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BrasilAgro fechou 3º tri do exercício com perda

A BrasilAgro, companhia focada no desenvolvimento de terras agrícolas, reportou ontem um prejuízo líquido de R$ 17,96 milhões no terceiro trimestre do ano fiscal de 2016, encerrado em 31 de março. O resultado representa uma piora em relação ao desempenho no mesmo período do ano anterior, quando a empresa teve um lucro líquido de R$ 16,12 milhões.

No acumulado do atual exercício fiscal (que representa os nove primeiros meses da safra 2015/16), a BrasilAgro ainda registrou um lucro líquido de R$ 27,84 milhões, alta de 47,5% em relação ao resultado líquido também positivo de R$ 18,88 milhões do mesmo intervalo da temporada anterior.

"A queda da produtividade dos grãos impactou negativamente o resultado do trimestre. Entretanto, o acumulado do ano segue positivo, reflexo do extraordinário resultado das operações de cana-de-açúcar e da boa gestão financeira da companhia", informou a BrasilAgro em nota que acompanhou o balanço. A empresa ressaltou, ainda, que seus resultados financeiros a deixam em "posição privilegiada" para levar adiante sua estratégia de expansão e investimentos.

No período de nove meses até março, a receita líquida de vendas da BrasilAgro somou R$ 94,96 milhões, alta de 1,2% em relação ao mesmo intervalo de 2015. Mas no terceiro trimestre, a receita de vendas totalizou R$ 6,84 milhões, 68,6% abaixo dos R$ 21,83 milhões no mesmo período do ciclo passado.

Conforme a BrasilAgro, houve uma diminuição significativa na receita líquida de vendas da soja, devido à queda na colheita até 31 de março, em função do atraso no plantio devido às condições climáticas adversas no Nordeste do país, onde se concentra o cultivo da empresa.

"Esperamos um resultado abaixo da média histórica nas fazendas do Piauí e Bahia, impacto do baixo nível de chuvas nos meses de novembro, dezembro e fevereiro. A produtividade média do milho e da soja teve uma redução na produtividade de 40% e 30%, respectivamente", disse a companhia, na nota. A empresa já colheu 82% da área plantada com soja, e 40% do milho. Também já iniciou a colheita de cana no Centro-Oeste.

Já no Paraguai, a companhia disse que a produtividade da soja e do milho está "muito acima do esperado". Naquele país, onde atua por meio de uma sociedade com a Cresca, a BrasilAgro conseguiu licença ambiental para operar uma área de cerca de 36 mil hectares.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BrasilAgro ficou negativo em R$ 13,22 milhões no terceiro trimestre do exercício de 2016, ante Ebitda positivo de R$ 14,42 milhões no mesmo período do ano fiscal passado. Na mesma comparação, o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 2,69 milhões, ante Ebitda ajustado positivo de R$ 1,47 milhão nos três meses encerrados em 31 de março de 2015. (Valor Econômico 06/05/2016)

 

Produção de trator tem alento em abril, mas acumula baixa de 46% no ano

A indústria de máquinas agrícolas viveu um período atípico no mês passado. A produção de tratores somou 3.257 unidades, aumento de 63% em relação a março.

Apesar dessa evolução em abril, o desempenho do setor continua muito fraco em relação ao dos anos anteriores.

De janeiro a abril, as indústrias produziram 8.739 tratores, 46% a menos do que em igual período de 2015.

Com um cenário econômico pouco atraente, as indústrias paralisaram as atividades em meados de dezembro e só voltaram com mais ímpeto a partir da segunda quinzena de março.

Nesse período, deram férias coletivas e utilizaram o banco de horas dos funcionários.

Além disso, é um período de sazonalidade. As indústrias dão prioridade à produção de colheitadeiras no primeiro trimestre e retornam à de tratores a partir de abril.

Os números mostram isso. A produção de colheitadeiras recuou para apenas 124 unidades no mês passado, 66% menos do que em março.

No acumulado do ano, a produção soma 1.022 unidades, 33% menos do que de janeiro a abril do ano passado.

Assim como as indústrias pisaram no freio na produção, os produtores também reduziram as compras, embora o cenário para preços não tenha se corroído como se imaginava nesses primeiros meses do ano.

A elevação dos custos inibe, no entanto, investimentos que não sejam ligados diretamente à produção.

As vendas de tratores subiram 15% no mês passado, mas ainda registram queda de 42% no acumulado do ano, ante igual período do ano passado.

Já a venda de colheitadeiras caiu para 1.091 unidades no ano, um recuo de 21% em relação a janeiro-abril de 2015.

Milho

A produção de milho safrinha deve recuar para 46,1 milhões de toneladas na região centro-sul, segundo estimativa da AgRural.

Queda

Esse volume indica forte queda em relação aos 51,6 milhões de toneladas estimadas no início de abril. Já a produção total brasileira cai de 54,6 milhões de toneladas para 48,9 milhões.

Causas

A estiagem e o calor intenso no mês passado foram os responsáveis por um desempenho pior da safra do cereal do que se imaginava há algumas semanas.

Alimentos

O custo dos alimentos subiu 0,7% no mês passado, em relação a março, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação). É o terceiro mês seguido de elevação.

Setores

Carnes, cereais e óleos tiveram aumento no período. Já leite e açúcar perderam preço, segundo a FAO. Nos últimos 12 meses, o índice médio de acompanhamento de preços dos alimentos aponta retração de 10%.

Açúcar

Após ter atingido o maior preço desde outubro 2014 na quarta-feira (4), o contrato de julho do açúcar recuou 4,9% nesta quinta (5), para 15,84 centavos de dólar por libra-peso. O avanço da safra brasileira auxilia a queda.

Chicago

As principais commodities agrícolas negociadas na Bolsa tiveram queda nesta quinta-feira (5). Soja e trigo registraram as principais reduções no dia. A oleaginosa caiu 2%; e o cereal, 1,6%. (Folha de São Paulo 06/05/2016)

 

Saques da poupança rural superam depósitos em R$ 1,941 bilhão

Poupança rural é uma das mais importantes fontes de financiamento do setor agropecuário. Desde 2014, saída da poupança tem ocorrido de forma sistemática, tornando cada vez mais complexa a formulação do Plano Safra.

Os saques da poupança rural, uma das mais importantes fontes de financiamento do setor agropecuário, não param de crescer. Em abril, as retiradas superaram os depósitos, deixando um saldo negativo de R$ 1,941 bilhão. O resultado, divulgado há pouco pelo Banco Central, é o pior para o mês e o segundo maior prejuízo da série iniciada em 1995. Desde 2014, a saída da poupança rural tem ocorrido de forma sistemática, tornando cada vez mais complexa a formulação de um Plano Safra que permita um financiamento adequado para o setor produtivo.

Os dados do BC mostram ainda que, no mês passado, enquanto os investidores aplicaram R$ 29,075 bilhões, as retiradas totais somaram R$ 31,016 bilhões. Com isso, o patrimônio da caderneta ficou em R$ 146,482 bilhões, redução de 0,46% frente a março. Esse resultado já conta com o rendimento creditado de R$ 940,4 mil no mês passado. No acumulado do ano, o quadro não é diferente. Até abril, o saldo está no vermelho em R$ 4,550 bilhões e, em 21 anos, só perde para o primeiro quadrimestre do ano passado, quando os saques líquidos chegaram a R$ 5,328 bilhões.

A contínua e acentuada deterioração da caderneta se dá por conta da piora do cenário econômico, com a alta da inflação e do aumento do desemprego. Além disso, outros investimentos se tornaram mais atrativos ao apresentarem rentabilidade maior. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano e atualmente está em 14,25% ao ano.

Crédito

Esse recuo na caderneta de poupança ocorre em meio ao lançamento de um Plano Safra controverso, voltado para o ciclo 2016/2017, e que sofreu críticas de não ter tido participação do setor produtivo na elaboração. Também foi alvo de questionado e acusado de ser lançado às pressas como parte da estratégia do Palácio do Planalto de gerar fatos que permitam ao governo fazer a defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, gestão sob risco de acabar na próxima semana caso o Senado aprove a admissibilidade do impeachment.

A proposta deste Plano Safra, anunciada ontem pela presidente Dilma Rousseff e pela ministra Kátia Abreu, prevê a disponibilidade de R$ 143,750 bilhões em financiamentos a juros controlados. Pelo menos R$ 10 bilhões desse total podem vir de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), caso um mudança na regra desse produto seja aprovada e os bancos consigam emitir papéis conforme as expectativas do governo. Até o momento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) não se reuniu para aprovar as medidas que foram anunciadas ontem e, para que elas possam valer, dependem da autorização do conselho que é formado pelos ministros da Fazenda (Nelson Barbosa), Planejamento (Valdir Simão) e Banco Central (Alexandre Tombini).

Na safra atual, o ritmo de contratações usando essas letras como funding ficou aquém das projeções iniciais. O custo desse plano também aumentou, tanto para os produtores quanto para os contribuintes. Os subsídios a serem desembolsados pelo Tesouro Nacional subiram em R$ 1 bilhão, para R$ 6,2 bilhões, como antecipou o Broadcast Agro. Mesmo com esse aumento dos gastos para bancar o Plano Safra, a taxa para os produtores subiu 0,75 ponto porcentual em todas as linhas. Para integrantes do governo, no entanto, esse custo pode cair.

Diante da expectativa do mercado de que a taxa básica da economia (Selic) recue mais a frente, a necessidade de equalização de juros nessas operações também pode diminuir. Uma fonte, no entanto, observa que essa expectativa de queda no custo do plano safra é “exercício de futurologia” e ainda é cedo para definir qualquer cenário, sobre tudo diante da possível troca de governo nas próximas semanas. (O Estado de São Paulo 06/05/2016)

 

Petroleiros vão aderir à greve liderada pela CUT

Visão da categoria é que se Temer assumir a presidência, os direitos trabalhistas dos empregados da Petrobrás estarão ameaçados; ato será na próxima terça-feira, 10.

Os petroleiros decidiram entrar em greve na próxima terça-feira, dia 10. Em assembleia realizada ontem, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa a maioria dos empregados da Petrobrás, decidiu aderir ao movimento liderado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"A Petrobrás e o Pré-Sal encabeçam as propostas dos golpistas de privatização e de redução de direitos", informou a FUP, em comunicado oficial.

A visão dos petroleiros é que se o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir a presidência, os direitos trabalhistas dos empregados da Petrobrás estarão ameaçados.

"Conquistas, como o avanço de nível automático, a jornada 14 x 21 (14 dias trabalhando em plataforma para 21 em casa), a hora extra a 100%, a HE (hora extra) da troca de turno, os auxílios educacionais, o benefício farmácia e várias outras garantias da AMS (assistência médica) não serão poupadas", traz a nota.

Alguns desses benefícios chegaram a ser questionados pela atual diretoria da Petrobrás, que voltou atrás depois da pressão exercida pelos sindicalistas, principalmente, após a greve realizada no fim do ano passado. (O Estado de São Paulo 06/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: Os preços do açúcar tombaram ontem na bolsa de Nova York refletindo vendas de posições dos fundos, que desviaram a atenção dos fundamentos e dos fatores macroeconômicos para tentar embolsar os ganhos recentes. Os lotes do açúcar demerara para entrega em outubro fecharam com recuo de 74 pontos, a 16,16 centavos de dólar a libra-peso. Recentemente, os fundos acumularam uma posição líquida vendida bastante elevada, o que deixou o mercado vulnerável para correções técnicas como a de ontem. Os analistas ainda afirmam, porém, que o mercado pode encontrar mais sustentação diante da quebra de safra na Índia, que pode voltar a importar açúcar. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,03%, para R$ 75,13 a saca de 50 quilos.

Algodão: Pressão cambial: A valorização do dólar em relação a diversas moedas ao redor do mundo foi determinante ontem para a queda dos preços do algodão na bolsa de Nova York. Os contratos da pluma com vencimento em julho recuaram 99 pontos, para 61,79 centavos de dólar a libra-peso. A alta da moeda americana torna o algodão dos Estados Unidos (maior exportador do produto) mais caro para os importadores, deprimindo a demanda. A influência do câmbio deixou jogou para escanteio os dados de vendas dos EUA ao exterior. Na semana até 28 de abril, foram negociadas 13,3 mil toneladas para entrega na safra atual, alta de 26%. Para entrega na próxima safra, foram vendidas 5,4 mil toneladas, alta de 14%. Na Bahia, o preço ficou em R$ 85,81 a arroba, conforme a Aiba.

Soja: Vendas em Chicago: O mercado futuro da soja mudou de direção no meio do pregão de ontem na bolsa de Chicago e fechou em terreno negativo, pressionado pela valorização do dólar e por vendas dos fundos. Os lotes para julho fecharam com recuo de 21,75 centavos, a US$ 10,1225 o bushel. Após a alta de quarta-feira os fundos deram prioridade para a liquidação de posições para tentar realizar lucros. Os dados de aumento das vendas externas de soja dos EUA ao exterior na semana passada não exerceram influência sobre as negociações. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que foram negociadas 815,8 mil toneladas de soja para entrega na safra atual na semana até 28 de abril, alta de mais de 200% sobre a semana anterior. Na Bahia, o preço ficou em R$ 72,50 a saca, segundo associação local, a Aiba.

Trigo: Safra promissora: Além da pressão generalizada sobre as commodities agrícolas exercida ontem pela valorização do dólar sobre diversas moedas, os preços do trigo também recuaram por conta de estimativas de uma safra excepcional nos Estados Unidos. Em Chicago, os lotes para julho fecharam a US$ 4,6325 o bushel, queda de 8 centavos. Em Kansas, onde se oferta trigo de melhor qualidade, papéis com o mesmo vencimento caíram 5 cents, a US$ 4,5275 o bushel. Uma expedição realizada pelas lavouras de Kansas (principal Estado produtor do cereal nos EUA) avaliou que a produtividade da próxima safra de inverno deverá ficar em 3,3 toneladas por hectare, ante 2,45 toneladas por hectare na safra passada. No Paraná, o preço médio seguiu em R$ 41,47 a saca, segundo Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 06/05/2016)