Macroeconomia e mercado

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Abengoa deixou de pagar fornecedores de cana há quase cinco meses

Fornecedores de cana-de-açúcar na região de São João da Boa Vista (SP) estão sem receber da Abengoa Bioenergia, que tem uma usina no município, há pelo menos cinco meses. Sob condição de anonimato, os produtores relataram ao Broadcast Agro que já se movimentam, inclusive na Justiça, para que o pagamento ocorra até o término oficial da safra 2015/16, em março do ano que vem. Em alguns casos, o valor mensal devido pela companhia supera mil reais.

O episódio engrossa a lista de problemas enfrentados pela Abengoa que, na semana retrasada, pediu pré-recuperação judicial na Espanha, última tentativa, por um prazo de 90 dias, de renegociar as dívidas. Até o momento, a empresa não comentou como serão tocadas as operações sucroenergéticas no Brasil, mas em outras áreas já há reflexos, como a suspensão das obras no linhão de alta tensão entre a Usina de Belo Monte e a Região Nordeste, com a demissão de 1,5 mil funcionários.

Com sede na cidade espanhola de Sevilha, a Abengoa Bioenergia opera, além da planta de São João da Boa Vista, outras duas usinas no Estado de São Paulo: uma em Pirassununga e mais uma em Santo Antônio de Posse. Por temporada, a capacidade total de moagem supera 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

A Abengoa Bioenergia chegou ao País em 2007 ao adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Um ano depois, houve a crise mundial de liquidez e o início da crise do setor de etanol, com o governo segurando o preço da gasolina. Em 2014, o braço sucroenergético da companhia espanhola registrou prejuízo líquido de R$ 140,9 milhões no Brasil, ante outra perda líquida de R$ 151,7 milhões em 2013.

O Broadcast Agro tentou contato a Abengoa Bioenergia, mas não encontrou nenhum representante para comentar o assunto até o fechamento deste texto. Por meio de porta-vozes na Espanha, a Abengoa informou na semana retrasada "que há reestruturação para preservar o negócio" na América Latina e que "não é certo"" que está fechando filiais no continente. (Agência Estado 07/12/2015)

 

Sindicatos alertam usinas de cana sobre multa em contribuição sindical

Há também correção monetária para quem pagar fora do prazo.

As usinas de cana-de-açúcar do estado de São Paulo que não quitarem em janeiro de 2016 a contribuição sindical terão de recolher multa e correção monetária. O alerta é dos sindicatos representativos das companhias sucroenergéticas.

Em editais, o Sindicato da Indústria da Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo (Sifaesp) e o Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de São Paulo (Siaesp) explicam que:

1) As indústrias de fabricação de etanol e de açúcar no estado de São Paulo devem recolher em janeiro de 2016 a contribuição sindical.

2) Essa contribuição está em conformidade com o que dispõe a legislação em vigor, e que consistirá em uma importância fixa, proporcional ao capital registrado.

3) O recolhimento deverá ser efetuado através do Guia de Recolhimento da Contribuição Sindical Urbana (GRCSU), com código de barras, obtido no sindicato.

4) O pagamento da contribuição sindical fora do prazo sujeitará o infrator às cominações previstas no artigo 600 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e demais legislações aplicáveis à espécie (juros de 1% ao mês, multa de 10%, adicional de 2% ao mês e correção monetária). (Jornal Cana 07/12/2015)

 

Futuros do açúcar em NY podem passar por correção na semana

A tendência é de correção para os futuros de açúcar demerara nesta semana na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Para analistas, o mercado tem dificuldades para se manter acima de 15,50 cents por libra-peso em razão do enfraquecimento da demanda. Além disso, as chuvas esperadas para os próximos dias no Centro-Sul do Brasil devem ser mais brandas, favorecendo o avanço da colheita.

Em boletim, a Climatempo informa que os canaviais de São Paulo devem receber, em média, 30 mm de precipitações pelo menos até quarta-feira. Trata-se de um volume bem menor do que o observado na semana passada, de 150 mm em algumas áreas do Estado. Para Minas Gerais e Paraná, espera-se um regime pluviométrico semelhante.

Ainda em relação aos fundamentos, participantes monitoram o comportamento da demanda após o rompimento dos 15,50 cents/lb. Vale lembrar que em novembro houve duas correções fortes após a superação desse patamar, nos dias 4 e 24. Até agora, a máxima alcançada pelos contratos acima desse teto foi de 14,85 cents/lb, na sexta-feira passada.

Por fim, do lado cambial, o mercado acompanha a oscilação do dólar ante o real em meio ao turbilhão político no Brasil. Na sexta, a moeda norte-americana ficou em R$ 3,7471 (+0,03%).

Março caiu 10 pontos (0,64%) e fechou em 15,48 cents/lb, com máxima de 15,85 cents/lb e mínima de 15,42 cents/lb. Maio também recuou 10 pontos e terminou em 15,02 cents/lb. O spread março/maio se manteve em 54 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos e especuladores elevaram o saldo comprado em açúcar em 4.173 lotes na semana encerrada em 1º de novembro. A posição passou de 208.211 para 212.384 lotes. Para analistas, o saldo comprado ainda é amplo, o que também abre espaço para correções.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 79,18/saca, alta de 0,65% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 21,22/saca (1,14%). (Agência Estado 07/12/2015)

 

Biomassa brasileira já desperta interesse de alguns países para alimentar biorrefinarias e produzir bioeletricidade

Realizada em Paris, a COP21 já entra na sua segunda semana, com término no próximo dia 11 de dezembro. No mês de setembro, dentro dos trabalhos prévios da conferência, já se definia objetivos e metas que, se ratificados, abrirão uma grande janela de oportunidades para a agroenergia.

Para Manoel Teixeira, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, o que o setor bioenergético brasileiro e mundial deve fazer é olhar para a nova agenda que surge a partir da COP21, e se posicionar frente a ela. “Como a bioenergia pode contribuir para que os países e o mundo atinjam as metas de sustentabilidade definidas para 2030?”, indaga.

Segundo ele, a Embrapa Agroenergia já está em discussão com o Ministério de Desenvolvimento Agrário e com a União Brasileira do Biodiesel, procurando promover fóruns que vão discutir mais a fundo essa questão. “Temos que discutir as oportunidades dessa agenda, e sobre como podem ser as contribuições da bioenergia.”

Em algumas das metas e objetivos da COP21, o setor agroenergético se encaixa perfeitamente. Teixeira cita, por exemplo, o objetivo 7: “assegurar acesso confiável e sustentável de energia para todos - energia para mover carros, indústrias, casas”. “A contribuição que os biocombustíveis e a biomassa podem dar nesse objetivo é imensa, mas para isso temos que fazer o dever de casa”.

Já a meta 7.2 diz o seguinte: “aumentar a participação de energias renováveis na matriz energética global”. Frente a esse desafio, o Brasil é exemplo mundial, pois 45% de sua matriz energética é renovável. “Porém, os números mostram que vai ser difícil aumentar esse percentual da energia renovável na matriz energética, mas podemos contribuir para que outros países aumentem o renovável na matriz, o que gera muitas oportunidades ao Brasil”, frisa Teixeira. O país pode se consolidar como fornecedor mundial de biocombustíveis e biomassa.

“O que se tem à frente, com essa questão, é um cenário de oportunidades, mas é preciso definir ponto a ponto as estratégias que vão ajudar os países a alcançar esses objetivos”.

E as oportunidades já estão batendo à porta, antes mesmo da COP21. “Temos recebido na Embrapa Agroenergia visitas de instituições e empresas estrangeiras, interessadas que o Brasil produza biomassa para alimentar biorrefinarias em seus países. E também para aumentar a produção de bioeletricidade. São empresas e instituições do Japão, Holanda e EUA, por exemplo”, relata o chefe-geral da Embrapa Agroenergia. Em muitos casos, a biomassa brasileira seria utilizada para substituir combustíveis fósseis, como o carvão. “É o mercado externo que já está mostrando o rosto e vamos precisar analisar essas oportunidades muito bem”, conclui Teixeira. (Cana Online 07/12/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercado voltou a revisar para cima suas projeções de inflação para este ano e o próximo

Com exceção da taxa de câmbio, o mercado revisou a maioria das suas expectativas para 2016, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 04 de dezembro, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA em 2015 passou de 10,38% para 10,44%, e para 2016, subiu de 6,64% para 6,70%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 3,19% para outra de 3,50% e, para 2016, passaram de -2,04% para -2,31%. A mediana das projeções para a taxa Selic subiu de 14,13% para 14,25% no final de 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio permaneceram em R$/US$ 3,95 no final de 2015 e em R$/US$ 4,20 no final de 2016.

Destaques da semana

IPCA de novembro será o destaque da agenda doméstica nesta semana

Diante das preocupações do Banco Central com o comportamento das expectativas de inflação e a sua convergência para o centro da meta em 2017, o IPCA de novembro, a ser divulgado na quartafeira, ganha destaque na agenda doméstica desta semana. Esperamos alta de 0,97%, como reflexo de maiores pressões em alimentação. A semana também conta com a divulgação de mais dois indicadores de inflação: o IGP-DI referente ao mês passado, amanhã, para o qual projetamos elevação de 1,36%, e a primeira prévia do IGP-M de dezembro, na quinta-feira. Já em relação à atividade econômica, os dados de fluxo pedagiado de veículos da ABCR, a serem divulgados na quinta-feira, e os de produção de papelão ondulado da ABPO, ainda sem data definida, serão importantes no sentido de apontar o comportamento da atividade industrial em novembro. Já a FGV divulgará o Indicador Antecedente de Emprego do mês passado. Por fim, no último dia útil da semana, teremos os levantamentos agrícolas do IBGE e da Conab para a safra 2015/2016.

Na agenda externa, será conhecida, amanhã, a leitura preliminar do PIB da Área do Euro do terceiro trimestre.

No mesmo dia, serão conhecidos os índices de inflação ao consumidor e ao produtor da China, em novembro. Ainda em relação à China, os dados de empréstimos e balança comercial, referentes ao mesmo período, também serão divulgados, em data ainda não definida. A agenda também contemplará a divulgação de vários indicadores dos EUA: o crédito ao consumidor de outubro, ainda hoje; o relatório mensal do orçamento de novembro, na quinta-feira, e os dados de vendas do varejo e indicadores de estoques do mês passado e a prévia do índice de confiança da Universidade de Michigan de dezembro, na sexta-feira. Finalmente, na quarta-feira, o USDA divulgará o relatório mensal da produção de grãos.

Anfavea: Produção de veículos automotores em novembro exibiu a nona queda do ano

A produção de veículos automotores, exceto máquinas agrícolas, somou 355.904 unidades em novembro, conforme divulgado na última sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). O resultado é equivalente a uma queda de 6,6% na margem, mais do que compensando o avanço de 4,6% observado no mês anterior, de acordo com os dados dessazonalizados. O declínio foi puxado pelas retrações de comerciais leves, caminhões e automóveis, cujos recuos foram de 16,3%, 12,8% e 5,1%, respectivamente. No sentido oposto, a fabricação de ônibus cresceu 3,1% na passagem de outubro para novembro. Na comparação interanual, a produção caiu 33,6%. No mesmo sentido, as vendas internas apresentaram variação negativa de 5,7% na margem e de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, os estoques, no mês, atingiram 42 dias de vendas. As exportações, por outro lado, registraram alta de 39,0% na margem, mesma taxa observada na comparação interanual (vale destacar que os dados são bastante voláteis). Para os próximos meses, esperamos continuidade do fraco desempenho do setor, respondendo ao cenário de enfraquecimento da atividade econômica e necessidade de ajuste dos estoques. Por fim, os dados sugerem novo recuo da produção industrial no período.

Internacional

Alemanha: Produção industrial em outubro reforça sinais de aceleração da economia alemã neste trimestre

A produção industrial alemã cresceu 0,2% entre setembro e outubro, conforme divulgado nesta manhã. Ainda que o resultado tenha ficado abaixo das previsões do mercado, que previa avanço de 0,8%, reverteu parte da queda de 1,1% exibida no mês anterior. Na comparação com outubro de 2014, a produção ficou estável. Entre as categorias de uso, destaque para a expansão de 2,7% da fabricação de bens de capital na margem. Por outro lado, a produção de energia e de bens intermediários caiu 5,9% e 1,1%, respectivamente, nessa mesma métrica. De qualquer forma, a estabilização da produção industrial em outubro reforça os sinais de aceleração da economia alemã neste trimestre, que deverá crescer cerca de 0,4%, após alta de 0,3% registrada nos três meses anteriores.

EUA: Surpresa positiva com dados de emprego nos EUA reforça ainda mais nossa expectativa de inicio da normalização da política monetária neste mês

A economia norte-americana gerou 211 mil postos de trabalho em novembro, conforme divulgado na última sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA. O resultado surpreendeu positivamente o mercado, que previa criação de 200 mil vagas. Além disso, os dados de outubro foram revistos para cima, de um saldo positivo de 271 mil para outro de 298 mil postos. Destacaram-se os setores de construção civil e saúde, que geraram, respectivamente, 46 e 24 mil vagas. Já a taxa de desemprego ficou estável em 5,0% no mês passado, em linha com a mediana das expectativas do mercado. Assim, o fortalecimento contínuo do mercado de trabalho norteamericano reforça ainda mais nossa expectativa de inicio da normalização da política monetária já na próxima reunião do Fomc, que será realizada na semana que vem.

Tendências de mercado

A maioria das bolsas asiáticas encerrou o pregão de hoje no campo positivo, com exceção do mercado de Hong Kong, cuja queda foi puxada pela menor cotação das ações de empresas petrolíferas. As bolsas europeias também são cotadas em alta, a despeito do crescimento menor que o esperado da produção industrial alemã em outubro. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos registram ganhos nesta manhã, ainda refletindo a surpresa positiva com os dados de emprego divulgados na sexta-feira. O forte resultado ainda impulsiona a alta do dólar em relação às principais moedas, com exceção do ringgit e da lira.

Entre as commodities, a falta de acordo na reunião da Opep encerrada na última sexta-feira pressiona os preços do petróleo para baixo. As principais agrícolas, exceto o trigo, acompanham o movimento do petróleo nesta manhã. Em contrapartida, as metálicas industriais apresentam elevação, refletindo a expectativa de aumento da demanda norte-americana. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas ao cenário político, diante de uma agenda fraca de indicadores. Adicionalmente, o fortalecimento do dólar no mercado externo pode pressionar a depreciação do real e a abertura da curva de juros futuro.