Macroeconomia e mercado

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Menor demanda e necessidade de caixa interrompem alta no preço do etanol em SP

Os preços dos etanóis negociados entre usinas e distribuidoras se enfraqueceram na última semana no mercado paulista, interrompendo a sequência de altas de três meses. Além do pequeno aumento no volume ofertado, devido à necessidade de caixa de algumas usinas, a demanda recuou. Grande parte das distribuidoras mostra-se abastecida com as aquisições realizadas anteriormente, além do que o hidratado perdeu competitividade nos postos da maioria dos estados brasileiros já há algumas semanas.

Entre 16 e 20 de novembro, o Indicador Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do etanol hidratado foi de R$ 1,7313/litro (sem impostos, a retirar em usina), baixa de 0,6% em relação à semana anterior, encerrando a sequência de 12 semanas em alta. Para o anidro, que estava em alta há 11 semanas, a desvalorização foi de 1,9%, com o Indicador caindo para R$ 1,9752/litro (sem impostos, a retirar em usina).

Com pequenas baixas desde o dia 10, o Indicador diário do hidratado posto Paulínia Esalq/BM&FBovespa acumulou queda de 1,1% até a quinta-feira passada (na sexta, não foi calculado), fechando a R$ 1.665,50/m3 no dia 19.

Nos postos, na parcial de novembro (até o dia 12), o hidratado mostrou vantagem sobre a gasolina apenas em Mato Grosso, onde o preço do etanol equivaleu a 61,8% do valor da gasolina, dados ANP. Já em São Paulo, a cotação média do hidratado no mesmo período foi de R$ 2,446/l, correspondendo a 71,4% do valor da gasolina (R$ 3,428/l).

Do ponto de vista das unidades produtoras de açúcar e etanol, cálculos do Cepea mostram que o açúcar cristal remunerou 31% a mais que o anidro e 41% a mais que o hidratado na semana passada. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 7% a mais que o hidratado.

O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,5926/litro (sem impostos) na última semana. Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,4364/litro (sem impostos) e, com o anidro, de R$ 1,8632/litro (sem impostos).

No mercado internacional, o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Dezembro/15), na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), subiu 3,4% entre 13 e 20 novembro, com a média semanal a US$ 1,4708/galão (US$ 388,59/m3). Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Janeiro/16 teve média semanal de US$ 41,12/barril, alta de 2,8% comparando-se as últimas duas sextas-feiras. (Agência Estado 24/11/2015)

 

Subsídio pode não ser suficiente, dizem produtores de açúcar da Índia

As mais recentes medidas de incentivo anunciadas pelo governo da Índia aos produtores de cana-de-açúcar podem não ser suficientes para recuperar o setor da crise, avaliou a Associação de Produtores de Cana de Karnataka, no sul do país. "O governo deveria ter elevado o valor do pagamento e o subsídio não deveria ser ligado ao desempenho das usinas", afirmou Kurubur Shantakumar, presidente da associação.

Para que os produtores recebam o subsídio de 45 rupias indianas (US$ 0,68) por tonelada de cana, as exportações de açúcar nesta temporada precisam alcançar 80% da meta do governo, de 4 milhões de toneladas. "Não temos certeza de que as usinas irão conseguir alcançar a meta de exportação", disse Shantakumar.

Além disso, segundo ele, haverá uma pressão para que os agricultores vendam a cana-de-açúcar com desconto às usinas. Cinco anos consecutivos de superávit contribuíram para elevar os estoques de açúcar do país a 9,6 milhões de toneladas. Isso vem pesando sobre os preços locais e tornando inviável o pagamento das usinas aos produtores de cana.

Enquanto isso, os custos de produção no país são mais elevados que a cotação internacional de açúcar, o que torna as exportações da Índia pouco competitivas no mercado global. (Down Jones 24/11/2015)

 

Ritmo de alta diminui; volume negociado de açúcar cai

Os preços do açúcar cristal seguem em alta no mercado spot paulista, mas o movimento perdeu um pouco a força. Entre 16 e 23 de novembro, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, subiu 0,7%, fechando a R$ 77,38/saca de 50 kg nessa segunda-feira, 23.

De agosto até meados da segunda semana de novembro, as vendas de açúcar cristal no mercado spot estiveram em ritmo crescente – em outubro, foi registrado o maior volume captado pelo Cepea desde o início da safra 2015/16.

Na última semana, no entanto, a movimentação diminuiu e o volume dos negócios registrados pelo Cepea foi inferior ao período anterior. Esse cenário pode ser reflexo do recuo de compradores frente aos altos preços do açúcar. Do lado das usinas, vendedores mantiveram-se firmes quanto aos valores pedidos. (Cepea / ESALQ 24/11/2015)

 

PF prende pecuarista amigo de Lula em nova fase da Lava Jato

A Polícia Federal iniciou na manhã desta terça-feira (24) a 21ª fase da operação Lava Jato. O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso em um hotel de Brasília. Ele iria depor nesta tarde na CPI do BNDES. Bumlai possui investimentos no setor sucroenergético através da Usina São Fernando.

Segundo o advogado do pecuarista, Arnaldo Malheiros Filho, dois filhos de Bumlai, Maurício e Guilherme, também foram levados à PF de Brasília para prestarem depoimento nesta terça.

Malheiros Filho disse que ainda não sabe as acusações contra seu cliente e que, portanto, não poderia comentar a ação.

A secretaria da CPI foi comunicada pela 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas investigações da Lava Jato, sobre prisão de Bumlai e que, por isso, ele não poderia comparecer ao depoimento. Outra data deve ser marcada posteriormente.

Segundo as primeiras informações, ele não ofereceu resistência e estava bastante tranquilo durante a ação da PF que ocorreu no hotel Golden Tulip, localizado a poucos metros do Palácio da Alvorada. Bumlai foi levado para o aeroporto de Brasília, de onde seguiu em uma aeronave da PF para a Superintendência de Curitiba (PR).

No hotel em Brasília, os agentes da PF chegaram a procurar documentos do empresário. Entre os mandados, também estão buscas em escritórios de Bumlai.

Na operação desta terça, chamada de Passe Livre, estão sendo cumpridos um mandado de prisão preventiva, seis de condução coercitiva e 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Lins, Piracicaba (SP), Rio de Janeiro, Campo Grande, Dourados (MS) e Brasília. Escritórios de Bumlai estão entre os alvos da ação.

A PF ainda esteve na sede do BNDES no Rio. Pediu contratos pontuais e já saiu do banco com todos eles.

Bumlai, que já foi um dos maiores criadores de gado do país, tornou-se alvo das investigações da Lava Jato depois que dois delatores relataram que ele teria repassado recursos para uma nora de Lula e ajudado a quitar dívidas do PT, o que ele nega ter feito.

NAVIO-SONDA

Segundo a PF, as investigações da nova fase têm como foco a contratação de um navio-sonda da Petrobras "com concretos indícios de fraude no procedimento licitatório".

"Complexas medidas de engenharia financeira foram utilizadas pelos investigados com o objetivo de ocultar a real destinação dos valores indevidos pagos a a agentes públicos e diretores da estatal", de acordo com a polícia.

O empresário foi descrito pelo delator da Operação Lava Jato Fernando Soares, o Baiano, como uma espécie de lobista na Sete Brasil, empresa que administra o aluguel de sondas para a Petrobras no pré-sal. Em depoimento, Baiano disse que em 2011 era representante da empresa OSX, de Eike Batista, que tentava obter contratos na Sete Brasil.

Eike nega que Baiano e Bumlai tivessem vínculo com empresas de seu grupo.

O delator afirmou, em depoimento à PF, que Bumlai recebia propina para mediar negócios no setor de petróleo. Baiano, de acordo com o documento, procurou ajuda do pecuarista porque soube que ele tinha proximidade com o ex-ministro Antonio Palocci.

Bumlai, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", afirmou que levou o presidente da Sete Brasil a um encontro com Lula, mas negou ter providenciado benefícios a parentes dele.

O pecuarista ainda repetiu a versão, revelada pela Folha, de que os recursos que recebeu do lobista Fernando Soares eram referentes a um empréstimo, sem contrato assinado e jamais saldado, pedido ao lobista para quitar dívidas com trabalhadores de suas terras.

DÍVIDA

Ele ainda nega ter intermediado o pagamento de uma dívida do PT com o Banco Schahin, como descrito Salim Schahin, também delator na investigação, citando relatos de executivos do grupo.

O novo delator diz que perdoou um empréstimo de R$ 12 milhões que havia feito ao pecuarista em 2004 em troca de um contrato de R$ 1,6 bilhão com a Petrobras. Bumlai teria intermediado o negócio. O valor não pago ao banco foi para o PT, na narrativa do delator.

O empréstimo foi feito pelo Banco Schahin, mas não foi quitado. Para compensar a dívida, Bumlai teria ajudado o grupo a conseguir o contrato de um navio-sonda com a Petrobras. Outros dois delatores da Lava Jato (Fernando Soares e Eduardo Musa) contaram versão similar.

À Folha, Bumlai negou e disse ter como provar isso com documentos. A versão dele é que pegou emprestados R$ 12 milhões para comprar uma fazenda, o negócio não deu certo e o vendedor devolveu-lhe R$ 12,6 milhões em três anos.

Em entrevista, ele afirmou que esteve três vezes no gabinete de Lula quando ele foi presidente e que ajudou a mostrar a empresários que o petista não era "um monstro".

SUSPEITOS

Os investigados na nova fase são suspeitos pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraude a licitação, falsidade ideológica e falsificação de documentos.

Os mandados estão sendo cumpridos por 140 policiais federais e 23 auditores fiscais.

USINA SÃO FERNANDO

O pecuarista foi notícia há menos de duas semanas devido a seu negócio no setor sucroalcooleiro, mas as supostas irregularidades em um financiamento junto ao BNDES para sua usina, acabaram de ser desmentidas pelo banco.

Nesta terça-feira (24), o jornal O globo informou que diferentemente do que foi noticiado no dia 13 deste mês, o BNDES não concedeu empréstimo para construção da usina São Fernando, empreendimento de José Carlos Bumlai, com garantia inferior a 1% dos R$ 459,8 milhões financiados. 

Como esclareceu o próprio BNDES, a modalidade de financiamento previa uma garantia evolutiva. Ou seja, a empresa beneficiada pelo financiamento ia elevando a garantia inicialmente oferecida. No caso, a usina em construção e maquinários foram sendo dados como garantia à medida em que os desembolsos eram feitos pelo BNDES. (Folha de São Paulo 24/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Sondagem da CNI aponta para nova queda da produção industrial em outubro

O índice de produção industrial calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) atingiu 44,6 pontos em outubro, conforme divulgado ontem em sua Sondagem Industrial. O resultado é equivalente a uma queda interanual de 12,2%. A despeito do recuo da produção no período, o nível dos estoques continuou elevado, registrando alta de 0,6% em relação ao ano passado. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também apontou para o declínio da atividade industrial, ao oscilar de 73,0% em outubro de 2014 para 66,0% no mês passado. Esses dados reforçam, assim, nossa expectativa de continuidade do fraco desempenho do setor industrial no período, conforme sugerido por outros indicadores já divulgados.

Setor externo

MDIC: Desempenho da balança comercial na terceira semana de novembro foi o pior desde fevereiro

A balança comercial registrou déficit de US$ 396 milhões na terceira semana de novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). O saldo comercial não apresentava desempenho tão negativo desde a quinta semana de fevereiro, quando registrou déficit de US$ 1,1 bilhão. No período compreendido entre os dias 16 e 20 deste mês, as exportações somaram apenas US$ 2,8 bilhões, sendo, assim, superadas pelas importações, que alcançaram US$ 3,2 bilhões. De qualquer forma, a balança ainda acumula superávit de US$ 758 milhões no mês. A comparação com as médias diárias de novembro do ano passado continua mostrando contração mais intensa das importações do que dos embarques, de 29,3% e 11,5%, respectivamente. Com isso, no ano a balança comercial acumula saldo positivo de U$S 13,0 bilhões.

Internacional

Alemanha: Melhora da confiança em novembro sugere aceleração do PIB alemão neste trimestre

O índice Ifo de clima dos negócios na Alemanha subiu de 108,2 para 109 pontos entre outubro e novembro, atingindo o maior patamar desde junho de 2014. O resultado refletiu tanto a melhora das expectativas como da avaliação atual dos empresários. A confiança também subiu na maioria dos setores pesquisados, com exceção do comércio varejista. Destaque para a construção, onde o indicador alcançou seu maior nível desde a reunificação da Alemanha, e a indústria, onde a confiança voltou a subir após três meses em queda. Esse comportamento, portanto, sugere aceleração do PIB alemão neste trimestre, que deverá ser favorecido pela retomada dos investimentos, compensando alguma acomodação dos gastos com consumo. Nesse sentido, hoje também foi divulgada a abertura detalhada das contas nacionais do terceiro trimestre. O crescimento de 0,3% na margem foi impulsionado essencialmente pelo consumo das famílias e pelos gastos do governo, que avançaram 0,6% e 1,3%, respectivamente. Por outro lado, os investimentos recuaram 0,3%, sucedendo queda de 0,4% no trimestre anterior, enquanto as exportações líquidas também tiveram uma contribuição negativa para o resultado agregado.

EUA: Índice PMI da indústria de transformação atingiu o menor patamar dos últimos dois anos em novembro

O Índice PMI da indústria de transformação caiu de 52,6 para 54,1 pontos na passagem de outubro para dezembro, conforme prévia do indicador divulgada ontem pela Markit. Com isso, atingiu o menor patamar dos últimos vinte e cinco meses. A queda em relação ao mês passado refletiu a desaceleração da produção e o recuo de novas encomendas à indústria no período. Em contrapartida, o nível de emprego manteve a trajetória de alta dos últimos meses. A despeito da retração do índice, os dados ainda apontam para crescimento da atividade industrial no quarto trimestre, reforçando a expectativa de que o PIB norte-americano continuará apresentando desempenho positivo no período.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas, com exceção das ações em Shanghai e Tóquio, fecharam o pregão de hoje em queda. Os ganhos na China foram impulsionados pelos papéis das corretoras, enquanto no Japão, refletiram a alta do Índice PMI Markit da indústria de transformação japonesa, em sua leitura preliminar. Os mercados acionários europeus operam em queda nesta manhã, a despeito dos dados de confiança na Alemanha terem surpreendido positivamente. Os índices futuros norte-americanos acompanham a baixa das ações européias, à espera da divulgação de nova prévia do PIB dos EUA referente ao terceiro trimestre.

As principais moedas se recuperam parcialmente da desvalorização da véspera ante o dólar, com exceção do rand e da lira. Entre as commodities, o petróleo é cotado no campo positivo, após a Arábia Saudita se comprometer a reduzir sua produção para amenizar o declínio dos preços. As metálicas industriais registram novas perdas, ao passo que as agrícolas, exceto a soja, apresentam alta neste momento. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação da Pnad Contínua Mensal, para a qual projetamos que a taxa de desemprego tenha atingido 8,8% no terceiro trimestre. Além disso, o mercado também estará atento ao relatório mensal da dívida pública federal de outubro, bem como aos próximos passos da política fiscal.