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Trator financeiro

A fabricante de máquinas agrícolas John Deere busca um sócio para a sua operação financeira no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 09/05/2016)

 

Dreyfus pode vender fatia em novo terminal de grãos do Brasil, diz fonte

A comercializadora de commodities agrícolas Louis Dreyfus pode vender uma parcela em um importante terminal de grãos no Nordeste do Brasil, para embolsar os lucros de sua entrada pioneira no projeto, disse uma fonte da empresa. O Tegram, no porto de Itaqui, no Maranhão, é uma instalação com alto potencial entre os novos terminais em desenvolvimento no Brasil, com as empresas se movendo para áreas do Norte/Nordeste para se aproximarem de importantes destinos, reduzindo ainda a dependência dos portos sobrecarregados no Sudeste/Sul, como Santos e Paranaguá.

A Dreyfus tem uma parcela de 25 por cento no projeto em uma joint venture com a brasileira Amaggi. A comercializadora Glencore e as empresas locais NovaAgri e CGG Trading são as demais acionistas. "Este foi um projeto que funcionou muito bem, então a empresa deseja vender uma parte para obter alguns dos investimentos que fez", disse a fonte que solicitou anonimato porque não está autorizada a falar sobre o plano.

A Bloomberg noticiou mais cedo nesta quinta-feira que a Louis Dreyfus e a Amaggi contrataram o HSBC Holdings para vender parte ou toda a parcela de 25 por cento que possuem em um terminal em Itaqui. A agência de notícias disse o processo de venda já está em andamento.

Um acionista da Amaggi, no entanto, disse à Reuters nesta quinta-feira que a empresa não está vendendo sua parcela no projeto. Ele disse que houve uma consulta de um investidor recentemente, discussões chegaram a ser abertas, mas o processo para um acordo "não andou".

O terminal fornece a capacidade necessária para o embarque de grãos e farelo de soja. A soja é atualmente o principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

A Louis Dreyfus não estava imediatamente disponível para comentários. Uma terceira fonte, um executivo do porto de Itaqui, disse que não estava ciente de quaisquer negociações no momento.

O Tegram de Itaqui está cerca de 4 mil quilômetros mais próximo do Canal do Panamá que o porto de Santos, maior exportador do Brasil, o que dá a ele uma vantagem competitiva para o embarque de soja e milho para a Ásia. A instalação recebe os grãos produzidos na área da nova fronteira chamada Matopiba, no Nordeste do Brasil, e oriundos do norte de Mato Grosso, o maior Estado produtor de soja do país.

O terminal exportou 3,34 milhões de toneladas de grãos em 2015, muito acima da meta inicial de 2 milhões de toneladas, e deve aumentar os embarques para 4,5 milhões de toneladas em 2016. Os parceiros já investiram 600 milhões de reais no terminal. (Reuters 06/05/2016)

 

Blairo Maggi diz que aceitou ir para Agricultura em eventual gestão Temer

O senador Blairo Maggi (PR-MT) anunciou neste sábado (7) que foi convidado pelo PP e aceitou assumir o Ministério da Agricultura em um eventual governo Michel Temer (PMDB). Segundo o senador, a conversa ocorreu com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Blairo disse à Folha que ainda não conversou com o vice-presidente, Michel Temer. O senador prepara o desembarque do PR e ingresso no PP diante da possibilidade de assumir o posto, uma vez que o ministério está na cota dos pepistas.

"Nós vivemos um momento muito difícil e acho que todos somos chamados para contribuir e não posso me furtar de fazer isso", disse. O senador afirmou ainda que uma das razões para possivelmente assumir uma vaga primeiro escalão é por sua ligação com o agronegócio.

Ruralista e ex-governador de seu Estado, ele recebeu em 2005 a "Motosserra de Ouro", uma premiação irônica do Greenpeace, ONG ligada ao meio ambiente.

Pelo Twitter, antes de comentar o acerto com o PP, o senador também disse que foi inocentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas investigações da operação Ararath, deflagrada em 2010, que apurou um esquema de uma série de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica e falsificação de documento público que teria servido aos interesses de políticos do primeiro escalão em Mato Grosso.

"O MPF me inocentou de qualquer participação em crimes investigados na operação Ararath", escreveu o senador. "Ser inocentado por Janot é um verdadeiro atestado de idoneidade. Ele é extremamente rigoroso nos casos de corrupção", completou. (G1 09/05/2016)

 

Kátia Abreu critica representantes do agronegócio

Até então cautelosa ao se referir ao setor que a projetou nacionalmente, o agronegócio, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, resolveu mudar o tom e fez uma crítica direta a membros da classe. Ao ressaltar o apoio e realizações da presidente Dilma Rousseff ao campo, ela criticou integrantes do setor da agricultura que “viraram as costas” para a petista. “Enquanto alguns dessa área [agro] viraram as costas, a ingratidão não faz parte do meu vocabulário político”, declarou a ministra, em seu pronunciamento durante inauguração da sede da Embrapa em Palmas (TO).

Essa foi a crítica mais dura de Kátia referindo-se ao setor. Até então, Kátia evitava o embate em meio a severas críticas de líderes do agronegócio no Brasil, como o presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), João Martins, eleito vice na chapa da ministra, que está licenciada e pode voltar ao cargo com o iminente fim do governo Dilma. Martins chegou a dizer que ela não deveria tentar retomar a presidência da CNA porque “traiu a classe”.

Martins, à frente da CNA, liderou movimento da entidade que se posicionou contra a proposta de retorno da CPMF (Comissão Provisória de Movimentação Financeira) e a favor do impeachment de Dilma – a CNA inclusive liderou movimento de produtores que no último dia 17, data da votação do processo na Câmara, lotaram a esplanadas dos ministérios pedindo a saída de Dilma.

o episódio mais recente deste embate, Martins liderou boicote ao lançamento do Plano Safra anunciado nesta semana por Dilma e Kátia alegando que o setor não foi consultado sobre seu conteúdo. No discurso deste sábado, ao citar números do plano (recursos de R$ 202 bilhões à disposição dos produtores, 8% a mais que em 2015), Kátia disse que Dilma foi a presidente que mais apoiou a agricultura brasileira. "A presidenta Dilma colocou na mão dos produtores R$ 202 bilhões. Nenhum presidente deu tanto recurso e apoio para a agricultura."Já outros líderes ruralistas foram mais ponderados em relação à Kátia. O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, criticou em abril o fato de Kátia ter permanecido no governo. “Praticamente todo o setor agropecuário apoia o impeachment. Apesar de ser uma boa ministra, não há mais ambiente político para nada”, disse, à época. CNA e SRB, num determinado momento do processo de impeachment cobraram diretamente as promessas não cumpridas do Mapa.

Entretanto, houve voz que saiu em defesa de Kátia. Ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o governo Dilma “fraco e paralisado deixou a ministra de mãos atadas”.

EX-MINISTROS TRAIDORES

Já ex-ministros voltaram a ser criticados pela senadora licenciada pelo Tocantins. Ela chamou de “traidores” os ex-aliados políticos que deixaram o governo, votaram pelo impeachment na Câmara ou apoiam o afastamento de Dilma no Senado. Kátia se referiu à Dilma como mulher honesta, honrada e séria. “Esses políticos que até ontem eram ministros de vossa excelência, que foram ministros durante cinco anos do seu governo, agora lhe viram as costas, lhe enfiam a faca pelas costas. Mas antes usufruíram do seu mandato”, disse Kátia na cerimônia, que contou com a presença de Dilma. (Surgiu 08/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: Uma nova rodada de realização de lucros voltou a pressionar a cotações do açúcar na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do açúcar demerara com vencimento em outubro fecharam com queda de 7 pontos, negociados a 16,09 centavos de dólar a libra-peso. Os fundos buscam sair de suas posições altamente compradas depois que um forte ataque especulativo descolou os preços internacionais do mercado físico do Brasil. O açúcar negociado no porto de Santos é negociado com desconto de 35 pontos, um valor que vem subindo nos últimos dias, em consequência da demanda ainda fraca e pelo aumento da oferta a partir do Centro-Sul. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou alta de 0,25%, para R$ 75,32 a saca de 50 quilos.

Café: Impulso do dólar: O enfraquecimento do dólar, em decorrência o baixo ânimo dos investidores quanto a uma elevação dos juros nos Estados Unidos neste ano, foi um forte impulso para os preços do café na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes do arábica para julho avançaram 300 pontos e fecharam a US$ 1,2450 a libra-peso. A queda do dólar diminui o estímulo à exportação porque reduz os ganhos por saca. Segundo analistas, a recuperação do real vai ajudar os produtores a aumentar os estoques de café no país. Essa correlação com o câmbio vem ofuscando a antecipação da colheita da safra 2016/17 no Brasil, que foi possível por causa do tempo seco no Sudeste. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Soja: No azul em Chicago: Os preços da soja ganharam forte impulso na sexta-feira na bolsa de Chicago refletindo uma retomada do apetite especulativo dos fundos e a alta demanda internacional pelo grão americano. Os papéis para entrega em julho fecharam com elevação de 22,50 centavos, a US$ 10,3475 o bushel. O dólar recuou em relação a diversas moedas, o que ofereceu impulso às commodities em geral. Além disso, o forte aumento das vendas dos EUA ao exterior na última semana também foi citado por analistas como motivo para a valorização do grão. Os traders também antecipam que o Departamento de Agricultura americano (USDA) cortará suas estimativas para a safra do Brasil e da Argentina no relatório de amanhã. No Paraná, o preço caiu 0,96%, para R$ 71,93 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Impulso externo: As cotações do milho registraram valorização na bolsa de Chicago na sexta-feira, no bojo dos ganhos dos demais mercados de commodities, sustentados pelo ambiente externo positivo. Os contratos do cereal com vencimento em julho encerraram a sessão com elevação de 3,75 centavos, a US$ 3,775 o bushel. O enfraquecimento do dólar, que refletiu um maior pessimismo com uma elevação dos juros americanos neste ano, e a alta dos preços do petróleo foram cruciais para a valorização dos preços do milho. Outra fonte de suporte aos preços foi a venda de 132 mil toneladas de milho dos EUA a Israel para entrega nesta safra. No Paraná, os preços do milho ficaram estáveis, em R$ 40,40 a saca, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab).