Macroeconomia e mercado

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Louis Dreyfus e Cargill vencem leilão de área Ponta da Praia no Porto de Santos

O lance superou proposta rival feita pela Agrovia SA de 5 milhões de reais.

O consórcio formado por Louis Dreyfus e Cargill venceu leilão da área Ponta da Praia no Porto de Santos, nesta quarta-feira (9), com proposta de valor de outorga de 303,07 milhões de reais. O lance superou proposta rival feita pela Agrovia SA de 5 milhões de reais.

A área conhecida no leilão como “STS04”, na margem direita do Porto de Santos, tem movimentação mínima anual exigida de 3,9 milhões de toneladas no terceiro ano, e de 4,1 milhões a partir do quinto ano. (Reuters 09/12/2015)

 

Usina de cana da Odebrechet na Angola terá US$ 210 milhões extras

Recursos financeiros serão liberados por bancos em 2016.

A usina de cana-de-açúcar Biocom, localizada na Angola e da qual o Grupo Odebrecht é sócio com 40% do capital, receberá aporte de US$ 210 milhões. Leia mais a seguir.

Conforme divulgado pela imprensa angolana, a companhia sucroenergética deverá receber em 2016 os recursos financeiros a partir de contratos com bancos. O objetivo do aporte é investir na produção de biocombustíveis, açúcar e bioeletricidade.

A Companhia de Bioenergia de Angola Ltda. (Biocom) inciou sua produção sucroenergética em maio de 2015, com a safra indo até março de 2016.

Saiba mais sobre a Biocom:

A companhia sucroenergética está instalada no Polo Agro-Industrial de Capanda, na Província de Malanje, Município de Cacuso, numa área de 42.500 hectares dos quais 36.921 são agricultáveis e, segundo a empresa, 5.579 destinam-se a áreas de preservação permanente da vegetação nativa.

A produção de açúcar da Biocom destina-se ao mercado interno, a produção de energia elétrica tem como cliente a ENE (Empresa Nacional de Energia de Angola) e o etanol anidro será fornecido à Sonangol.

O projeto da Biocom é uma parceria entre o Estado angolano, através da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP) e Sonangol Holding, com 20% de participação e o grupo angolano COCHAN e a construtora Odebrech com 40% cada.

Com um investimento de 750 milhões USD, além da Biocom. Fazem parte do PAC, as fazendas Pedras Negras, Pungo Andongo, Quizenga e a Companhia de Alimentos de Malange. Possui uma área de 1.500 hectares para o plantio de feijão, mandioca e milho e prevê uma produção de 2.400 toneladas/ano de farinha de bombo.

Quem controla a Biocom:

20% do capital, Sonangol Empresa estatal Angolana do ramo petrolífero que tem como objetivo principal a prospecção, pesquisa, desenvolvimento, produção, transporte, comercialização, refinação e transformação de hidrocarbonetos líquidos e gasosos e seus derivados, incluindo atividades de petroquímica.

40% do capital, COCHAN Empresa líder em investimentos globais de capital em mercados de elevado potencial, atuando nos segmentos de comércio, agroindústria e logística comercial.

40% do capital, Odebrecht Angola Projectos e Serviços Lda Empresa angolana que atua na área de engenharia, agro-indústria, mineração e construção civil. (Jornal Cana 09/12/2015)

 

Petrobras é a única petrolífera que ganha com preço do petróleo baixo

Com o preço do barril de petróleo está abaixo dos US$ 40, a Petrobras é a única petrolífera do mundo que ganha com a queda, afirma o consultor Adriano Pires.

Motivo: ao não repassar a queda do preço do petróleo para o mercado interno, a Petrobras passa a gerar caixa vendendo gasolina e diesel bem acima dos preços internacionais, cerca de 30% e 20% acima, respectivamente.

Entenda a queda

Segundo a agência de notícias Reuters, os contratos futuros do petróleo despencaram mais de 5% nesta segunda-feira (7), tocando suas mínimas em quase sete anos, após a Opep falhar em resolver um excesso de oferta global, enquanto o dólar forte tornou muito cara a retenção das posições no petróleo.

O Brent, referência global de petróleo, e o petróleo nos Estados Unidos encerraram próximos a mínimas desde fevereiro de 2009, em reações tardias à reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo na sexta-feira, que terminou sem um acordo para reduzir a produção.

O petróleo nos EUA encerrou em queda de US$ 2,32, a US$ 37,65 por barril. Foi o menor fechamento desde fevereiro de 2009, após tocar a mínima da sessão de US$ 37,50.

O Brent, por sua vez, encerrou em queda de US$ 2,27, a US$ 40,73 por barril, após atingir a mínima de fevereiro de 2009 de US$ 40,60 por barril. (O Globo 09/12/2015)

 

Fundos liquidam posições e futuros de açúcar em NY recuam 2%

Os futuros de açúcar demerara registraram perdas expressivas ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Analistas, contudo, relacionaram a queda mais a uma liquidação de posições compradas por fundos do que ao relatório de safra da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), considerado altista. O suporte inicial voltou para os 15 cents por libra-peso.

Conforme Michael McDougall, diretor do Société Générale, "fundos brasileiros" estariam por trás da liquidação de lucros. Vale lembrar, porém, que uma liquidação assim já era esperada para esta semana, após a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) mostrar que o saldo comprado em 1º de dezembro totalizava impressionantes 212 mil lotes.

Quanto ao relatório da Unica, este apontou processamento 19% maior na segunda quinzena de novembro, com 18,7 milhões de toneladas. A produção de açúcar, porém, diminuiu 7%, para 704 mil toneladas, totalizando 29,4 milhões de toneladas no acumulado da safra 2015/16 (-6,4%). O nível de Açúcares Totais Recuperáveis também despencou na segunda metade de novembro, para 119,3 kg por tonelada (-13,6%).

Para McDougall, a única informação baixista do relatório diz respeito à queda no consumo de etanol em novembro ante outubro, de 8%, para 2,5 bilhões de litros. Especificamente para o etanol hidratado, o recuo foi de 15%, para 1,6 bilhão de litros. A avaliação que se faz aí é que a demanda menor por álcool abre espaço para que mais cana seja destinada ao açúcar.

Março caiu 30 pontos (1,96%) e fechou em 15 cents/lb, com máxima de 15,54 cents/lb (mais 24 pontos) e mínima de 14,95 cents/lb (menos 35 pontos). Maio recuou 30 pontos e terminou em 14,59 cents/lb. O spread março/maio permanece em 41 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 79,61/saca, alta de 0,11% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,89/saca (-1,09%). (Cepea / ESALQ 09/12/2015)

 

CPFL firma parceria com CCR e GRAAL para estimular uso de veículos elétricos em SP

Na expectativa de estimular o segmento de veículos elétricos no Brasil e, com isso, criar um novo mercado consumidor, a CPFL firmou parceria com a CCR AutoBAn e com a Rede Graal para estruturar uma espécie de "corredor intermunicipal" elétrico no estado de São Paulo. A rota ligará a capital paulista a Campinas, onde fica a sede da CPFL, e será equipada com o primeiro eletroposto rodoviário construído no Brasil. O abastecimento de veículos elétricos poderá ser feito gratuitamente em um posto da Graal localizado na altura de Jundiaí, na Anhanguera, rodovia administrada pela AutoBAn.

O corredor elétrico faz parte do Programa de Mobilidade Elétrica da CPFL Energia, um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que receberá investimento de R$ 21,2 milhões até 2018. O incentivo ao mercado de veículos elétricos também contou com a construção de outros eletropostos, entre unidades públicas e privadas. Há quatro unidades em operação instaladas na própria CPFL e em empresas parceiras. Outras duas unidades, ambas localizadas em Campinas, são públicas.

O projeto que une CPFL, CCR e Graal é uma nova etapa dessa iniciativa, agora em direção ao mercado consumidor da capital paulista, e um novo incentivo ao desenvolvimento do mercado de veículos elétricos no Brasil. Em outubro passado, o governo federal reduziu a zero o imposto de importação para carros elétricos e a hidrogênio. Esses modelos pagavam, até então, 35% de alíquota de importação.

"A CPFL Energia foi responsável pela instalação de toda infraestrutura do eletroposto rápido, que inclui um transformador de baixa tensão, o carregador e o cabeamento necessário para o funcionamento dos equipamentos. A Rede Graal assumirá as despesas com o consumo de energia", destacou a CPFL em nota. As atividades do eletroposto deveriam ter sido iniciadas em agosto, porém o cronograma foi alterado para o final de novembro.

De acordo com as empresas, o veículo poderá ter 80% de sua bateria carregada em meia hora, o que mostra que a tecnologia ainda tem particularidades importantes quando comparada aos veículos tradicionais, abastecidos com gasolina, etanol ou diesel.

Outro problema é a ainda quase incipiente rede de abastecimento. Para amenizar esse problema, a CPFL estuda a possibilidade de desenvolver outros eletropostos em novos endereços da rede Graal, caso de uma unidade localizada na Bandeirantes. Até 2018, a CPFL planeja viabilizar a instalação de 31 eletropostos.

"O projeto também irá permitir que a companhia avance em um modelo de negócio para a mobilidade elétrica, considerando que os eletropostos também serão utilizados por clientes de fora da área de concessão da companhia", afirmou em nota o diretor de Estratégia e Inovação da CPFL, Rafael Lazzaretti. (Agência Estado 09/12/2015)

 

Acabar com o álcool hidratado é acabar com o setor

“Dos nossos 600 milhões de toneladas de cana que moemos no Centro-Sul, 200 milhões de toneladas são transformadas em hidratado. Se não tivermos hidratado, é muita cana para ‘chuparmos’. Não tem mercado de açúcar para colocar mais 15 milhões de toneladas. E não tem anidro para crescer nessa velocidade. Se acabar com hidratado, acaba com o setor”. (Luis Roberto Pogetti - Cana Online 09/12/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Indicador de emprego da FGV sugere alguma acomodação na tendência de piora mercado de trabalho à frente

Em linha com a persistência do enfraquecimento do mercado de trabalho exibida nos últimos meses, o indicador coincidente de desemprego (ICD), calculado pela FGV, subiu 1,4% entre outubro e novembro. Esse foi o décimo avanço do indicador em onze meses, acumulando alta de 34,5% no ano. Por outro lado, o indicador antecedente de emprego (IAEmp) subiu 4,8% no período, sucedendo alta de 5,0% em outubro. Mesmo assim, acumula queda de 10,3% no ano, se mantendo em patamar ainda bastante baixo. O comportamento favorável no último mês refletiu, especialmente, uma melhora da avaliação dos consumidores em relação ao mercado de trabalho. Ainda que os dados ainda não apontem para uma clara reversão da tendência de piora da criação de vagas de trabalho no País, ao menos sugerem alguma acomodação dessa trajetória nos próximos meses.

Atividade

Indicadores coincidentes sugerem nova retração da produção industrial em novembro

Os dados de vendas de papelão ondulado e de produção de motocicletas divulgados ontem apontam para nova contração da atividade industrial em novembro. As vendas de papelão ondulado somaram 283.746 toneladas no período, o equivalente a uma leve queda de 0,1% na margem, excetuada a sazonalidade, de acordo com os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO). O resultado sucede um aumento de 0,7% em outubro e um recuo de 0,3% em setembro. Na comparação interanual, houve queda de 4,1%. No mesmo sentido, a produção de motocicletas alcançou 74.972 unidades no mês passado, o que corresponde a um declínio de 19,6% na margem, descontados os efeitos sazonais, conforme reportado ontem pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). A queda da produção, que marcou a quarta contração consecutiva, foi acompanhada pelas vendas, que caíram 15,7% entre outubro e novembro, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo período do ano passado, a fabricação e as vendas de motocicletas registraram variações negativas de 38,4% e 41,2%, respectivamente.

IACI: Índice de atividade da construção imobiliária avançou em novembro

O Índice de Atividade da Construção Imobiliária (IACI) subiu 1,0% na passagem de outubro para novembro, descontada a sazonalidade, conforme divulgado ontem no Monitor da Construção Civil, elaborado pela consultoria Tendências em parceria com a Criactive. A despeito da elevação na margem, o indicador recuou 8,1% em relação ao mesmo período de 2014. Já o Índice de Lançamentos (IACI-L), que mensura a área total dos empreendimentos lançados no País, caiu 8,5% entre agosto e setembro, acumulando contração de 34,5% nos últimos doze meses. Vale destacar que a leitura do IACI-L é defasada em relação ao índice total. Assim, projetamos manutenção do baixo desempenho do setor da construção civil nos próximos meses.

IBGE: Recuo da produção industrial em outubro refletiu queda em dez das catorze regiões pesquisas

A retração de 0,7% da produção industrial entre setembro e outubro refletiu a queda de dez das catorze regiões pesquisadas, segundo os dados divulgados ontem na Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional) do IBGE. Os estados que apresentaram os maiores recuos foram o Pará (-6,0%), Paraná (-5,7%), Espírito Santo (-5,1%) e Amazonas (-4,9%). No sentindo oposto, a Bahia e o Ceará apresentaram altas de 2,2% e 0,9%, respectivamente. Na comparação interanual, treze regiões registraram declínio na produção. Os movimentos mais intensos foram observados nos estados do Amazonas (-20,3%), Rio Grande do Sul (-16,6%), Paraná (-14,2%) e São Paulo (-12,7%). Especificamente em relação ao Amazonas, o recuo de maior magnitude refletiu a queda na produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óptico.

Setor externo

MDIC: Saldo da balança comercial iniciou o mês com superávit de US$ 769 milhões

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 769 milhões na primeira semana de dezembro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). No período compreendido entre os dias 1º e 4 deste mês, as exportações somaram US$ 3,0 bilhões, superando as importações, que alcançaram US$ 2,3 bilhões. A comparação com as médias diárias de dezembro do ano passado mostra queda de 4,4% dos embarques, influenciados pela retração de 9,6% dos produtos básicos (principalmente, de farelo de soja, minério de ferro, café em grão, petróleo em bruto e carne bovina) e de 13,7% dos produtos semimanufaturados (principalmente, ouro em forma semimanufaturada, ferro-ligas, ferro fundido, couros e peles e semimanufaturados de ferro/aço). As vendas de produtos manufaturados, por outro lado, cresceram 5,8% nessa mesma base de comparação. As importações, por sua vez, apresentaram retração de 27,3%. O resultado refletiu a redução da compra de combustíveis e lubrificantes (-52,5%), equipamentos eletroeletrônicos (-40,9%), borracha e obras (-30,1%), veículos automóveis e partes (-29,4%), equipamentos mecânicos (-28,8%) e plásticos e obras (-27,2%). Assim, no acumulado do ano, o superávit da balança comercial soma US$ 14,2 bilhões.

Internacional

China: Inflação ao consumidor seguiu comportada em novembro

As pressões inflacionárias na China seguiram contidas por mais um mês, diante da desaceleração da economia e do patamar mais baixo dos preços das matérias primas. O índice de preços ao consumidor mostrou alta interanual de 1,5% em novembro, acelerando discretamente em relação ao avanço de 1,3% registrado no mês anterior e ficando um pouco acima das expetativas (1,4%). Para tanto, os preços de alimentos passaram de uma elevação de 1,9% para outra de 2,3% ao passo que os itens não ligados a alimentação aceleraram de 0,9% para 1,1% nesse período. No atacado, a deflação tem persistido, o que evidência a forte desaceleração da atividade industrial e do setor imobiliário. O índice de preços ao produtor recuou 5,9%, a mesma variação pelo quarto mês consecutivo. Assim, mantemos a visão de que as políticas econômicas continuarão sendo aliviadas. Esperamos inclusive cortes da taxa de juros e/ou do depósito compulsório ainda neste ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje majoritariamente em queda, refletindo as preocupações com a desaceleração da economia chinesa e a depreciação do yuan, que foi cotado pelo banco central chinês no menor nível desde 2011. Os mercados acionários europeus acompanham o movimento dos asiáticos, a despeito da surpresa positiva com o resultado da balança comercial da Alemanha. No mesmo sentido, os índices futuros norte-americanos registram queda neste momento, à espera da divulgação dos dados de estoques.

A divisa norte-americana apresenta direções divergentes nesta manhã, com alta em relação ao yuan, ao rand e ao dólar neozelandês e perdendo valor frente ao rublo, à rúpia e ao euro. Entre as commodities, o petróleo recupera parte das fortes perdas exibidas nos dias anteriores, a despeito de o American Institute of Petroleum apontar crescimento dos estoques norte-americanos na última semana. As principais agrícolas e o cobre também são cotados no campo positivo, enquanto o alumínio registra baixa em seus preços. No mercado doméstico, as atenções estarão voltadas à divulgação do IPCA de novembro, para o qual esperamos elevação de 0,97%. Adicionalmente, os principais ativos também reagirão ao cenário político.