Macroeconomia e mercado

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Commodities Agrícolas

Açúcar: No vermelho: Os preços futuros do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York em meio à alta do dólar em relação ao real. Os lotes do demerara para outubro caíram 6 pontos, a 16,53 centavos de dólar libra-peso. A queda foi ditada também pela liquidação de posições dos fundos, que na semana passada acumulavam um saldo líquido comprado recorde, de 134.616 contratos em 26 de abril. No vencimento do contrato para maio foram entregues 420 mil toneladas de açúcar demerara, um volume bem menor do que nesses vencimentos em anos anteriores. O Brasil respondeu por 87% do volume entregue, e a Argentina, 13%. A trading Wilmar será a única recebedora. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,37%, para R$ 75,46 a saca de 50 quilos.

 

Café: Gangorra com dólar: Os contratos futuros do café perderam terreno ontem na bolsa de Nova York, refletindo a valorização do dólar em relação ao real. Os papéis do arábica com vencimento em julho recuaram 185 pontos, para US$ 1,1965 a libra-peso. O fortalecimento da moeda americana costuma ser um fator importante de estímulo às exportações brasileiras. Os investidores também estão otimistas com a próxima safra do Brasil. A consultoria Safras & Mercado divulgou ontem que estima que a produção crescerá 12% em 2016/17, para 56,4 milhões de sacas de café, com a recuperação das lavouras do grão arábica. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, de acordo com levantamento do Escritório Carvalhaes, de Santos.

 

Suco de laranja: Disparada em NY: As cotações do suco de laranja dispararam ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) com vencimento em julho fecharam com alta de 6,38%, ou 820 pontos, a US$ 1,3665 a libra­peso ­ o maior valor desde 18 de abril. Os demais contratos, com prazos de entrega mais distantes, também registravam valorização expressiva. O mercado oscila ao sabor do apetite especulativo, enquanto não surgem novidades no campo dos fundamentos. A próxima projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra da Flórida sairá em 10 de maio. No mercado interno, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq permaneceu ontem em R$ 14,89 a caixa de 40,8 quilos.

 

Trigo: Tempo bom: O clima mais úmido nas áreas produtoras de trigo dos Estados Unidos deram um alívio para as lavouras e voltaram a pressionar as cotações futuras do cereal nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos com vencimento em julho fecharam em US$ 4,8775 o bushel, queda de 0,75 centavo. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis do cereal com o mesmo vencimento recuaram 4,25 centavos, a US$ 4,7425 o bushel. As plantações de trigo de inverno, localizadas na parte sul das Grandes Planícies americanas, receberam chuvas nos últimos dias, o que favorece seu desenvolvimento. As previsões meteorológicas indicam que haverá mais chuvas nesta semana. No Paraná, o preço médio subiu 0,1%, para R$ 41,47 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 03/05/2016)

 

Suicídio político: Liderança de Kátia Abreu no agronegócio em xeque

Na manhã da quarta-feira, 4 de abril, horas antes de a cúpula da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciar que iria se posicionar abertamente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, fez uma última tentativa de reverter a decisão da entidade máxima de representação do agronegócio no país. E ligou para o seu sucessor à frente da instituição, o baiano João Martins, aliado durante os oito anos em que ela presidiu a Confederação – Kátia está licenciada.

Para surpresa da ministra, o dirigente não atendeu a ligação e se recusou desde então a falar com ela, ferrenha defensora de Dilma, de quem é amiga. O episódio irritou profundamente a ministra, que já comenta nos bastidores ter sido vítima de uma traição. E reflete bem o recrudescimento da crise política, que levou a Câmara a abrir o processo de afastamento de dilma e, no caso de Kátia, pôs em xeque sua condição de maior liderança do agronegócio do país.

É comum hoje ouvir entre presidentes de entidades, empresários do segmento, representantes do que já foi sua base, e parlamentares da bancada ruralista, que Kátia cometeu “suicídio político” ao insistir em permanecer no governo de Dilma e do PT, a quem se opôs no passado e que defender causas contrárias ao agronegócio.

A CNA acabou oficializando um comunicado contra o governo Dilma, aprovado por 26 das 27 federações de agricultura e pecuária vinculadas à rede sindical da entidade. Apenas a federação de Tocantins, Estado por onde Kátia foi reeleita senadora, não se manifestou. O quadro reflete a insatisfação geral do segmento agropecuário, que promete esvaziar a cerimônia do Plano Safra 2016/17, agendada pela ministra para esta quarta-feira (4).

“Nós produtores não vemos mais a senadora como uma pessoa da casa”, afirmou João Martins ao Valor Econômico. “Se eu fosse ela pedia uma licença por algum tempo e começava a reconstrução da vida política. Talvez ela consiga isso no Estado (Tocantins), porque nacionalmente ela não tem mais sustentação”, acrescentou.

Como reflexo da decisão que tomou de apoiar Dilma, Kátia não tem frequentado feiras agropecuárias, sofre a ameaça pública de ser afastada do comando da CNA e ainda enfrenta um processo de expulsão dentro do seu partido, o PMDB, que desembarcou da base aliada e recomendou que todos os ministros da legenda que deixassem seus cargos.

O esgarçamento dessa relação tem raízes na própria estrutura de poder da CNA, onde Kátia Abreu começou a sofrer oposição de algumas federações, como a do Paraná e do Mato Grosso, e enfrentou um processo judicial contra sua reeleição para presidente da instituição em 2014.

Uma fonte próxima da ministra lembra que antes de se tornar ministra em 2015, Kátia foi “tolerada” por sua base de sustentação política, que representa o PIB do agronegócio. Como não conseguiu manter esse apoio, caminha para “jogar sua biografia no lixo”, e voltar ao Senado sem partido, saindo do governo “menor do que entrou”. “Estamos afastados dela”, diz o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Marcos Montes (PSD-MG).

Antônio Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), pondera que Kátia fez um excelente trabalho no ministério, após abrir mercados internacionais para as carnes brasileiras e vencer uma queda de braço com a Fazenda para abaixar juros do Plano Safra 2015/16. Entretanto, “consumiu seu capital político” ao ter duas oportunidades de sair do governo e não o fazer: quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou seus laços com o governo, e quando um dirigente da Contag, representante dos trabalhadores, ameaçou invasões de fazendas em discurso no Planalto. “Ela foi alertada por nós a sair do governo, mas hoje posso dizer que acabou nossa simpatia e o respeito pelo governo e pela ministra também”, diz Almir Dalpasquale, presidente da Aprosoja Brasil.

“A ministra tomou uma decisão na minha opinião completamente equivocada, ela abandonou a história dela e o apoio do setor, a partir do momento em que passou a ter um projeto pessoal à frente do ministério”, argumenta Gustavo Diniz Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Em resposta às críticas, a ministra Kátia disse ao Valor Econômico que não poderia demonstrar ingratidão a Dilma “por tudo que ela fez pelo setor”. E que em sua gestão, a Agricultura “foi colocada pela presidente no primeiro escalão da Esplanada”. “Posso perder tudo, só não consigo viver com minha consciência me assombrando. Não existe liderança ou futuro sem honra (...) popularidade vai e volta, mas não conheço a palavra convardia ou deslealdada”. (Brasil Agro 03/05/2016)

 

CNA deve se opor a retorno de Kátia Abreu à presidência da entidade

A permanência de Kátia Abreu na presidência da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasi), de onde ela se licenciou antes de assumir o ministério da Agricultura, deverá sofrer oposição interna da diretoria da entidade, que está descontente com sua defesa do governo Dilma Rousseff.

"A ministra ficou do lado do governo, tomou uma posição diferente da nossa. Foi uma escolha dela e as escolhas têm custo", explicou José Mário Schreiner, vice-presidente diretor da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, em entrevista à Folha.

De acordo com Schreiner, enquetes internas revelaram que cerca de 98% dos produtores rurais do Brasil não querem que ela continue sendo presidente da confederação.

Perguntado se a diretoria entrará com um pedido de afastamento caso ela retorne, Schreiner lembra que "há uma questão estatutária a ser obedecida". Ele também faz a ressalva de que é necessário primeiro saber se ela têm a intenção de voltar.

"Mas eu estou representando os produtores rurais de Goiás e 98% dos produtores não querem mais ela lá", alertou.

A ministra não participou da abertura da ExpoZebu no sábado (30), em Uberaba (MG), um dos principais eventos do setor pecuário no país.

Plano Safra

Schreiner, que acumula a função de presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, criticou também a antecipação do Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017. O programa de fomento foi anunciado na semana passada e será lançado nesta terça (3).

"Todos os anos, percorremos o Brasil todo colhendo sugestões para o próximo Plano Safra. Nesse Plano Safra, nós não fomos ouvidos. Ele não tem a nossa chancela", afirmou, acrescentando que a CNA não irá participar do lançamento.

O vice-presidente diretor da CNA classificou a iniciativa como "uma peça de gabinete", "uma peça de ficção" e "uma pirotecnia". (Folha Online 02/05/2016)

 

Preços das commodities melhoram em abril no país

 Após seguidos meses de queda, boa parte dos preços externos das commodities parou de cair em abril. Em alguns casos, como o das carnes, houve alta de até 8%.

Essa recuperação externa de preço para os principais produtos da pauta brasileira de exportações ocorre em bom momento.

É um período de alta dos volumes vendidos, o que pode elevar as receitas do setor. As exportações de soja, o carro-chefe da balança do país, por exemplo, somaram 10,1 milhões de toneladas em abril, aponta a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Até então, o país não havia atingido um volume mensal de exportações superior a 10 milhões de toneladas.

A interrupção da queda nos preços de alguns produtos e a alta de outros inibem um pouco os efeitos da queda do dólar sobre a renda dos produtores.

Mesmo com safras recordes e recuo de preços em Chicago e em Nova York, os produtores vinham obtendo mais reais por suas mercadorias, graças à alta do dólar.

As principais evoluções de preços no mês passado ocorreram no setor de carnes. A suína teve reajuste de 8,1%, com o valor médio subindo para US$ 1.890 por tonelada para o produto "in natura".

Além de obter preços melhores, os exportadores colocaram 53 mil toneladas do produto no mercado externo, 3% mais do que em março.

Já a carne bovina, a de maior valor no mercado externo, subiu para US$ 3.917, em média, no mercado externo, mas o volume das exportações do produto "in natura" caiu 14% em abril.

A carne de frango, líder no setor de proteínas, teve alta de 2%, subindo para US$ 1.408 por tonelada. As exportações de carne de frango "in natura" renderam US$ 533 milhões no mês, com volume de 379 mil toneladas.

O açúcar é outro produto importante da balança comercial brasileira que ganha preços no mercado externo, devido ao deficit mundial entre produção e consumo. A alta foi de 4,5% para o açúcar bruto e de 9,8% para o refinado, segundo a Secex.

Milho

Houve forte desaceleração nas exportações em abril, que recuaram para 58 mil toneladas. No acumulado dos quatro primeiros meses, no entanto, o cereal se mantém como o quarto principal item da lista dos produtos básicos exportados.

Receitas

As exportações de milho, que estão em patamares recordes no ano, renderam US$ 2 bilhões. É um valor bem distante dos US$ 7,3 bilhões da líder soja, mas acima do US$ 1,8 bilhão da carne de frango "in natura".

Caminho inverso

Os preços da celulose, um dos poucos itens que mantinham alta no mercado externo, recuaram 10% no mês passado em relação aos de março. Na comparação com os de há um ano, a queda é de 19%, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Boa recuperação

Minério de ferro e petróleo, produtos que ocupam o segundo e o terceiro posto na lista das exportações brasileiras de produtos básicos, ganharam força em abril.

Mais receitas

A tonelada de minério de ferro, negociada no exterior a US$ 25,6, em média, no mês de março, subiu para US$ 33,1 no mês passado. Já o petróleo saiu dos US$ 168,7 para US$ 198,6 em igual período, apontam dados da Secex. (Folha de São Paulo 03/05/2016)

 

Agência de Proteção Ambiental dos EUA diz que glifosato é seguro

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) declarou o herbicida glifosato, principal produto usado no controle de ervas daninhas em plantas transgênicas, como seguro.

Em um relatório datado de outubro, mas publicado online apenas agora, a EPA afirma que seu comitê destinado à avaliação de câncer respondeu a uma constatação feita no ano passado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, segundo a qual o glifosato provavelmente tem potencial para causar câncer em humanos.

Um painel da EPA respondeu ter revisto todos os estudos disponíveis sobre glifosato e câncer, e não encontrou associações entre o herbicida e a maior parte dos tipos de câncer e “evidências conflitantes” quando se trata de linfoma não­Hodgkin. (Valor Econômico 02/05/2016 às 19h: 54m)

 

Índia irá revogar exportação compulsória de açúcar, dizem fontes

A Índia irá retirar em breve uma regra que obriga usinas de açúcar a exportar o excesso de oferta, disseram duas autoridades do governo nesta segunda-feira, após duas secas consecutivas prejudicarem a produção do país, que poderá voltar a ser um importador líquido já em outubro.

No fim do ano passado, o governo pediu que usinas exportassem cerca de 3,2 milhões de toneladas, numa tentativa de reduzir o que naquele momento era um excedente de açúcar que pressionava preços e reduzia as margens de lucros das empresas.

Para apoiar o esquema e aliviar aquela pressão, o governo indiano aceitou pagar aos agricultores 45 rúpias por cada tonelada de cana de açúcar que produzissem, representando cerca de dois por cento dos custos das usinas.

Quando as exportações compulsórias forem revogadas, os pagamentos diretos aos agricultores também irão cessar, disseram as autoridades, que falaram sob condição de anonimato.

"Nós iremos revogar a regra em breve, porque não temos mais necessidade de exportar", disse uma das fontes.

Quando questionada sobre o prazo para a medida, a segunda fonte oficial acrescentou que "pode demorar algumas semanas".

Sem o subsídio na produção, as usinas indianas deverão ter dificuldade para exportar com lucro, potencialmente elevando os preços do açúcar e permitindo maiores embarques de outros exportadores, como Brasil, Tailândia e Paquistão. (Reuters 02/05/2016)