Macroeconomia e mercado

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Commodities Agrícolas

Algodão: Influência do dólar: O fortalecimento do dólar em relação a diversas moedas exerceu influência sobre a maior parte das commodities agrícolas ontem, e com o algodão não poderia ser diferente. Os contratos da pluma para julho recuaram 131 pontos, para 63,06 centavos de dólar a libra-peso. O mercado, porém, já vem sendo pressionado pela oferta. Na segunda-feira, o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês) elevou sua estimativa para os estoques de passagem globais em 2016/17 para 19,59 milhões de toneladas. Além disso, a China iniciou os leilões do algodão que está em seus estoques, em um programa que deve ir até agosto, reduzindo sua necessidade de importação. Na Bahia, o preço médio ficou em R$ 81,34 a arroba, segundo a associação regional de agricultores, a Aiba.

Soja: Pressão externa: O tom negativo dos mercados globais ontem e a alta do dólar esfriaram os ânimos dos fundos e abriram espaço para a soja cair ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do grão para julho caíram 13,75 centavos, para US$ 10,30 o bushel. Os fundamentos continuam pressionando as cotações. O plantio nos Estados Unidos não está muito distante do ritmo dos últimos anos. Até domingo, 8% da área esperada no país foi plantada. Na mesma época das últimas cinco safras, o plantio estava em 10% da área. Entretanto, a Informa Economics reduziu suas estimativas para safra de soja no Brasil (100,1 milhões de toneladas) e na Argentina (55 milhões de toneladas). No mercado interno, o preço médio no Paraná subiu 1,35%, para R$ 71,40 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Plantio acelerado: A pressão de fatores externos e o avanço do plantio nos Estados Unidos fizeram os preços do milho despencar ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do cereal para entrega em julho fecharam com variação negativa de 12 centavos, a US$ 3,7975 o bushel. Além da influência da alta do dólar e de operações dos fundos, a queda do petróleo também pesou sobre os preços do grão. No campo dos fundamentos, a novidade é que o plantio nos Estados Unidos continua bem à frente da média. Até domingo, 45% da área esperada para a safra 2016/17 no país havia sido semeada. As previsões de tempo firme no Meio-Oeste americano devem favorecer a continuidade dos trabalhos em campo. Na Bahia, o preço médio do cereal ficou em R$ 45 a saca, de acordo com a associação local, a Aiba.

Trigo: Terras úmidas: Como se não bastassem as pressões dos mercados globais, os preços do trigo também foram influenciados ontem pelo clima úmido nas áreas produtoras dos Estados Unidos, que têm favorecido o desenvolvimento das lavouras de inverno. Em Chicago, os lotes para julho caíram 17 centavos, para US$ 4,7075 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual prazo de entrega recuaram 18,5 centavos, a US$ 4,5575 o bushel. Relatos de técnicos que percorrem as plantações dos EUA indicam que a produtividade está acima do que o esperado, segundo analistas. A alta do dólar ante outras moedas também influenciou a trajetória descendente das cotações. No Paraná, o preço médio do trigo ficou estável, em R$ 41,47 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 04/05/2016)

 

Mudanças na Lei do Agrotóxico voltam à pauta política

Após polêmicas em torno da possível substituição do termo agrotóxicos por produtos fitossanitários na lei que trata da produção rural no Brasil, a alteração volta a ser discutida, dessa vez na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei (PL) 3200/15, do deputado Covatti Filho (PP-RS), propõe substituir a atual Lei de Agrotóxicos (7.802/89), que é revogada pelo texto, sendo inclusive o nome agrotóxico substituído por “defensivos fitossanitários e produtos de controle ambiental”. A proposta será analisada por comissão especial constituída para esse fim e pelo Plenário.

O autor da proposta argumenta que a lei está defasada e que seria incompatível com acordos internacionais ratificados pelo Brasil, como o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, internalizado pelo Brasil pelo Decreto 1.355/94.

“A Lei de Agrotóxicos deve ser repensada e reformulada para atender aos anseios da sociedade. Fabricantes informam das dificuldades de instalação de novas fábricas ou de obtenção de registros de seus produtos; produtores rurais reclamam da ausência ou da demora na disponibilização de novos produtos que controlem doenças e pragas; consumidores clamam por alimentos mais seguros; médicos alertam para aspectos da saúde humana e toxicológicos; ambientalistas apontam para a necessidade de desenvolvimento de processos mais sustentáveis”, cita o parlamentar.

CTNFito

O projeto contempla também um adendo na estrutura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que seria a Comissão Técnica Nacional de Fitossanitários (CTNFito). A finalidade  é apresentar pareceres técnicos conclusivos aos pedidos de avaliação de novos produtos defensivos fitossanitários, de controle ambiental, seus produtos técnicos e afins.

A comissão vai centralizar várias competências que estão hoje distribuídas entre outros órgãos, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura. “A proposta apresenta uma política de Estado para os defensivos fitossanitários e institui uma nova sistemática para procedimentos de avaliações e registros, à semelhança de países tais como Estados Unidos e Canadá, que concentram tal atividade em um único órgão de governo”, justifica Covatti Filho.

Entre as atribuições, estariam "avaliar os pleitos de registro de novos produtos técnicos e emitir pareceres técnicos conclusivos nos campos da agronomia, toxicologia e ecotoxicologia sobre os pedidos de aprovação de registros de produtos"; avaliar e homologar relatório de avaliação de risco de novo produto ou de novos usos em ingrediente ativo"; "estabelecer diretrizes e medidas que possam reduzir os efeitos danosos desses produtos sobre a saúde humana e o meio ambiente"; entre outras coisas. O texto na íntegra pode ser acessado clicando aqui. 

Registros de novos produtos

Ainda de acordo com a proposta, os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente deverão emitir registros de novos produtos fitossanitários e de controle ambiental em até 30 dias após a data de emissão do parecer conclusivo da CTNFito.

Tal qual a Lei de Agrotóxicos atual, o projeto de lei traz normas para a expedição da Permissão Experimental Temporária para novos produtos destinados à pesquisa e à experimentação. Além disso, traz normas para outros tipos de registro, como de produtos idêntico e de exportação, e fixa valores de taxas de avaliação e de registro. (Globo Rural 04/05/2016)

 

Fundos aumentam apetite por commodities agrícolas

Os fundos de investimentos voltaram a gostar, e muito, das commodities agrícolas nas semanas recentes.

No início de março estavam se desfazendo dos contratos que tinham neste setor. Estavam "vendidos" (apostavam na queda) em 11 milhões de toneladas de soja.

Pouco tempo depois, os fundos passaram a comprar loucamente, somando na semana passada contratos correspondentes a 21,8 milhões de toneladas dessa oleaginosa. Esse é o maior volume registrado em exatos dois anos.

Da posição de vendas do início de março à de compra na semana passada, os fundos adquiriram 33 milhões de toneladas em suas carteiras.

Esse novo cenário trouxe mudanças nos preços na Bolsa de Chicago. O contrato futuro de maio saiu de uma posição mínima de US$ 8,56 por bushel (27,2 quilos) no início de março para a máxima de US$ 10,48 nesta terça-feira (3). Ou seja, houve uma evolução de 22% no período.

Essa mudança de posição dos fundos também afetou o mercado brasileiro, segundo Daniele Siqueira, da AgRural.

Houve um avanço dos negócios com a soja, tanto a da safra 2015/16, já colhida, como a de 2016/17, que ainda será semeada.

A AgRural ainda está apurando os dados de comercialização de abril, mas Daniele diz que o volume deverá dar um salto em relação aos 2% de março.

A movimentação de preços em Chicago fez com que aumentassem também os negócios em dólares no mercado de Mato Grosso.

Em março, a saca estava sendo negociada a US$ 14,50. Os preços atuais estão em US$ 18 por saca.

A alta de preços em Chicago trouxe reajuste para a soja em todas as principais praças de negociações.

Do início de março para cá, a oleaginosa subiu 18% em Sorriso (MT), 14% em Rio Verde (GO), 12% no oeste do Paraná, 12% em Luiz Eduardo Magalhães e 11% em Paranaguá, conforme dados da AgRural.

Os fundos também se voltaram para o milho em Chicago, mas esse movimento ocorreu com mais intensidade apenas nas últimas semanas.

De 8 de março até a semana passada, os fundos colocaram 39 milhões de toneladas do produto em suas carteiras.

O cereal saiu de um preço mínimo de US$ 3,475 por bushel (25,4 quilos), em 31 de março, para uma máxima de US$ 4,02 nesta terça-feira.

O avanço da presença dos fundos no milho, e a consequente alta de preços na Bolsa de Chicago, não teve grande interferência no mercado interno brasileiro.
O preço interno do milho está "descolado" do de Chicago, devido às exportações brasileiras recordes e à falta de produto internamente, diz Daniele. (Folha de São Paulo 04/05/2016)