Macroeconomia e mercado

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Dilma não quer discutir a Cide e diz que setor sucroalcoleiro não tem do que reclamar

No encontro de Dilma com líderes partidários nesta terça (dia 1º), o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) afirmou que a máquina pública ficará imobilizada a partir da semana que vem caso a nova meta fiscal não seja aprovada nas próximas horas.

Na mesma reunião, um congressista desavisado pediu autorização da presidente da República para defender o aumento da Cide em nome do Planalto. “De jeito nenhum!”, respondeu Dilma, rispidamente.

Em duas horas de reunião no Palácio da Alvorada defendeu a recriação da CPMF porque a alternativa, o aumento da Cide, não tem seu apoio mexer na inflação e na Petrobras. A presidente argumentou que o "governo tem dinheiro, o que não tem é espaço fiscal".

Em defesa da CPMF, Dilma observou que uma das vantagens do imposto é que "não impacta na inflação" e teria um prazo de vigência pré-definido, de quatro anos, diferentemente do aumento da Cide sobre combustíveis. Destacou que o setor sucroalcooleiro não tem que reclamar, já que o governo aumentou de 25% para 27,5% o percentual de álcool na gasolina. Citou ainda que a arrecadação da CPMF, que está parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara à espera de relator, seria dividida com Estados e municípios. (O Estado de São Paulo 03/12/2015)

 

Sócia das usinas de cana Renuka define executivos

A Equipav Mineração e Participações, do Grupo Equipav, que detém 49% do controle das três usinas sucroenergéticas da Renuka do Brasil S/A, controladas pelo grupo indiano Shree Renuka Sugars, define o quadro de seus diretores.

Em Assembléia realizada na sede social da Equipav Mineração e Participações S/A, na capital paulista, os membros do Conselho de Administração deliberaram:

1) Reeleger os Diretores da Companhia, com mandato de três anos, nos termos do estatuto social da Companhia

Quem são eles:

Evandro Sales da Silva, brasileiro, casado, advogado, portador da Cédula de Identidade RG nº 20.560.130­3 SSP/SP e inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda (“CPF/MF”) sob o nº 110.646.638-18.

Osmar Buzzetti Júnior, brasileiro, casado, contador, portador da Cédula de Identidade RG nº 22.874.297­3 SSP/SP e inscrito no CPF/MF sob nº 119.854.848-70.

Membros do Conselho de Administração:

Andreia de Sousa Ramos Vettorazzo, Presidente; José Carlos Botelho de Moraes Toledo, Secretário. Conselheiros: Andreia de Sousa Ramos Vettorazzo, Luís Vital de Sousa Ramos Vettorazzo, José Carlos Botelho de Moraes Toledo e Sérgio Luis Botelho de Moraes Toledo.

Com mais de 50 anos de mercado, o Grupo Equipav é responsável pela gestão das concessionárias de saneamento Águas Guariroba (MS), Prolagos (RJ); de rodovias, por meio da Univias (RS); e dos terminais rodoviários de Campo Grande (MS) e Campinas (SP).

O grupo também é composto pelas construtoras Equipav Engenharia e Empate, e pelas mineradoras de agregados para construção civil Minerpav e Sarpav.

Na Renuka do Brasil, que está em Recuperação Judicial, o Grupo Equipav é sócio minoritário, co 49% do controle acionário. (Jornal Cana 03/12/2015)

 

Resistência permanece e mercado considera reversão de ganhos

Os futuros de açúcar demerara não conseguiram romper a resistência de 15,50 cents por libra-peso ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Sem fôlego para ir além desse patamar, os contratos têm espaço para uma reversão de ganhos no curtíssimo prazo, avaliam analistas.

Para os agentes, o amplo saldo comprado por fundos e especuladores, de 208 mil lotes, deixa o mercado instável. Uma liquidação dessas posições poderia resultar numa queda "violenta" das cotações, de acordo com a Associação Mundial de Produtores de Cana-de-açúcar e Beterraba.

A entidade avaliou ontem que o mercado também está "superestimando" os efeitos do El Niño. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, provoca chuvas em excesso em áreas produtoras do Brasil e estiagem em plantações de Índia e Tailândia. Paralelamente, a associação disse que a demanda tende a ser mesmo maior que a produção no ano que vem, mas o déficit projetado seria minimizado pelos amplos estoques globais.

Graficamente, os futuros continuam com teto inicial, portanto, em 15,50 cents/lb. O suporte aparece nos 15 cents/lb.

Ontem, março caiu 10 pontos (0,65%) e fechou em 15,34 cents/lb. Maio recuou 8 pontos e terminou em 14,88 cents/lb. O spread março/maio variou de 48 para 54 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela. O dólar encerrou a quarta-feira em R$ 3,8274 (-0,87%).

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 55 para 64 na semana encerrada na quarta-feira (2), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 22 de dezembro.

Foi agendado o carregamento de 1,789 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,066 milhão de t, ou 60% do total. Paranaguá responderá por 25% (455,58 mil t); Maceió, por 9% (152,80 mil t); Recife, por 4% (79,40 mil t); e Suape, por 2% (35 mil t).

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 78,50/saca, praticamente estável (+0,01%) ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,42/saca (+0,49%). (Agência Estado 03/12/2015)

 

UE vê aumento em produção de açúcar com fim de política de cotas

A produção de açúcar branco na União Europeia deve aumentar para quase 18 milhões de toneladas em 2025, cerca de 5 por cento acima da média dos anos precedentes à expiração da cota da UE em 2017, e mais de 15 por cento acima de 2015, disse a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

A estimativa de produção para 2025, feita na Conferência de Perspectivas Agrícolas da União Europeia, se compara com uma estimativa de 15,3 milhões de toneladas para 2015 divulgada pela Comissão em suas projeções de outono.

Como parte de uma reforma na política agrícola da União Europeia, os estados concordaram em liberalizar a produção de açúcar em 2017 e abolir os preços mínimos do açúcar de beterraba, considerados culpados por limitar a exportação.

Muitos produtores de açúcar europeus disseram que desejam elevar a produção de açúcar para enfrentar o fim das cotas.

"Até o fim da perspectiva a UE deve se tornar uma exportadora líquida de açúcar branco", disse em suas estimativas agrícolas 2015/2025.

A Comissão estima que os preços do açúcar branco na UE continuarão em 2016 com a recuperação iniciada este ano, para 495 euros por tonelada, ante 485 euros por tonelada em 2015, mas cairiam no longo prazo e convergiriam com os preços globais. (Reuters 03/12/2015)

 

Egípcia Al Nouran vai importar açúcar do Brasil para refinaria

A empresa egípcia Al Nouran Holdings, que está construindo sua primeira refinaria de açúcar perto do rio Nilo, pretende importar 300.000 toneladas de açúcar bruto, principalmente do Brasil, o maior produtor mundial, para começar a produção em outubro de 2016.

O açúcar de beterraba produzido localmente será usado até março de 2017, disse Ashraf Mahmoud, presidente do conselho e CEO da Al Nouran Sugar, em uma entrevista na segunda-feira em seu escritório no Cairo. A refinaria produzirá 260.000 toneladas por ano de açúcar branco, ajudando a diminuir a necessidade de importação do Egito, disse ele.

O país mais populoso do mundo árabe não produz açúcar suficiente para atender à demanda local e depende de cerca de 1 milhão de toneladas de importações anuais. Apesar desse desequilíbrio, a Al Nouran poderá exportar em média 50.000 toneladas por ano para o Oriente Médio, Norte da África e África Oriental se os preços forem mais altos no exterior, disse Mahmoud.

Rali do açúcar

Os futuros do açúcar bruto, uma referência dos preços mundiais, subiram quase 40 por cento nos últimos três meses nas negociações em Nova York com a colheita brasileira enfrentando atrasos devido às chuvas depois que o clima excessivamente úmido reduziu o esmagamento da cana-de-açúcar.

O Egito consome cerca de 3,2 milhões de toneladas de açúcar por ano e produz pouco mais de 2 milhões de toneladas, levando as importações a completarem essa lacuna. As importações vão cair para 1,15 milhão de toneladas no atual ano safra, que começou em outubro, frente a 1,33 milhão de toneladas no ano anterior, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

A usina de açúcar Al Nouran, construída em um terreno de 1,8 milhão de metros quadrados em Sharkiya, no norte do Egito, com um custo de 2,5 bilhões de libras (US$ 350 milhões), terá inicialmente uma capacidade de refino de 300.000 toneladas, disse Mahmoud. Uma segunda linha de produção será iniciada dentro de três anos e aumentará a capacidade para 315.000 toneladas por ano, disse ele. (Bloomberg 03/12/2015)

 

Maior produtividade, canavial envelhecido, melhores preços e custo alto, esta é a análise sobre o setor sucroenergético

Produtividade agrícola média acumulada na safra 2015/16 no Centro-Sul será 12% maior do que o ciclo passado, saindo de 75 ton/ha para 84 ton/ha. Isso ocorreu devido a condição climática favorável registrada neste ano. Informou Antonio de Padua Rodrigues, Diretor Técnico da Unica, em sua participação no 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos, promovido pelo Grupo IDEA e que acontece em Ribeirão Preto, nos dias 2 e 3 de dezembro.

“No entanto, na próxima safra, entraremos em um canavial muito mais envelhecido, que poderá ter um impacto de 4 ton/ha na produtividade", disse Padua. Segundo ele, a oferta de cana em 2016 não será diferente do registrado na atual safra, fechando entre 630 milhões e 640 milhões de toneladas. "minha dúvida fica se vamos conseguir processar toda essa cana disponível, devido ao fechamento de várias usinas, que impacta a capacidade instalada, além do baixo aproveitamento de tempo."

Quem também participou do Seminário foi Oscar Louro Fernandes, da Sucrotec e disse que a expectativa é de que 2016 seja um ano de preços mais remuneradores para o setor sucroenergético. "Ainda não será uma maravilha, mas dá esperança de que 2016 seja melhor em termos de resultado operacional."

De acordo com a Sucrotec, adubos, arrendamento e mão de obra são os fatores que mais pressionaram os custos do setor canavieiro entre a safra 2005/06 e outubro de 2015. Somente o custo do arrendamento subiu 150% nos últimos dez anos. E a área agrícola respondeu por 39% dos custos da usina na safra 2015/16.

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Mas se quiser ver a edição com muito mais interatividade ou tê-la à disposição no celular, basta baixar GRÁTIS o aplicativo CanaOnline para tablets e smartphones - Android ou IOS. (Cana Online 03/12/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Déficit primário neste ano poderá chegar a 2,1% do PIB

O Congresso nacional aprovou ontem o projeto de lei que autoriza a redução da meta fiscal de 2015 de um superávit de R$ 55,3 bilhões (1,1% do PIB) para um déficit R$ 51,8 bilhões (0,9% do PIB). Esse resultado pode ainda ser ampliado para até R$ 119,9 bilhões (-2,1% do PIB) caso seja efetuado o pagamento dos valores atrasados, que podem chegar a R$ 57 bilhões, e abatidas as frustrações com as receitas das concessões esperadas para este ano (R$ 11,1 bilhões). Adicionalmente, os Estados e Municípios terão que produzir um superávit de R$ 2,9 bilhões (0,05% do PIB) ao invés dos R$ 11 bilhões (0,2%) previstos na meta anterior. No acumulado do ano, até outubro, o setor público consolidado apresenta um déficit primário de R$ 19,95 bilhões, composto por um saldo negativo de R$ 37,09 bilhões do governo central e um superávit de R$ 17,14 bilhões dos Governos Regionais. Para o próximo ano, prevemos novo déficit, equivalente a 0,5% do PIB.

Inflação

Fipe: IPC registrou nova aceleração em novembro, puxado pelos preços de alimentação

O IPC-Fipe registrou alta de 1,06% em novembro, conforme divulgado há pouco. O resultado ficou acima da nossa projeção e das expectativas do mercado, de 0,99% e 1,02%, respectivamente. Com isso, acumulou avanço de 10,17% neste ano e de 10,49% nos últimos doze meses. A aceleração em relação ao mês anterior, quando o IPC havia registrado elevação de 0,88%, foi impulsionada, majoritariamente, pela maior taxa de crescimento do grupo de alimentação, cuja variação passou de 1,31% para 2,26% entre outubro e o mês passado. O grupo habitação também apresentou mais intensa na comparação com o mês anterior, ao passar de 0,35% para 0,49%. Os demais grupos que compõem o indicador desaceleraram no período, com destaque para transportes, que oscilaram de 1,55% para 1,10%. Para as próximas leituras, esperamos alguma desaceleração do IPC, ainda que os preços de alimentação devam continuar pressionados

Atividade

Anamaco: Vendas de materiais de construção recuaram em novembro

As vendas de materiais de construção recuaram 1,4% na passagem de outubro para novembro, descontada a sazonalidade, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisas da Universidade Anamaco, com o apoio da Abrafati, Instituto Crisotila Brasil, Anfacer, Afeal e Siamfesp, e dessazonalizados pelo Depec-Bradesco. Dessa forma, a queda mais do que reverteu a alta de 0,5% observada no mês anterior. Na comparação interanual, o declínio foi de 8,0%. Assim, esperamos continuidade da retração das vendas nos próximos meses, em virtude da persistência do fraco desempenho da atividade do setor de construção civil.

Setor externo

BC: Fluxo cambial alcançou superávit de US$ 1,5 bilhão na quarta semana de novembro

As movimentações cambiais registraram superávit de US$ 1,5 bilhão na semana compreendida entre os dias 23 e 27 de novembro, conforme divulgou ontem o Banco Central. Para tanto, ambas as contas comercial e financeira foram positivas. De um lado, as compras de US$ 12,1 bilhões superaram as vendas de US$ 11,4 bilhões, levando, assim, a conta financeira a um superávit de US$ 675 milhões. De outro, a conta comercial reverteu o resultado negativo da terceira semana, ao registrar saldo superavitário de US$ 791 milhões. Para isso, foram contratados US$ 4,0 bilhões para exportação e US$ 3,2 bilhões para importação. Assim, o fluxo cambial acumulou saldo positivo de US$ 4,1 bilhões no último mês, levando o saldo do ano a um superávit de US$ 11,8 bilhões.

Internacional

Área do Euro: Leitura final do índice PMI composto de novembro sugere aceleração do PIB europeu neste trimestre

O índice PMI composto da Área do Euro subiu de 53,9 para 54,2 pontos entre outubro e

novembro. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da prévia divulgada no mês passado, que apontava alta para 54,4 pontos. A revisão para baixo refletiu essencialmente o desempenho do PMI de serviços, que foi revisto de 54,6 para 54,2 pontos. De qualquer forma, a abertura do indicador traz notícias bastante positivas, com os componentes de produção, novas encomendas e emprego atingindo os maiores níveis em mais de quatro anos. Entre os países do bloco, com exceção da França, todos exibiram melhora na margem, em novembro. Com isso, a leitura final do índice PMI composto sugere crescimento de 0,4% do PIB europeu neste trimestre, sucedendo alta de 0,3% nos três meses anteriores. Por outro lado, o componente que mede os preços cobrados pelas empresas recuou pelo segundo mês consecutivo. Assim, e a despeito da persistência da recuperação da economia europeia, acreditamos que o BCE irá adotar novos estímulos monetários em seu encontro de hoje.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas novamente encerraram o pregão de hoje com direções divergentes, com as chinesas registrando ganhos e as demais em queda. Especificamente em relação ao mercado chinês, as altas refletiram a expectativa de concessão de novos estímulos pelo governo, após a queda do índice PMI do setor de serviços em novembro. As bolsas europeias operam no campo positivo nesta manhã, diante da expectativa de que o BCE adotará novos estímulos monetários em seu encontro de hoje. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos são cotados em alta, impulsionados pelo discurso da presidente do Fed, Janet Yellen e pelos dados de emprego do setor privado em novembro, divulgados ontem.

]O dólar continua fortalecido ante a maioria das divisas, com destaque para a nova desvalorização do rublo. Em contrapartida, a lira, o rand e o ringgit se valorizam em relação à moeda norte americana. Entre as commodities, o petróleo reverte parcialmente as perdas da véspera, diante da expectativa de que a Arábia Saudita proponha corte da produção no encontro da Opep realizado em Viena. As principais agrícolas e as metálicas industriais, com exceção do trigo e do alumínio, são cotadas no campo negativo, pressionadas para baixo pelo excesso de oferta global. No mercado doméstico, os principais ativos deverão reagir à Ata do Copom e à aprovação da nova meta fiscal deste ano. Além disso, o mercado também estará atento aos dados de produção industrial de outubro, para os quais esperamos leve alta de 0,3% na margem.