Macroeconomia e mercado

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Açúcar: Alta técnica

As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York refletindo uma correção técnica e projeções de oferta mais apertada.

Os contratos do açúcar demarara para julho subiram 8 pontos, para 14,37 centavos de dólar a libra-peso.

Nos últimos dias, as cotações têm sido pressionadas pelo início da safra no Centro-Sul do Brasil.

Os especuladores, porém, ainda mantêm posições compradas, provocando volatilidade no mercado.

Colaborou para a alta ontem a revisão das estimativas da Czarnikow, que avaliou que a demanda global por açúcar vai ultrapassar a produção em 11,4 milhões de toneladas na safra internacional 2015/16, que termina em outubro.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,37%, para R$ 75,60 a saca. (Valor Econômico 15/04/2016)

 

Oferta da Rumo tem forte procura de estrangeiro

A Rumo Logística, fruto da fusão com a ALL, levantou R$ 2,6 bilhões por meio de uma oferta primária de ações com esforços restritos de colocação. Desse total, cerca de R$ 1,1 bilhão foi captado no mercado de capitais, sendo 65% a fatia dos investidores estrangeiros. A diferença veio dos sócios, que já tinham se comprometido com a operação, Cosan Logística colocou cerca de R$ 750 milhões, Júlia Dora Arduini, R$ 100 milhões, Eminence Capital, R$ 240 milhões, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo menos R$ 160 milhões.

Trata-se da primeira oferta de ações do ano que atraiu recursos no mercado. Outras duas operações de "follow-on" (de empresas já listadas) foram realizadas em 2016, mas ou para receber injeção de capital dos controladores ou para entrada de novo sócio específico. Em janeiro, a Brasil Pharma levantou, via oferta de ações, R$ 400 milhões com o seu sócio-controlador, o BTG Pactual. Em março, foi a vez do Banco Mercantil de Investimentos (BIM), controlado pelo Mercantil do Brasil, captar R$ 116,4 milhões. A Codemig, empresa controlada pelo governo de Minas Gerais, foi o único investidor externo, ao lado do Mercantil.

O sucesso da oferta de ações da Rumo, avalia Jean Pierre Dupui, vice-presidente de Global Corporate Banking (GCB) do Santander Brasil, líder da oferta, é uma sinalização de que há apetite do investidor estrangeiro por boas histórias. "Não dá para dizer que o mercado se abriu, mas a demanda seletiva existe", diz.

Mario Leão, diretor de Corporate Investment Banking do Santander, não descarta a possibilidade de novas operações de "follow-on" de empresas com balanços confortáveis e boas histórias de crescimento, consolidação ou investimentos, se houver uma melhora do cenário macroeconômico.

A capitalização da Rumo é parte de um plano que envolveu ainda uma renegociação de dívida com os seus principais bancos credores: Santander, Bradesco BBI, Itaú BBA, Banco do Brasil e HSBC. A empresa, que encerrou o ano com uma dívida bruta de R$ 8,6 bilhões, conseguiu o alongamento de cerca de R$ 3 bilhões para um prazo de sete anos, com três anos de carência. Outra frente do plano foi a negociação com o BNDES para apoiar a capitalização, além da abertura de novas linhas de financiamento.

A oferta envolveu a emissão de 1,04 bilhão de ações, a R$ 2,50, abaixo dos R$ 2,70, cotação de fechamento de 7 de abril, data em que foi fixado o preço da operação. Ontem, as ações subiram 17,8%, a R$ 3,90. (Valor Econômico 15/04/2016)

 

Conab projeta novo recorde para a cana

A produção brasileira de cana deverá alcançar 691 milhões de toneladas nesta safra 2016/17, conforme estimativa divulgada ontem pela Conab. Se confirmado, o volume será 3,8% superior às 665,6 milhões de toneladas estimadas para 2015/16, o recorde atual. O incremento será puxado pelo Centro-Sul. Para a região, a Conab projeta produção recorde de 637,7 milhões de toneladas no novo ciclo, 3,4% maior que no passado, encerrado em 31 de março. Mas no Norte e Nordeste o volume também deverá aumentar, 9,2%, para 53,2 milhões de toneladas.

De maneira geral, o avanço nacional previsto pela Conab será determinado por um crescimento de 5,9% da área, que deverá alcançar 9,1 milhões de hectares em 2016/17. A produção brasileira de açúcar deverá subir 12%, para 37,5 milhões de toneladas. Já a de etanol tende a diminuir 0,4%, para 30,3 bilhões de litros. (ValorEconômico 15/04/2016)

 

Em busca de produtividade, Guarani investirá em canaviais e inovação, diz Tereos

O diretor da região Brasil da Tereos Internacional, Jacyr Costa, afirmou ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado) que os investimentos da companhia na Guarani durante a safra 2016/2017 terão como foco renovação de canaviais e as áreas de inovação e produtividade, sem aportes previstos em crescimento orgânico ou aquisições. "Os investimentos serão todos voltados para as áreas agrícolas e inovação", disse.

Costa citou investimentos que já estão sendo feitos em agricultura de precisão, inclusive com a aquisição de drones para monitorar canaviais.

Nas lavouras, de acordo com o executivo, a companhia tem testado variedades de cana trazida das Ilhas Reunião (África), onde a companhia tem operações. "Os testes mostraram que essas variedades possuem até 20% mais açúcar quando comparadas às daqui. Estamos muito otimistas com os primeiros testes", afirmou.

"Os testes mostraram que essas variedades [de cana da África] possuem até 20% mais açúcar quando comparadas às daqui."Jacyr Costa

Ainda segundo Costa, a parceria com a Petrobras Biocombustível nas usinas da Guarani "segue boa" e a companhia petroleira, interessada em se desfazer de ativos, não fez qualquer manifestação sobre uma possível saída da sociedade. "A Petrobras Biocombustível, inclusive, fará a indicação do diretor de Investimentos e Portfólio da companhia a ser avaliado na próxima reunião do conselho", revelou. (Agência Estado 14/04/2016)

 

Combustíveis ficaram mais caros em março

Etanol sobe 1,2% e gasolina se mantém como melhor opção em todo o País, mesmo após subir 0,35% no mês.

O preço do etanol subiu 1,2% em março na comparação com fevereiro deste ano. Em média, o litro combustível vegetal custa R$ 3,34 no País, com as maior alta registrada no Acre, de 5%. No entanto, o estado mais caro para se abastecer com etanol é o Rio Grande do Sul, onde o litro custa R$ 3,77. Os dados são do IPTC, Índice de Preços Ticket Car.

A gasolina também aumentou 0,35% em março, e encerrou o mês custando R$ 3,89 em média. São Paulo tem o melhor preço, a R$ 3,61, enquanto o Pará é o mais caro, com R$ 4,16 o litro de gasolina. Ainda assim, é o combustível que mais vale a pena abastecer em todo o País.

Para os proprietários de carros flexíveis, uma conta simples decide qual combustível escolher. Basta dividir o valor do etanol pelo da gasolina, caso o resultado seja menor ou igual a 0,7, vale a pena etanol. Se superior, a gasolina é mais vantajosa. (O Estado de São Paulo 14//04/2016às 12h: 35m)

 

Indústria fecha menos vagas em março no Estado

As contratações no setor de álcool e açúcar ajudaram a diminuir a queda no emprego na indústria paulista em março. No mês, o saldo ficou negativo em 3.500 postos, contra 12 mil vagas a menos em fevereiro. No ano, são 31 mil empregos fechados.

Os dados foram divulgados ontem pelo Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp) e mostram que, com antecipação das contratações na agroindústria, o setor de alimentação liderou o saldo da criação de vagas no mês, que somaram 6.819 postos.

Paulo Francini, chefe do Depecon, confirma que o início da colheita atenuou a queda na empregabilidade. (Agora São Paulo 15/04/2016)

 

Possibilidade de La Niña em 2016 aumenta para 50%, afirmam agências de meteorologia

O Centro de Previsão do Clima (CPC), uma agência do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, divulgou nesta quinta-feira (14) que as chances de ocorrer o fenômeno climático La Niña, ainda no segundo semestre de 2016, estão cada vez maiores.

O departamento de meteorologia do governo australiano, Bureau of Meteorology (BOM), também confirmou ao site internacional Agrimoney que as possibilidades do fenômeno em 2016 aumentaram para 50%. Na segunda-feira (11) o serviço meteorológico oficial do Japão constatou que o evento, neste ano, torna-se a cada dia mais próximo de uma realidade.

Das últimas quinze ocorrências de El Niño, fenômeno que ocorreu em 2015 e está se enfraquecendo neste ano –, onze foram seguidos de La Niña, conforme relatam pesquisas de agências meteorológicas de todo o mundo.

“A previsão oficial é consistente com as previsões do modelo, também apoiada por uma tendência histórica de La Niña acompanhada de acontecimentos fortes de El Niño”, disse o CPC no relatório.

Para o BOM, o La Niña eleva as chances de inundações generalizadas, secas e furacões em diversas regiões do planeta. O fenômeno, causado pelo resfriamento das águas do Pacífico, está associado à seca na América do Norte e tempo chuvoso no Sudeste Asiático, ao contrário do El Niño que causa tempo seco na Austrália e na Ásia, além de tempo de chuva nas Américas.

Os efeitos reais de um evento como o La Nina podem variar e, segundo os especialistas, são de difícil previsão. Ainda assim, fortes indicativos podem promover movimentos de alta nos preços da maioria das commodities agrícolas, já que o fenômeno representa um risco ascendente para o mercado.

Clima no Brasil

Ainda que não seja possível definir sua intensidade e, consequentemente, suas influências para o clima, o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, afirma que o La Niña traz um regime de chuvas benéficos para as culturas de verão em grande parte do Brasil.

"Apesar de atrasar a chegada das chuvas na primavera, quando as precipitações chegam elas ocorrem de forma mais regular em todo o país, diferente do que foi observado na temporada 2015/16", destaca.

Segundo Santos, caso o fenômeno climático se confirme poderemos ter um inverno mais rigoroso no Brasil, "pois as massas de ar polar entram com mais facilidade no território brasileiro". Esse cenário é favorável ao desenvolvimento de geadas antecipadas e tardias.

Na transição entre o inverno e a primavera (setembro), os modelos climáticos indicam um período de pouca chuva nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e no Matopiba. O contrário deve acontecer no Sul, para onde são esperadas chuvas regulares.

"Esse cenário é uma boa tendência para as culturas de inverno como o trigo, que foi extremamente castigado por conta das chuvas que ocorreram nas duas últimas primaveras", explica Santos.

Na primavera com La Niña, poderá ocorrer um atraso na chegada das chuvas, principalmente do Brasil Central, mas de maneira oposta ao que ocorreu na safra 2015/16. Mesmo com o retardamento das precipitações, elas deverão retornar em outubro com maior regularidade, sendo benéfico para o desenvolvimento das lavouras de verão.

Para o Sul, o período do verão dependerá da intensidade que o fenômeno climático alcançará. Segundo Santos, quanto mais forte o La Niña, menos chuvas chegarão aos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, podendo incluir também o sul do Mato Grosso do Sul.

Estados Unidos

A possibilidade de La Niña, no entanto, não é positiva para o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos. No meio-oeste há a possibilidade de períodos prolongados de estiagem durante o verão.

"Uma mudança para La Niña teria potencial de trazer um clima mais quente e mais seco à região central norte-americana, principalmente no cinturão do milho ocidental", disse o Serviço de Meteorologia dos EUA, na semana passada. (Notícias Agrícolas 14/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta técnica: As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York refletindo uma correção técnica e projeções de oferta mais apertada. Os contratos do açúcar demarara para julho subiram 8 pontos, para 14,37 centavos de dólar a libra-peso. Nos últimos dias, as cotações têm sido pressionadas pelo início da safra no Centro-Sul do Brasil. Os especuladores, porém, ainda mantêm posições compradas, provocando volatilidade no mercado. Colaborou para a alta ontem a revisão das estimativas da Czarnikow, que avaliou que a demanda global por açúcar vai ultrapassar a produção em 11,4 milhões de toneladas na safra internacional 2015/16, que termina em outubro. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,37%, para R$ 75,60 a saca.

Cacau: Elevação em NY: Os preços do cacau avançaram ontem na bolsa de Nova York com um ajuste técnico sustentado pelo cenário de déficit de oferta. Os papéis para julho subiram US$ 34, a US$ 2.988 a tonelada. Ontem, a Economist Intelligence Unit (EIU), braço de consultoria do The Economist, estimou um déficit de 66 mil toneladas no ciclo atual (2015/16) e de 225 mil na temporada seguinte. Após o fechamento, porém, a associação de processadoras de cacau da América do Norte disseram que o volume de amêndoa moída no primeiro trimestre caiu 2,24% na base anual, para 118,8 mil toneladas. O dado deve exercer pressão sobre o mercado nesta sexta-feira. Em Ihéus e Itabuna, o preço subiu R$ 1, para R$ 146 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Vendas em Chicago: Após cinco altas seguidas, os preços da soja caíram ontem na bolsa de Chicago com o aumento das vendas de fundos e de produtores. Os contratos para julho cederam 8,25 centavos, para US$ 9,5625 o bushel. Os produtores dos Estados Unidos e do Brasil aproveitaram a recente valorização dos preços para negociar sua produção, o que elevou a oferta disponível. Analistas afirmam também que as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgadas na terça-feira não justificam patamares elevados de preço. Também especula-se que uma alta da soja neste momento pode estimular o avanço do plantio nos EUA para a safra 2016/17, o que levaria a uma produção maior no país. No Paraná, o preço médio subiu 0,72%, para R$ 65,34 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Clima favorável: O mercado futuro do trigo foi influenciado ontem pelas previsões de clima favorável para as lavouras nos Estados Unidos. Na bolsa de Chicago, os papéis para julho caíram 0,75 centavo, para US$ 4,6675 o bushel. Já na bolsa de Kansas, os contratos para julho subiram 0,75 centavo, a US$ 4,6575 o bushel. Os institutos de meteorologia prevêem chuvas generalizadas no sul das Grandes Planícies americanas, que devem beneficiar as lavouras de trigo duro vermelho de inverno, utilizado para a panificação, e de trigo de primavera. A umidade deve recuperar algumas áreas que estavam passando por estresse hídrico depois de um longo período sem precipitações. No mercado interno, o preço do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,36%, para R$ 676,42 a tonelada. (Valor Econômico 15/04/2016)