Macroeconomia e mercado

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PROÁLCOOL 40 ANOS: a primeira política pública voltada ao álcool no Brasil foi adotada nos anos 30

Segundo Luiz Carlos Correa Carvalho, o Caio, presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e da Canaplan, a experiência do Brasil com o etanol e o Proálcool é extraordinária.

Mas as ações do país voltadas à promoção do biocombustível são anteriores à criação do IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), em 1933, e do Proálcool, em novembro de 1975.

“A experiência do Brasil com etanol é muito anterior ao Proálcool, ao carro a álcool e aos carros flex. Veio antes mesmo da criação do IAA”, relata Caio. Nos anos 20 já existia um veículo movido a álcool no país.

A primeira experiência de uso do etanol como combustível no Brasil aconteceu em 1925, com um automóvel adaptado para funcionar com álcool etílico hidratado, que foi intensamente testado. A responsável por esta experiência foi a Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (futuro Instituto Nacional de Tecnologia) – www.int.gov.br.

Pouco depois, em 1927, estudos indicam que a Usina Serra Grande, de Alagoas, foi a primeira do país a produzir etanol combustível. Iniciativa que, mais tarde, enfrentou sérias dificuldades por conta da queda dos preços do petróleo.

Em 1931 surgiu a primeira política pública de uso do álcool, que foi mandatória. “Era um decreto (197.717, de 20 de fevereiro de 1931) que tornava obrigatória a mistura do biocombustível à gasolina, além de obrigar veículos oficiais a utilizarem um combustível com mistura mínima de 10% de álcool”, relata Caio. (Cana Online 18/11/2015)

 

Petrobras x Governo: quem vai elevar a gasolina a R$ 5?

Nos próximos meses, será inevitável um duelo entre o governo e a Petrobras pelo reajuste da gasolina e do diesel. Ambos têm bala na agulha para determiná-lo: o primeiro, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a famosa Cide; a segunda, simplesmente elevando os preços nas refinarias. Ambos precisam do aumento para tapar parte do rombo em suas contas. Por isso, será um típico confronto do Velho Oeste: vencerá quem sacar primeiro.

A única certeza, por enquanto, é que o consumidor será a primeira vítima da disputa. Se as previsões dos economistas forem confirmadas, o brasileiro pagará, em média, quase R$ 4 por litro de gasolina. No Acre e no Amazonas, em que o preço já ultrapassa os R$ 4,50, o reajuste levará o preço para cerca de R$ 5. No geral, os especialistas projetam um reajuste de 5% a 6% para a gasolina em 2016, mas há quem estime ainda mais. Em um relatório de 12 de novembro, assinado por seu economista-chefe, Ilan Goldfajn, o Itaú projeta uma alta de 10% nas refinarias e de 8% nos postos. Isso em um cenário em que o banco descarta o aumento da Cide sobre os combustíveis.

“Há uma competição entre a Fazenda e a Petrobras pelo preço da gasolina”

“Há uma competição entre a Fazenda e a Petrobras pelo preço da gasolina”, afirma Adriano Pires, especialista em petróleo e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Mas, neste momento, a disputa é mais favorável à Petrobras”, observa. A estatal conta com bons (ou maus, dependendo do ponto de vista) argumentos para convencer o governo de que merece ficar com o dinheiro gerado pela alta dos combustíveis.

Farinha pouca

O mais óbvio é que a empresa está descapitalizada, ou seja, tem menos dinheiro do que o necessário para pagar suas despesas do dia-a-dia, suas dívidas e arcar com seus investimentos. No acumulado até setembro, a dívida total da empresa subiu 44%, para R$ 506,5 bilhões. Sua dívida líquida (aquela que desconta o que a empresa possui em caixa) também cresceu 43%, para R$ 402 bilhões. Além disso, o esforço para quitar os compromissos está maior. A relação entre a dívida líquida e o Ebtida subiu de 4,77 vezes para 5,24 vezes. Isso significa que, agora, a empresa precisaria de mais de 5 anos de caixa para pagar tudo o que deve.

O contra-argumento do Palácio do Planalto ao reajuste de preços pela Petrobras é que, neste momento, o mercado é favorável à estatal. Isto porque, com a cotação do petróleo ao redor de US$ 40 por barril, é lucrativo para a empresa importar derivados e revendê-los por aqui. “Sem uma mudança no cenário, o governo pode dizer que não há sentido para a empresa subir os preços”, diz Luis Gustavo Pereira, estrategista-chefe da Guide Investimentos. Para ele, a estatal só conseguirá pleitear um aumento dos combustíveis, se o petróleo subir para a casa dos US$ 45; e o dólar ficar entre R$ 4 e R$ 4,50.

O governo também tem um argumento forte para reivindicar o direito de aumentar os combustíveis: um rombo previsto de R$ 30 bilhões no Orçamento de 2016. O plano “A” da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe econômica é ressuscitar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ( CPMF ), criada em 1996 e extinta em 2007. A ideia, porém, enfrenta todas as resistências possíveis do Congresso e dos empresários, que rejeitam o aumento de impostos antes que o governo apresente uma redução crível de gastos.

Meu pirão primeiro

Na melhor das hipóteses, o Planalto só conseguirá aprovar a CPMF no início do segundo semestre. Como todo imposto precisa de 90 dias para entrar em vigor, ela só encorparia os cofres públicos no fim de 2016. Por isso, Dilma e companhia avaliam, cada vez mais, um plano “B” – o aumento da Cide sobre os combustíveis. Após 3 anos zeradas, o governo elevou as alíquotas em 19 de janeiro. Sobre a gasolina, o impacto foi de 10 centavos por litro. Coube aos postos decidir quanto disso seria repassado aos consumidores.

Um novo aumento da Cide, contudo, causa polêmica no Congresso e no próprio governo. O relator para receitas da Comissão Mista de Orçamento, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), negou-se a incluir a Cide no relatório que enviou aos seus pares, argumentando que o país não tolera mais impostos. Já o relator geral do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), defendeu que a Cide sobre a gasolina suba para 50 centavos por litro. Para o parlamentar, essa é a única alternativa do Planalto para levantar dinheiro rapidamente, já que a CPMF ficará na gaveta por um bom tempo, e a Cide pode ser elevada sem a autorização do Congresso.

Parte da equipe econômica também resiste à ideia. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já declarou publicamente ser contrário à proposta, alegando que a Cide geraria uma pressão inflacionária maior que a da CPMF.

Por último, é preciso lembrar que, vença quem for, qualquer aumento da gasolina gerará um efeito imediato dos consumidores: o maior consumo de etanol. Na realidade, essa troca já está em andamento. No terceiro trimestre, a Petrobras vendeu uma média de 540 mil barris diários de gasolina e 953 mil barris de diesel. Isso significa, respectivamente, uma queda de 12% e 9,5% sobre o mesmo período do ano passado. Como a gasolina é consumida, majoritariamente, por carros de passeio e o diesel, por veículos de carga, os analistas tendem a interpretar a primeira queda como migração para o etanol (já que os carros são flex) e a segunda, como reflexo da crise econômica.

Para o mercado, a solução desse impasse será bastante significativo. Se o governo sacar primeiro e elevar a Cide, deixará pouca ou nenhuma margem para que a Petrobras reajuste os combustíveis na refinaria. “Se isso acontecer, mostrará que nem mesmo o governo está preocupado com o futuro da empresa”, observa Pires, da CBIE. Mas, no tiroteio em que se transformou a economia brasileira, vale, cada vez mais, o princípio do salve-se quem puder. (Portal Terra 18/11/2015)

 

Consecana-SP volta a divulgar ATR; outubro tem alta de 9,18% no valor mensal

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) voltou a divulgar, nesta quarta-feira (18), os valores do quilo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) mensal e acumulado. Desde março deste ano, o Conselho havia restringido o acesso a essas informações somente para os associados da Orplana e da Unica.

Mas, a partir de agora, a divulgação desses valores será feita normalmente, só que com um atraso de aproximadamente quinze dias, segundo o economista da Unica, Luciano Rodrigues.

Sendo assim, a UDOP volta a disponibilizar esses dados em seu portal assim que receber o valor do ATR do Consecana-SP. Vale ressaltar que a circular continuará restrita aos associados, seguindo a determinação do Conselho.

ATR

Segundo o Consecana, o ATR registrou alta de 2,27% no acumulado, cotado a R$ 0,4902 em outubro ante R$ 0,4793 em setembro. O valor mensal teve valorização de 9,18%, passando de R$ 0,5007 em setembro para R$ 0,5467 em outubro.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam outubro em R$ 53,52 a tonelada, alta de 2,27% ante os R$ 52,33 a tonelada no mês anterior. A cana esteira também subiu 2,27%, negociada a R$ 59,79 a tonelada contra os R$ 58,46.

Os valores do ATR São Paulo estão disponíveis na página inicial do portal UDOP. (UDOP 18/11/2015)

 

Mudança no padrão de consumo da população mundial projeta crescimento de 80% no agronegócio brasileiro

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, encerrou o Fórum “Protagonismo do Agronegócio Brasileiro”, nesta segunda-feira (16), em Porto Alegre, destacando a importância estratégica do agronegócio. “Buscamos manter a lógica de aliar competência com produtividade”, observou Carvalho, lembrando que o agronegócio brasileiro responde atualmente por 24% do PIB nacional, por 40% das exportações e por 30% dos empregos do país. Carvalho mirou no futuro e projetou mais crescimento em função da mudança do padrão de consumo e crescimento da população interna e mundial.  “A produção de alimentos deve crescer 80% nos próximos anos. E o Brasil será o maior protagonismo global”, disse.

Essa liderança deve acontecer em paralelo com a expansão da oferta com sustentabilidade e integração das cadeias e também com a aposta em uma estrutura logística competitiva e sistêmica que inclua todos os modais de transporte. Em tempos de crise, o presidente da entidade ainda falou sobre as preocupações do setor que surgem com o desequilíbrio econômico. “Precisamos de reformas de Estado, da previdência e da política no Brasil”, destacou Carvalho.

Outra concorrida participação no Fórum, realizado pela Abag,  foi do sócio do Demarest Advogados, Renato Buranello, que apresentou o conceito atual do setor que se inicia pelo fornecimento de insumos, passa pela produção, processamento e armazenamento até chegar à distribuição. “Cerca de 65% do PIB do agro está fora da porteira. O grande desafio do setor é conseguir agregar mais valor a produção”, destacou.

Para isso é necessário maior investimento e, por consequência, novas fontes de financiamento. “Já temos os instrumentos e agora é preciso aperfeiçoá-los”, concluiu ao defender a emissão direta de títulos para os mercados de capitais para que seja mantida a relação direta com os investidores. “O setor precisa de maior prazo, menor custo e maior previsibilidade”, insistiu o palestrante ao pedir melhor planejamento do Estado para o agronegócio.

No painel conduzido pelo analista da MB Associados, Sérgio Vale, o palestrante não foi nada otimista ao pontuar que a expectativa é de que o cenário de recessão no Brasil se prolongue pelos próximos anos se nada for mudado na política econômica do país. 

Vale argumentou que a queda na atividade produtiva não tem relação com o agronegócio que vem crescendo de forma expressiva. “Para esse resultado se refletir na economia de uma forma geral, precisamos de reformas, caso contrário, no curto prazo, o grau de deteriorização vai acontecer em ritmo acelerado”, avaliou Vale, acrescentando que só a longo prazo, após esse período de incertezas políticas, a perspectiva pode voltar a ser positiva. (Canaoeste 18/11/2015)

 

Preços do açúcar despencam 40 pontos na bolsa de Nova York

Depois de começar a semana em alta, os preços do açúcar despencaram nesta terça-feira (17). Em Nova York, no vencimento março/16, a commodity foi comercializada a 14,78 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 40 pontos no comparativo com a véspera. Nas telas maio/16, a retração foi de 39 pontos e no lote julho/16, de 36 pontos.

Em Londres, os preços do açúcar também caíram no vencimento março/16. A commodity foi comercializada a US$ 396,50 a tonelada, recuo de 8,80 dólares no comparativo com o dia anterior. Nos outros lotes, o açúcar oscilou negativamente entre 6,60 a 8,90 dólares.

Segundo a consultoria Zaner Group, os fatores externos têm exercido forte influência sobre as negociações nesta semana e, apesar do dólar em queda favorecer a valorização do açúcar, o petróleo, que opera no negativo, acaba tendo maior influência. No campo dos fundamentos, surgem novas indicações de que a Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo, não contribuirá para uma oferta global maior, de acordo com o divulgado na análise do jornal Valor Econômico de hoje (18).

Mercado doméstico

No mercado interno, os negócios foram firmados em R$ 77,15 a saca de 50 quilos do tipo cristal. Uma alta de 0,22%, segundo dados do Cepea/Esalq, da USP.

Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com compradores diminuindo um pouco as aquisições no spot, representantes de usinas ainda estão firmes nos valores de venda do açúcar cristal. As chuvas que ocorreram no período não foram muito intensas e a produção nas usinas foi interrompida somente no início da semana passada.

No entanto, com as precipitações acumuladas nos últimos três meses, a cana-de-açúcar pode ter a qualidade prejudicada para a produção do cristal. Desta forma, o mercado pode ter redução de oferta, com volumes de açúcar cristal restritos ao necessário para cumprir contratos, em especial durante o período de entressafra.

Etanol

Ontem, os preços do etanol hidratado medidos pela Esalq/BVMF ficaram estáveis. Os negócios foram firmados em R$ 1.670,00, o metro cúbico do biocombustível. (UDOP 18/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

IBC-Br acumulou queda de 1,4% no terceiro trimestre

O IBC-Br, proxy mensal do PIB, caiu 0,5% na margem em setembro, segundo os dados divulgados há pouco pelo IBGE, em linha com nossa expectativa de retração de 0,4%. Com isso, acumulou queda de 1,4% no terceiro trimestre, sucedendo recuo de 2,1% nos três meses anteriores. Na comparação interanual, o indicador registrou contração de 6,2%. Esse resultado, portanto, reforça nossa expectativa de retração de 1,5% do PIB no período, dado que será divulgado pelo IBGE no início de dezembro.

Atividade

IBGE: Setor de serviços registrou nova queda em setembro

A receita real do setor de serviços caiu 4,8% em setembro, em relação com o mesmo período do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo IBGE. O resultado, que marcou a sexta contração consecutiva, foi ocasionado pela queda de todos os segmentos pesquisados, na mesma base de comparação. Dentre aqueles que entram no cômputo do PIB, dois registraram resultado inferior ao observado no mês anterior. O ramo de serviços de informação e comunicação apresentou queda interanual de 0,7% em setembro, abaixo da alta de 0,3% verificada em agosto. No me’smo sentido, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 6,4%, ante retração de 4,3% no mês anterior. Por fim, outros serviços caíram 9,9%, sucedendo variação negativa de 12,6%. Dessa forma, os dados sugerem nova queda do PIB no terceiro trimestre deste ano.

FGV: Indicadores antecedente e coincidente avançaram em outubro, sugerindo alguma melhora da atividade no período

O Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE) calculado pela FGV avançou 1,8% na margem em outubro, conforme reportado ontem. O resultado, que sucedeu recuos de 1,9% e 2,1% em agosto e setembro, respectivamente, refletiu o desempenho positivo de seis dos seus oito componentes. O Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE) também subiu no período, ainda que em menor magnitude. A alta de 0,2% na passagem de setembro para o mês passado foi impulsionada por quatro dos seus seis componentes. Assim, os índices apontam para alguma recuperação da atividade em outubro, mas que ainda continuará em baixo patamar.

Fiesp/Ciesp: Emprego industrial manteve trajetória de queda em outubro

A indústria paulista registrou demissão líquida de 20,5 mil empregados em outubro, segundo informado ontem pelo sistema Fiesp/Ciesp. O resultado é equivalente a um recuo de 0,83% no nível de emprego na margem, de acordo com os dados dessazonalizados. Essa foi a décima queda consecutiva nessa comparação. Em relação ao mesmo mês de 2014, houve retração de 9,6%, impulsionada pelo declínio do emprego em todas as categorias pesquisadas, com destaque para a variação negativa de 15,8% do segmento de máquinas e equipamentos. Assim, em doze meses, o emprego na indústria paulista acumula contração de 6,9%. Dessa forma, o resultado reforça nossa projeção de redução de 150 mil postos de trabalhos formais no País, no mês passado, dado a ser divulgado pelo Caged, em data ainda não definida.

Anda: Entregas de fertilizantes recuaram em outubro

As entregas de fertilizantes ao consumidor final somaram 3.338 toneladas em outubro, o equivalente a uma queda de 10,5% em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados ontem pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Já a produção de fertilizantes, por sua vez, aumentou 5,8%, enquanto as importações, no sentido oposto, registraram queda de 2,8% na margem. Nos primeiros dez meses do ano, as entregas acumularam recuo de 6,3% frente ao mesmo período de 2014, movimento seguido pelas importações que caíram 13,4% no mesmo período. Já produção, de forma oposta, registrou alta de 3,1%, nessa métrica. O resultado mais fraco no ano é explicado pela desvalorização do câmbio, que encareceu os produtos importados, e a postergação das compras pelos agricultores, sugerindo que os próximos resultados devam surpreender ligeiramente para cima.

Fiscal

Receita: Arrecadação de impostos registrou queda real de 11,3% em outubro

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 103,5 bilhões em outubro. Esse foi o menor resultado para o mês desde 2009. Com isso, acumulou retração real de 4,5% no ano, somando R$ 1,0 trilhão. A desaceleração da economia voltou a pesar sobre as contas públicas no último mês. A arrecadação de IR-PJ e CSLL das empresas acumulou recuo de 12,7% nos dez primeiros meses do ano e com o PIS e a Cofins, 3,9%. Na mesma direção, as desonerações de impostos concedidas pelo governo nos últimos anos representaram uma perda de R$ 87,4 bilhões ao governo, de janeiro a outubro. Por outro lado, as medidas de ajuste fiscal adotadas desde o início do ano, como o aumento da Cide, tiveram impacto favorável sobre a arrecadação. De todo o modo, o resultado divulgado ontem sugere um déficit primário de R$ 10,4 bilhões do Governo Central em outubro.

Internacional

EUA: A despeito do comportamento dos dados de inflação e produção industrial em outubro, mantemos nossa expectativa de normalização da política monetária em dezembro

A produção industrial norte americana recuou 0,2% na passagem de setembro para outubro, excetuados os efeitos sazonais, conforme divulgado ontem pelo Federal Reserve. O resultado sucedeu uma queda de mesma magnitude no mês anterior e ligeiro avanço de 0,1% em agosto, de acordo com os dados revisados. Além disso, situou-se abaixo das expectativas do mercado, que esperava estabilidade na margem. Analisando setorialmente, as maiores retrações foram observadas nos segmentos de vestuário e mineração, que caíram 2,6% e 1,5%, respectivamente. Em relação ao mesmo período do ano passado, a atividade industrial cresceu 0,3%. Já o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,2% em outubro, segundo dados divulgados ontem, em linha com as projeções do mercado. O resultado, que interrompeu duas deflações consecutivas, refletiu o aumento dos preços de energia, que avançaram 0,3% no mês passado, após recuar 4,7% em setembro. Na comparação interanual, a alta também foi de 0,2%. A despeito da surpresa negativa com os dados de produção industrial, mantemos nossa visão de que o Fed iniciará o processo de normalização da taxa de juros já no mês que vem, devido à melhora do mercado de trabalho e do consumo das famílias.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão do dia em queda, após o presidente da China, Xi Jinping, afirmar em discurso que a economia do país enfrenta pressões baixistas. Os mercados acionários europeus também são cotados em baixa nesta manhã, diante dos desdobramentos dos atentados de sexta-feira. Os índices futuros norte-americanos acompanham o movimento negativo, à espera da divulgação da Ata do Fed.

O dólar perde força ante as principais moedas, com exceção do ringgit, da rúpia e do won. Entre as commodities, o petróleo avança neste momento, refletindo a queda inesperada dos estoques norte-americanos na última semana, reportada ontem pelo American Institute of Petroleum. As metálicas industriais registram movimentos divergentes, com o alumínio em alta e o cobre apresentando perdas, diante de expectativa de que os cabos de transmissão de energia chineses, fabricados com cobre, possam ser substituídos por alumínio. Já as principais agrícolas, por sua vez, estendem o movimento da véspera, com o trigo em queda e as demais cotadas no campo positivo. No mercado doméstico, os principais ativos deverão reagir à manutenção dos vetos presidenciais e à mudança da meta fiscal deste ano.