Macroeconomia e mercado

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Usinas de cana da Abengoa pediram Recuperação Judicial?

O Portal Jornal Cana apurou que apesar de a espanhola Abengoa Energia estar em crise, com passivo avaliado em 25 bilhões de euros, a situação das três usinas sucroenergéticas da companhia no Brasil está em outro ritmo.

Conforme fontes ligadas à empresa espanhola no País, as três usinas de cana­deaçúcar da Abengoa não entraram com pedido de Recuperação Judicial.

As unidades produtoras de açúcar, etanol e bioeletricidade são a São Luiz, em Pirassununga (SP), a São José, em São José da Estiva (SP) e a Santo Antônio, em Santo Antônio da Posse (SP).

Na Espanha, a controladora das três usinas de cana no Brasil pediu proteção contra seus credores, na última semana, porque não conseguiu chegar a um acordo para receber uma injeção de capital por parte da acionista Gonvarri, na ordem dos 350 milhões de euros.

A negociação envolvia 28% do capital da Abengoa que passaria para a Gonvarri, e salvaria a empresa de suas dívidas, que aumentaram em função de sua internacionalização. Porém, na semana passada, a negociação foi abandonada. (Jornal Cana 04/12/2015)

 

Conheça 6 mudanças na Rumo Logística, da empresa de cana Cosan

Pertencente ao Grupo sucroenergético Cosan, por meio da Cosan Logística S.A. (BM&FBovespa: RLOG3), a Rumo Logística Operadora Multimodal, que atua no ramo e exportação de açúcar pelo porto de Santos (SP), passa por mudanças.

Confira a seguir 6 das alterações na companhia, deliberadas pelo Conselho de Administração para serem submetidas à assembleia geral de acionistas.

1) Proposta de aumento de capital, no montante de R$ 650 milhões.

2) Proposta para que a Companhia e os acionistas GIF Rumo Fundo de Investimento em Participações e TPG VI Fundo de Investimento em Participações sejam dispensados das obrigações assumidas, perante a Rumo, na Cláusula 2.3 do Compromisso de Voto de 15 de abril de 2014.

3) A administração da Companhia informa sua intenção de, uma vez obtida a dispensa referida acima, aportar até R$ 250 milhões à Rumo no âmbito do Aumento de Capital, no exercício de seu direito de preferência e na subscrição de sobras, se houver.

4) A Companhia também se comprometeu a não alienar as ações que eventualmente venha a subscrever no Aumento de Capital pelo período de 180 dias contados da data da homologação do Aumento de Capital.

5) A captação de recursos adicionais para que a Companhia possa participar do Aumento de Capital no montante mencionado será realizada por meio de aumento do capital social da Companhia por subscrição privada, no valor estimado de até R$ 100 milhões, com a emissão de novas ações ordinárias no limite de seu capital autorizado, conforme disposto no artigo 6° do Estatuto Social da Companhia.

6) As condições específicas do aumento do capital social da Companhia serão definidas em Reunião do Conselho de Administração da Companhia e divulgadas nos termos da legislação aplicável. (Jornal Cana 04/12/2015)

 

Câmbio no Brasil dá o tom e açúcar rompe os 15,50 cents/lb em NY

A reversão esperada por participantes não se concretizou, e os futuros de açúcar demerara subiram com força ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), para acima dos 15,50 cents por libra-peso. Analistas ponderam, contudo, que os ganhos desta quinta-feira se deveram quase que exclusivamente a um único fator: o câmbio no Brasil.

O dólar caiu 2,13% e encerrou a sessão em R$ 3,7459, dando suporte aos contratos. O movimento foi resultado do cenário político no Brasil, com o acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Praticamente todos os ativos nacionais se valorizaram ontem, e a BM&FBovespa avançou 3,29%, para 46.393,26 pontos.

Entre outros assuntos, participantes seguem atentos às chuvas no Centro-Sul do Brasil, que só devem dar uma trégua na semana que vem, e à ampla posição comprada por fundos, passível de liquidação. Hoje a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) atualiza o commitments referente à semana encerrada em 1º de dezembro. No dia 24, a posição comprada era de 208 mil lotes, a maior desde 2008.

Março subiu 24 pontos (1,56%) e fechou em 15,58 cents/lb, com máxima de 15,65 cents/lb (mais 31 pontos) e mínima de 15,21 cents/lb (menos 13 pontos). Maio também avançou 24 pontos e terminou em 15,12 cents/lb. O spread março/maio permanece em 54 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 55 para 64 na semana encerrada quarta-feira (2), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 3 de janeiro.

Foi agendado o carregamento de 2,076 milhões de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,306 milhão de t, ou 63% do total. Paranaguá responderá por 26% (541,034 mil t); Maceió, por 6% (124,250 mil t); Recife, por 3% (64,900 mil t); e Suape, por 2% (40,500 mil t).

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 78,67/saca, alta de 0,22% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,98/saca (+2,74%). (Agência Estado 04/12/2015)

 

Jayme Buarque de Hollanda: Uma nova revolução para o etanol

Desconsiderar a vantagem competitiva do etanol hidratado pela inexistência de carros que o usem de forma eficiente prejudica todos os agentes da cadeia energética da cana. Identificar e combater a ineficiência no uso do EH é, portanto, uma estratégia que só tem ganhadores.

Para mitigar os problemas cambiais causados pelo aumento do preço do petróleo nos anos 70, o Brasil passou a usar etanol produzido no país como alternativa à gasolina. A importância dessa prática ganhou nova dimensão quando, no final dos anos 80, os benefícios ambientais associados foram reconhecidos. A iniciativa brasileira deu início a duas revoluções no que tange ao uso dos combustíveis renováveis com efeitos e implicações diferentes.

A primeira revolução consistiu na prática de adicionar etanol puro à gasolina. A experiência brasileira ganhou importância a partir dos anos 90, pois, além de ser renovável, aumenta a octanagem da gasolina, substituindo o chumbo- tetra-etila e o MTBE, aditivos altamente poluentes. Essa prática aos poucos foi-se ampliando e é usado hoje por cerca de 60 países, notadamente os EUA onde representa 10% do volume da gasolina, podendo aumentar para 15%.

Como consequência, a produção mundial de etanol vem aumentando a partir de diversos vegetais como o milho, beterraba e sorgo e já se tornou uma commodity internacional. O Brasil, que no início era praticamente o único produtor de etanol combustível, hoje responde por menos de um terço da produção mundial.

A segunda revolução consistiu na substituição da gasolina pelo etanol hidratado (EH) usado em carros projetados para usar o combustível renovável. O sucesso foi grande e mais de 90% dos veículos leves produzidos no Brasil, no início dos anos 80, eram carros a etanol. Tinham um rendimento energético maior do que os modelos a gasolina equivalentes compensando o fato do etanol conter menos energia por litro que a gasolina.

A queda do preço do petróleo interrompeu o crescimento da frota de carros a etanol no Brasil. A venda do combustível continuou ativa para atender a frota dos mais de 5 milhões de carros a etanol. Na mesma época, o governo dos EUA começou a apostar na substituição da gasolina pelo etanol com uma nova estratégia incentivou as montadoras a produzirem carros flex, ou seja, que fossem capazes de usar tanto gasolina quanto o etanol quase puro (E85, que contém 15% de gasolina). Os primeiros flex foram comercializados em 1993. Passados 20 anos, hoje circulam 17 milhões de carros flex nos EUA e o E85 é vendido em 5% dos postos de abastecimento de combustível, concentrados na Califórnia e nos estados produtores de etanol.

Quando no final dos anos 90 o preço do petróleo aumentou novamente, o EH voltou a ser muito competitivo no Brasil e a demanda pelos carros a etanol voltou a crescer. A indústria, no lugar de voltar a oferecer carros a etanol, preferiu adaptar os carros flex para as condições do Brasil, conseguindo enquadrar, para efeitos fiscais, os flex como sendo carros a etanol e que têm alíquotas reduzidas.

O problema é que os motores dos carros flex são projetados para usar de forma ótima a gasolina. Toleram o etanol, mas sacrificando a eficiência energética no seu uso. A competitividade do EH com a gasolina ficou comprometida e inibe até hoje o desenvolvimento de motores que aproveitem suas qualidades como combustível que é muito superior à gasolina em diversos aspectos.

A eficiência limitada coloca em risco o futuro desse combustível renovável e ficará cada vez mais difícil para o EH competir em um mercado onde, inclusive, começam a surgir pressões para que o governo libere a fabricação e comercialização de veículos leves a diesel, no país. Usando tecnologias já dominadas (turbo, injeção direta e intercooler, dentre outros) é possível criar um motor otimizado em que o consumo de etanol seria da ordem de grandeza do consumo de um carro a gasolina equivalente.

Desconsiderar a vantagem competitiva do etanol hidratado pela inexistência de carros que o usem de forma eficiente prejudica todos os agentes da cadeia energética da cana. Perdem cerca de 5 milhões de consumidores que só se abastecem com etanol e que consomem mais combustível do que o necessário por só terem acesso aos carros flex. Perde a agroindústria da cana, que tem seus resultados reduzidos, mercê da política de preços e fiscal da gasolina, altamente restritiva ao etanol. Perdem os fabricantes de veículos que deixam de trabalhar um nicho de mercado potencial de centenas de milhares de novos veículos por ano. Perde o país, que tem sua balança de pagamentos afetada, o nível de emissões aumentado e postos de trabalho reduzidos.

Identificar e combater a ineficiência no uso do EH é, portanto, uma estratégia que só tem ganhadores. A persistência no uso ineficiente do etanol hidratado hoje tem uma raiz cultural, associada à ideia de que o etanol seria menos eficiente por ter uma densidade energética menor do que a da gasolina e por ser uma solução brasileira. A desinformação sobre o potencial de eficiência no uso do etanol hidratado influencia diretrizes de governo, decisões de montadoras e do próprio setor de cana que tendem a se conformar com o status quo.

Será importante um trabalho sistemático para apresentar e divulgar as características do EH junto aos diversos agentes envolvidos, combinando estudos, avaliações e promoções com ações de demonstração prática, buscando também o apoio das várias agências voltadas para ações de sustentabilidade.

Jayme Buarque de Hollanda é diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee) e coordenador temático do IV Seminário Internacional Frotas e Fretes Verdes. (Inee 04/12/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Preocupação expressa pelo Bacen na Ata visa reafirmar seu compromisso de médio e longo prazo com o cumprimento da meta de inflação

Diante do cenário de deterioração intensa da atividade econômica e de aumento expressivo do desemprego, a Ata da última reunião do COPOM pode ser considerada dura, ainda que não se comprometa necessariamente com o aumento de juros na próxima reunião. A Ata revela uma evidente preocupação do Banco Central contra a tese de dominância fiscal da política monetária e também o seu objetivo de evitar que as expectativas de inflação de 2016 se mantenham acima do teto da meta. Na nossa visão, o Bacen tenta, via comunicação, reafirmar seu compromisso de médio e longo prazo com o cumprimento da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ou seja, a preocupação expressa pelo Bacen na Ata de hoje é essencialmente reputacional, na medida em que as chances de a inflação se acelerar no próximo ano são muito remotas em um ambiente econômico depressivo e hiato do Produto extraordinariamente negativo. Consideramos que não seria um aperto adicional da política monetária que reverteria, nessa altura do campeonato, a histórica rigidez à baixa da inflação no Brasil e tampouco as expectativas se alterariam substancialmente. Assim, na nossa visão, a relação custo-benefício de apertos adicionais seria muito alta. O documento voltou a chamar a atenção para as incertezas sobre o cenário fiscal, destacando seu impacto negativo sobre as expectativas de inflação. Segundo o Bacen, “o Comitê nota que indefinições e alterações significativas na trajetória de geração de resultados primários, bem como na sua composição, impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e contribuem para criar uma percepção negativa sobre o ambiente macroeconômico, bem como têm impactado negativamente as expectativas de inflação.” A alteração do horizonte de convergência, que já havia aparecido em outros documentos, foi explicitada no parágrafo 31, no qual o Copom defende que “o desenvolvimento nos âmbitos fiscal, para-fiscal e no mercado de ativos e, em 2016, a dinâmica de recomposição dos preços administrados são fatores importantes do contexto em que decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN, em 2017“. Tendo em conta que o foco do Banco Central já anunciado é o do cumprimento da meta cheia apenas em 2017, e considerando que a economia brasileira está em processo de recessão profunda e que as pressões de inflação atuais são essencialmente relacionadas a alimentos, não apostamos em aumento de juros nas próximas reuniões, a despeito da precificação observada no mercado. Caso isso ocorra, entendemos que seria um processo intenso e rápido onde se manteria o cenário de queda de juros no segundo semestre de 2016.

Atividade

IBGE: Produção industrial de outubro sugere contração de cerca de 1,0% do PIB no quarto trimestre

A produção industrial recuou 0,7% na passagem de setembro para outubro, descontada a sazonalidade, conforme divulgado ontem na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Com isso, acumula variação negativa de 7,8% neste ano e de 7,2% nos últimos doze meses. Na comparação interanual, o declínio foi de 11,2%. A contração da atividade industrial em outubro foi impulsionada pela retração de 15 dos 24 setores pesquisados. Destacaram-se as quedas apresentadas pelos ramos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,4%) e outros equipamentos de transporte (-3,4%). Mais uma vez, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias registrou forte recuo de 3,0% na margem, conforme já apontavam os dados de produção e de emplacamentos da Anfavea e da Fenabrave. No sentido oposto, a fabricação de produtos alimentícios recuperou a ligeira queda de 0,1% exibida na leitura anterior, avançando 1,7%. Entre as categorias de uso, a retração da produção industrial foi generalizada. O maior recuo foi apresentado pelos bens de consumo duráveis, que caíram 5,6% na margem. No mesmo sentido, os bens de capital apresentaram mais uma queda (1,9%), acumulando forte recuo de 24,5% neste ano. Os bens intermediários e os semiduráveis e não duráveis, por sua vez, registraram declínios de menor magnitude (0,7% e 0,6%, nessa ordem). Dessa forma, o resultado reforça nossa expectativa de manutenção do fraco desempenho da indústria nos próximos meses, diante de nova queda da confiança do empresariado industrial e de estoques em patamares ainda bastante elevados. Ademais, o setor de construção civil mantém o ajuste em sua cadeia produtiva (os insumos típicos da construção civil acumulam queda de 6,6% nos últimos três meses), assim como o segmento de veículos automotores.

ONS: Geração de energia registrou leve queda em novembro

A carga de energia verificada do Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu 64.921 MW médios em novembro, conforme informado ontem pelo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Em termos dessazonalizados, o montante foi equivalente a uma queda de 0,1% na margem, após duas elevações consecutivas. Contribuíram negativamente para o resultado as regiões Norte e Sul, com recuos de 1,3% e 1,6%, nessa ordem. Em contrapartida, o Nordeste registrou alta mensal de 1,8%, enquanto o complexo formado pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste ficou estável. Em relação ao mesmo período do ano passado, a carga de energia no País caiu 2,3%. Acreditamos que o fraco desempenho da indústria e a elevação das tarifas ao consumidor final continuarão pressionando para baixo o consumo de energia elétrica no início do próximo ano.

Internacional

Área do Euro: Índice PMI do varejo recuou abaixo de 50 pontos pela primeira vez em sete meses

O índice PMI do varejo na Área do Euro recuou de 51,3 para 48,5 pontos entre outubro e novembro. Essa é a menor leitura do indicador em nove meses e a primeira vez em sete meses que ficou abaixo do nível neutro de 50 pontos. Esse comportamento refletiu a queda do indicador nos três países pesquisados (Alemanha, Itália e França). Cabe destacar que os atentados terroristas em Paris e o clima excepcionalmente quente no período influenciaram negativamente o resultado. Por outro lado, o avanço do componente de emprego e de expectativas dos empresários sugere alguma melhora do PMI neste mês. Esse resultado, assim, parece ser um ponto fora da curva, o que não reverte à tendência de recuperação da economia européia neste trimestre.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o último pregão da semana em queda, impulsionadas pelo recuo dos mercados europeus e pela maior cautela diante de dez novos IPOs autorizados ontem em Pequim. No mesmo sentido, as bolsas europeias ampliam as perdas da véspera, ainda refletindo a frustração com os novos estímulos anunciados ontem pelo BCE. Já os índices futuros norte-americanos são cotados em alta, à espera da divulgação dos dados do mercado de trabalho nos EUA em novembro.

A expectativa positiva em relação ao crescimento do emprego nos EUA fortalece o dólar ante as principais divisas, com destaque para o euro. Em contrapartida, o won e o dólar taiwanês se valorizaram em relação à moeda norte-americana. Entre as commodities, o petróleo registra nova elevação em seus preços, à espera de um acordo de corte de produção pela Opep em seu encontro realizado em Viena. As principais agrícolas e as metálicas industriais acompanham o movimento de queda das bolsas asiáticas, com exceção do trigo. No mercado doméstico, as atenções estar]ao voltadas ao cenário político. Além disso, os principais ativos poderão reagir à divulgação dos dados de produção e vendas de veículos da Anfavea, que trarão importantes sinais acerca do desempenho da atividade no mês passado.