Macroeconomia e mercado

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Preço e oferta de etanol: governo mantém silêncio e fica na torcida

O governo mantém silêncio sobre a disparada de 14% no preço do etanol hidratado e de 17% no do anidro nas usinas nos últimos 30 dias, aumento devidamente repassado ao consumidor e captado pelos indicadores de inflação. Por muito menos, num passado recente, uma alta dessa magnitude terminou em gritaria e com empresários do setor enquadrados. Mas a história é outra desta vez e pode explicar o atual silêncio. O governo caminha no fio da navalha com oferta e demanda ajustadas e preços de etanol e gasolina pressionados.

Na semana passada, o etanol anidro chegou a R$ 2,01 o litro nas unidades produtoras e atingiu o mesmo patamar do valor médio da gasolina vendida às distribuidoras, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com isso, o preço da gasolina C - aquela vendida nos postos e misturada com até 27% de anidro - começou a ser freado não mais pelo etanol barato, mas, paradoxalmente, pelo preço da gasolina A. Essa gasolina pura, sem a mistura, ao contrário do álcool anidro, segue com preços estáveis nos mesmos 30 dias.

Para piorar, em plena recessão o consumo dos dois combustíveis não cai e o desespero do governo aumenta com o cenário no curto prazo, de oferta restrita dos dois lados. A safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do País e a produção de etanol começam a minguar. O mercado de petróleo, apesar da queda recente, vive pressionado pelas respostas bélicas de países como França, Rússia e Estados Unidos ao Estado Islâmico no Oriente Médio.

A redução da mistura do anidro à gasolina, uma das saídas clássicas para enquadrar usineiros e tentar derrubar o preço do etanol, sequer foi cogitada. A vítima acabaria sendo a já combalida Petrobras, que teria de aumentar custos com a importação e o processamento de petróleo. Segurar as exportações de etanol e aumentar a oferta do biocombustível no mercado interno também não ajudaria. As vendas externas de álcool são menores que no passado e ainda dependem de janelas pontuais, hoje fechadas pelo mercado consumidor.

Sem as tradicionais armas para intervir no mercado, resta ao governo torcer. Primeiro para que a recessão atinja o consumo de etanol e gasolina. A demanda menor derrubaria preços e frearia os impactos desses combustíveis na inflação. Outra torcida é para que petróleo e dólar sigam ao menos estáveis e mantenham o raro momento no qual o preço da gasolina pura segura o preço da gasolina na bomba.

É o rabo balançando o cachorro. Mas o cachorro, no caso o etanol, agora está fortalecido e vai seguir assim ao menos até abril de 2016, quando uma nova safra de cana começa e a oferta do biocombustível deve aumentar. Até lá, silêncio e torcida. (Agência Estado 19/11/2015)

 

Produção de etanol de milho em Mato Grosso gera debate na Câmara dos Deputados; questão energética é prioridade

Embora o tema ainda seja tratado com reservas, até mesmo entre os especialistas e setores do agronegócio, os deputados federais Carlos Bezerra (PMDB) e Fábio Garcia (PSB) assumiram a ponta do debate, na Câmara dos Deputados, sobre o crescimento da fabricação de etanol de milho, em Mato Grosso.

Atualmente, Mato Grosso já transforma 220 mil toneladas de milho em 88 milhões de litros de etanol e essa indústria tem potencial para crescer muito mais em curto prazo.

Carlos Bezerra lembra que os produtores calculam que é possível chegar a 4 bilhões de litros de etanol por safra. "Um número impressionante, que é promessa de riqueza para o meu Estado", disse ele, para a reportagem do Agro Olhar/Olhar Direto.

Bezerra disse que tem acompanhado o desempenho da indústria alcooleira mato-grossense ao longo dos últimos anos. Ele ressaltou o esforço dos empreendedores para chegar a esse nível de produção. "E também consigo perceber o tamanho dos possíveis benefícios à economia do estado se a tendência de crescimento da fabricação de álcool se confirmar", argumentou o parlamentar do PMDB.

Fábio Garcia avalia que Mato Grosso foi o Estado onde se instalou a primeira usina "flex" do Brasil: uma usina capaz de produzir álcool tanto a partir de cana-de-açúcar quanto de milho.

O deputado do PSB cita que foi no município de Campos de Júlio, onde uma destilaria que já produzia álcool de cana desde 2006 decidiu investir na adaptação de seus equipamentos ao uso do milho como matéria-prima.

Carlos Bezerra justifica que, na safra 2012/2013, o novo procedimento ainda estava em fase de testes, mas já produziu 12 milhões de litros do combustível. De lá pra cá, a produção continua aumentando, e a usina já consome mais de 20% de todo o milho produzido no município.

A segunda usina no estado a produzir etanol a partir do milho se instalou no município de São José do Rio Claro. Até o fim de 2014, eram só essas duas, mas ao longo deste ano os projetos de instalação de outras plantas seguem em diferentes fases de andamento.

Especialista em energia, Fábio Garcia lembra que o processo de fabricação do etanol a partir do milho tem subprodutos muito úteis. Cada tonelada do cereal gera entre quase 400 litros de álcool etílico, mas não só isso; também se produzem cerca de 18 litros de óleo, e 220 a 240 quilos de um farelo de milho conhecido como DDG. Esse farelo tem alto teor proteico e pode ser usado na alimentação animal, sendo bem mais barato que o farelo de soja.

"Minha empolgação vem da confiança em que o negócio do álcool pode ser benéfico para todos", ponderou Bezerra. Além dos próprios empresários donos das usinas, também se beneficiam os produtores de milho, pelo aumento da demanda; os produtores de eucalipto, usado na secagem de grãos; e os pecuaristas, pela possibilidade de comprar uma ração mais barata.

Carlos Bezerra observou que os ganhos não são só para o setor privado, mas também para o setor público. Atualmente, a receita das exportações de milho de Mato Grosso não gera arrecadação ao Estado, devido à isenção de ICMS das exportações de commodities; isso mudaria com a transformação em etanol.

"Se os Estados Unidos produzem hoje mais álcool que o Brasil, isso se deve em grande parte a sua política clara de incentivo aos combustíveis renováveis. O Brasil deve seguir pelo mesmo caminho. Meu estado se orgulha de ser o maior produtor de milho do País. E eu parabenizo a Aprosoja e os produtores de Mato Grosso pela luta para nos transformar também em grandes produtores de etanol.", completou Bezerra. (Agro Olhar 19/11/2015)

 

Dilma quer nova CPMF aprovada até julho, aumento da Cide não tem espaço até lá

A presidente Dilma Rousseff avisou sua equipe econômica que vai atuar pessoalmente para tentar aprovar a nova CPMF até julho no Congresso e que, até lá, propostas como o aumento da Cide (tributo cobrado sobre a venda de combustíveis) não têm seu aval como alternativa para salvar as contas públicas.

Segundo a Folha apurou, a presidente tem feito reuniões específicas sobre o tema e recebeu relatos, inclusive do vice-presidente Michel Temer, sobre a melhora do cenário para recriar o imposto.

Temer afirmou a Dilma que tem sido procurado por empresários e banqueiros, como o presidente do Itaú, Roberto Setubal, e do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que defendem a volta do tributo como uma "saída viável" à crise econômica do país.

O vice disse a Dilma que, mesmo sendo contra o imposto, caso haja consenso de que não há outra saída para o buraco fiscal, não será ele quem vai impedir as articulações pela volta da CPMF.

No início de setembro, Temer ensaiou defender o aumento da Cide como uma das saídas para a crise econômica, mas recuou após sofrer pressão de diversos setores de seu partido, o PMDB. A proposta de Temer, feita a partir de sugestão do ex-ministro Delfim Netto, poderia gerar uma receita adicional de R$ 14 bilhões, sendo R$ 11 bilhões para a União e R$ 3 bilhões para Estados e municípios.

Até o fim do ano, Dilma promete intensificar reuniões com deputados, senadores, prefeitos e governadores e, entre seus argumentos, estará o fato de o mercado ter acenado sobre o retorno do imposto como "a única saída".

Responsável pela articulação política do Planalto, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) também relatou à chefe ter recebido relatos de setores produtivos que já veem o tributo com menos resistência.

Mas, desde setembro, quando o governo propôs a recriação da CPMF como uma das medidas para cobrir o rombo fiscal, a maior parte dos parlamentares rechaça a ideia de aprová-la, para não ficar com o ônus da criação de um novo tributo no país.

Por isso, apesar do otimismo de Dilma de levar adiante a ideia, Temer alertou a presidente que não há consenso político neste momento para aprovar a CPMF no Congresso. (Folha de São Paulo 19/11/2015)

 

Subsídio indiano pressiona e preço do açúcar busca suporte em 14,30 cents

A aprovação de subsídios para produtores de açúcar na Índia derrubou os futuros de demerara ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Para participantes, o tombo de 2% já embutiu o novo fundamento, e a expectativa agora é de que as cotações permaneçam acima de 14,30 cents por libra-peso, patamar que figurou como suporte nesta quarta-feira.

O objetivo com os incentivos é reduzir o encargo financeiro para usinas que operam com prejuízos e também incentivar as exportações. O governo deve pagar um subsídio de 45 rupias (US$ 0,68) por tonelada de cana produzida, afirmou o chefe do Ministério de Energia, Carvão e Energias Renováveis do país, Piyush Goyal.

Vale lembrar que em setembro a nação asiática, segunda maior produtora de cana do mundo, já havia estipulado uma meta ambiciosa de exportar 4 milhões de toneladas de açúcar refinado durante a safra atual, que teve início em 1º de outubro.

"As especulações sobre os subsídios já pressionaram os preços na terça-feira. Ontem, com a confirmação, houve nova queda", comentou Michael McDougall, diretor do Société Générale, em Nova York. Para ele, ainda é incerto o rumo que os futuros tomarão a partir de agora. Apesar de a informação ser baixista num primeiro momento, será necessário aguardar o desenrolar da safra na Índia para que o volume de exportação pelo país seja de fato mensurado.

Por ora, os gráficos apontam suporte, portanto, nos 14,30 cents/lb, seguido pelo de 14 cents/lb. Para cima, a resistência voltou aos psicológicos 14,50 cents/lb.

Ontem, março caiu 31 pontos (2,10%) e fechou em 14,47 cents/lb, com máxima de 14,63 cents/lb (menos 15 pontos) e mínima de 14,26 cents/lb (menos 52 pontos). Maio recuou 26 pontos (1,81%) e terminou em 14,14 cents/lb. O spread março/maio variou de 38 para 33 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 77,03/saca, baixa de 0,16% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,39/saca (+0,99%). A moeda norte-americana ficou em R$ 3,7776 (-0,91%). (Agência Estado 19/11/2015)

 

Postergar a reforma do canavial traz economia, mas envelhece o canavial e reflete na produtividade

Segundo Cássio Paggiaro, diretor agrícola da Clealco, nesta safra a empresa terá aumento da produtividade agrícola, em relação à estimativa inicial do ciclo, em torno de 8%. Porém, as chuvas que aumentaram a produtividade estão dificultando a operacionalização da safra.

“E é assim em todo o Centro-Sul, mas principalmente em São Paulo. Estamos tendo mais cana e menos tempo para processar. Isso provavelmente leve a um volume de cana que não deverá ser processada nesta safra”, diz.

É difícil estimar ainda na Clealco quanta cana vai bisar. Depende do clima na reta final. “Com a normalidade das chuvas para essa época, que já são chuvas relativamente intensas, acima de 150 mm por mês, achamos que pode ficar de 5% a 10% de cana sem processar.”

Mas o clima influenciou tão positivamente na produtividade que, em áreas em que Paggiaro projetava produção menor e poderiam ser reformadas, foi surpreendido.

A boa resposta dos canaviais às chuvas inclusive levará a usina a postergar a reforma de algumas áreas. Mas o que contribui muito nessa decisão, em tempos de crise, é a economia que se tem ao poder deixar a substituição de uma área do canavial para depois.

E graças à influência de São Pedro, esta decisão poderá ser tomada pela maioria das empresas no Centro-Sul em parte considerável dos canaviais. Afinal, apesar de o cenário de preços dos produtos do setor estar melhorando, a situação econômico-financeira das empresas ainda precisa ser equilibrada.

“E diminuir o plantio significa gastar menos. Mas o produtor e a usina têm que colocar na planilha e ver reflexo do plantio menor daqui a um ano, dois anos, três anos. Quando reduz plantio, envelhece canavial, diminui a produtividade e, num médio espaço de tempo, reduz a produção como um todo”, sublinha Paggiaro.

A Clealco considera como média adequada de renovação a taxa de 18% por safra, mas nesse ano a média de reforma da empresa ficará em torno de 12%. “Estaremos bem abaixo do ideal, mas estamos apostando que algumas áreas terão bom desempenho durante mais um ciclo”, pontua Paggiaro. (Cana  Online 19/11/2015)

 

Grupo Carolo leiloa bens em Pontal para pagar crédito trabalhista

O grupo sucroenergético Carolo realiza nos dias 23 e 25 deste mês a primeira etapa do leilão de cinco imóveis rurais e um urbano, em Pontal (SP), sede da companhia, com valor mínimo total de R$ 15,62 milhões para os lances iniciais.

Segundo o administrador judicial da companhia, os recursos obtidos no leilão serão revertidos para o pagamento de créditos trabalhistas do processo de recuperação judicial da companhia, iniciado em fevereiro de 2014. "A parcela trabalhista está entre R$ 18 milhões e R$ 23 milhões e ainda depende da definição final dos credores habilitados", disse Leite ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O leilão será realizado simultaneamente na forma presencial e por meio eletrônico. Os lances presenciais poderão ser feitos no fórum de Pontal, à rua João dos Reis, 544 e ainda no auditório da leiloeira Superbid, em São Paulo (SP), na alameda Lorena, 800. Já o leilão eletrônico ocorrerá pelo site www.superbidjudicial.com.br. Caso não haja oferta de lances no primeiro pregão, um segundo certamente seguirá sem interrupção até 14 horas de 16 de dezembro.

Já o leilão da usina Planalto e da fazenda Manchúria, em Ibiá (MG), avaliadas em quase R$ 57 milhões, segue suspenso desde junho por determinação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), segundo o administrador judicial do Grupo Carolo. A suspensão ocorre por conta da divergência entre o valor aprovado na assembleia de credores e o estimado pela Justiça para os bens. (Estadão 19/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Ata da última reunião do FOMC reforça ainda mais nossa expectativa de início da normalização dos juros em dezembro

A ata do FOMC referente à sua reunião de outubro, divulgada ontem pelo Federal Reserve, reforçou ainda mais a expectativa de que irá iniciar a normalização da política monetária já no próximo mês. O documento mais uma vez destacou o fortalecimento do mercado de trabalho e o avanço dos ganhos salariais, que podem gerar pressões altistas na inflação do país à frente. Além disso, os membros do Fed ponderaram que o adiamento da elevação da taxa de juros poderá causar maior incerteza no mercado financeiro, bem como queda de confiança na economia. A sinalização dada pelo relatório também foi fortalecida pelos discursos feitos ontem por alguns dos membros do banco central norte-americano. Desse modo, reafirmamos nossa expectativa que o Fed inicie o processo, bastante gradual, de normalização dos juros em sua próxima reunião, que será realizada nos dias 16 e 17 de dezembro.

Atividade

CNI: Confiança da indústria apresentou alguma melhora em novembro

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu de 35,3 para 36,4 pontos entre outubro e novembro, conforme divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A melhora interrompeu uma sequência de quatro recuos consecutivos. Ainda assim, o indicador permanece abaixo do nível neutro de 50,0 pontos, sugerindo persistência da contração da atividade industrial. O movimento foi impulsionado, principalmente, pela melhor avaliação das condições atuais, que cresceram 3,4% na passagem de outubro para o mês corrente, excetuados os efeitos sazonais. O indicador de expectativas também cresceu no período, avançando 1,4%. Na comparação interanual, entretanto, o ICEI caiu 18,8%. Dessa forma, o índice, que foi o primeiro referente à atividade industrial de novembro a ser divulgado, sugere alguma melhora da produção do setor neste mês.

Sindusfarma: Vendas totais do mercado farmacêutico avançaram em outubro As vendas totais do mercado farmacêutico atingiram 286,5 milhões de unidades em outubro, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma). O resultado representa um avanço de 1,7% em relação a setembro, já descontados os efeitos sazonais. As vendas de medicamentos genéricos, por sua vez, somaram 85,8 milhões de unidades no mês, o equivalente a uma alta de 2,3%, na mesma métrica. Na comparação interanual, as vendas totais e de genéricos cresceram 2,0% e 9,8%, respectivamente. Já o valor nominal das vendas, alcançou R$ 6,544 bilhões no último mês, patamar 9,4% superior ao atingido em outubro do ano passado. Com isso, o valor médio por unidade foi de R$ 22,8, uma alta interanual de 7,3%, já considerando o ajuste dos preços realizado em abril. Para os próximos meses, esperamos desaceleração do crescimento das vendas e continuidade da mudança na composição da cesta de consumo em favor dos genéricos, resultado do enfraquecimento do mercado de trabalho e da renda das famílias.

Setor externo

BC: Movimento do câmbio foi novamente positivo na segunda semana deste mês

O fluxo cambial registrou superávit de US$ 1,5 bilhão na semana compreendida entre os dias 9 e 13 de novembro, conforme divulgado ontem pelo Banco Central. O resultado foi puxado, majoritariamente, pela conta financeira, que apresentou saldo positivo de US$ 1,5 bilhão. Esse comportamento, por sua vez, refletiu a entrada de US$ 8,3 bilhões, que superou a saída de US$ 6,9 bilhões. O saldo da conta comercial foi ligeiramente superavitário no período (US$ 41 milhões), refletindo a contratação de câmbio para exportações de US$ 2,4 bilhões e a saída de divisas para importações de mesma magnitude. Com isso, somado ao saldo também positivo da primeira semana, o fluxo cambial em novembro acumulou superávit de US$ 1,6 bilhão, essencialmente proveniente da conta financeira. No acumulado do ano, o resultado também é positivo, e alcança US$ 9,3 bilhões.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas fecharam o pregão de hoje no campo positivo, após a ata do FOMC sinalizar elevação da taxa de juros norte-americana em dezembro. No mesmo sentido, os mercados europeus operam em alta nesta manhã, diante da surpresa positiva com o saldo da conta corrente em setembro. Os índices futuros norteamericanos registram ganhos, também refletindo o relatório do Fed divulgado ontem. A redução da incerteza em relação ao início da normalização da política monetária dos EUA contribuiu para o fortalecimento das principais divisas ante o dólar, com exceção do rublo.

Entre as commodities, o petróleo apresenta direções divergentes, com o preço do tipo WTI em leve queda e o do tipo Brent em alta. Já as metálicas industriais ampliam as perdas desta semana, enquanto as principais agrícolas, exceto o trigo, registram elevação neste momento. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do IPCA-15 de novembro, para o qual esperamos avanço de 0,90%. Além disso, o mercado também acompanhará o resultado da PME de outubro, que deverá mostrar que a taxa de desemprego atingiu 7,8% no período, de acordo com nossas projeções. Por fim, os principais ativos poderão reagir à manutenção da maioria dos vetos presidenciais, ontem pelo Congresso, e ao enfraquecimento da divisa norte-americana no mundo.