, a Climatempo ainda prevê precipitações de até 50 mm nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Graficamente, os futuros iniciam a semana com resistência inicial nos 15,26 cents/lb, máxima da semana passada, seguida pela psicológica de 15,50 cents/lb.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 76,57/saca, alta de 0,76% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 19,99/saca (-1,04%). (Agência Estado 16/11/2015)

 

Saiba quem é o novo diretor da Copersucar

A Copersucar S.A. elegeu por unanimidade dos votos dos associados seu novo Diretor Administrativo e Financeiro e de Relações com Investidores. Ele assumiu oficialmente o cargo em 21 de setembro de 2015 e tem mandato até a Assembleia Geral Ordinária da companhia a ser realizada em 2017.

Quem é o novo diretor?

José Augusto Durand, brasileiro, casado, administrador de empresas, portador da Cédula de Identidade RG nº 16.858.155­SSP/SP e inscrito no CPF/MF sob o nº 116.431.138­79, com domicílio na cidade de São Paulo (SP).

De onde ele vem?

Durand ocupou o cargo de diretor de Produtos-Mesa Clientes do Itaú BBA, braço de atacado, tesouraria e investimentos institucionais do conglomerado Itaú. O Itaú BBA tem mais de 60 grupos sucroenergéticos do País na sua carteira de clientes.

Conheça mais sobre seu currículo Durand é graduado em Administração de Empresas pela FGV e obteve o título de Master Business Administration em Finanças pelo IBMEC. Começou no grupo financeiro em 1996 como gerente de Negócios de Operações Corporativas do BFB (Banco Francês e Brasileiro). Depois, foi gerente de Produtos no Banco Itaú, de 1999 a 2000, e operador chefe da Mesa Clientes Corporate de 2001 a 2002. Veio para a área de Mesa Clientes do Itaú BBA em 2003, tornando-se diretor em 2008.

Como fica o quadro de diretores da Copersucar?

A Diretoria Executiva da Copersucar passa a ser a seguinte: Paulo Roberto de Souza, no cargo de Diretor Presidente; Julio Alvarez Boada, no cargo de Diretor de Planejamento; e José Augusto Durand, no cargo de Diretor Administrativo e Financeiro e de Relações com Investidores, todos com endereço comercial na Avenida Paulista, 287, 3º andar, Bela Vista, São Paulo (SP). (Jornal Cana 16/11/2015)

 

Custo e viabilidade do sistema palha flex do CTC

Sistema Palha-Flex instalado na Ferrari Agroindustrial, em Pirassununga, SP.

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) fez um benchmarking quanto à estimativa de custos da tecnologia, comparando a planta instalada na Usina Ferrari que conta a tecnologia Palha Flex, desenvolvida pelo CTC - que não usa pré-chopper, tem uma indústria completa, com recepção, condicionamento, limpeza e trituração e capacidade de processamento de 25 t/h -, com uma Usina “A” – que utiliza o pré-chopper na agrícola e possui uma indústria simples (carregadora, trituração simplificada e processamento na ordem de 8 t/h).

Na Ferrari, os custos médios ficaram na ordem de R$ 90,00/ t de palha, sendo dois terços destes custos da área agrícola e um terço da área industrial. Na Usina “A”, o custo final da matéria-prima foi de R$ 110,00/t de palha. “A principal diferença foi na operação de enfardamento. Com uso de pré-chopper, praticamente dobraram os custos agrícolas da operação de enfardamento. E como a indústria é simples, teve custo industrial um pouco inferior”, relata Henrique D´Avila, especialista de negócios do CTC.

Na relação do custo do bagaço equivalente, considerando uma palha com poder calorífico de 70% acima do bagaço, na Ferrari o custo final foi de R$ 53,00/ tonelada de bagaço equivalente, enquanto na usina “A” esse custo foi de R$ 65,00/ tonelada de bagaço equivalente.

Mas é viável investir em projeto de recolhimento de palha? “Fizemos uma análise de viabilidade considerando um cenário para cogeração de energia elétrica. Neste cenário, a principais premissas que consideramos é que a usina já tem capacidade adicional de exportação de energia e não consideramos investimentos adicionais em cogeração e sim no sistema de recolhimento de palha, para um módulo de 100 mil t, com umidade de palha de 15%”, explica.

Fazendo uma conversão para cogeração de 0,75 MWh por tonelada de palha, com custo final desta palha de R$ 90,00/ tonelada, um custo de capital de 11%, e com preço da energia variando de R$ 150,00 a 350,00 por MWh, se tem o seguinte:

“Para este cenário, com preço de energia a partir de R$ 200,00/ MWh já temos indicadores econômicos interessantes que justificariam investimentos em recolhimento de palha”;

“Com preço de energia a R$ 150,00, também há viabilidade, mas o pay back não fica tão interessante em função do investimento”. (Cana Online 16/11/2015)

 

Setor do álcool fecha 300 mil postos de trabalho desde 2008

O endividamento após a crise de 2008, impulsionado pela política de controle do preço da gasolina, gerou a paralisação ou o fechamento de cerca de 60 usinas de açúcar e etanol, algumas delas em São Paulo, principal Estado produtor e maior consumidor de etanol no país.

Sem capital e com dívidas em dólar, o setor ficou ainda mais sufocado com o controle artificial do preço da gasolina, que deixou o etanol sem competitividade, e com excesso de açúcar no mercado global, que derrubou os preços da commodity.

Desde então, 300 mil vagas de emprego foram fechadas na cadeia do setor.

"A crise de 2008 fez o setor estagnar, tanto por falta de uma política para o etanol quanto pelo ciclo de excedente de açúcar muito forte", disse Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Além das unidades paralisadas, a crise afetou também outras 50 usinas, que estão em recuperação judicial, de acordo com estimativa de entidades do setor.

Entre as unidades paralisadas, estão cinco na região de Ribeirão Preto, mais tradicional polo do setor, com 40 usinas. Isso contribuiu, também, para o desaparecimento dos boias-frias de lavouras em cidades como Guariba.

"Apesar de todas as crises pelas quais o setor passou, agora é o pior momento. Além de atingir todo o país, a crise atual para a cana é de empregos. O setor desempregou muito nos últimos anos com a mecanização e o fechamento de usinas", afirmou Wilson Rodrigues da Silva, 49, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Guariba desde 1992.

Levante de 1984

A cidade é considerada um ícone do setor, por ter abrigado em 1984 um levante que foi essencial para o início das melhorias nas condições trabalhistas nas lavouras.

Sem condições adequadas de transporte, água ou marmita térmica e equipamentos de proteção individual, os trabalhadores rurais se rebelaram quando as usinas queriam aumentar o total de cana-de-açúcar colhida por empregado diariamente –a média, então, era de seis toneladas diárias. O levante terminou com um morto e 30 feridos, sendo 14 a bala.

À época, eram mais de 10 mil boias-frias na cidade. Hoje, no entanto, restam somente 750 filiados ao sindicato. A população local é de 38 mil habitantes.

O cenário para os próximos anos é incerto, na avaliação de Silva, devido à situação econômica do país e às dívidas que as usinas têm.

Para o diretor da Unica, administrar a pressão da mão de obra social impactou no custo de produção das usinas, que agora ganharam um "fôlego" com a redução do ICMS em Minas Gerais e o aumento da Cide (cobrada na gasolina).

Com isso, Minas superou o Paraná e passou a ser o segundo maior mercado de etanol no país, atrás apenas de São Paulo, que, sozinho, consome mais da metade do combustível produzido.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), as vendas de etanol hidratado (usado diretamente nos veículos) cresceram 42,4% de janeiro a setembro deste ano em relação ao mesmo período o ano passado. (Folha de São Paulo 16/11/2015)

 

Levy sinaliza que quer deixar o governo

Nos últimos dias, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem trocado correspondências com a presidente Dilma Rousseff e conversado com ministros palacianos sinalizando que quer deixar o governo. De acordo com fontes próximas ao ministro, uma dessas conversas ocorreu na noite de quinta­feira. Levy, segundo essa autoridade, não pretende deixar o governo imediatamente, não quer se indispor com a presidente e se esforçará para sair tão bem quanto entrou. A avaliação pessoal dele é que tem se tornado uma voz isolada na política econômica do governo.

Essa não é a primeira vez que o ministro da Fazenda demonstra insatisfação. Quando o governo cortou R$ 69,9 bilhões em gastos no Orçamento no início do ano, Levy não apareceu para divulgar a decisão e não escondeu seu descontentamento. Voltou a subir o tom quando a presidente Dilma decidiu enviar ao Congresso um Orçamento com déficit, o que levou o país a perder o grau de investimento.

Não há decisão sobre o substituto de Levy ou quando a troca será feita, mas há uma certeza no governo de que ele deixará o cargo. O nome do diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Otaviano Canuto, voltou a circular como um provável substituto. De acordo com uma autoridade ouvida pelo Valor, o nome agrada a presidente Dilma. Canuto trabalhou na equipe do ex­ministro Antonio Palocci e é um crítico da nova matriz econômica, que marcou o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Na semana passada, o ministro Levy soltou uma longa nota agradecendo a senadores a participação num jantar em que fora duramente criticado. O documento também detalhou a visão da política econômica do ministro e foi interpretado por assessores como um primeiro sinal de que ele estaria construindo seu discurso de saída do ministério.

"A proposta de permanente avaliação, priorização e disciplina do gasto público e um orçamento com receitas sólidas é a manifestação imediata desse entendimento, e permitirá a iniciativa privada e a população ter confiança e levar avante seus planos e sonhos, traduzindo­se na retomada econômica".

Levy vem sendo criticado por resistir a adotar medidas que possam estimular a economia no curto prazo, uma exigência do ex­presidente Lula. A avaliação é que o ministro tem um discurso único de ajuste fiscal. (Valor Econômico 16/11/2015)