Macroeconomia e mercado

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Casamento entre Shell e Cosan continuará (vídeo Rubens Ometto Silveira Mello)

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Cosan tem boa perspectiva para açúcar, mas quer Cide e investimentos em logística

As perspectivas para os preços internacionais de açúcar são mais positivas para o próximo ano, disse há pouco o presidente da Cosan, Marcos Lutz, no Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo com patrocínio da Faesp.

"Tenho uma perspectiva mais altista, vendo a demanda global no ano que vem maior do que a oferta. Há vários anos isso não acontecia", disse Lutz, acrescentando que isso tende a se ampliar, já que não se vê no setor sucroalcooleiro um movimento de expansão da indústria, por causa da dívida do segmento. Ele estimou um valor, em reais, perto de 60 centavos por libra-peso. "É um número razoável", disse.

Segundo Lutz, apesar de a projeção ser de uma produção maior de cana-de-açúcar, a moagem deve ser reduzida. "Com o (fenômeno climático) El Niño são esperadas muitas chuvas." Para Lutz, o setor deve virar o ano com uma quantidade grande de cana bisada no Centro-Sul do País. "Vemos as usinas começando a moer mais cedo no próximo ano e, assim, devemos ter uma entressafra mais curta", completou.

Cide

Sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), imposto para o qual o setor esperava uma nova elevação ainda este ano, Lutz disse que faz sentido a taxação no longo prazo.

"O governo, quando busca novas fontes de receita, deveria olhar a Cide com carinho", afirmou. "No entanto, essa contribuição tem um componente inflacionário que afeta diretamente o preço da gasolina ao consumidor".

Desafios da logística

Marcos Lutz ainda reforçou a necessidade de diversificar os modais brasileiros para melhorar a logística da produção do agronegócio nacional. O executivo defendeu o aumento da participação das ferrovias na composição total dos transportes.

"Claramente o agronegócio será uma das principais forças para a economia brasileira nos próximos anos e um dos importantes pilares para sairmos da crise em que estamos hoje", afirmou. Lutz estimou que o desperdício pelos gargalos logísticos no Brasil equivale a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Segundo o executivo, o custo médio do transporte de grãos no País é quatro vezes maior que o de concorrentes, como Argentina e Estados Unidos. Como exemplo, o presidente da Cosan afirma que o transporte de uma tonelada de Lucas do Rio Verde (MT) a Santos (SP) por rodovia custa R$ 310.

"Basicamente gastos em pneus, diesel e caminhões (depreciação) não pagam a conta das estradas de Mato Grosso, que ficam destruídas". Em contraste, se o produto fosse transportado por caminhões até Rondonópolis (MT), e depois enviado via ferrovia ao porto, o custo seria de R$ 270 por tonelada. "Isso inclui o investimento feito (no modal) que, uma vez pago, está pago", esclarece.

O presidente do conselho da Cosan, Rubens Ometto, também destacou a perda de competitividade do agronegócio brasileiro com a logística deficitária. "O que ganhamos no campo, devolvemos nos portos e terminais, isso é um paradigma para o agronegócio brasileiro", afirmou. Ometto e outros participantes do evento disseram que a logística é o principal entrave para o desenvolvimento do setor no País.

"Temos uma malha ferroviária muito aquém do potencial. A prioridade inicial precisa ser terminar os investimentos que já tiveram início para que funcionem com eficiência e no segundo tempo começar a fazer os greenfields", disse.

Para Ometto, um dos caminhos para impulsionar o setor é reduzir a intervenção do governo. "Não podemos ter um governo muito partícipe neste negócio. Eu acredito na livre iniciativa. Quando há isso você resolve boa parte dos problemas, não há corrupção, cada empresário é responsável pelas coisas que faz", afirmou. (Agência Estado 27/11/2015)

 

Rui Chammas, da Biosev: "Ciclo do açúcar chegou ao fundo do poço e agora começa a se recuperar"

O diretor presidente da Biosev, Rui Chammas, disse hoje que, "tecnicamente, nós chegamos ao fundo do poço do ciclo do açúcar e, agora, o setor começa se recuperar". Ele concedeu rápida entrevista ao Broadcast Agro, antes do início da reunião da empresa, braço sucroenergético da Louis Dreyfus, com os investidores, em São Paulo.

Chammas repercutiu os comentários do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que ontem durante o Summit Agronegócio Brasil 2015 disse que o setor sucroalcooleiro inicia recuperação.

"Para entender o que acontece no segmento hoje é preciso ver o que aconteceu há cinco anos. Quando houve um investimento muito grande em aumento de capacidade instalada, na crença de que o etanol seria usado como solução sustentável no mercado de combustíveis", afirmou.

Segundo Chammas, o setor dobrou de tamanho até 2010 quando se iniciou uma política de preços de combustíveis no Brasil que desestimulou o uso do etanol. "Nisso, tivemos dois efeitos: a capacidade diminuiu porque mais de 60 unidades fecharam no Brasil e os preços, caíram", comentou.

"Com este efeito de redução e aumento de demanda, a gente chega hoje em 2015, num ponto em que, pela primeira vez, a demanda está um pouco maior do que a produção. Já imaginamos para a próxima safra preços melhores para o açúcar, em reais. As cotações podem aumentar, de 20% a 25%, em relação aos valores deste ano", concluiu. (Agência Estado 27/11/2015)

 

Mercado de açúcar deve operar com baixo volume de negócios

Os contratos futuros de açúcar demerara voltam a ser cotados nesta sexta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), passado o feriado de Dia de Ação de Graças, celebrado ontem nos EUA. O mercado, no entanto, deve ficar esvaziado, já que muitos participantes fizeram a "ponte" com o fim de semana.

Os futuros de demerara recuaram nos dois últimos pregões, pressionados principalmente pelos temores de aumento da oferta da Índia no mercado internacional. O governo indiano concedeu subsídio aos produtores de cana-de-açúcar, na esperança de elevar a competitividade do produto no exterior. Em setembro, o governo da Índia estipulou meta de exportação de 4 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, com objetivo de reduzir os estoques domésticos.

Paralelamente, a trajetória de queda do dólar em relação a outras moedas foi interrompida nos últimos dias, empurrando para baixo as commodities. Os sinais cada vez mais fortes de que o Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) vai elevar as taxas de juros em dezembro impulsionam a moeda. No Brasil, o dólar voltou a subir forte na quarta-feira, acima de R$ 3,80, principalmente com o recrudescimento da crise política no País.

Indicadores técnicos também estariam pressionando o mercado em Nova York. O vencimento março/16 em Nova York chegou a romper na quarta o suporte a 14,85 cents. Outro suporte está em 14,47 cents. A resistência é de 15,13 cents e 15,50 cents.

Em contrapartida, existem sinais favoráveis para uma alta das cotações em Nova York. As chuvas neste fim de ano no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de cana do mundo, estão acima do esperado. A moagem está atrasada e a qualidade da matéria-prima deixa a desejar. Espera-se que a safra no Centro-Sul alcance entre 595 milhões a 600 milhões de toneladas. "Qualquer volume menor que esse vai trazer combustível para novas correções dos preços", comentou no início desta semana o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa.

Além disso, segundo Corrêa, os fundos de investimento não devem liquidar significativamente suas posições compradas até o fim do ano, "para poder mostrar em seu portfólio um ganho substancial no açúcar". Na semana encerrada em 17 de novembro, os fundos estavam com saldo líquido comprado de 176.738 lotes. O próximo relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), referente à semana encerrada em 24 de novembro, foi adiado excepcionalmente de hoje para a próxima segunda-feira, por causa do feriado de Ação de Graças.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno negativo em boa parte do pregão de quarta. O vencimento março/16 encerrou em leve queda de 0,60% (9 pontos), a 14,91 cents. A máxima foi de 15,13 cents (mais 13 pontos). A mínima bateu 14,66 cents (menos 34 pontos).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 77,91/saca (+0,05%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,78/saca (+0,10%).

 

Pensando no pós 2015

Ao olhar para a economia brasileira, o sinal de alerta está ligado. “Vemos como está o pagamento de juros e com o déficit orçamento, a taxa real de juros e o câmbio. Esse é o mundo real do Brasil”, diz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Apesar dessa conjuntura, o cenário que se configura para o setor sucroenergético é positivo. “Depois de passarmos a viver o terror dos anos 2010, 11 e 12, voltamos a respirar de forma mais efetiva principalmente em 2015. E mais uma vez o setor mostra que tem uma resiliência espetacular”, diz.

Mas, segundo ele, é preciso lembrar aquela discussão de que o petróleo não vai terminar por falta de petróleo, assim como a Idade da Pedra não terminou por falta de pedras. “Estamos caminhando para campos de energia, dos mais diversos. Por outro lado, vislumbramos isso com a lógica de que nos próximos anos vamos viver um teto de produção de volume de açúcares totais absolutamente limitado. Sabemos que temos efetivamente um teto, que depende de certa variação de produtividade. Podemos tanto conseguir isso com o aumento de cana ou até uma certa redução de cana, mas com nível de ATR melhor. Nesse caso significaria ganhos de produtividade muito importantes”.

E cada um sonha com o que quiser. Um sonho atual do setor é a possibilidade real de a CIDE sobre a gasolina subir, diante da dificuldade de aprovação da CPMF. Esse já é um primeiro impacto importante no sonho que podemos ter. “Outro dado relevante deste momento é quando a gente vê a gasolina ser estagnada e o crescimento do etanol hidratado”, pontua Carvalho. (Cana Online 27/11/2015)

 

Chuvas e baixa concentração de ATR reduzem a produção de açúcar nesta safra

Segundo dados divulgados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), na primeira quinzena de novembro, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar moída totalizou 128,49 kg, contra 135,36 kg verificados em igual quinzena do ano passado. No acumulado desde o início da safra 2015/2016, a concentração de açúcares atingiu 133,12 kg por tonelada de matéria-prima, frente a 137 kg apurados no mesmo período de 2014.

Causa para a queda do ATR são as chuvas contínuas que se intensificaram no Centro-Sul no segundo semestre por causa do fenômeno El Niño. Embora o clima tenha ajudado a aumentar a disponibilidade de matéria-prima disponível, as usinas têm enfrentado outro problema por conta das chuvas: o atraso da moagem, provocado pela dificuldade operacional de buscar a cana no campo. As unidades têm tido grande dificuldade para ter dias seguidos de moagem.

“Como era esperado, a fabricação de açúcar neste ano deve ficar aquém da quantidade registrada na safra 2014/2015, já que as chuvas e a baixa concentração de ATR na matéria-prima dificultam qualquer reação na produção”, explicou o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

No acumulado desde o início da atual safra até 15 de novembro, a fabricação de açúcar totalizou 28,72 milhões de toneladas, expressivo recuo de 6,4% em relação a igual período de 2014. (Cana Online 27/11/2015)