Macroeconomia e mercado

Notícias

Projeto que cria programa para o etanol é rejeitado nas comissões

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei (PL) 1299/07, do ex-deputado Márcio França, que cria o programa de certificação sustentável para o etanol produzido no Brasil. Como foi rejeitado por todas as comissões de mérito, o projeto será arquivado, a menos que haja recurso ao Plenário.

O texto rejeitado estabelecia que os critérios para a certificação seriam estabelecidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), com base nas condições de trabalho, gestão ambiental, uso e reuso da água, desmatamento e reflorestamento, técnicas sustentáveis de manejo, condições de transporte e aspectos físicos e químicos do produto final.

O relator na CFT, deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), apresentou parecer pela incompatibilidade financeira e orçamentária da proposta. Segundo ele, o projeto principal e o apensado não trazem qualquer estimativa de arrecadação da nova fonte de receita pública, ferindo determinação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015.

O texto do projeto prevê o pagamento 5% do valor da produção de etanol, a ser recolhido pelas usinas, a título de royalties governamentais de certificação.

Relator na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, o deputado Antônio Balhmann (PSB-CE) defendeu a rejeição da matéria por entender que não há necessidade de transferir para o Inmetro as competências que hoje são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). (Agência Câmara de Notícias 25/11/2015)

 

Unica reforça expectativa de mais usinas moerem cana em dezembro

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) reforçou, nesta terça-feira (24/11) a expectativa de que um número maior de usinas estenda a moagem da matéria-prima pelo mês de dezembro. No relatório quinzenal de acompanhamento de safra a entidade que representa a indústria do centro-sul do Brasil informa que até o último dia 15, 26 unidades haviam encerrado o trabalho do ano. Na mesma época no ano passado, 78 usinas já tinham parado.

“Como era esperado, a maior disponibilidade de cana para moagem deve alongar o período de processamento nesta safra, com um número expressivo de usinas operando em dezembro”, disse o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues.

Nos primeiros quinze dias deste mês, a moagem de cana no centro-sul totalizou 25,61 milhões de toneladas. O número é 10,71% maior que o registrado na primeira quinzena de novembro de 2014, quando o volume foi de 23,14 milhões. Mas a qualidade está pior na mesma comparação. A proporção atual é de 128,49 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana. Na primeira metade de novembro do ano passado eram 135,36 quilos de ATR por tonelada.

O período também foi de manutenção de uma safra ainda mais alcooleira que a anterior. A proporção de matéria-prima destinada à fabricação de etanol foi de 61,76% na primeira quinzena do mês. No mesmo período em novembro de 2014, foram 59,99%. A produção de etanol foi de 1,19 bilhão de litros, sendo 553,02 milhões do anidro e 638,96 milhões do hidratado. De açúcar, o volume foi de 1,2 milhão de toneladas.

Acumulado da safra

Desde o início da safra 2015/2016, passaram pelo maquinário das usinas 544,53 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,13% superior ao registrado na safra passada. No ciclo 2014/2015, as usinas do centro-sul tinham moído 538,45 milhões de toneladas.

Em um cenário de safra mais alcooleira – com 58,42% da matéria-prima destinada ao combustível – a indústria já fabricou 24,9 bilhões de litros de etanol (+2,14%), sendo 15,41 bilhões de hidratado (+9,44%) e 9,49 milhões de litros de anidro (-7,85%). A produção de açúcar totaliza 28,71 milhões de toneladas (-6,4%).

“Como era esperado, a fabricação de açúcar neste ano deve ficar aquém da quantidade registrada na safra 2014/2015, já que as chuvas e a baixa concentração de ATR na matéria-prima dificultam qualquer reação na produção”, explica Rodrigues.

Vendas de etanol

As vendas de etanol na primeira quinzena do mês somaram 1,23 bilhão de litros, com 127,7 milhões para exportação. No mercado interno, do total de 1,1 bilhão de litros vendidos, o volume de etanol hidratado atingiu 713,65 milhões de litros, crescimento de 17,02% frente aos 609,87 milhões de litros contabilizados na mesma quinzena de 2014. Já as vendas de etanol anidro totalizaram 387,15 milhões de litros no período, contra 390,48 milhões de litros nos primeiros 15 dias de novembro de 2014.

No acumulado de abril até 15 de novembro, as vendas de etanol alcançaram 18,99 bilhões de litros, 17,63 bilhões de litros destinados ao abastecimento doméstico e 1,36 bilhão de litros ao mercado internacional. Este volume total comercializado em 2015 (18,99 bilhões de litros) responde por um crescimento de 24,53% em relação aos 15,25 bilhões de litros comercializados até o mesmo período da safra passada. (Globo Rural 25/11/2015)

 

Exportadora australiana fixa preço de 60% de seu açúcar, mas espera valorização

A Queensland Sugar, empresa responsável pela maior parte das exportações de açúcar demerara da Austrália, fixou o preço de cerca de 60% das vendas externas, mas deve segurar o restante da produção à espera de preços mais atrativos.

A expectativa da companhia é de uma melhora na cotação dos contratos março e maio e, por isso, decidiu segurar o açúcar, afirmou Dougall Lodge, diretor de Comercialização e Risco da Queensland, que atualmente vende açúcar em nome de uma grande maioria dos produtores do país. "Estamos um pouco mais otimistas do que antes", disse Lodge.

Ele informou, ainda, que a Queensland Sugar tem armazéns suficientes para estocar todo o volume ainda não comercializado até o início da próxima safra, se isso for necessário. A empresa pretende vender entre 2,1 milhões a 2,2 milhões de toneladas de açúcar até o fim da safra atual, em 30 de junho. No ano passado, a Austrália exportou 3,6 milhões de toneladas da commodity.

O preço internacional de açúcar passou por um rali, impulsionado principalmente pela melhora nos fundamentos do mercado. De acordo com projeções de diversas empresas e associações, este ano será o primeiro de déficit de produção em cinco temporadas, o que deve ajudar a reduzir os amplos estoques. Em agosto, as estimativas de grandes volumes de açúcar armazenados pressionaram as cotações ao menor nível em sete anos.

Dougall Lodge, entretanto, lembrou que a tendência para os preços internacionais depende da produção da Índia e da Tailândia, assim como das exportações da Indonésia. A perspectiva de que a Índia irá exportar 4 milhões de toneladas preocupa analistas. No Brasil, o recente fortalecimento do real em relação ao dólar contribuiu para sustentar o mercado. (Down Jones 25/11/2015)

 

Broca da cana provoca perdas de R$ 3 bilhões por ano no país

Especialista afirma que falta de cuidado na escolha de mudas na última década ajudou a difundir problemas sanitários na cultura.

As pragas e as doenças são motivos de grande preocupação para os produtores de cana-de-açúcar. Estudos apontam que a broca da cana de açúcar causa prejuízos de R$ 3 bilhões por ano. No caso do bicudo, a cada 1% de caule subterrâneo atingido, perde-se 1% de produtividade.

A mecanização dos trabalhos é considerada como uma das responsáveis pelo alastramento das doenças. Segundo Hilário Gonçalves, diretor de uma usina localizada em Alta Mogiana, interior de São Paulo, as pragas e doenças causaram mais prejuízos ao produtor com a extensão da área plantada na última década. Para ele, faltou cuidado com as mudas escolhidas. “Nós estamos muito preocupados com os canaviais dos nossos fornecedores, onde a gente tem tentado fazer uma parceria e trocar bastante informações, de uma forma que a gente consiga minimizar os impactos que as pragas tem causado”, disse.

Desafios e alternativas para controlar essas doenças reuniram representantes da cadeia e pesquisadores em Piracicaba, interior paulista. A região é reconhecida pelo pioneirismo na implantação de um dos maiores programas de controle biológico de pragas da cana do mundo.

Além de novas variedades e métodos de controle de pragas e doenças da cana, os pesquisadores debateram maneiras mais eficientes de levar informação ao produtor. Para o setor, os prejuízos causados nos últimos anos nos canaviais brasileiros estão diretamente ligados à falta de mais mão de obra especializada.

“O Brasil se preparou na década de 70 e até 80 a gente realmente vinha se preparando, hoje não existe isso”, diz o presidente da Sociedade Dos Técnicos Açucareiros E Alcooleiros do Brasil (STAB), José Paulo Stupiello. “Quem não tem conhecimento fica difícil [controlar pragas e doenças]. Não é só contratar pessoas às vezes. As pessoas dizem pra mim, nós estamos contratando um técnico que tem trinta anos de experiência, e eu falo, e de conhecimento?”. (Canal Rural 25/11/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Sondagens da FGV sugerem alguma melhora da confiança neste mês

O índice de confiança do consumidor (ICC) subiu 1,3% entre outubro e novembro, enquanto o índice de confiança da construção (ICST) avançou 1,6 ponto no período, conforme divulgado há pouco pela FGV. Apesar da melhora do sentimento dos consumidores, o primeiro resultado positivo em seis meses do indicador ainda o mantém em patamar bastante baixo. O principal responsável por esse comportamento foi o componente de expectativas, que avançou 2,1%, ao passo que a avaliação sobre a situação atual ficou praticamente estável. Na mesma direção, a confiança na construção foi impulsionada pelas expectativas, após quatro recuos seguidos. O índice de expectativas subiu 2,1 pontos, favorecido pelo maior otimismo com a demanda nos próximos três meses. O índice de situação atual também teve desempenho favorável, com alta de 1,1 ponto. De qualquer forma, e apesar dos sinais positivos na margem, as sondagens divulgadas hoje ainda não sugerem reversão da tendência de retração da atividade nesses setores.

Atividade

IBGE: Taxa de desemprego manteve trajetória de alta em setembro

A taxa de desemprego brasileira alcançou 8,9% no trimestre findo em setembro, conforme divulgado ontem na PNAD Contínua do IBGE, atingindo, assim, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2012. O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado e ligeiramente abaixo da nossa projeção (8,8%). Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação passou de 8,7% em agosto para 9,0% em setembro, refletindo a queda de 0,2% da ocupação na margem e a elevação de mesma intensidade da população economicamente ativa (PEA). Já o crescimento do rendimento nominal desacelerou, oscilando de uma alta interanual de 10,6% para outra de 9,5%. Os dados, portanto, reforçam a tendência de enfraquecimento adicional do mercado de trabalho no terceiro trimestre já apresentada pela PME e pelo Caged.

Inda: Vendas dos distribuidores de aço plano avançaram em outubro

As vendas dos distribuidores de aço somaram 279,5 mil toneladas em outubro, segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). Isso equivale a um avanço de 2,5% na margem, de acordo com os dados dessazonalizados. As compras, por sua vez, totalizaram 260,4 mil toneladas no período, indicando um aumento de 8,4% em relação a setembro, também descontada a sazonalidade. Assim, os estoques atingiram 945,6 mil toneladas, o equivalente a 3,4 meses do nível de vendas atual, ante quatro meses no mês anterior. Na comparação interanual, entretanto, as vendas e as compras registraram retração de 24,6% e 28,6%, respectivamente. As importações seguiram o mesmo movimento, com recuo de 38,7%, nessa métrica. Para os próximos meses, esperamos continuidade do fraco desempenho das vendas, refletindo a baixa demanda de grandes compradores, como o complexo automotivo e a construção civil.

Internacional

EUA: Revisão altista do PIB norte-americano do terceiro trimestre reforça expectativa de que normalização da política monetária tenha início em dezembro

O PIB norte-americano no terceiro trimestre foi revisto de uma alta de 1,5% para outra de 2,1% na margem, em termos anualizados, conforme divulgado ontem em sua segunda leitura preliminar. O resultado, que ficou em linha com o esperado pelo mercado, foi impulsionado, majoritariamente, pelo maior investimento das empresas (revisado de 2,1% para 2,4%) e residencial (6,1% para 7,3%). Além disso, a contribuição dos estoques foi menos negativa, passando de -1,4 p.p. para -0,6 p.p. Em contrapartida, o consumo das famílias foi 0,2 p.p. inferior ao observado na primeira prévia, apresentando elevação de 3,0%. Portanto, a aceleração da atividade norte-americana reforça nossa expectativa de que a normalização da política monetária no país tenha início já em dezembro.

Tendências de mercado

Os mercados asiáticos encerraram o pregão de hoje em queda, com exceção das ações em Shanghai. Na direção oposta, as bolsas europeias e os índices futuros norte-americanos são negociados em alta. A maioria das moedas asiáticas se valoriza neste momento ante o dólar, enquanto as demais divisas se enfraquecem.

Entre as commodities, o petróleo reverte parte dos ganhos de ontem, após os países membros da OTAN concentraram esforços para reduzir as tensões entre a Rússia e a Turquia, depois de o país ter abatido um caça russo que sobrevoava seu espaço aéreo. As agrícolas, por sua vez, são cotadas em alta. No Brasil, a melhora dos indicadores de confiança e a perspectiva de desvalorização do real na abertura do pregão deverão pressionar a curva de juros domésticos para cima.